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Fiction » Romance » Embodied In Love and Shadow font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Blanxe
Fiction Rated: M - Portuguese - Romance/Supernatural - Reviews: 14 - Published: 08-27-08 - Updated: 08-27-08 - id:2564657

Título: Embodied In Love And Shadow

Autora: Blanxe

Beta: Cristal Samejima

Gênero: Yaoi, Sobrenatural, Angst, Drama, Romance, Violência.

Personagens Originais: Tezrian Diriel - Kenzie Garner – Furiae Cimeries

Agradecimentos : À Cristal que aceitou a missão de ser beta desse meu projeto.


Prólogo

Ele não era normal, tampouco poderia considerar-se anormal quando sequer pertencia àquele mundo. O mundo humano. Era uma figura incomum que habitava lugares ocultos e tinha como alento a escuridão da noite. Sua pele branca – não alva ou pálida, mas sim branca como porcelana em nuance acinzentada - combinava com a cor plúmbea de seus cabelos longos, aos quais preferia manter soltos, caindo até quase a altura de seu cóccix; os olhos de uma tonalidade e brilho âmbar inigualáveis, onde suas pupilas verticais assemelhavam-se as de um felino. Os lábios finos e pálidos em seus raros sorrisos maliciosos exibiam a dentição perfeitamente clara, com caninos salientes e pontiagudos, assim como suas orelhas. Seu corpo delgado, levemente musculoso e desprovido de pêlos, emanava toda a atração que necessitava para suas vítimas.

Não, não era um vampiro, mas os humanos que criaram a lenda – o mito – o chamavam assim, ainda que seu título fosse, nada mais, nada menos, o de um demônio. Sua morada eram aquelas ruas, aqueles becos. Alimentava-se do sofrimento e da dor daqueles que cruzavam seu caminho. O sangue, derramado por suas mãos fortes e unhas espessas e negras, se tornava o mais saboroso vinho ao seu paladar.

Uma aberração, um assassino, um sobrevivente… não importava a classificação. Sua independência, sua soberania sobre outras criaturas da noite que o temiam, faziam-no único e onipotente mesmo que a raça inferior a qual tinha o prazer de atormentar não se apercebesse ainda.

Ele sempre estava à espreita. Uma nova vítima, mais uma noite a procura de diversão para saciar seus instintos, suas necessidades primais.

Entretanto, naquela noite sua vontade de caçar ganhou as ruas frias e úmidas da grande cidade, guiando-o por um caminho raramente traçado quando decidia procurar algo diferente: a área residencial. Não lhe era novidade invadir sorrateiramente uma casa, deleitar-se do sofrimento de uma família e depois dizimá-la a seu bel-prazer, porém, a freqüência com que isso acontecia era pequena. Não gostava de se afastar dos grandes centros, das sombras, só que a lua cheia parecia estar pedindo por mais do que uma pobre vítima encurralada numa viela escura.

Nunca atacava a mesma vizinhança, não por medo de ser descoberto, mas por querer tornar distintas suas presas. Não fazia distinção alguma sobre elas. Ricos, pobres, etnias variadas, adultos, crianças… não importava. O que valia a pena era sempre a agonia de vê-los morrer por suas mãos, o horror de seus olhos ao constatarem que estavam diante de algo sobrenatural.

E naquela noite queria escutar os gritos, queria saborear o pavor, mostrar a uma minoria de desafortunados, quem era o demônio chamado Tezrian Diriel.

oOo

Kenzie Garner acordou sobressaltado quando um barulho alto ecoou pela casa de dois andares. O mínimo ruído era o suficiente para deixar seus sentidos à flor da pele, e um tão alto e incomum como aquele, depois que já tinha escurecido, fazia com que seu coração disparasse dez vezes mais do que o normal.

Não, ele não era um menino tolo que tinha medo do bicho-papão, seus medos não se resumiam a coisas infantis… não mais. Esses haviam sido sobrepujados por receios mais reais, por agressões menos psicológicas. Ele temia sua própria casa e aqueles que nela habitavam.

No entanto, o som de agonia nem vinha de perto de seu quarto e aquilo o fez estranhar. Um grito feminino que reconheceu de pronto ser de sua mãe, trouxe um bolo a sua garganta. Queria saber o que estava acontecendo, porém, temia deixar o quarto sem prévia autorização.

Um xingamento vulgar e alto emitido pela voz grossa de seu pai lhe tirou qualquer dúvida e fez com que jogasse as cobertas para o lado. Sem se importar em calçar os chinelos, seus pés tocaram o piso frio do chão e caminharam hesitantemente até a porta de madeira de seu quarto. Abriu-a desconfiado, enquanto continuava a escutar gritos de agonia e dor.

