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Fiction » Romance » Contos de Garotos Especial: Férias de Verão font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Leona-EBM
Fiction Rated: K - Portuguese - General - Reviews: 6 - Published: 10-07-08 - Updated: 12-09-08 - Complete - id:2581179
Por Leona-EBM

Por Leona-EBM

Contos de Garotos Especial: Férias de Verão

Parte I

Nota: esse conto mostrará o relacionamento de todos os personagens, intercalando uma ação na outra, sendo uma leitura mais solta, com fatos acontecendo simultaneamente entre os personagens.

OoO

Hanz abriu a porta da varanda, sentindo o cheiro fresco daquela manhã e diferentemente da visão que tinha da cidade, agora o moreno avistava o oceano a sua frente. O céu estava azul e límpido, algumas gaivotas voavam, cantarolando. O ar era úmido e a respiração era facilitada por esse motivo.

O assoalho da varanda era de madeira, pintada a tinta branca. Hanz caminhou até a cerca de proteção. O vento que provinha do mar lhe refrescava, o moreno passou a mão por seus cabelos, jogando-os para trás, fechando os olhos por um momento para aproveitar aquela sensação de férias e alvedrio. Enfim estava livre do Saint Rosre, eram as férias de verão daquele colégio.

O Hotel Água Branca sempre foi reservado para as férias de verão dos garotos do Saint Rosre. Obviamente nem todos os garotos viajavam, pois o pagamento era feito à parte, contando com a mensalidade e muitos alunos voltavam para casa, a fim de ver seus parentes.

A maioria dos garotos quem iam eram do terceiro e quarto ano. Os garotos do primeiro ano raramente iam, por causa do trauma que o Saint Rosre lhes causava, o segundo ano era a mesma coisa. Porém alguns alunos possuíam boas relações com os veteranos.

O quarto foi escolhido aleatoriamente. Em cada quarto havia quinze camas, ele era enorme e espaçoso. O hotel era especializado para receber colégios de várias regiões do país, por isso sua arquitetura suportava bastantes adolescentes.

Dos duzentos e quarenta alunos, apenas cinqüenta foram participar da viagem. Felizmente para Hanz, a maioria dos garotos que estavam no hotel lhe era conhecido de vista ou eram seus amigos.

Corei ficou felicíssimo ao ver que havia ficado no quarto com Hanz, mas para sua tristeza, nesse mesmo quarto estavam Kirios e Julian, com quem não se simpatizava. Os garotos haviam chegado há uns trinta minutos, eles foram instruídos a arrumarem suas coisas e descerem para o almoço.

Hanz vestiu uma bermuda jeans escura e uma camiseta branca. A cor favorita do moreno era o preto, que chegava a ser 90 de suas roupas, mas como estava na praia, Hanz acabou puxando suas roupas mais claras no fundo do guarda-roupa. Ele calçou suas Havaianas vermelhas e saiu do quarto, a fim de ver o quarto dos outros garotos.

Ao todo, o colégio acabou por ocupar quatro quartos, ficando com algumas camas sobrando em alguns dormitórios, porém ninguém poderia trocar durante esses sete dias e seis noites. Maximiliano deixou um monitor responsável pelos alunos, ele não tinha mais humor para acompanhar os alunos por causa de sua situação atual.

Hanz passeava pelos corredores, observando a decoração praiana, amando aquele espírito de repouso. O moreno ficou na recepção do hotel, tomando um pouco de água que havia no bebedouro, olhando para os lados distraidamente.

- Olá!

O moreno olhou para o lado, vendo uma linda garota que aparentava ter a mesma idade lhe cumprimentando. Ela usava um biquíni azul marinho, sob sua pele amorenada. Seus olhos eram verde oliva e seus cabelos negros caíam por seu dorso em longos cachos trabalhados.

- Ah... oi – sorriu, olhando para o corpo da garota discretamente. Ela era uma moça muito bonita, porém não era de seu interesse.

- Você veio com o colégio? – ela indagou.

- Ah, sim. Somos do Saint Rosre – sorriu.

- Eu ouvi falar muito bem desse colégio – comentou, puxando um copo descartável e o enchendo de água em seguida, inclinando-se para baixo de qualquer jeito, desarrumando seu biquíni, Hanz apenas a olhou de cima, vendo que tinha total visão dos seios da garota.

- “Ah... essa menina está com segundas intenções” – pensou, olhando para os lados com preocupação. Talvez Kim estivesse escondido atrás da planta, observando-o com seu olhar possessivo. Ele não queria brigas.

- Eu vou indo! Até mais – Hanz disse, começando a caminhar para fora da recepção.

- E qual é o seu nome? – ela indagou.

- Hanz e o seu?

- Meu nome é Elizabete – disse – prazer, Hanz.

Hanz sorriu e acenou com a cabeça, afastando-se em seguida. Ele voltou para o seu quarto, encontrando Kim, Julian e Kirios sentados na sua cama, conversando animadamente.

- Onde você estava? – Kim indagou, vendo o moreno colocar a cabeça para dentro do quarto.

- Conhecendo o hotel – respondeu.

Hanz sentou-se ao lado de seu namorado, ficando a conversar com o trio até o momento em que foram chamados para o almoço. Hanz separou-se um pouco de Kim a contragosto, pois foi puxado por Corei, que desejava ficar com seu amigo.

OoO

No refeitório, Hudi foi puxado pela mão por seu namorado que olhava para os cantos com receio. Eles estavam fora do Saint Rosre, as pessoas não aceitavam muito bem o relacionamento entre dois garotos, porém o veterano mostrava não se importar. Aliás, Miles mostrava não se importar com nada.

