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Fiction » Romance » Contos de Garotos x Mundos – Especial font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Leona-EBM
Fiction Rated: K - Portuguese - General - Reviews: 1 - Published: 10-06-08 - Updated: 10-06-08 - Complete - id:2580836
Por Leona-EBM

Por Leona-EBM

Nota: Esse especial não irá influenciar nas estórias originais de Mundos e nem de Contos de Garotos, sendo apenas para o meu bel-prazer e divertimento dos leitores que gostam desses dois personagens maravilhosos: Ryori e Hanz.

Contos de Garotos x Mundos – Especial: Seduzindo o Líder do Tráfico de Rondon

Parte I

OoO

Nos ciúmes existe mais amor-próprio do que verdadeiro amor”. (La Rochefoucauld)

OoO

O primeiro semestre da faculdade teve seu início. Hanz estava um pouco nervoso. O ambiente universitário era diferente, as pessoas pareciam ser mais velhas e mais maduras. Hanz ainda estava com seus dezoito anos, mas alguns de seus colegas tinham mais de vinte anos de idade.

O moreno estava sentado ao fundo, numa mesa de madeira que suportava que mais de seis alunos se sentassem. A mesa era de vidro e eles estavam com algumas folhas de sulfite e o material de artes ao lado. Era aula de desenho e criação de logotipos e símbolos gráficos.

A aula corria tranqüilamente, eles desenhavam as letras do alfabeto com as penas caligráficas, sendo auxiliados pela apostila que o próprio professor havia se desenvolvido. Ao lado de Hanz, tinha um garoto que parecia ter mais experiência. Ele era moreno, um pouco menor que ele e tinha vivos olhos azuis claros. Seu nome era Yuy Okan, além de ajudá-lo, era bastante simpático.

Quando a aula teve seu término, Hanz e Yuy saíram pelos corredores, conversando sobre o mais diversos assuntos, descobrindo que ambos tinham muita coisa em comum. Yuy saiu pela catraca de entrada da faculdade, sendo seguido por Hanz.

- Quer uma carona? – Yuy indagou.

- Você vai passar pelo metrô? – indagou.

- Sim, eu irei – sorriu – quer?

- Pode ser – disse com um leve sorriso – “ótimo, já arranjei carona na segunda semana!” – pensou com animação.

O carro de Yuy era velho e amassado, Hanz sentiu receio de entrar, pois não sabia as habilidades do motorista. Ele ficou hesitante e o chamado de Yuy o fez adentrar no carro. Quando o motor foi ligado, Yuy saiu calmamente.

- “Ele até que não dirigi mal” – Hanz pensou.

- Você já tem grupo para fazer o trabalho de história? – indagou.

- Ah... ainda não – sorriu.

- Faça comigo então – pediu – tudo bem?

- Sim – Hanz sorriu.

- Você tem o tempo livre? Poderíamos fazer hoje mesmo, pois no final de semana eu irei viajar – comentou.

Hanz ficou pensativo, ele acabou aceitando a proposta. Ele pegou seu celular e ligou para seu namorado, avisando que ia chegar tarde em casa, e como sempre, Kim implicou um pouco, querendo saber mais sobre o colega de sala do moreno. Por fim, a conversa foi encerrada, Hanz parecia constrangido, pois dava para ouvir a voz de seu namorado que soava alto.

- É seu parente? – Yuy indagou com curiosidade.

- Hum... um amigo – respondeu.

Yuy sorriu e não disse nada, prestando mais atenção ao trânsito. Hanz ficou perdido nas vistas da cidade, vendo como podia existir tanto contraste em um mesmo recinto. De um lado havia belas casas e arranha-céus e do outro havia muitas bocas de fumo e pessoas mal encaradas.

O bairro que Yuy vivia era invejável. O moreno parou na frente de uma bela casa, o carro foi estacionado ao lado de um porsche preto. Hanz sorriu ao ver o carro, lembrando-se do seu amado karateca.

