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Bon Dieu
Tic tac marcam os relógios na parede
Ressonando o tempo da poeira acumulada
E ainda que se obrigue todos a partida
Ainda assim não restara mais nada
E Bon Dieu! Aquela cara de fada!
-
Descobertas se misturam tão bem ao
Remédio da dor que é o medo
E esse frio que assola o peito
nada mais é do que o eleito
seguindo seu caminho maldito
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Olha quem vem vindo, diriam as velhas
Aquelas das janelas esperando que a mocidade
Volte na carona de um carro esporte
E ainda que se quebrem por dentro
De um amor doentio, nada volta
Nesse tempo
-
E Bon Dieu! Eu estava sorrindo!
-
Esse país é o que dizem ser a promessa
E de promessas esse país está cheio
E nada ressoa sem coerência
E tudo ressoa sem receio
Mas agora é tarde, perdemos aquilo,
Aquilo no peito.
-
E a festa, diriam uns,
é mais pra eles que pra nós
E impura a maneira como olham os quadris das
Ruivas malabaristas, vigaristas.
Mas é festa! Festejai
E Bon Dieu! Eu quero tanto amar!
-
Mas agora que se foram todos
Relógios e velhotas
E malabaristas de lajotas
E agora que se foram os pés de cafezal
Agora que se foi a cana pelo vomito alheio
Agora que se foram todos e
Restaram apenas as promessas
Agora é hora de dizer, Bon Dieu!
Mas cadê a palhaçada?!
-
E no fim, todos cansados, de dançar
E percorrer a pé os caminhos das bandejas
E cansados de esconder aquela marca de
Feiúra, e cansados de estarem cansados
E maldizendo ou bendizendo a sorte
De uma noitada
Agora orai ao Bon Dieu,
Aquele que nunca deu nada
-
Ainda que me custe a vida, ou mil
Ainda que essa obrigação servil
Me prive de ser ainda mais eu,
Ainda assim direi que sorria,
Alegria! Alegria!
Isso é uma festa.
Ou deveria.