Eles sentaram-se numa mesa sozinhos. Hudi suava frio, olhando para um grupo de garotas que lhe encaravam com malícia, depois olhou para o refeitório com mais vigilância percebendo que havia muitas garotas no lugar.

- Tem muita mulher aqui, você não acha? – Hudi indagou.

- Colégio interno feminino – Miles comentou, pegando o cardápio.

- Mesmo? Que droga! – resmungou.

- Não gosta de mulheres?

- Não, não mesmo. Elas me deixam... nervoso – falou, pegando o cardápio, escondendo suas faces avermelhadas. Hudi sempre teve problemas com mulheres, isso se deve ao fato de ser criado numa família com três irmãs, suas tias e sua mãe.

- Por quê? – indagou erguendo suas sobrancelhas.

- Eu já te disse. Minha família só tem mulher. Elas me deixavam louco – resmungou.

- Hum...

- Você não entenderia. Você é filho único – resmungou, observando o cardápio.

Miles não disse nada como de costume, ele deslizou sua mão pela superfície lisa da mesa, encostando seus dedos na mão de seu namorado, acariciando-o enquanto observava o menu com atenção. O ruivo arregalou os olhos e fugiu daquele toque.

- Está louco? – indagou gesticulando os braços.

- Hum?

- Elas estão olhando para nós! – disse, olhando para os lados.

Os orbes negros de Miles cruzaram o salão observando as pessoas em silêncio, ele olhou para a parede e viu o aviso que era proibido o fumo, aquilo o deixou triste. Ele voltou seu olhar no ruivo que estava esperando que ele dissesse alguma coisa, mas o veterano apenas suspirou e voltou sua atenção ao cardápio.

- Ah! Eu desisto! – disse batendo a mão na mesa – fala sério Miles! Você está brincando comigo, não é?

- Ah?

- Pare de fazer essa cara de desentendido. Eu falo, falo, falo e você só fica em silêncio – resmungou.

- Você parece uma mulher – disse baixinho.

Hudi resmungava alguma coisa, mas silenciou-se ao ouvir aquilo. Ele parecia uma mulher? Será que ouviu direito? Estava indignado, ele não acreditou que o moreno havia lhe dito aquilo.

- O... o que disse?

- Você parece uma mulher. Não pára de falar, reclamar e observar as coisas – disse secamente.

As bochechas de Hudi ficaram rubras, inicialmente ficou envergonhado com aquela observação, depois ficou com raiva e por fim sua vontade de comer acabou indo embora. Ele levantou-se com a cabeça baixa e saiu em silêncio, pensando nas palavras de seu atual namorado.

- “Eu não sou uma mulher” – pensou com tristeza.

Miles observou o menor se afastando, ele ficou no seu lugar refletindo nas suas palavras, procurando entender o motivo de tanta chateação. Os minutos foram se passando e após analisar a situação, o francês ergueu-se, exibindo seu corpo esguio para as garotas assanhadas.

O francês caminhou pelos corredores, olhando atentamente para os cantos mais arejados. Pelo pouco que pode observar, seu querido ruivo gostava de ar fresco. Por esse motivo, Miles nem sequer subiu para os quartos, saindo pela entrada principal do hotel.

E como havia previsto, ao longe viu os ventos balançarem os fios avermelhados do seu namorado. Ele estava do outro lado da rua, sentado perto da beirada da praia. Miles colocou um cigarro na boca e começou a fumá-lo, dando passos lentos até seu namorado. Quando o francês se aproximou, ele sentou-se ao lado do ruivo, ficando a olhar para o imenso azul a sua frente.

O tempo passou e o silêncio entre os dois bateu seu recorde. Era a primeira vez que Hudi não havia se incomodado com aquela calmaria, quebrando o silêncio com seus gritos e comentários afobados.

- Poderia me deixar sozinho? – Hudi indagou.

Miles nem sequer respondeu, saboreando seu cigarro. E com um suspiro impaciente, Hudi se levantou, postando-se a caminhar com a cabeça baixa e as mais no bolso de seu short jeans. Ao seu lado, seu namorado o acompanhava no mesmo ritmo.

A caminhada foi longa. Eles passaram por um caminho de pedras, terra e muitas plantas, por um momento Hudi achou que viu uma cobra deslizar pelos eixos, aquilo o amedrontou.

Ambos pararam de andar ao ver que à frente a trilha ficou mais estreita e dificultosa, eles teriam que se pendurar às raízes das plantas para subir um pequeno elevado de terra. Os pernilongos começaram a grudar em suas pernas, ambos estavam usando chinelos que estavam atolados na lama daquele mangue.

- Ainda está irritado? – Miles indagou.

- Sim – respondeu – você não pode me comparar com uma mulher – disse revoltado – eu não tenho nada de mulher. Eu me pareço uma mulher?

- Às vezes – respondeu.

- Ah! Eu não acredito que você ainda está dizendo isso! – gritou – chega, esse relacionamento não está dando certo. Nós somos muito diferentes, eu acho melhor pararmos por aqui antes que alguém fique magoado.

Miles apagou seu cigarro na rocha cheia de cogumelos, depois guardou a bituca do cigarro apagado no seu bolso, ele se recusava a sujar aquele lugar admirável. O francês deu um passo para frente e segurou o rosto do ruivo.

- Não adianta me beijar, pois eu não vou mais...

Hudi não terminou de falar, os lábios quentes e macios de Miles o envolveram, mostrando todo seu romantismo, deixando o calor de seu corpo se envolver com o corpo menor. O ruivo se derreteu novamente. A quem ele queria enganar? Estava apaixonado.

- Eu acho que precisamos conversar...

