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Author: Leona-EBM
Fiction Rated: K - Portuguese - General - Reviews: 8 - Published: 10-06-08 - Updated: 10-09-08 - id:2580829
Por Leona-EBM

Por Leona-EBM

Contos de Garotos

Capítulo

XXII

Final de Ano

OoO

A maior e mais verdadeira prova de amor está contida no ato diário de se aprender a conviver com alguém, doando, recebendo, compreendendo, aceitando, sendo aceito, compartilhando, apoiando, olhando, vivendo e por fim... Amando”. (autor desconhecido)

OoO

Era final de novembro, e os garotos do Saint Rosre estavam excitados com o final do ano. As provas haviam chegado ao seu final, sendo que a semana que vinha era para os garotos que ficaram em recuperação.

Felizmente Hanz e Kim estavam numa situação aceitável, apesar de não terem as melhores notas de suas salas. E para o diretor certamente era desejável que o casal e seus poucos amigos saíssem daquele educandário o quanto antes. Não os suportava mais.

Hanz e Kim estavam na cidade. Todo final de semana Kim fazia questão de levar seu amado namorado ao psicólogo, no começo havia sido difícil convencer o mais novo que ele precisava de ajuda profissional, mas com um empurrãozinho e uns beijinhos, Hanz acabou concordando.

- Quer almoçar por aqui? – Kim indagou, pegando a chave de seu carro, desabilitando o seu alarme.

- Eu estou cansado – falou – vamos voltar.

O casal entrou no carro. Hanz estava silencioso, como sempre ficava quando conversava com o psicólogo. Kim sentou-se no banco de motorista e deu partida.

- Como foi hoje? – indagou o karateca.

- Como sempre – respondeu.

- Está te fazendo bem? – indagou com certo receio.

- Sim – sorriu – muito bem. Eu converso mais a respeito da minha mãe do que qualquer outra coisa.

Momentos mais tarde, o casal chegou ao colégio, estacionando o carro no estacionamento dos alunos. Eles saíram conversando animadamente sobre alguns garotos e algumas situações que aconteciam no colégio.

Eles aproximaram-se da quadra, onde alguns garotos estavam jogando futebol. Alguns alunos do terceiro ano contra os veteranos. A situação estava caótica quando Hanz e Kim chegaram.

- O que aconteceu com eles? – Hanz indagou.

- Eu não sei, mas eu não gosto de jogar futebol com o Kirios – Kim comentou.

- Por quê?

- Porque ele é muito esquentado – falou – fica batendo em todo mundo.

- Kim, como o Kirios bate em todo mundo se ele é o goleiro? – indagou com indignação – ele fica no gol!

Kim balançou a cabeça negativamente, olhando para o louro que estava no meio da quadra batendo boca com Haziel e Hudi, segurando a bola entre seu braço.

O casal foi se aproximando da quadra. Kim sorriu para o louro que parou de bater boca por um instante.

- Podemos entrar? – Kim indagou.

- Podemos? – Hanz indagou – eu não quero jogar.

- Por que não? – Hudi indagou – vamos jogar Hanz. Você nunca jogou conosco.

- Ah, eu joguei nas aulas de educação física – disse.

- Não jogou quase nada – Leon falou – você só ficava sentado. Vamos jogar, afinal é a última semana de aula.

Hanz sorriu amarelo para seus amigos que começaram a arrastá-lo para o meio da quadra. Julian chutou dois garotos do terceiro ano para fora e colocou Kim e Hanz em seus lugares.

O jogou continuou. Hanz praticamente fugia da bola, ele decidiu ser o zagueiro e dali não saiu, e quando a bola vinha na sua direção ele corria para o lado contrário, abrindo espaço para o atacante fazer gol em Amín que resmungava algum palavrão.

- Hanz, tente encostar na bola, ela não queima! – Kim pediu com irritação.

- “Ótimo, agora todo mundo está com raiva de mim. Mas eu não sei jogar futebol” – pensou – “Vou tentar vai... não deve ser tão difícil fazer um gol no Kirios”.

E algumas jogadas depois a bola finalmente chegou nos pés de Hanz, o moreno olhou para bola e depois olhou para Cássio que estava parado na sua frente. Os garotos o incentivavam a chutar a bola para o lado pelo menos, ou então jogar para fora.

- Hanz, jogue a bola aqui – Amín pediu – não o deixe pegar a bola!

E com um suspiro Hanz moveu a perna para um lado, para o outro e conseguiu correr com a bola, passando por Cássio que até ficou impressionado com sua coragem. Os garotos ficaram correndo atrás de Hanz, ele não tinha habilidade, mas sabia correr muito bem. Talvez fossem os meses que passou correndo dos outros garotos no Saint Rosre, isso devia ter aumentado sua musculatura.

Os orbes azuis piscina de Hanz cruzaram-se com o goleiro, o olhar de Kirios era concentrado nas suas ações. O moreno pensou em chutar, mas desistiu, passando para Kim que estava ao seu lado.

- Vê se faz o gol! – Hanz gritou.

O karateca sorriu e chutou com toda sua força, fazendo um gol de trivela no louro que caiu no chão com as mãos vazias. Kirios levantou falando alguns palavrões, indo buscar a bola que ficou presa à rede.

- Ah! Isso aí Hanz! Muito bem!!

Os garotos olharam para arquibancada onde Corei estava batendo palmas para o moreno. Ninguém havia percebido a presença do menor, mas ele pareceu ficar bastante exaltado quando Hanz pegou na bola.

- O meu irmão não tem muita noção da realidade – Amín resmungou, fazendo Hudi rir baixinho.

- E olha a cara do Kim... – Hudi falou – eu acho que você deveria dar uns conselhos para seu irmão, Amín. Ele é muito ingênuo.

Hanz sorriu e acenou para o loirinho, voltando para sua posição que ficava ao lado de Hudi e Amín. Kim estreitou o olhar e resmungou alguma coisa, juntamente com Kirios que detestava o menor.

No final, o time de Kirios ganhou. Hanz tocou na bola algumas vezes, mas desta vez Cássio e Julian não o deixaram correr até o gol. Quando terminaram, eles saíram sorridentes, conversando, indo para o vestiário para beberem um pouco de água.