- Gostou do carro? – Yuy indagou.

- Meu amigo tem um – comentou – ele é seu?

- Não, é do meu namorado – respondeu.

- Namorado? – indagou com surpresa.

Yuy sorriu e balançou a cabeça positivamente. O anfitrião pegou a chave da casa e adentrou, convidando Hanz para entrar também. Quando a porta foi fechada, todo o barulho que provinha da rua sumiu e toda a atenção foi voltada para o cômodo que os recebia.

A sala era grande, espaçosa e com cores claras. Havia plantas, tapetes coloridos, almofadas jogadas ao chão, janelas grandes de vidro que davam visão a um jardim de flores. Era lindo! Hanz estava abobado, ele queria ter uma casa daquela, não gostava de morar num apartamento tão pequeno como o seu.

As mãos de Hanz passaram por suas roupas escuras, arrumando sua camiseta que estava um pouco amarrotada. Yuy pediu para que Hanz se sentasse ao sofá, perguntando se ele gostaria de alguma coisa.

- Um copo de água – Hanz pediu.

Yuy sorriu e se afastou. Hanz ficou olhando para os cantos, batendo as mãos nas suas pernas, procurando se distrair com alguma coisa. Os olhos azuis-piscina pararem de repente num ruivo que lhe olhava no topo da escada que levava ao segundo andar.

- “Esse é o namorado do Yuy?” – pensou – Olá, tudo bom? – sorriu.

- Oi – a voz seca do ruivo ecoou pela sala.

Yuy apareceu na sala com um copo de água, ele sorriu para o seu querido namorado, Ryori Nako. Hanz aceitou o copo, sorvendo seu líquido com bom grado, fechando os olhos para saborear.

Aquela manhã estava muito quente, e suas vestes negras lhe davam calor, mas não conseguia se desfazer dela.

Momentos mais tarde, o sol estava mais fraco e a tarde ia chegando. A sala estava cheia de livros sobre a história da arte, eles estudavam e escreviam os textos com atenção. O trabalho estava quase chegando ao seu final, para a felicidade dos dois. Nunca pensariam que eles chegariam tão rápido a conclusão do trabalho teórico.

Yuy se afastou um pouco da sala, deixando Hanz sozinho a ler um livro qualquer. Ryori que até agora estava distante sentou-se numa das poltronas usando apenas uma calça jeans toda desviada, bebendo cerveja numa long neck.

- Você é do interior também? – Hanz indagou, tentando puxar conversa.

O olhar de Ryori era intimidante, eram frios e atenciosos. Seu semblante era calmo e observador, diferente das feições fortes que geralmente impregnavam a face de Kim. O ruivo que lhe olhava parecia ser passivo a tudo enquanto analisava a pessoa a sua frente, para depois lhe atacar com um golpe mortal e certeiro. Era semelhante a uma serpente que espera sua presa em silêncio, apenas analisando-o com seus sentidos.

- Não – ele respondeu, sorvendo os goles amargos da cevada.

- “Esse aí não é muito legal” – Hanz pensou, voltando sua atenção ao livro, ignorando o olhar inquietante do outro – “ele ainda está me olhando” – concluiu.

- Você está morando aonde? – Ryori indagou com sua voz grossa e baixa.

- No bairro do sul – respondeu – um pouco distante.

- Por que veio para cá?

- Eu soube que essa faculdade era boa – respondeu com um leve sorriso, finalmente a conversa estava fluindo.

- Há quanto tempo conhece Yuy? – indagou, erguendo uma das sobrancelhas, era a primeira expressão que fazia desde que começou a conversar com sua visita.

- “Ciumento, como Kim” – pensou, observando as feições do ruivo – nos conhecemos há duas semanas na faculdade – respondeu – e você estuda?

- Não – respondeu seco, voltando a beber.