E outros beijos calaram o menor, os lábios de Miles resvalaram por seu pescoço, saboreando-se com o gosto e o cheiro adocicado do menor. Seus braços compridos deslizaram por seu dorso, parando as mãos espalmadas nas suas nádegas.

- E... e... não vou ceder... porque você está fazendo isso...

Os dedos finos e compridos de Miles fecharam-se levemente nas nádegas de Hudi, puxando o ruivo para ficar em cima de algumas pedras a fim de sair daquela lama. O ruivo encostou suas costas na parede e ficou a olhar para os orbes negros do francês.

- E... eu...

- E você? – indagou com um leve sorriso, dando toda sua atenção para o ruivo, deixando seu olhar grudado nas suas feições, amando ver cada detalhe daquela mente confusa.

- Eu... eu te odeio – falou.

- Que pena – sussurrou.

- Deixe-me sozinho – pediu, sentindo sua voz sair fraca.

Os dedos frios e cheirando a cigarro do maior tocaram no lábio avermelhado de Hudi, sentindo sua maciez, depois continuou sua viagem até sua nuca, afagando-o delicadamente.

- Por quê?

- Porque eu estou bravo com você – respondeu – você viu o que disse?

- Não.

- Ah! Você falou que eu me pareço com uma mulher! – tornou a falar com revolta.

- Hum...

- Não fale mais isso – pediu, abaixando a cabeça.

- Por quê?

- Eu vou te contar. No meu primeiro ano... os garotos viviam me fazendo colocar vestido – confessou baixinho – pediam para eu falar fino e ficavam pedindo para eu fazer coisas que eu odiava.

Miles abraçou o corpo do menor. Hudi estava com a respiração acelerada, mas depois começou a se acalmar. As mãos de Miles pareciam lhe curar de qualquer mal estar, o seu silêncio mostrava sua total compreensão e respeito.

- Eu não sabia. Desculpe-me – falou.

- Tudo bem – disse – “e mais uma vez eu te perdôo. Você... nunca vai embora quando eu peço e entende tudo o que eu quero”.

- Quer voltar para o hotel? – indagou.

- Deixe-me ficar assim... mais um pouco – pediu.

Depois de um tempo o abraço teve seu fim, e quando Hudi se afastou, ele voltou a caminhar em silêncio sendo seguido por sua sombra. Os dois voltaram pela beirada da praia, segurando seus chinelos pelas mãos, aproveitando a água do mar para lavar a lama que os sujou.

O sol começou a ficar mais forte, pelo seu posicionamento deveria ser duas horas da tarde, e eles estavam longe de chegar ao hotel. Hudi tocou no seu estômago que começou a reclamar de fome.

- Quer almoçar em algum lugar? – Miles indagou.

Hudi parou de andar e olhou a região vendo que estavam no meio de uma praia que era escondida pelas montanhas, pela vegetação e pelas trilhas. Eles haviam chegado de jipe no hotel. Como achariam um restaurante pela região?

- Ô espertalhão!! Onde você acha que podemos comer, hein? – indagou com impaciência, balando a cabeça negativamente.

- Ali – disse, apontando para frente.

- Não acredito! – disse com perplexidade, vendo que havia um quiosque feito de madeira ao longe – Que mentira!

Miles permitiu que um leve sorriso fixasse nos seus lábios, ele tocou nas mãos frias do seu namorado e começou a andar. Eles chegaram no quiosque que estava vazio. O casal sentou numa mesa redonda feita de bambu.

Um rapaz se aproximou com um largo sorriso, cumprimentando os garotos e lhe entregando um cardápio de plástico. Os dois ficaram olhando com atenção, acabaram por pedir cerveja, uma porção de isca de peixe e uma porção de batata frita.

- Está gostando daqui? – Miles indagou.

- Sim – sorriu – esse lugar é lindo. Eu queria muito vim aqui.

- Hudi. Você fará o quarto ano?

- Minha mãe e minhas tias querem que eu faça – disse cabisbaixo.

- Não tem como não fazer? – indagou.

- Não. Quando elas cismam com uma coisa, nada as fazem mudar de idéia – falou com um olhar cabisbaixo.

Miles ficou prestando atenção no que seu namorado falava, ouvindo seus lamentos, prestando atenção no seu olhar que brilhava e se apagava dependendo do assunto. O francês apoiou seus cotovelos na mesa, ficando a observar a pessoa que mais apreciava.

- “O que eu mais gosto em você é algo que ninguém percebeu. Você é tão triste Hudi, mas não deixa transparecer. Sua vida é difícil, sofreu muito, mas sempre está sorridente. O que eu mais amo é observar você, triste, chorando, sorrindo... tanto faz... eu amo cada detalhe” – pensava extasiado – “por isso falo pouco, pois eu acho um desperdício o seu silêncio”.

Quando a comida chegou, eles começaram a alimentar-se. Hudi atacava a comida, enquanto Miles comia sem pressa, demorando a mastigar e engolir o alimento.

- Vai mesmo fazer faculdade de psicologia? – Hudi indagou, bebendo sua cerveja.

- Sim – respondeu.

- Acho que é sua cara. O paciente vai falar, falar e falar... e você só vai ouvir. Perfeito para você – riu baixinho – eu não queria me tratar com você, eu ficaria nervoso.

- Por quê?

- Oras! – sorriu – eu não agüento seu silêncio. Por que não fala mais?

- Porque é desnecessário – respondeu, passando a mão por seu cavanhaque.

- Não é não! Eu gosto de ouvir você falando. Fale mais comigo, por favor – pediu – eu sempre te peço isso, mas você não me ouve.

- Desculpe – pediu.