Eles jogaram-se no gramado, aproveitando a brisa fresca que corria pelo campus. Eles estavam suados, fedidos e com calor. Hanz retirou sua camiseta preta improvisando um travesseiro para deitar-se em seguida.

- Vocês vão para Água Branca? – Julian indagou, olhando para todos os garotos.

- O que é isso? – Hanz indagou.

- Todo ano o colégio leva os alunos para ilha Água Branca – Julian explicou – vai querer ir Hanz?

- Eu não sei – falou, olhando para Kim que estava mais afastado, sentado ao lado de Kirios que comentava alguma coisa com ele.

- Kim, você vai? – Julian indagou.

- Eu só vou se o Hanz quiser ir – falou – caso contrário eu vou ficar na minha casa.

Os demais garotos do quarto ano que eram amigos de Kim ficaram a olhar para Hanz, querendo saber sua posição. E sentindo-se um pouco pressionado por aqueles olhares que o intimavam, ele se encolheu.

- Eu não sei, eu vou pensar – Hanz falou baixinho.

- Ah! Vamos Hanz! – Hudi falou – vai ser legal.

- Hum... por acaso o Miles vai? – Leon indagou com um sorriso provocativo.

O ruivo ficou vermelho e começou a gaguejar, mexendo seus braços e sua cabeça desesperadamente, tentando negar que o francês também ia, depois tentou explicar que não sabia se ele ia ou não, e no final disse que ele também ia, mas que não era o motivo da sua decisão. Muito complicado, muito confuso, mas no final todos acabaram rindo.

- E você vai Leon? – Hanz indagou.

- Eu não sei – disse – eu estou pensando ainda.

- Claro que você vai – Julian disse de repente, entrando na conversa.

Leon não disse mais nada e Hanz também não perguntou. Os demais garotos continuaram conversando, até que Kirios ergueu-se, deixando Kim a falar sozinho. O louro moveu-se mecanicamente até um garoto de longos cabelos negros que passava ao longe.

- Ele te deixou falando sozinho, Kim – Romeu riu baixinho.

- Ele sempre faz isso – Kim resmungou – mas tudo bem. Hanz, vamos indo?

O moreno ergueu-se e caminhou com Kim para o dormitório, despedindo-se dos demais com um aceno. Eles se veriam no final da noite, afinal não estavam mais em aula e poderiam dormir tarde.

O casal estava se aproximando do dormitório, mas de repente, Kim foi puxado por alguns garotos do quarto ano para ir jogar baralho, deixando Hanz sozinho. O moreno sorriu e nada disse, ele gostava de ver Kim divertindo-se com os outros.

O moreno suspirou e sentou-se num banco de madeira, ficando a pensar na vida e nos momentos bons e ruins que passou naquele colégio. Ele pensava se tudo valeu a pena.

Ao longe, Hanz viu uma pessoa bastante conhecida e indesejada. Era Maximiliano que estava conversando com alguns funcionários, felizmente ele estava bem distante, pois não gostaria de falar com ele novamente.

Certamente havia recebido ameaças de Maximiliano para não mostrar o vídeo a ninguém e Hanz ia cumprir caso o diretor parasse de chantagear Kim.

Os minutos seguintes foram de paz para Hanz, pois era difícil ficar sozinho durante muito tempo naquele colégio cheio de adolescentes prontos para conversar e se divertir.

Ao lado de Hanz, sentou-se um homem de longos cabelos negros que lhe olhava com muita atenção. Era o professor de química, Iago que estava ali, em silêncio ao seu lado.

- Olá, Iago – Hanz sorriu – já vai viajar?

- Amanhã – respondeu – eu pedi demissão.

- Mesmo? – indagou surpreso – por quê?

- Eu tinha problemas com a direção – falou secamente – e o que pretende fazer?

- Faculdade de design gráfico – falou – e você irá para outra escola?

Iago sorriu, admirando a beleza do seu querido aluno, sentindo vontade de abraçá-lo e beijá-lo, mas como um homem sério e um pouco introspectivo, Iago limitou-se apenas a imaginar.

- Eu pretendo ser professor universitário – disse.

- Ah! Vai ser melhor, não é mesmo?

- Como assim, Hanz? – indagou erguendo suas sobrancelhas.

- Ah... bom... dar aula para um pessoal mais velho. Eu acho que deve ser melhor, afinal você é bastante sério – disse – os garotos ficavam muito tensos nas suas aulas.

Iago permitiu-se rir baixinho, ele fingia ser um carrasco para os alunos não ficarem bagunçando na sua aula, como nas aulas dos professores de gramática e história, onde os alunos só faltavam subir nas pás dos ventiladores.

- Hanz, diga a verdade para mim – Iago pediu – o que aconteceu com o diretor e Maccario?

- Eu... não posso falar – disse – mas saiba que Maximiliano é uma pessoa sem escrúpulos.

- Eu sei disso. Nos conhecemos desde a adolescência – revelou.

- Eu... eu não sabia – falou surpreso – vocês eram amigos?

- Conhecidos, não amigos. Éramos colegas – falou – meu pai trabalhou junto com o pai dele. Por isso nos conhecemos.

- Seu pai é juiz? – Hanz indagou.

- Não, não. Meu pai é um coitado, Hanz. Ele era guarda no prédio do tribunal, nada demais. Um assalariado qualquer – falou com um pouco de amargura.

- Ah... eu pensei que fosse juiz – sorriu amarelo – e você vai se mudar para onde?

- Eu estou pensando em ir para a Espanha, mas... talvez eu fique aqui mesmo. Eu não sei, mas Hanz. Pegue meu telefone, e se precisar de algo apenas me ligue – disse.

Iago puxou um cartão de papel e entregou para Hanz que o aceitou com um largo sorriso no rosto. Afinal Iago era bastante atencioso, ele guardou com cuidado e observou o professor se levantar.

- Eu sinto pelo o que te aconteceu nesse colégio, eu tentei te proteger, mas você não me aceitou – falou baixinho, sentindo seu corpo suar levemente por estar revelando seus sentimentos mais secretos – mas finalmente acabou e você pode seguir em frente com o que aprendeu aqui.