Os dedos de Hanz passaram pelos fios cor de ébano que estavam presos ao seu couro cabeludo, ele suspirou e moveu sua cabeça de um lado para o outro, alongando seu pescoço. Ele estava cansado, com fome e entediado.

De repente o telefone celular de Hanz tocou, ele puxou o aparelho que estava no bolso de sua calça jeans e o atendeu.

- Diga, Kim.

- Onde você está?

- Na casa do meu colega. Por quê?

- Me dá o endereço.

- Por quê?

- Porque eu vou te buscar. Dê logo!

- Espera um pouco.

Hanz olhou para Ryori que estava esperando que ele lhe perguntasse alguma coisa.

- Pode me passar o endereço daqui? – pediu.

Ryori falou o endereço rapidamente, Hanz o gravou e repassou para Kim que se despediu dizendo que estaria saindo de casa. A ligação foi encerrada, a expressão de Hanz estava mais desgastada que antes, chamando a atenção do ruivo.

- Algum problema? – Ryori indagou.

- Nenhum – mentiu.

- Alguém vai te pegar aqui?

- Sim – respondeu – ele é... sufocante às vezes – confessou, abaixando a cabeça, derrotado. Às vezes Kim o deixava num estado de aprisionamento que lhe desgastava ao máximo.

- Ele? – indagou com um leve sorriso – seria seu namorado?

Hanz balançou a cabeça positivamente. Nesse instante Yuy apareceu na sala, olhando para seu namorado e depois olhou para Hanz, desejando que os dois não estivesse discutindo. Afinal, todos os garotos que havia trazido para sua casa haviam se dado mal com seu amado ruivo.

- Hanz. Você quer beber ou comer alguma coisa? – indagou.

- Não, obrigado – disse – daqui a pouco eu vou embora.

- Mesmo? Eu te levo na estação – disse.

- Não precisa. Eu tenho carona – agradeceu com um sorriso gentil.

O trio ficou na sala, conversando. Ou melhor dizendo, Yuy e Hanz conversavam enquanto Ryori ficava apenas a observá-los, falando esporadicamente. A campainha tocou de repente, Ryori pulou do sofá, indo até a porta.

Hanz já pegou sua mochila e caminhou até a porta, encontrando seu amado namorado encostado na porta do porsche preto. O trio saiu da casa, Yuy cumprimentou Kim com um apertou de mão e Ryori limitou-se a mover levemente sua cabeça num cumprimento.

- Vamos? – Kim pediu.

- Até mais – Hanz sorriu para o casal e adentrou no porsche que se afastou.

No carro, Hanz olhava de canto para seu namorado que estava um pouco sério. Ciúmes? Talvez fosse a resposta para aquele comportamento. Mas o que ele havia feito afinal? Estava na faculdade, era normal fazer trabalho na casa dos outros.

- Já comeu? – Kim indagou.

- Não – sorriu – eu estou com fome.

- Não te deram nada para comer? Que mal educados são seus amigos – disse com irritação.

- “Deus, dai-me paciência” – pediu em pensamento.

O carro parou na frente de um restaurante. Eles comeriam finalmente e com o decorrer dos minutos o humor de Maccario estava melhor, pois estava ao lado de seu querido namorado, onde podia vigiá-lo.

OoO

E nesse ritmo um mês se passou. A amizade entre Yuy e Hanz aumentou, os dois tinham muitas coisas em comum, além de fazerem o mesmo curso, eles sempre saíam juntos.

Era uma noite de sexta-feira. Hanz e Yuy estavam voltando do cinema. Hanz ia ficar no metrô, porém a greve de transporte se deu no início do dia, pegando os garotos desprevenidos.

- Eu vou levá-lo em casa – Yuy disse.

- O meu bairro alaga com essa chuva – resmungou – me deixe em algum lugar e eu peço para meu namorado me buscar.

- De jeito nenhum – disse indignado – vamos para minha casa.