- E você sempre pede desculpas e não muda – suspirou.

Os ventos estavam ficando mais fortes, os cabelos cor de fogo do menor estavam para cima, dançando conforme o ambiente pedia. Ele ria baixinho e comentava alguma coisa com a boca cheia. Quando terminaram de comer, ficaram mais um tempo conversando. No final Miles pagou a conta e eles saíram.

- Vamos andar por ali? – Miles pediu, apontando para um trilha.

- Hum... e se tiver cobra? – indagou com receio.

O moreno não respondeu, ele começou a caminhar na direção da trila. Hudi hesitou um pouco, todavia o seguiu, agarrando seu braço como se fosse uma criança. Os dois caminharam pela trilha que era mais acessível que a outra.

Um tempo depois...

- Eu estou cansado – Hudi reclamou.

O ruivo sentou-se num tronco de árvore que estava envolto por algumas pedras. Miles ficou em pé ao seu lado, com os olhos fechados e a cabeça jogada para trás, sentindo a energia daquele ambiente.

- Eu gosto desse lugar – Miles sussurrou.

- Que bom – sorriu – “hoje ele está falante...”.

- Eu morarei aqui no futuro – falou.

- Que horror! Nossa, eu odiaria viver num lugar assim – falou, balançando a cabeça negativamente – imagina! sem shopping, sem fliperama, sem rua, sem carros! Eu ia enlouquecer.

- Ia fazer bem para você – Miles falou – ia ser mais calmo.

- Miles, eu nunca vou ser calmo – riu baixinho – apenas com calmantes fortíssimos.

O moreno não disse nada, ele ficou olhando para o ruivo que ria baixinho de seu próprio comentário. Miles abaixou-se ficando na altura dos olhos do menor que o observava.

- Eu quero amar você aqui – falou de repente.

Hudi ficou vermelho e com os olhos arregalados, ele moveu sua cabeça em 360°, avaliando o lugar que estavam. O chão era cheio de terra e areia, as pedras estavam sujas, havia muitos caranguejos pela região e os mosquitos e pernilongos não os deixavam em paz.

- Não mesmo – respondeu.

- Por quê?

- Olhe para o lugar!

- Ele é perfeito – sorriu.

- E pode vim alguém!

- Se isso acontecer é só parar.

- Como assim parar? Você não tem vergonha, não? – indagou com indignação.

- Não – respondeu secamente.

- Eu acho que você não teria mesmo... mas eu não sou louco e tenho bom senso. Vamos voltar para o hotel!

O ruivo se levantou e começou a pisar para fora daquela trilha. Miles nem sequer se moveu, ele ficou observando seu namorado se afastar com insatisfação. Ele avançou no menor, abraçando sua cintura.

- Por favor – pediu docilmente.

- Com uma condição – pediu.

- Qual?

- Que você fale o triplo que fala comigo todos os dias – pediu.

- Mas esse é meu jeito – falou baixinho.

- Então eu me recuso – disse com um sorriso vitorioso no rosto.

Miles pareceu refletir, mas não ia deixar de fazer o que desejava por aquele pedido. Afinal Hudi não pedia nada demais. Ele teria que falar três frases a mais por dia.

- Tudo bem – falou.

- Se não falar mais que isso eu vou ficar bravo – avisou.

- Eu vou falar mais – Miles prometeu.

- Isso é uma promessa! – Hudi avisou.

O mais velho puxou a mão do menor e começou a se infiltrar no meio daquele matagal, procurando algum lugar para ficar a vontade com seu afetuoso namorado.

OoO

No hotel, Leon estava ao telefone com sua mãe. Ele estava jogado na cama de seu quarto, ouvindo ela dar suas instruções e pedidos. Para variar pedia para que seu filho não fosse até o fundo do mar, passasse protetor solar, se alimentasse bem e... obedecesse a seu primo.

Julian entrou no quarto de repente, procurando Kirios, porém sorriu ao ver seu primo jogado na cama com uma cara de enterro. O ruivo sentou-se ao seu lado e antes de dizer qualquer coisa, Leon estendeu o celular para ele.

- Ela quer falar com você! – Leon disse com agastamento.

Julian pegou o aparelho celular e começou a conversar com sua tia, que lhe idolatrava e pedia para que Julian cuidasse de seu pequeno filhote. O motivo de tanta preocupação por parte da mãe de Leon era justificável.

O irmão mais velho de Leon havia falecido há menos de dois anos em uma viagem que fez com seus colegas ao litoral. O carro havia derrapado por causa da pista molhada, batendo de encontro a um caminhão. O acidente teve grande repercussão na época e até saiu nos jornais. Uma perda terrível para a família. E desde então, os pais de Leon se preocupam excessivamente com sua segurança.

A ligação foi encerrada. Leon respirou fundo e jogou seu corpo para trás, fechando os olhos, tentando relaxar.

- Ela pediu para você não ficar andando sozinho – Julian avisou.

- Eu já tenho uma lista completa do que não posso fazer – suspirou – eu queria que eles parassem de me sufocar.

- Leon... entenda seus pais – pediu, passando a mão pelo braço deu seu primo.

- Eu os entendo. Mas eles me sufocam – murmurou – é o tempo todo. Eu não agüento!

Julian suspirou, ele ficou com um olhar entristecido. Ele amava seu primo mais velho, o falecido Gianni. O ruivo observou seu primo menor com mais atenção, perdendo-se nos seus olhos vermelhos. Ambos eram muito parecidos.

- Está pensando nele de novo? – Leon indagou irritação.

- Vocês se pareciam demais – sussurrou.