- Obrigado – sorriu amarelo – eu gostei muito de conversar com você durante esse tempo.

- Boa sorte Hanz – disse, estendendo sua mão para o menor.

Hanz levantou-se e passou sua mão suada pela calça jeans a fim de secar e depois apertou a mão do mais velho, sentindo seus dedos grossos e fortes, os dois ficaram se olhando por um momento até que o professor se afastou, balançando a cabeça num cumprimento.

- “Eu não poderia contar o que aconteceu com o diretor, Iago. Você iria estragar tudo” – pensou com um leve sorriso – “mas eu fico feliz que tenha pessoas com escrúpulos nesse colégio, como você. Você tentou me proteger, eu sei disso... eu percebia isso nas nossas conversas, mas eu já tenho meu cão de guarda”.

OoO

Uma semana mais tarde. Dava-se início a festa de despedida que o colégio promoveu aos veteranos do quarto ano e a alguns garotos do terceiro ano que não continuariam no colégio.

O salão de reuniões estava pronto para receber os garotos que estavam livres para vestirem-se como desejavam. Havia uma grande mesa de madeira de ponta-a-ponta servindo os mais diversos tipos de comida, assim como bebidas não alcoólicas.

Uma banda foi contratada para ficar no pequeno palco de madeira. A decoração não era muito chamativa, e também não era necessária já que a arquitetura daquele colégio que parecia um castelo antigo não necessitava de adereços para ficar bonito.

No jardim os garotos estavam com um sorriso alegre no rosto, eles haviam bebido bastante antes de entrar na festa. E grande parte dos copos cheios estava com cerveja ou vodka que os garotos guardaram embaixo das mesas.

Alguns garotos dançavam, outros ficaram se amassando num canto, pois muitos alunos iriam embora na manhã seguinte para suas casas, portanto precisavam despedir-se com categoria.

Na varanda, Kirios estava encostado à parede de pedras atrás de um grande vaso de plantas, na sua frente, preso aos seus braços estava Mahoma que bebia um pouco de jurupinga.

Os dedos de Kirios deslizavam pelas ondas cor de ébano do menor, acariciando-o delicadamente, enquanto ouvia ele comentar alguma coisa com atenção.

- Você vai continuar no colégio? – Kirios indagou de repente, interrompendo a conversa.

- Vou para o terceiro ano – falou.

- Por que não sai daqui? – indagou – saia logo, não seja idiota.

- Fale isso para os meus pais – falou com agastamento – eles me querem aqui. Acham o ensino bom.

Kirios suspirou com irritação, ele abraçou o corpo magro de seu atual namorado ou amante, ainda não havia definido o que Mahoma seria na sua vida, sendo que seu irmão também lhe era muito importante.

- Eu não vou estar aqui para te proteger – sussurrou.

- Eu sei – falou – eu sei disso, mas não se preocupe, eu vou ficar bem.

- O meu irmão vai sair desse colégio, eu convenci meus pais depois que mostrei o vídeo do diretor com o Hanz – comentou.

Mahoma arregalou os olhos com certa surpresa. Não havia dúvidas que quaisquer pais decentes tirariam seu filho do colégio ao ver como o diretor trata um aluno.

- E eles não falaram nada sobre denunciá-lo? – Mahoma indagou.

- Não, pois eu contei a história toda – falou – eles ficaram horrorizados. Depois quiseram me abraçar e pedir desculpas, falando que não acreditavam em mim, pois achavam que eu não queria estudar mais.

- Meus pais denunciariam esse colégio se eu mostrasse esse vídeo – falou com agastamento – eu não faria isso com Hanz e Kim.

- E te mataria se você fizesse isso – falou seriamente – eles sofreram demais.

- Não precisa falar assim comigo – resmungou – eu não faria isso, Kirios. Agora vamos sair daqui, pois eu quero ouvir a banda.

- Dá para ouvir a banda daqui – sussurrou, resvalando seus lábios pelo pescoço alvo do menor, deixando sua língua sentir o sabor salgado de sua pele.

Do outro lado do salão os garotos heteros do Saint Rosre estavam babando na vocalista da banda que usava uma saia curta. Eles não viam mulheres há um bom tempo e aquela vocalista estava sendo venerada por eles.

Corei estava na frente com os olhos brilhando, ele finalmente podia ver algo interessante naquele educandário. Havia uma guitarrista e uma vocalista, ambas eram muito bonitas, ou então ficou tanto tempo sem ver mulheres, que qualquer uma lhe servia.

E quanto à banda, eles tocavam e cantavam com os olhos arregalados, vendo que muitos garotos estavam se beijando e se amassando pelos cantos do salão. Eles se olhavam com perplexidade, tentando se concentrar em suas canções. Afinal o que era aquele colégio? Era mesmo um colégio?

Numa mesa estavam Hanz, Kim, Julian e Leon conversando animadamente. O ruivo estava um pouco bêbado para a preocupação de Hanz, que já olhava para o primo dele, pensando nas torturas sádicas que Leon sofria com o maior. E como previsto, depois de alguns copos de vodka, Julian se afastou, levando seu primo junto, sumindo.

- E isso aqui está muito vazio, não é mesmo? – Hanz comentou.

- Sim, os garotos estão se amassando por aí – disse – não se afaste de mim. Nunca se sabe se um louco vai querer te agarrar por ser o último dia.

Hanz riu baixinho ao ver o rosto enfezado de seu namorado, mas Kim tinha razão. Quem sabe algum garoto fez alguma promessa do tipo a fim de agarrá-lo no último dia.

- Eu vou ficar aqui, sentadinho do seu lado – Hanz falou.

- Bom garoto – sorriu, virando o copo de vodka.

- Kim... eu estava pensando... er... você gostaria de morar comigo? – indagou com um pouco de receio, olhando para o chão.

Kim ficou calado, pensando naquela proposta. Seria tentador morar com Hanz, mas tinha que pensar na sua família e sua situação financeira também, ele recebia pensão de seu pai e uma mesada de sua mãe. Mas mesmo assim, não sabia se poderia viver com moreno.