Uma vez no pequeno corredor, mirou as escadas de maneira receosa sabendo que era por ela que deveria descer se quisesse chegar à fonte de toda aquela perturbação. Silencioso como aprendera a ser, desceu degrau por degrau, enquanto seu coração tentava pular para fora de seu peito devido à tensão que sentia a cada novo passo. O breu da casa não ajudava muito, as luzes completamente apagadas e somente a luminosidade fraca vinda da rua entrando pelas janelas, permitia que visse onde estava pisando e o contorno dos móveis da sala.

Seus passos comedidos o levaram até a cozinha. A luz da geladeira aberta trazia à cena na sua frente mais vivacidade e seus olhos castanhos se arregalaram com o que via bem diante de si.

Sangue.

Os olhos da mulher loira que chamava de mãe olhavam diretamente para si, mas ao mesmo tempo para o nada, já não tinham vida. Seu corpo jazia despedaçado numa poça vermelha a uns passos distância, bem em meio à passagem que dava para o cômodo em si.

Sua garganta secou e os olhos brilharam quando seu foco mudou para o homem que estava sendo prensado contra a coluna ao lado da geladeira aberta. Seu pai… seu maldito pai estava agonizando. O gorgolejo do sangue em sua boca não o deixava pronunciar qualquer pedido de ajuda, enquanto uma mão enfiada em seu peito parecia procurar o caminho para seu órgão vital.

Kenzie sobressaltou-se quando a mesma mão suja de carmim trouxe, num único puxão, o coração ainda pulsando e deixou que o corpo pesado do homem robusto caísse no chão como algo imprestável. Viu o assassino, ainda segurando o órgão como um troféu, sorrir bizarramente para a forma agonizante que, apesar de impossível, parecia estar viva.

Engoliu em seco quando a figura percebeu sua presença e voltou à atenção plenamente para si. Foi quando realmente viu que se tratava de uma criatura e não de um verdadeiro ser humano.

Observou com olhos cativos, a mão apertar aquele coração como se fosse uma bola de papel e simplesmente esmagá-lo entre seus dedos longos e grossos, fazendo o líquido vermelho espirrar e criando ainda mais sujeira. Os orbes âmbar jamais deixando os seus castanhos.

Kenzie não se moveu um milímetro e continuou a esperar, admirar toda a bagunça que o ser havia feito ali, incapaz de demonstrar uma reação ou sofrer por isso.

- Não vai gritar? Chorar? – a voz grave e masculina lhe perguntou com escárnio e quando não lhe respondeu, começou a caminhar lentamente em sua direção, fazendo questão de pisar no corpo de sua mãe morta no processo. – Não está com medo de mim, do que eu posso fazer a você?

O menino sabia que deveria ter algum sentimento. Eram seus pais mortos ali e eles, pelo que via, tinham sofrido nas mãos daquele ser. No entanto, a única coisa que sentia era paz, algo que há muito tempo desconhecia o significado, e devia isso à criatura a sua frente.

oOo

Quando viu aquele menino de cabelos castanhos lisos e curtos, com pouco mais de oito anos, assistindo o resultado de sua caçada aquela noite, o demônio achou divertido, pois teria mais uma vítima para ver sofrer e tirar a vida. Porém, à medida que foi se aproximando e percebeu que no olhar do garoto não havia medo, nem por sua figura ou pelo que tinha feito a sua família, aquilo o incomodou.

O certo seria aquela pequena e inocente criatura gritar, se desesperar pateticamente como qualquer outro de sua raça. Só que ao contrário de sua crença, o menino apenas o encarava, permitindo que se aproximasse, sem recuar um centímetro sequer.

Ele não tinha medo da morte e, acima de tudo, não tinha medo de si.

E isso era… fascinante.

Abaixou para ficar frente a frente com a pequena figura vestida com pijama e, inclinando levemente a cabeça para o lado, analisou as feições infantis, buscando entender o que motivava a falta de emoção do menino e foi pego de surpresa quando este finalmente reagiu.

A mãozinha tocou seu rosto num carinho e, em seguida, sentiu os pequenos e finos braços circundarem seu pescoço, o corpo menor encostar-se ao seu num abraço. Foi a sua vez de ficar completamente sem reação, enquanto a voz do menino sussurrava como um desabafo de agradecimento, bem próximo ao seu ouvido:

- Obrigado…

oOo

Continua...


Ae... falta do que fazer é uma merda... sem inspiração pras fics, eis q finalmente consigo voltar a escrever originais... Vamus ver no que isso vai dar, neh?

Se gostarem da história e quiserem continuação, é só deixarem review...


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