A mão do ruivo tocou numa mecha cor de ébano, sentindo sua textura. Leon deu um tapa em sua mão e se levantou rapidamente da cama.

- O que pensa que está fazendo? – indagou – por que me bateu?

- Eu cansei de ficar com você – revelou - eu não sou meu irmão! – gritou.

- Eu sei – disse entristecido.

Leon ficou irado com aquele olhar, ele não esperou mais nada, ele se afastou e saiu do quarto, ignorando os chamados de seu primo. O moreno saiu do hotel, caminhando até a beira do mar, todavia não ficou muito tempo sozinho. Logo Amín que o viu sair apressado se aproximou dele.

- Por que está com essa cara? – o louro indagou.

- Meu primo me irrita – desabafou.

- Como sempre – sorriu – o que ele fez dessa vez?

- Ele fica me olhando como se eu fosse meu irmão – disse.

Os dois ficaram caminhando pela beirada da praia, sentindo a onda fria bater contra seus pés. O hotel estava cheio e por isso havia muitas pessoas tomando banho de sol.

- Por que não se separa dele logo? – indagou.

- Ele é meu primo – disse – ele vive no meu pé. E meus pais fazem questão de nos colocarem sempre juntos.

- Que mala, hein! – riu baixinho – sempre empurram o Julian para você?

- Desde que meu irmão morreu, eu não vou à padaria sozinho – suspirou – acredita que minha mãe quis contratar um segurança para mim?

Amín olhou com pesar para seu amigo, ele não tinha o que comentar. A situação era realmente problemática. Seus pais eram super protetores, mas mesmo assim o deixavam naquele colégio interno.

- Seu irmão e Julian... namoravam? – indagou com receio. Afinal Leon já havia desabafado muitas vezes com o loiro, o que dava um certo entendimento sobre o que acontecia naquela relação tão caótica.

- Sim – respondeu.

- E o Julian fica com você por causa da aparência? – indagou com delicadeza, tentando não ferir os sentimentos de seu colega.

- Hum... sim – disse entristecido, parando de andar um pouco, olhando para a areia úmida com angústia.

- E... você gosta... dele? – Amín indagou, tocando nos ombros do maior.

- Ah... eu... às vezes acho que sim, mas... ele me trata tão mal... que eu fico com raiva – confessou, sentindo seus olhos encher-se de lágrimas.

- Leon eu...

- Amín, eu vou dar uma volta sozinho. Eu preciso relaxar – disse – eu estou com meu celular, qualquer coisa me ligue.

- Tem certeza?

- Até mais – disse, afastando-se.

O andar de Leon era lento e desmotivado. Seus olhos tinham a beleza do mais puro rubi combinando com as lágrimas quentes e solitárias que resvalavam pela sua face cândida. Os lábios bem desenhados de Leon recebiam as lágrimas que adentravam pela sua cavidade, permitindo que com seu paladar sentisse seu sabor salgado.

A água salgada batia contra seus pés, sujando-os com a areia. Por um momento o solo ficou mais arenoso, com um pouco de cascalho. Era uma parte mais afastada dos banhistas.

- “No começo era você e Julian. Você sempre ficava grudado a ele, Gianni, ignorando-me. Vocês dois sempre me tiravam na conversa dizendo que eu era uma criança, mas na verdade não queriam que eu ficasse por perto... até mesmo os nossos pais ficavam lhe admirando, enquanto eu era largado” – falava com seus pensamentos, como se estivesse caminhando ao lado de seu falecido irmão mais velho.

- “E agora que você morreu, eu tenho esse peso. Nossos pais querem que eu estude o mesmo que você. Querem que pratique os mesmos esportes e agora até mesmo Julian fica atrás de mim, procurando você”.

Leon chutou uma pequena pedra que estava na sua frente, fazendo-a bater contra a rocha úmida. O ruído foi baixo, Leon sentou-se numa das pedras, observando a onda fraca que batia contra elas, molhando seus calcanhares. Ele abaixou sua cabeça e ficou a derramar suas lágrimas, que foi se intensificando dando resultado aos soluços baixos e contidos. Quantas vezes ficou a chorar sozinho? Já havia perdido as contas.

- Eu não sou você – falou baixinho, como se seu irmão pudesse ouvi-lo – eu nunca vou ser, eu não quero ser...

OoO

No hotel. Julian, Kim e Kirios estavam jogados na areia da praia usando apenas bermudas de banho, olhando para a linha do horizonte que se estendia logo à frente, riscando a resplendorosa abóbada celeste.

- Eu estava precisando disso – Kim comentou, erguendo seus braços num alongamento.

- Eu digo o mesmo – Kirios falou.

- Eu estou com tédio – Julian desabafou.

Kirios e Kim olharam para Julian com um sorriso divertido. Afinal ambos sabiam que Julian não conseguia ficar quieto num lugar por muito tempo, sem suas festas, bebidas e orgias. O ruivo necessitava de uma dose diária de sacanagem e indisciplina.

- E não vendem bebidas no hotel! – exclamou – como eu vou ficar sem álcool?

- Não vendem? – Kirios indagou com surpresa – eu preciso de álcool também – disse com certo desespero.

- Por que não vão pegar quem os interessa para não ficarem frustrados? – Kim indagou – esse mal humor de vocês está estragando meu momento de paz. Vão embora, vão!

Julian sorriu com as palavras do karateca, ele voltou a observar o mar a sua frente. Ao longe viu seu primo caminhando pela beirada da praia.

- Aquele não é seu primo? – Kirios indagou.

- O mesmo – Julian respondeu.

- Julian, eu sempre quis saber o que você sente sobre seu primo – Kirios disse.

- Sempre? Você é muito curioso! – o ruivo disse.