Hanz não discutiu. Estava frio, chovendo e não havia transporte. Ele precisava tirar carta de motorista logo! E não demorou a chegarem na casa de Yuy.

Eles saíram do carro já com as roupas úmidas, a chuva torrencial os atacou até a entrada da casa, deixando-os completamente ensopados. Yuy começou a caminhar pela sala, molhando o piso, Hanz ficou na porta com timidez, ele não queria sujar o chão.

Os cabelos de Hanz estavam grudados no seu rosto e pescoço, deixando seu visual sexy. Seus olhos pareciam dois pontos luminosos por trás daquela cascata cor de ébano.

- Entre – Yuy pediu, puxando a mão do mais novo.

- Desculpe, eu estou sujando todo o chão – pediu.

- Não se preocupe com isso. Ligue para o Kim – sugeriu – ele deve estar preocupado.

Hanz sorriu, ele pegou sua mochila e buscou seu celular.

- Tire essa blusa, eu vou pegar toalha para nós – Yuy sugeriu se afastando.

O convidado obedeceu, ele retirou sua blusa de linho de manga comprida preta, deixando seu tórax desnudo para qualquer um apreciar ou invejar. A sua calça jeans descia por seu quadril, deixando aparecer à barra de sua cueca.

A ligação não foi efetuada, pois Hanz não era atendido. Ele ligou no celular do karateca e no telefone fixo do apartamento, todavia apenas chamava e ninguém atendia. E fatigado de tentar algum contato, Hanz colocou seu celular novamente na sua bolsa.

Quando Hanz deu conta, o ruivo estava imóvel na sua frente olhando-o com atenção, deixando-o um pouco constrangido. O moreno sabia que olhar era aquele, pois em Saint Rosre os garotos deixavam explícito as suas intenções.

- Olá, Ryori – sorriu meio sem graça.

- Não vai para casa? – indagou o ruivo.

- “Ele é sempre tão rude” – pensou com constrangimento – “eu não quero ficar aqui”.

- Eu vou ligar para meu namorado – Hanz falou, tornando a ligar para Kim – “ah, Kim seu ciumento possessivo; onde está esse jeito machão quando eu preciso de você?” – pensou com irritação.

Yuy apareceu na sala jogando uma tolha na cabeça de Hanz que agradeceu, começando a se secar com uma única mão enquanto a outra segurava seu celular.

- Ele não atende? Fique hoje conosco – Yuy ofereceu.

- Não, não vou incomodá-los – disse, olhando diretamente para Ryori que apenas cruzou os braços, incomodando-se com aquele olhar apoquentado que lhe foi dirigido.

Os minutos foram passando e Yuy se irritou, ele puxou o celular de Hanz e o jogou no sofá. Ryori e Hanz o olharam incrédulos e antes que Hanz pudesse reclamar, ele foi puxado para o andar de cima por Yuy que resmungava alguma coisa.

No andar de cima no quarto de hóspedes. Havia roupas secas e limpas do ruivo em cima da cama para Hanz usar. O anfitrião mostrou a suíte do quarto e pediu para Hanz tomar um banho.

- Obrigado – sorriu.

Ele finalmente havia sido derrotado, não podia negar que estava amuado na presença de Ryori e que se sentia fragilizado por seu namorado não atendê-lo.

Quando Yuy saiu do quarto. Hanz se enfiou na suíte, tomando um banho rápido e quente. Quando ele saiu, secou-se e vestiu as roupas de Ryori, sentindo seu perfume. Deram-lhe uma camiseta branca e uma calça de pano preta que era um pouco larga.

Hanz deitou-se na cama e ficou olhando para uma sacola onde estava sua roupa molhada. Yuy era muito atencioso, isso era uma das coisas que mais chamava a atenção no seu colega. Aos poucos os olhos de Hanz foram se fechando, ele queria descansar, mas não podia ficar ali por muito tempo.