- Eu gostaria – falou – mas não sei se poderei, vamos ver isso mais tarde. Eu preciso falar com meus pais.

- Sim, você tem pais – falou com amargura – eu vou viver sozinho mesmo assim, mas caso queira, só me avise.

- Você pode viver sozinho, mas eu vou estar sempre na sua casa – sorriu, passando sua mão pelos dedos frios de Hanz – não se preocupe, eu não vou te abandonar.

- Eu espero que seja verdade, seu galanteador – riu baixinho.

- Hanz, você vai embora amanhã mesmo?

- Sim – respondeu – eu vou para a casa dos meus tios, depois vou procurar um lugar para eu morar. E eu tenho que resolver algumas coisas com meu advogado.

- Eu também irei, mas Hanz. Ligue-me todo o dia, quando achar um lugar, me avise que eu te ajudarei na mudança – falou seriamente.

- É claro que eu vou te chamar. Você acha que eu vou ficar carregando móveis? - falou – você será meu carregador, e se fizer um bom serviço, eu te pagarei muito bem.

- Hmmm... eu sou caro, hein. Meu preço é um dos mais altos do mercado – Kim riu – com prazer eu carregarei sua casa inteira, desde que você pague tudinho no final do serviço.

- Pode ser em parcelas?

- Ah! Claro... pode ser em longas parcelas, mas aí tem os juros... e sabe como é, né?

Kim puxou o queixo magro do menor e lhe beijou nos lábios, ambos acabaram rindo juntos com os lábios ainda encostados. O karateca se levantou e puxou Hanz pela mão, aproximando-se da saída daquele salão que estava um pouco vazio, sendo que a maioria dos garotos que ainda permaneciam ali eram os heterossexuais, que estavam disputando no tapa as duas garotas da banda.

O casal passava pelo campus onde os garotos estavam jogados no chão com garrafa de bebida, rindo e conversando, outros estavam namorando. Num canto mais afastado Hanz sorriu ao ver Hudi e Miles abraçados, em silêncio ao pé de um Ipê Roxo.

Hanz estava um pouco mole por causa da bebida, mas Kim fazia o favor de guiá-lo sem que ele batesse nas coisas que estavam no meio do caminho. Ao chegar ao prédio do dormitório, eles olharam para a escadaria que parecia maior que o normal. Kim suspirou e começou a arrastar Hanz para cima, rindo baixinho quando eles tropeçavam.

A porta do dormitório abriu num estrondo, eles caminharam até o banheiro enquanto se beijavam. Suas mãos retiravam a roupa do outro, jogando-a para qualquer lugar. Quando finalmente ficaram pelados, Kim guiou Hanz até a banheira fria e vazia, depositando o menor ali.

- Ah... aqui está frio, Kim – Hanz resmungou.

- Quer por água?

- Sim – falou.

O karateca entrou na banheira e ficou olhando para o corpo esguio de seu namorado. Maccario inclinou-se e beijou os seus lábios, deslizando sua saliva quente pelo seu peito, enquanto suas mãos já buscaram massagear seu membro.

- Eu já colocarei água quente para nós, primeiro vou te chupar – falou.

- Hum... concordo – sorriu, abrindo as pernas para acomodar seu namorado.

A língua de Maccario resvalou pelo extenso membro do menor, sentindo sua curvas, textura, sabor e como estava ficando quente e maior à medida que o estimulava. A mão direita do karateca se fechava e se abria, sentindo como as veias ficavam a mostra, dando mais atenção a sua glande, chupando-a com certa pressão.

Os gemidos altos de Hanz eram viciantes, quanto mais Hanz gemia, mais Kim o desejava possuí-lo. Algumas gotas de sêmen estavam saindo pela cabeça, misturando-se com a saliva do maior, que estava com a respiração ofegante, pois aquele pedaço de carne descia até sua garganta, enquanto sua própria excitação o deixava mais tenso.

Os dedos finos e compridos de Hanz fecharam-se nas mechas castanhas avermelhadas do mais velho, torcendo, puxando, remexendo a cabeça de Kim de um lado para o outro. Quando seu corpo começou a ficar mais sedento por desejo, Hanz moveu seu quadril para cima e para baixo, fazendo-o sair da boca de Kim.

Maccario sentiu vontade de parar para respirar, mas não podia causar tanta frustração em Hanz. Ele ofegava e chupava até que finalmente sentiu o líquido do menor descer garganta abaixo. Os movimentos de Hanz pararam, ele pareceu se acalmar, soltando os cabelos de Maccario.

Na mão de Hanz ficaram alguns fios castanhos avermelhados, ele riu baixinho e pediu desculpas docilmente. Kim nem sentiu seus cabelos serem arrancados, ele estava louco com os gemidos ritmados de seu namorado para notar qualquer ação posterior do menor.

- Quer mesmo... água quente? – Kim indagou com a respiração acelerada.

- Nem sei mais – respondeu – está bom assim, eu não estou mais com frio.

- Melhor assim, eu não ia agüentar esperar a banheira encher.

- Então vem logo – sorriu – entra dentro de mim.

- Ah... eu vou fazer isso Hanz, eu vou – falou – abre mais suas pernas.

- Assim? – indagou, abrindo suas pernas ao máximo, porém as bordas da banheira lhe limitavam.

- Hm... assim não – Kim resmungou – vem cá, deixa eu por sua perna aqui em cima – falou, colocando as pernas de Hanz em cima da banheira, deixando-o com as pernas totalmente abertas.

Hanz riu baixinho, puxando suas pernas para baixo.

- Kim, assim até eu fico constrangido – falou.

- Vai Hanz, coloca as pernas aqui em cima – pediu, batendo na borda da banheira.

- Não – resmungou.

O suspiro e o olhar impaciente de seu namorado fizeram Hanz mudar de idéia, ele colocou suas pernas em cima da borda da banheira, relaxando seu corpo. Ele estava completamente entregue ao seu namorado, nunca havia ficado assim antes.

- Está bom assim? – Hanz indagou com um pouco de constrangimento.