- A mente humana é curiosa – comentou.

- Ah! Você sempre responde desse jeito – Kim riu baixinho – a mente humana é isso, é aquilo...

- Mas é a verdade – suspirou – eu quero mesmo saber. Afinal eu nunca entendi a relação de vocês. Você nunca fez um acordo com o seu primo, mas sempre volta para ele... e também nunca permitiu que nenhum garoto fizesse nada de ruim contra ele. Diga-me Julian, por que não fica logo com ele?

O ruivo ficou calado por um tempo, observando o caminhar do menor ao longe, pensando na imagem de Gianni, recordando-se dos dias em que viveu com seu primo mais velho.

- E para variar você nunca responde – Kirios reclamou.

- Eu não sinto nada – Julian respondeu.

Kim e Kirios se entreolharam com desconfiança. Julian sempre era vago com relação a esse sentimento. Tanto o karateca como o louro já tentaram indagar, especular e investigar sobre o relacionamento dos dois, todavia tanto Julian como Leon eram difíceis de se conversar.

- Se o seu primo ficasse com outra pessoa; você se importaria? – Kim indagou.

- Não – respondeu secamente – por que querem tanto saber?

- Oras! Você vive especulando sobre nossa vida – Kirios falou – sentimos vontade de saber também. Afinal, você sempre chuta seu primo... mas depois... quando fica meio depressivo, sempre volta para ele.

Os orbes acinzentados do ruivo ficaram sem brilho algum, ele não queria falar sobre seus sentimentos. Ele mesmo não admitia que sentia algo por ninguém, ele mesmo recusava-se a admitir que podia gostar novamente de outra pessoa que não fosse ele mesmo. E por esse tipo de pensamento, não podia falar em voz alta o que pensava, pois estaria tornado uma afirmação. Não podia gostar de seu primo menor. Não queria magoar-se novamente.

O ruivo ergue-se sob os olhares atentos de Kirios e Kim. Julian balbuciou alguma coisa e começou a caminhar até a beirada da praia, observando o dorso de Leon que estava sentado próximo a areia úmida.

- Ele é doidinho por ele – Kirios riu baixinho.

- Só não admite – Kim completou.

- Eu fico com pena do primo dele – falou – o Julian sabe pisar em alguém quando quer.

- Como assim? – Kim indagou com curiosidade.

- Da última vez que esses dois brigaram, eu estava perto – comentou – Julian deixou claro que Leon era o mesmo que nada. Um idiota. Eu não entendo como as pessoas podem querer se separar das pessoas que gostam apenas por orgulho.

Kim suspirou, não sabendo o que comentar. Julian era extrovertido, falador, divertido, mas quando o assunto era o seu primo menor, ele mudava completamente sua personalidade. Talvez Kirios tivesse razão. Talvez Julian só fosse notar seu primo quando este... viesse a sumir.

Enquanto Kirios e Kim fofocavam, Julian se aproximava do seu primo, quando finalmente o alcançou, o ruivo olhou para o seu semblante entristecido. Ele sabia o motivo daquela apatia, mas não queria perguntar, não queria mostrar que se importava.

O mais velho sentou-se ao lado de Leon, deixando que seus joelhos se encostassem. Nenhum deles disse nada, deixando apenas que a bola fumegante no céu os queimasse com seus raios de calor. O ar abafado dificultava suas respirações.

- Onde foi? – o silêncio foi quebrado por Julian.

- Eu estava andando – respondeu seco.

- Sua mãe falou para não andar sozinho – suspirou.

- Ela só pede isso agora – reclamou baixinho – antes não era assim.

- Antes ela não tinha consciência que a vida de seus filhos pudesse ser tirada tão facilmente dela – replicou – pare de ser tão estúpido.

Leon não respondeu, afinal as conversas com Julian sempre resultavam em ofensas, dizendo o quanto ele era egoísta e ingrato.

- “Por que eu me submeto a isso? Por que eu aceito que meu primo transe comigo e depois cuspa em mim? Por que eu aceito as ordens dos meus pais?” – pensava com irritação – “eu que permito ser tratado assim. Eu que permito ser usado... eu não quero mais ser assim...”.

O silêncio de Leon era algo comum para Julian, seu primo menor ficava muito tempo calado para depois explodir como uma ogiva nuclear, mas diferentemente da função literal da ogiva, seu primo expelia palavras carregadas de emoções negativas.

No entanto apenas o som das ondas continuava a falar por eles, Leon estava silencioso, mais que o normal. O ruivo suspirou com certa impaciência, ele não queria conversar seriamente, mas talvez precisasse fazê-lo.

- Vamos conversar – Julian disse.

- Sobre?

- Nós – respondeu – precisamos esclarecer as coisas.

- “E ele vai falar que não gosta de mim e só fica comigo por causa do meu irmão” – pensou com tristeza.

- Eu... eu não gosto de você Leon como um amante. Eu amava seu irmão, por isso que às vezes eu me deito com você – falou friamente.

- “Previsível” – constatou – “e agora eu choro, ele me beija, nós transamos agressivamente... e ele me chuta da cama” – sorriu com amargura – “mas hoje vai ser diferente. Eu preciso de alguém para mim... alguém que me mereça. Afinal, por que eu não mereço algo melhor?”.

O mais novo ergueu-se de repente, olhando para o ruivo que esperava que as lágrimas que estavam presas aos seus olhos começassem a rolar, porém Leon as segurava.

- Eu vou esclarecer uma coisa também – disse com um pouco de dificuldade – eu te amava e a meu irmão também. E perdê-lo foi terrível, e ter todos me olhando como se eu fosse meu irmão me machuca, pois fere a memória dele e meus sentimentos...