Com um pulo, saiu da cama, andando pelos corredores da casa. Hanz fez a menção de descer a escada, todavia parou ao ver o casal se beijando. E nesse instante o seu celular tocou. O que fazer? Não havia dúvidas, atender imediatamente. E para a surpresa de Hanz, Ryori pegou o celular de Hanz e o atendeu.

- Alô?

- Quem está falando?

- Ryori.

- Chame o Hanz para mim.

O ruivo estendeu o celular para Hanz que estava parado na sua frente, desejando arrancar aquele telefone da mão do ruivo. E o instante seguinte foi cômico para Ryori, preocupante para Yuy e vergonhoso para Hanz. A voz de Kim era elevada e audaz, deixando que todos o ouvissem.

- Por que ele atendeu?

- Porque estava ao lado dele.

- Eu vou te buscar agora mesmo.

- Seria bom.

- E depois vamos conversar.

- Ah... tudo bem.

- Hum! Quando eu estiver chegando, eu vou te ligar e você já saia que eu vou te pegar na calçada.

- Está bem...

- Tchau!

A ligação foi encerrada, Hanz ficou olhando para o aparelho com irritação. Ele queria mandar Kim para o inferno, mas não podia fazer isso na frente daqueles dois que lhe olhavam com curiosidade.

- Seu namorado é muito... desconfiado – Yuy comentou o que ele já havia notado há muito tempo. Se Ryori era ciumento, Kim era duas vezes mais.

- Sim – Hanz suspirou – desculpem.

- Ah, tudo bem – Yuy sorriu – enquanto isso, vamos ficar aqui na sala. Ele vai demorar, pois está muito trânsito.

O trio sentou-se na sala. Ryori ligou a televisão e colocou num canal de esportes, onde passava um campeonato de karate, que porventura chamou a atenção de Hanz.

- Gosta de karate? – Ryori indagou de repente.

- Sim – sorriu – Kim é campeão nacional – disse baixinho.

- Mesmo? – Yuy indagou com entusiasmo – ele é forte então!

- Sim, muito – sorriu – ele treina bastante.

O trio ficou conversando por um tempo. A noite começou a cair. Já se passava da meia noite e Hanz estava encostado com a cabeça no braço do sofá, seus olhos estavam fechando. Seu corpo exigia descanso, o mesmo acontecia com Yuy.

- Hanz... ligue para ele, durma aqui hoje – Yuy pediu.

- Hum... ele não vai entender – Hanz disse – por favor, vão se deitar, eu fico aqui.

- Até parece! – Yuy suspirou.

E o que aconteceu foi previsível, Yuy acabou dormindo no sofá. O ruivo levantou-se vagarosamente e foi até seu namorado, pegando-o no colo com cuidado e o levou para o andar de cima. Hanz suspirou, ele olhou para o seu celular vendo que era quase uma da manhã.

- “Kim... cadê você?”.

Quando o ruivo voltou para a sala, Hanz estava com a cabeça apoiada no braço, ele estava quase dormindo ali. Ryori pegou o celular de Hanz que estava em cima da mesa da sala, chamando a atenção de Golden.

- O que vai fazer? – Hanz indagou.

- Falar com seu namorado – respondeu secamente.

Hanz levantou-se do sofá num pulo e puxou seu celular da mão de Ryori, ele deu um passo para o lado e balançou a cabeça negativamente. Se Ryori ligasse para Kim e pedisse para ele não vim, com certeza o karateca ia entrar em combustão.

Ryori estendeu a mão pedindo o aparelho com um olhar que não podia ser ignorado. Hanz tremeu levemente, mas não se moveu, desafiando o mais velho, tentando passar segurança e firmeza. De repente, o celular começou a vibrar, Hanz o atendeu, olhando para Ryori que cruzou os braços.

- Alô?

- Hum... eu não vou chegar aí antes das três.

- E agora?

- Durma aí. Eu te pego de manhã.

- Ah... eu ... eu...

- Não quer? Eu vou te buscar então.