- Eu devia ter feito isso antes – Kim disse, lambendo os beiços – deixe as pernas ai – falou – ou eu vou te castigar.

- Isso é um pouco desconfortável – resmungou.

Maccario fechou sua mão no seu próprio pênis e começou a massageá-lo, porém sua excitação era grande e não necessitava de nenhum estimulo. Ele colocou um dedo lentamente no corpo do menor que gemeu baixinho, adorando ser tocado, ao poucos Kim colocou mais um dedo, abrindo mais espaço.

Quando viu que seus dedos saíam com mais facilidade, Maccario os retirou por completo e guiou a cabeça de seu membro para o meio das nádegas do menor, começando a inserir lentamente. Suas mãos ficaram postas nas coxas de Hanz, impedindo que ele as fechasse, enquanto movia seu quadril para frente e para trás, num lento vai-e-vem para não machucar seu namorado.

Os gemidos de Hanz eram sofridos, porém carregados de um desejo único de ser possuído pelo homem que amava. Sim, o amava internamente, mesmo que não dissesse, mesmo que suas ações fossem um pouco frias, era impossível dizer que não amava, não depois de tudo que passaram juntos.

O membro de Maccario adentrou por completo, sentindo as paredes quentes daquele corpo lhe receber tão bem. Maccario já era de casa! Parecia que seu membro foi moldado para caber perfeitamente naquele pequeno espaço, e com a necessidade de mais atrito, Hanz começou a mover seu corpo, pedindo para que Kim começasse.

- Ah... eu adoro esse seu jeito safado.

- Vai logo, Kim – Hanz pediu.

E obedecendo ao menor, o quadril do karateca começou a se mover, tirando e colocando o seu membro, ouvindo os suspiros carregados de desejo quando se encostava ao ponto mais fundo do seu corpo. E ficaram se movendo por um tempo, até que Hanz reclamou um pouco que suas pernas estavam doendo. De certo modo, ele tinha razão, já que suas pernas estavam de mau jeito.

Kim saiu de dentro do menor e o puxou para que ficasse sentado no seu colo de frente para ele. Hanz sentou no grande membro que estava duro e ereto, sentindo-o preenchê-lo por inteiro. Golden bateu sua mão na torneira, permitindo que a água quente começasse a resvalar e os cobrir.

- Está com frio Hanz? – Kim indagou um pouco ofegante.

- Um pouco – confessou.

O calouro abraçou o pescoço do karateca, beijando seus lábios com sofreguidão enquanto descia e subia num ritmo alucinado, deixando Kim atordoado. Quando Hanz queria impor seu ritmo, nem mesmo o karateca conseguia pará-lo.

A água começou a cobrir suas coxas, chegando até a cintura do casal. Kim bateu a mão na torneira e a fechou antes que a água começasse a transbordar, mas não conseguiram evitar sujar o chão, pois a cada movimento que fazia, formava-se uma onda que jogava a água para fora.

O abalo ficou mais forte e um pouco mais difícil para o casal, já que a água retirava um pouco da lubrificação. Os braços musculosos do karateca prendiam o corpo menor desejando enterrá-lo para dentro do seu próprio corpo, não queria se separar dele.

Hanz ficou com a mão nas costas de Kim, onde ficava a tatuagem de sua carpa colorida, resvalando seus dedos pela região assim como suas unhas que lhe feriam a carne.

A mão livre de Hanz desceu por seu próprio membro, masturbando-se à medida que subia e descia seu corpo, quando viu o que seu namorado fazia, Kim fechou sua mão por cima da menor, ajudando-o naquela tarefa, aumentando o prazer de Golden.

- Deixa que eu faço isso – Kim pediu.

Hanz retirou sua mão e deixou que seu namorado o acariciasse ao seu ritmo e vontade, amando sentir os dedos grossos de Kim novamente. Sua excitação chegou ao auge, gozando pela segunda vez, deixando seu líquido ser arrastado pela água morna.

O corpo do calouro ficou um pouco mole, porém ele continuou a se movimentar a fim de dar prazer ao seu namorado que já estava próximo de chegar ao seu orgasmo. E por fim Kim gozou no interior daquele corpo, cessando as cavalgadas incessantes que Hanz fazia.

Ambos separaram-se por alguns minutos, deixando seus corpos relaxarem na água morna, eles estavam com as faces avermelhadas e o coração apressado. Kim puxou a perna de Hanz, aproximando o menor do seu corpo, abraçando-o imediatamente quando teve a oportunidade.

- Nossa última noite – Kim falou.

- Foi muito boa – sorriu.

- Mas terão outras, viu?

- Claro que sim – Hanz disse, acomodando sua cabeça no ombro largo e ossudo do karateca.

- Hei Hanz... eu... amo você e não quero me separar – confessou.

Hanz sorriu, beijando o pescoço molhado de seu namorado que amou aquela carícia.

- Eu também – Hanz sussurrou baixinho.

- Veja logo onde vai morar e que seja perto de mim – falou – eu moro na cidade, não no interior. Então se mude para lá...

- Eu vou, eu vou – sorriu, deslizando sua mão pelo piercing que ficava no mamilo direito do karateca.

- Promete?

- Sim, eu prometo – sorriu.

- Assim eu fico mais sossegado – falou – vamos sair?

- Vamos, essa água está fria.

O casal saiu da banheira, pegando duas toalhas que estavam penduradas pela barra de metal. Quando terminaram de se secar, eles foram até o quarto, vestindo suas roupas e caindo na cama.

- Que horas são?

- Quatro e meia – Hanz respondeu.

- Que horas vai sair?

- Às dez horas – respondeu – meus tios fizeram questão de me buscar.

- Eu vou conhecê-los – sorriu.

- Eles não muito legais; pelo menos minha tia é simpática... – suspirou - e sua família?

- Quer conhecer?

- Sua irmãzinha, eu queria conhecê-la – sorriu.

- Se você não a ver manhã. Vamos fazer o seguinte. Você vai para a casa dos seus tios e na semana seguinte venha passar um final de semana na minha casa – convidou.

- Mesmo? Não teria problema?