- Leon, eu...

- Escuta – interrompeu – eu não vou ficar com as sobras do meu irmão, entendeu? Não vou estudar medicina, eu odeio isso! Eu não vou ser jogador de futebol na faculdade. Eu odeio quando minha mãe compra roupas que ele gostava para eu usar... eu nunca vou ser metade do que ele foi e ele nunca foi metade do que eu sou!

- Olha, você...

- E mais uma coisa! – o interrompeu novamente, deixando as lágrimas rolar por sua face avermelhada – eu desisto de fazer você gostar de mim pelo o que eu sou. Agora Julian, não venha mais para cima de mim, pois... eu juro que vou te fazer se arrepender amargamente por isso.

Os olhos de Julian estavam arregalados, ele estava perplexo. A explosão de Leon havia deixado grandes destroços para trás e o coração de Julian era um deles.

- O Saint Rosre acabou para você. Você já se formou... eu não vou cursar o quarto ano como meu irmão, eu vou para a faculdade. Eu vou ser escritor, eu vou arranjar alguém que me ame como eu sou e vou morar longe de todo mundo.

E quando finalmente terminou, Leon virou-se e postou a caminhar sem olhar uma única vez para trás, retornando ao hotel, passando por Kim e Kirios que apenas o olharam.

- Eles sempre brigam – Kim comentou.

- Hum... mas o Julian nunca foi deixado para trás – Kirios observou – o Leon que sempre fica sentado no mesmo lugar chorando. Agora a situação se inverteu.

- Kirios... você é muito... observador – Kim comentou – nossa! Você não quer mudar de idéia, não?

- Mudar de idéia com relação ao quê?

- Quanto a sua profissão. Acho que deveria ser detetive ou talvez medicina forense.

O louro riu baixinho exibindo um olhar carregado de divertimento, ele ergueu-se lentamente, batendo suas mãos na sua bermuda preta, retirando os grãos de areia que insistiam em grudar na sua roupa.

- Eu vou mergulhar – falou – e um conselho para você. Olhe mais para o seu namorado ou vai ficar solteiro.

O karateca ficou tenso e se levantou rapidamente, correndo seu olhar pela praia até encontrar o seu querido moreno em pé, encostado a um coqueiro conversando com uma garota.

- Quer mergulhar também? – Kirios indagou provocativo – ou... vai tomar conta do que é seu?

- Não enche o saco! – disse com agressividade, postando a caminhar na direção de seu namorado.

- Depois dizem que eu que sou louco. Não conhecem Julian e Kim – Kirios sussurrou, caminhando na direção do mar, observando que Mahoma estava há um bom tempo nadando.

Os músculos do karateca estavam tensos. Aliás, ele sempre teria esse pequeno problema. Hanz era um rapaz muito bonito, não somente aos garotos do Saint Rosre, mas as pessoas em geral. A forma mais fácil para descrever Hanz era a seguinte:

Imagine que Deus estava sentado no seu trono, observando com paciência e quietude a vida que criava diante de seu poder, Ele estava compenetrado nos seus pensamentos, quando uma pétola avermelhada que provinha de uma das flores de seu jardim, acabou por se desprender do caule, indo de encontro a Ele com a ajuda da brisa fresca.

O sorriso de Deus naquele instante, diante daquela pétola atrevida e risonha, juntamente com seu suspiro deram margem à criação de uma majestosa semente cor de ébano, que escorregou por suas mãos gentis, descendo e resvalando a curva suave das estrelas e das nuvens chegando ao mundo dos homens adentrando por coincidência numa bela e jovem mulher, chegando até seu útero, semeando a beleza no menino que estava a nascer no mês seguinte. Essa seria a melhor forma de explicar a beleza que era transmitida de Hanz Golden.

E para Maccario que era bastante possessivo e ciumento, Hanz seria um dos motivos de sua queda precoce de cabelo, causado por seu futuro estresse. Quando o karateca se aproximou de Hanz, este engoliu seco, observando o olhar de seu namorado.

- Hanz, eu preciso falar com você – disse.

- Oi! – sorriu a garota para o karateca.

Ao ver o karateca se aproximando uma garota que estava por perto correu até sua amiga, a fim de ter a oportunidade de conversar com Kim, que havia despertado seu interesse há tempos.

- Oi, tudo bom? – cumprimentou a garota de curtos cabelos avermelhados pela tinta que havia usado – vocês dois são do colégio interno, certo?

- Sim – Hanz respondeu com um leve sorriso.

- Meu nome é Maite – disse ela, olhando para sua colega Elizabete com um sorriso cúmplice. As duas estavam loucas para poder conversar melhor com aqueles dois garotos – o que vocês acham de beber água de coco no quiosque?

Hanz e Kim se entreolharam com um sorriso divertido no rosto, aquele tipo de situação era nova entre o casal. O mal humor de Kim havia sumido de repente, e ele deu atenção para a garota.

- Onde fica o quiosque? – Kim indagou.

- Acho que... no meio daquelas pedras – Elizabete falou.

O casal voltou se olhar sem saber o que falar, até que acabaram aceitando o convite, conversando com as garotas que eram demasiadas simpáticas. No final apesar de não terem interesse de ficar com nenhuma delas, a conversa estava sendo bastante produtiva, pois estavam descobrindo que havia barzinhos e outras praias pela região.

Eles chegaram à ponta da praia, ficando próximo a um riacho de água doce que se misturava com as pedras esverdeadas por conseqüência do lodo abundante que cobria grande parte da sua superfície. Elizabete sentou-se numa das pedras, reclamando-se cansaço.