- Não, tudo bem. Passe de manhã.

- Desculpe. O trânsito está terrível e teve acidente. Como o transporte está em greve, as pessoas estão todas na rua com seus carros.

- Eu entendi, Kim. Boa noite.

- Um beijo.

- Outro.

A ligação foi encerrada. Hanz olhou para o ruivo e então sorriu, pendendo a cabeça para um lado, finalmente a situação foi resolvida.

- Ele deixou você ficar? – Ryori indagou.

- Sim – respondeu – mas ele virá logo de manhã.

- Ele é bem preocupado com você, não? – indagou com um leve sorriso – você não é de confiança?

- “Ele nunca me provocou assim antes” – pensou com irritação – isso não tem nada a ver.

- Não? – sorriu – por acaso ele não desconfia de nada entre você e o Yuy, não?

Hanz riu baixinho desta vez, ele passou a mão por seus cabelos, jogando-os para o lado, assim podia exibir seu olhar carregado de divertimento. Era só o que faltava! Além de Kim ficar lhe atacando com seu ciúme. Ryori estava começando a ficar do mesmo jeito!

- Olha, eu vou esclarecer uma coisa. Eu amo meu namorado – disse – e eu não vou traí-lo com ninguém. E Yuy e eu somos amigos, isso é tudo. Se quiser, eu vou embora agora mesmo.

- Pode ficar, não vou fazer a maldade de deixar uma criança na rua – disse, virando-se de costas, postando a subir a escada – vá dormir fedelho.

- “Fedelho?” – ficou indignado – “calma, Hanz. Durma e Kim irá buscá-lo quando acordar”.

O moreno subiu a escada, ele adentrou no quarto de hóspedes e jogou-se na sua cama, fechando os olhos, desejando descansar um pouco. Todavia ele ainda sentia-se incomodado, não conseguia dormir direito. Ficou se remexendo na cama, olhando o luar através da janela.

Após um tempo, Hanz levantou-se. Ele estava com sede, ao sair do quarto começou a caminhar na direção da cozinha. Ele pegou um copo que estava em cima da pia, o enxaguou e depois bebeu um pouco de água, ficando a olhar para o nada, apenas pensando no seu namorado.

- “Kim deve estar puto. Mas eu não tenho culpa que a greve começou depois que eu saí de casa” – pensava.

- O que você está fazendo aqui?

A voz cortante do ruivo fez Hanz engasgar com a água. O moreno abaixou seu tronco, tossindo fortemente, enquanto apoiava a mão na pia. O ruivo acendeu a luz e ficou olhando para aquela cena.

- Eu... estava com sede – disse, voltando a se erguer.

O ruivo foi até o armário e pegou uma garrafa de saquê. Hanz o observou com perplexidade. Eram uma e meia da manhã e Ryori estava bebendo. Será que ele tinha problemas com bebida? Ou tinha gostos bizarros?

A garrafa foi oferecida e Hanz a negou gentilmente, balançando a cabeça com veemência.

- Você está sem sono? – Ryori indagou.

- Sim – respondeu – eu fiquei preocupado.

- Seu namoradinho deve estar puto – sorriu, sorvendo alguns goles daquele líquido transparente – ele acha que você vai pegar o meu namorado.

- Não é bem isso o que ele pensa – confessou.

Ryori ficou curioso. O que o namorado de Hanz pensava afinal? A sua ânsia pela resposta ficou estampada no seu olhar, esperando que Hanz continuasse o relato.

- Ele não gosta muito de você mesmo – falou, olhando para o ruivo – disse que você...

- Que eu? – indagou com certa irritabilidade. Talvez seria bom acabar com a raça daquele namoradinho de quinta categoria para mostrar que merecia respeito.

- Que você tem cara de... safado – suspirou – mas ele sempre diz isso. Ele é louco! Não ligue para isso.

- Louco? – riu baixinho – definitivamente ele é um idiota.