- Não, eu tenho um quarto somente para mim e eu nunca levei um amigo meu antes. Minha mãe acha que eu não consigo fazer amizades com pessoas decentes... depois que ela conheceu o Kirios, ela disse isso.

Hanz não agüentou ouvir aquele comentário final, ele riu alto dando uns tapas na cama, divertindo-se com a careta que seu namorado fez.

- E eu sou decente? – Hanz indagou.

- Sim – falou dando um beijo nos lábios avermelhados de Hanz – você é educado, bonito, tímido, gentil... ela vai te adorar e ficar feliz por mim também.

- Safadinho, vai querer me usar!

- Sim, sim. Imagina se eu apresento o Kirios e o Julian juntos... ela choraria – disse.

- Tudo bem, você me liga e me passa o seu endereço.

- Eu te busco de carro – falou – não vou deixar você sozinho na cidade grande. Ia ser judiação!

Kim recebeu um soco no ombro do menor que o olhou com irritação, ele odiava que o karateca ficasse dizendo que ele era um caipira.

- Hei, hei não me bata! – pediu entre o riso, recendo mais dois socos. O karateca segurou os pulsos do menor e ficou em cima dele, olhando para sua face irritada.

- Ora, me solte!

- Ah, você me bate e quer que eu te solte? – indagou com um largo sorriso – aliás, minha irmã bate mais forte que você.

- Não me provoque!

- Então tente se soltar!

Hanz fez um esforço inútil, ele tentou se soltar, mas além de estar numa posição desfavorável, Kim possuía uma musculatura duas vezes maior que a sua, sendo que ele ria a cada tentativa, deixando-o desconcertado e sem incentivo para continuar.

- Você venceu, me solte – falou baixinho.

- Peça perdão a sua majestade!

- Não seja ridículo. Eu não vou fazer isso...

- Eu adoro ficar te segurando – sorriu – podemos ficar assim até seus tios me arrancarem de cima de você.

Hanz riu baixinho só de imaginar a cena. Sua tia teria um surto se visse um homem em cima dele, e seu tio com certeza o repudiaria pelo resto de sua vida.

Kim beijou os lábios de Hanz e o soltou, acariciando seus braços com delicadeza. Ele não queria irritar seu namorado, não nos últimos momentos que ambos poderiam ficar juntos.

- Eu estou com sono, mas não quero dormir – Hanz falou.

- Durma um pouco – falou – não vamos nos separar.

- Mas... eu não quero.

Os dois ficaram conversando por um tempo até que Hanz não agüentou e acabou dormindo nos braços de seu namorado que arrumou o despertador para acordá-los no momento certo. Ia ser um desastre se os tios de Hanz realmente viessem buscá-lo e o visse abraçado com outro homem.

As horas passaram e o despertador tocou, acordando o casal que se remexeu na cama. Hanz resmungou algum palavrão enquanto Kim tentava acabar com aquela maldita sinfonia.

Um estrondo e o despertador foi feito em pedaços ao ser atacado contra a parede.

- Ah... eu estou com sono – Hanz resmungou.

- Vamos pegar suas malas, eu te ajudo – Kim disse, erguendo-se com dificuldade, chutando Hanz para fora da cama literalmente, recebendo ameaças de morte do menor.

Eles se arrumaram, lavaram seus rostos remelentos e saíram do quarto vendo que o resto dos alunos estavam no mesmo estado deplorável. Kim pegou as malas de Hanz e levou até a entrada principal, onde muitos alunos estavam se encontrando com suas famílias.

- Eles já chegaram? – Kim indagou, olhando todo aquele tumulto.

- Não – respondeu, sentando-se no chão.

Kim sentou-se ao seu lado.

- Eles devem ter se perdido – Hanz resmungou.

- Uma cena que só acontece uma vez a cada ano. Nenhum aluno está se agarrando ou se beijando – Kim comentou.

Hanz ergueu seu olhar e percebeu que era verdade. Todos estavam comportados. Ele até havia ouvido alguns garotos comentarem que as garotas da banda eram “gostosas”, sendo que esses mesmos garotos nem sequer estavam na festa, e sim se amassando com os calouros num canto. Mas era tudo aparência para suas famílias.

- Olha, a família do Kirios – Hanz comentou, apontando para um canto.

A cena era hilária, a mãe de Kirios uma mulher alta e elegante, abraçava e beijava o filho mais velho, passando a mão por seu moicano enquanto dizia palavras carregadas de amor. E ao invés de ser um adolescente envergonhado, Kirios abraçava sua mãe. Alexis conversava com seu pai, que estava com pressa para retirá-lo daquele colégio, depois do que seu filho mais velho havia mostrado.

Hanz e Kim se aproximaram da família e nesse instante a mãe de Kirios parou de abraçar seu filho e lembrou-se do vídeo que Kirios havia mostrado, olhando para Hanz com os olhos marejados de água. Ela avançou no moreno e o abraçou para a surpresa dos demais.

- Tudo bem com você, filho? – ela indagou.

- Mãe, pare com isso. Você está assustando ele – Alexis pediu, puxando o braço de sua mãe.

- Ah... eu estou sim e a senhora? – Hanz indagou com constrangimento, tentando se afastar daquele abraço gentilmente.

- Sim, sim. Eu estou muito bem. Você está bem mesmo? – indagou, puxando o rosto do menor para olhá-la com mais atenção – você é uma gracinha mesmo.

Kirios suspirou com impaciência e puxou sua mãe gentilmente para um canto lhe aplicando uma bronca baixa, porém com muito carinho, pois não conseguiria magoar aquela mulher por mais que ela lhe irritasse ou o ignorasse. A amava e mostrava-se devoto aos seus familiares, assim como era com seus amigos.

- “Mulher louca. Tinha que ser a mãe do Kirios mesmo” – Hanz pensou, ficando um pouco atrás de Kim quando eles retornaram.

- Eu vou indo agora – Kirios falou – manteremos contato.

Kim se aproximou de seu amigo o abraçando, depois eles deram as mãos e fecharam seus dedos com força, dando um tapa com a mão livre no ombro do outro. Alexis acenou para os demais e adentrou no carro, sendo seguindo por seu irmão e seus pais.