- Eu acho que era por aqui – Maite disse – acho que erramos o caminho.

- Maite você é tão desastrada – reclamou Elizabete num tom suave – nos trouxe para o meio do nada.

Kim aproximou-se de seu namorado lentamente, tocando no seu ombro magro e desnudo. Ambos usavam apenas uma bermuda preta que ficava um palmo acima de seus joelhos. Hanz até sentia-se mal perto de seu namorado, que tinha um corpo perfeito, enquanto o dele era branco e liso.

- Essas safadas pareciam não falar a verdade – Kim comentou baixinho.

- Agora que você percebeu? – Hanz indagou com um leve sorriso – depois eu que sou ingênuo.

- Ah, eu queria ir num barzinho beber água de coco com você. Depois eu ia chutá-las. Eu percebi que elas estão com outras intenções, mas eu queria mesmo ir ao barzinho com você – falou baixinho.

Hanz sorriu, definitivamente Kim não era ingênuo. Afinal, ele também acabou pensando que poderiam estar num barzinho a beira da praia, mas estavam a olhar duas garotas que lhe encaravam com impaciência.

- O que acham de entrarmos na água, Hanz? – Elizabete indagou.

- Não estou com vontade – Hanz falou – eu vou voltar.

- Ah! Não! – ambas reclamaram em uníssono.

A mais alta que era Elizabete puxou o braço de Hanz e tentou puxá-lo na direção da água sob o olhar impaciente de Kim, porém o karateca não teve tempo para ficar indignado com o atrevimento daquela garota. Porque Maite logo agarrou seu braço o puxando para o meio das pedras.

- Vamos conversar mais um pouco Kim – ela pediu.

- Eu não gosto de você, não encoste mais em mim – falou secamente.

Maite soltou o braço do karateca com os olhos arregalados. Ela estava perplexa com o comentário do rapaz, a sua amiga que estava ao lado ficou no mesmo estado.

O que aconteceu a seguir foi previsível, Maite bufou de raiva e saiu da cena, batendo seu ombro contra o corpo de Kim com força, resultando numa agressão que só a desfavoreceu, pois o ombro de Kim era duro e um pouco ossudo. A outra garota se afastou de Hanz com um leve sorriso e correu até sua amiga que xingava Kim de todos os nomes.

- Você sabe mesmo como espantar garotas – Hanz riu baixinho – por que fez isso?

- Eu não ia ficar conversando com aquela chata – resmungou – no mais, eu queria mesmo ir num barzinho com você.

A risada de Hanz ficou mais alta, ele balançava a cabeça negativamente, reprovando o comportamento insensível de seu namorado.

- Devia ser mais gentil com as mulheres – Hanz sugeriu.

- Eu sou – disse – mas eu só sou gentil com mulher que se dá ao respeito. Onde já se viu nos trazer até aqui sem nos conhecer?

Hanz ergueu uma sobrancelha ao ouvir aquele comentário. Desde quando Kim era moralista? Ele não sabia a resposta, mas estava surpreso com o pensamento do karateca.

- Bom... você até que tem razão – Hanz falou.

- Eu tenho razão. Imagina se fosse o Kirios e aquela garota o trouxesse aqui. O que você acha que ia acontecer?

- Não sei – respondeu – eu acho que ele iria embora.

- Errado. Ele ia jogar essa garota na pedra e fazer tudo o que quisesse com ela, além de deixar feridas para todo o sempre. O Kirios gosta de punir as pessoas, você sabe disso – falou baixinho, aproximando-se do menor – ele ia punir pela mentira, depois ia mostrar como um homem pode ser cruel, desejando que ela nunca mais traga um homem desconhecido para o deserto.

- Hum... tem razão. Kirios gosta de punir mesmo – falou, abraçando a cintura do seu namorado, ficando a um palmo de distância de seus lábios que foram se aproximando, para no final juntarem-se e beijarem rapidamente.

- E agora... você está sozinho nessa ponta desabitada da praia – Kim falou num sussurro.

Um sorriso malicioso desenhou-se nos lábios de Hanz.

- E eu estou sozinho... com um desconhecido – falou baixinho – o que será que pode acontecer comigo?

- Hum... você me trouxe aqui com o pretexto de me levar para um barzinho e agora está sozinho comigo – começou a criar uma situação com sua imaginação.

- E agora... o que o senhor karateca vai fazer para me punir? – Hanz indagou sussurrante.

- Ah... pobre garoto, irá arrepender-se por ter mentido para mim e me trazido para cá. Agora você vai aprender a ser mais contido nas suas ações – riu baixinho com aquela brincadeira de palavras.

Hanz deu um passo para trás tentando se afastar fingindo um olhar assustado para o karateca. Ambos estavam amando aquele teatro, nenhum deles havia feito isso anteriormente, mas sempre era bom renovar, fazer coisas novas. Apimentar mais o relacionamento!

Eles riram e Maccario começou a puxar seu namorado para um canto mais afastado.

OoO

Continua...

Aqui está o especial com todos os casais. Alexis x Kirios x Mahoma somente no próximo capítulo. O que acharam da relação de Leon e Julian? E os problemas de Hudi com as mulheres?

Hanz e Kim estão bem até agora. Mas será que o karateca terá ataque de ciúme destrutivo novamente? Hum...

Eu espero que estejam gostando, pois o segundo capítulo terá um lemon e mais situações apimentadas. Garotos perdidos na trilha? Hum... quem sabe? E quanto a Corei... Eu prometo que ele vai beijar alguém!

Obrigada pela atenção. Comentários são bem-vindos. Vocês comentam, eu me inspiro e escrevo. Simples não?

7/10/2008

Por Leona-EBM



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