Hanz suspirou. Certo! Falar com Ryori por alguns segundos era aceitável, mas permanecer na casa do ruivo e ter que suportá-lo era uma tarefa realmente difícil.

- Eu vou me deitar – Hanz falou.

- Se não está com sono, não faça desfeita. Beba comigo – falou com rispidez – venha!

Hanz bufou, ele seguiu o ruivo pela casa, adentrando no escritório. A porta foi fechada, Hanz sentou-se num sofá vermelho de camurça e ficou olhando para o ruivo que enchia dois copos transparentes e largos com o saquê.

O copo de Hanz transbordava, ele sentiu o sabor daquele líquido e seu estomago começou a revirar. Na sua frente, Ryori já estava na metade do copo, para ele era mais fácil beber na garrafa mesmo, já que bebia um copo num minuto.

- Há quanto tempo estão namorando? – Ryori indagou.

- Um ano e pouco – respondeu – e vocês dois estão há muito tempo, não é mesmo?

- Sim – respondeu – cinco anos e alguns meses.

- Com o que você trabalha? – Hanz indagou o que lhe deixou curioso por um bom tempo.

Ryori ficou em silêncio, ele sabia que Yuy não comentava com ninguém o que fazia. Com um sorriso divertido, Ryori disse:

- Sou traficante de drogas.

- O que? – indagou imediatamente.

- Sou líder do tráfico de drogas de Rondon – falou – deveria saber disso, Hanz. Você está na minha casa.

A face de Hanz empalideceu. Ryori não era o tipo de que falava mentiras, e agora havia explicação para o jeito agressivo e violento do ruivo. Ele era realmente um assassino, ele era frio, seco e sempre estava ocupado. Agora estava notando os comentários de Yuy, que odiava as companhias de Ryori.

- Está com medo? – Ryori indagou.

- Por que teria? – indagou, lembrando-se que Kim lhe fez a mesma pergunta há muito tempo.

- Não há motivo realmente – Ryori respondeu, com um largo sorriso.

- “Nesse ponto ambos são muito parecidos” – Hanz pensou, permitindo sorrir, ele bebeu um pouco mais de saquê – Yuy disse que se conheceram na escola. Por que estudava?

- Porque estava cumprindo uma promessa – respondeu seco – e o seu namorado. Ele já te bateu alguma vez por ter ficado na casa de seus amigos?

Hanz paralisou com aquela pergunta. Ele fechou os olhos e bebeu um pouco mais, ele não queria falar da sua vida pessoal com Ryori.

- Acho que já entendi a resposta – Ryori riu baixinho – se quiser, eu posso mandar ele ficar quietinho. Ele não vai tocar em você.

- Como assim? – indagou, tornando a abrir suas pálpebras.

- Sente medo dele?

- Eu não sinto medo dele – respondeu com irritação – Yuy sente medo de você?

- Claro que não – falou zombeteiro.

- E você já agrediu Yuy também? – indagou no mesmo tom.

Ryori sorriu com a provocação. Aquele garoto era realmente bem atrevido, mas era disso que Ryori gostava. Ele havia se apaixonado por Yuy pelo fato do moreno jamais temê-lo.

OoO

Experiência não é o que aconteceu com você; mas o que você fez com o que lhe aconteceu”. (Aldous Huxley)

OoO

Continua...

Hum... esse ryori está muito falante não é mesmo? Para quem conhece esse personagem, pode notar que ele está muito comunicativo. E ryori só é comunicativo com pessoas que lhe interessam. O que acontecerá com Hanz na casa do famoso traficante?

Não se preocupem que eu não vou misturar Mundos e Contos de Garotos. Não tem cabimento. Pois ‘Mundos’ se passa em outro planeta Terra, com outros estados, países, continentes, costumes, outro ano também.

Comentários são bem-vindos. Mande o seu e faça uma autora feliz!

Desde já agradeço a atenção de todos!

5/10/2008

Por Leona-EBM



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