- Olha, o Julian! Vamos nos despedir também! – Hanz falou, puxando o karateca.

- E lá vamos nós... – Kim resmungou.

- Por que aquela mulher me agarrou?

- Eu vou saber? É a mãe do Kirios... podemos imaginar que a loucura dele seja genética – Kim disse.

Quando o casal parou na frente de Julian, este sorriu e abraçou os dois com alegria, desejando felicidades de um modo discreto. Leon estava logo atrás sendo agarrado pela sua mãe que lhe enchia de beijos.

- “Eu penso se minha mãe me beijaria assim. Com certeza ela nem me deixaria vim para esse colégio” – Hanz pensou com tristeza, olhando para todo os garotos que tinham a quem beijar e abraçar.

Leon se aproximou do casal e estendeu a mão despedindo-se deles. Julian passou seu braço pelos ombros de seu primo mais novo, enquanto dava atenção para Kim que falava alguma coisa.

- Vamos indo – a mãe de Leon puxou seu filho pelo braço, começando a arrastá-lo para o carro, praticamente jogando-o no banco de trás, onde ela sentou-se ao seu lado.

- A mãe do Leon é um pouco... – Hanz começou a falar.

- Obcecada por ele – Julian completou – eu não a culpo. O irmão de Leon morreu há pouco tempo. Ela ficou assim.

- Eu... eu não sabia disso – Hanz falou com surpresa – ele nunca me contou.

- Leon é reservado. Eu vou indo. Boa sorte para vocês. Nós nos falamos – Julian se despediu.

Hanz se afastou um pouco de Kim que foi conversar com alguns garotos do quarto ano que lhe chamavam. Ele viu a família Honoi, todos eram louros e altos, menos Corei.

- Hanz! Vamos manter contato! – Corei gritou ao longe, abraçando o calouro quando se aproximou.

- Sim, Corei. Vamos – sorriu.

- Eu quero agradecer por ter sido tão legal comigo. Você é muito gente boa Hanz, eu te desejo tudo de bom – sorriu, exibindo um olhar marejado de lágrimas – no final eu vou sentir um pouco de falta dessa pocilga.

- Obrigado, Corei. Você é um amigo verdadeiro – sorriu – vamos manter contato sim.

- Até mais, Hanz – Haziel e Amín disseram em uníssono.

- Até mais – sorriu, vendo os três irmãos adentrarem no carro.

O moreno correu o olhar pela região e viu que Kim estava segurando uma garotinha muito linda com longos cabelos ruivos no colo. Hanz ergueu uma sobrancelha, indagando-se internamente sobre a identidade daquela criança, ele foi se aproximando lentamente.

- Ah... Hanz... essa é minha irmã, Marie – Kim falou, beijando o rostinho daquela pequena princesinha.

Marie foi colocada no chão depois que a mesma pediu, ela estendeu a mão para Hanz que ao invés de apertá-la, ele ajoelhou-se no chão e puxou aquela pequena mãozinha, depositando um beijo delicado.

- Muito prazer, princesa. Eu sou Hanz – disse, com um largo sorriso.

O coração da garotinha bateu mais forte naquele momento, Kim ficou ao lado de Hanz lhe sorrindo. Seu namorado sabia como ser gentil! A ruivinha abraçou Hanz com um largo sorriso, sentindo seu perfume e como prêmio recebeu um beijo molhado na bochecha do moreno.

- Que menina assanhada!

O trio olha para uma mulher ruiva que se aproximava deles. Era a mãe de Kim e ela veio sozinha, já que seu atual marido estava trabalhando e não tinha interesse em buscar Maccario.

- Olá, eu sou Helena – ela disse, estendendo a mão para Hanz que se ergueu e a cumprimentou, segurando sua mão e lhe beijando na bochecha – você deve ser Hanz.

- Sim, sou eu mesmo – falou com um largo sorriso – como vai?

- Cansada – disse com um sorriso amarelo – eu me perdi vindo para cá, como todos os anos.

- Sim, sim só se perde, só se perde! – Marie falou balançando a cabeça negativamente.

- Ah, não me olhe assim. Eu pedi para você olhar o mapa para mim! – Helena falou.

As duas ficaram discutindo com afinco sobre o assunto, até que Kim entrou na conversa também, tentando amenizar as coisas até que sua mãe começou a reclamar que o colégio era muito complicado. Certamente aquela deveria ser a família Maccario, eles eram esquentados. Talvez fosse o motivo do temperamento difícil de seu namorado.

- Vamos indo Kim! – Helena falou, entrando no carro.

Hanz sentiu seu coração se despedaçar. Kim ia embora assim sem um último beijo? Ele não podia suportar.

- Espero um pouco Helena. O Kim... precisa... er... pegar algo – Hanz disse, agarrando a mão de seu namorado que riu baixinho.

- Certo, mas não demorem! – ela disse, caminhando até o carro.

Hanz arrastou seu namorado até o banheiro masculino que estava cheio de garotos se agarrando, despedindo-se. Aquilo foi cômico, eles começaram a rir ao ver que não tinha espaço para eles beijarem-se.

- Vai ter que ser aqui mesmo – Hanz falou, abraçando a cintura de seu namorado – nada romântico.

- Vamos ter outros momentos juntos – Kim sussurrou.

Os dois aproximaram suas cabeças, encostando seus lábios delicadamente. Eles se beijaram com amor, paixão, saudade e desespero. Suas línguas travavam uma batalha intensa, eles não queriam se separar, mas o tempo estava passando rápido e eles se separaram.

O casal saiu do banheiro com um olhar triste, a mãe de Kim estava fora do carro, olhando com impaciência para seu filho que pediu desculpa pelo atraso e se despediu de Hanz com um aceno.

- Eu quero ir com o Kim! – Marie falou, saindo do carro da mãe e adentrando no porsche de seu irmão mais velho.

- Mas seja comportada! E ponha o cinto de segurança – Helena falou.

- Mãe, eu vou à frente – Kim falou, ligando o motor e saindo lentamente, dando uma última olhada para o moreno. Ele desejava ficar ali até que seus tios chegassem, mas não podia fazer isso.

E quando se viu completamente sozinho, Hanz ficou arrasado, ele caminhou até suas malas e ficou sentado no chão, olhando com tédio para tudo até que viu um rosto agradável e conhecido. Ele ergueu-se e correu até Hudi que estava conversando com Miles.

- Hanz. Você ainda está aqui? – indagou o ruivo com um largo sorriso.

- Eu estou esperando meus tios – falou – eles devem ter se perdido.

- Aquela é minha mãe – Hudi disse, apontando para uma ruiva baixinha e gordinha. Hanz ficou olhando para a mulher, pensando no que falar. Ela não tinha nada a ver com o seu amigo.

- Ela parece... ser simpática – falou com um pouco de receio.

- Eu vou indo agora – Hudi falou, abraçando o calouro – se cuide e vamos manter contato. Aliás, nos vemos na Água Branca.

- Sim, sim, eu vou querer ir mesmo. E você Miles? – Hanz indagou, olhando para a sombra silenciosa que estava ao lado do ruivo.

- Eu só estava esperando Hudi ir embora. Meu pai veio me buscar – falou baixo.

- Onde ele está? – Hanz indagou.

- Ali – Miles apontou para um canto, onde um homem alto e sério estava encostado ao capô do carro em silêncio, olhando para o céu sem nenhuma mudança na sua expressão. Ele era a cara de Miles e o comportamento era semelhante.

O ruivo se afastou sob o olhar entristecido de Hanz que não teria mais ninguém para conversar. Miles despediu-se de Hanz lhe apertando a mão e depois se afastou.

- “Ótimo, sozinho de novo” – pensou com tristeza, voltando a sentar-se no chão ao lado de suas malas.

O tempo foi passando e Hanz ficou sozinho por muito tempo até que os seus tios finalmente chegaram. Eles colocaram a mala do menor no carro.

- Vamos indo? – Alejandra indagou.

- Sim – suspirou, adentrando no carro.

A visão de Hanz do colégio era diferente. Quando ele veio pela primeira vez ficou a imaginar como seria viver nos eixos daquela construção medieval. E agora tinha em mente como ia aplicar o que aprendeu naquele lugar na sua vida atual.

Seus orbes azuis piscina ficaram marejados de água, ele havia sofrido, mas nunca havia tido a oportunidade de conviver com garotos de sua idade. A sensação de perda no seu coração era horrível, a cada metro que se afastava, sua alma parecia se apagar.

Felizmente havia feito amigos verdadeiros que levaria para sempre na sua memória. Alguns ele nunca mais encontraria, outros ele poderia se comunicar pela Internet, agora seu amado namorado... Hanz jamais o deixaria. Ele era independente, tinha dinheiro e um objetivo: ser feliz.

E também havia feito inimigos, inimizades que desejava nunca mais ver na sua vida. Talvez se colocasse tudo numa balança e pesasse seu sofrimento e sua felicidade, com certeza a balança pesaria para a felicidade. Afinal Kim havia sido seu grande prêmio no final daquele jogo. Hanz havia vencido o chefe final e resgatado seu príncipe.

- “Minha vida está só começando. Nossa vida, Kim. Nós vamos morar juntos e seremos felizes, sem as sombras desse lugar” – pensou com otimismo, permitindo-se sorrir ao mesmo tempo em que uma lágrima nostálgica resvalava por sua bochecha.

OoO

Não corra atrás das borboletas; plante uma flor em seu jardim e todas as borboletas virão até ela”. (D. Elhers)

As paixões humanas, como as formas da natureza, são eternas”. (León Bourgeois)

As infinitas maravilhas do Universo são a nós reveladas na medida exata em que nos tornamos capazes de percebê-las. A agudeza da nossa visão não depende do quanto podemos ver, mas do quanto sentimos”.
(Helen Keller)

OoO

E finalmente teve seu final. Eu agradeço a todos os comentários que eu recebi, e foram muitos. Não pensei que gostariam dessa maluquice que eu criei, mas como gostaram. Eu fico muito feliz.

Esse capítulo saiu um pouco grande, mas tinha que ter bastantes diálogos. Eu não conseguiria prolongar a estória, ia ficar sem sentido e ia acabar escrevendo besteiras e cometendo erros. Portanto, vamos ao especial. A estória está adicionada em “série” aqui no site do Nyah, portanto, para receberem atualizações coloquem como favoritos. Acho que é o único jeito. E já tem especiais publicados!

Tentei colocar todos os amigos do Hanz despedindo-se dele. O único que não apareceu seria o Mahoma, mas ele não é amigo do moreno. Portanto, ficaria um pouco estranho o Hanz o abraçando e se despedindo.

Eu fiz um lemon rapidinho apenas para tê-lo, eu espero que tenham gostado. E não caberia lemon com todos os personagens, deixando para o especial de férias de verão que é a continuação direta dessa estória.

Eu gostaria de pedir um comentário final de todos que leram para fechar com chave de ouro. Mesmo você que nunca comentou, deixe seu recadinho para mim. Eu salvei todos os comentários no meu computador, caso o Nyah saia do ar. Eu adoro ler o que vocês escreveram, nem sabem como isso me incentivou. Portanto, estão guardados no meu coração e no meu computador. Obrigada a todos que me apoiaram, auxiliaram, me criticaram também, afinal eu cometo muitos erros.

E que venha Contos de Garotos 2! Certamente eu vou fazê-los na universidade. Isso é, se vocês quiserem, pois eu vou escrever. Agora eu não sei se publico ou deixo para mim. Como estava essa estória anteriormente guardada no meu computador.

O meu comentário final está enorme, mas eu quero escrever tudo o que sinto nessa última nota. Quem teve paciência para ler até aqui, muito obrigada.

Contos de Garotos está publicando nesse site também: /leonaebm

Caso o Nyah! dê algum problema, vocês sabem onde encontrar a estória. Sendo que eu tenho e-mail também. Podem conversar comigo, eu não mordo!

Até a próxima pessoal!

9/10/2008

Por Leona-EBM



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