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Por Leona-EBM
Contos de Garotos Especial: Férias de Verão
Parte VIII
Era o final do terceiro dia, os garotos estavam no bar enchendo a cara. Ninguém perguntou se havia algum menor de idade na mesa, sorte para Alexis, pois conseguiu beber a vontade. Os garotos riam alto e comiam algumas coisas.
Na outra mesa, Kim olhava para seu namorado com um pouco de irritação, no final Hanz estava se divertindo também, e ainda por cima nem veio lhe dizer nada. Kirios olhava para seu irmão, entretanto estava mais preocupado em deixar Julian bêbado.
Uma música alta começou a ser tocada, e algumas pessoas levantaram e começaram a dançar numa pequena pista de madeira. O teto do lugar era cheio de enfeites aquáticos, assim como as paredes, deixando o clima mais tropical.
Hanz estava virando sua segunda tequila, abaixou sua cabeça e sentiu o gosto do limão e o sal, depois soltou sua respiração, e voltou a tomar sua cerveja. Corei estava ao seu lado, olhava para a tequila a sua frente, sem saber como tomar.
- Hanz! – o chamou, puxando a manga de sua camisa.
- Hum?
- Como eu bebo?
Hanz riu baixinho e disse:
- Passe um pouco de sal na língua, depois chupe o limão e depois você vira de uma vez, prendendo a respiração, não solte a respiração antes... aí você sentirá um bom gosto.
Corei ouviu atentamente o jeito manso e mole de Hanz falar e depois seguiu os passos, sorvendo o pequeno copo de uma vez, sentindo seu corpo se arrepiar quando soltou sua respiração.
- Gostou? – Hanz indagou.
- Não muito. – respondeu com as faces vermelhas.
Hanz riu baixinho com a careta que Corei acabou fazendo, olhou discretamente para a mesa de seu namorado e o viu lhe direcionar o olhar. O moreno deu uma piscada para Kim, e depois moveu seus lábios, mandando um beijinho para ele.
De repente, o moreno gemeu olhando com surpresa para Alexis, o louro parecia estar excitado, ele apontou para a entrada do bar, revelando Haziel que estava entrando.
- “É hoje que isso vai pegar fogo.” – Hanz pensou.
- Ótimo, é hoje que eu pego esse aí. – Alexis falou, virando a sua caipirinha num único gole.
- Hein? O Haziel? – Hudi indagou, olhando para Alexis.
- Sim, – sorriu – esse mesmo!
O ruivo olhou para Hanz que deu de ombros, não tinha como dialogar com um garoto bêbado e excitado. Corei revirou os olhos e depois viu seu meio irmão adentrar no bar, aproximando-se da mesa.
- Corei. – Haziel o chamou.
- O que foi? – indagou o loirinho.
- Viu o Amín? – indagou, correndo seu olhar por todo o ambiente.
- Não, – disse – por quê?
Haziel não respondeu, virou-se a fim de ir embora, contudo seu braço foi agarrado por uma mão energética. Alexis exibia um largo sorriso ao encontrar o olho azul que lhe seduzia.
- Solta! – pediu.
- Sente-se aqui, beba com a gente. – ofereceu.
- Não! – disse.
- Por favor!
E do outro lado do bar, Kirios estava olhando para o seu irmão, Julian estava ficando bêbado e começava a desabafar, contudo ele nem sequer deu atenção. Kim desviou seu olhar para Kirios, vendo que a tensão estava começando a surgir, e isso era visível pelas veias saltadas no seu pescoço.
- Kirios... – Kim o chamou.
- O que meu irmão está fazendo?
- Ele está querendo se divertir, – respondeu, bebendo um pouco de cerveja na sua long neck – assim como o Hanz.
- Por que está com essa greve ridícula ainda? Você é mais forte, vai logo fazer o seu papel. – disse com irritação.
Kim não respondeu, o seu amigo estava demasiado irritado, contudo se levantou da mesa e caminhou até seu namorado que bebia em silêncio, observando o diálogo dificultoso que Alexis estava tentando manter com Haziel.
- Hanz. – Kim o chamou.
- Oi, Kim! – sorriu.
- Você está bêbado? – sorriu.
- Hum... não muito. – disse baixinho, olhando para o copo de cerveja que estava quase vazio.
O mais velho passou a mão pelos ombros de Hanz, apertando sua musculatura, numa leve massagem. O moreno fechou os olhos e relaxou um pouco. Kim começou a levantá-lo calmamente, até deixá-lo de pé.
- Vamos ali comigo um pouquinho? – pediu.
- Onde? – indagou, olhando para o barzinho que pareceu rodar duas vezes.
- Vem comigo. – sorriu.
Kim saiu de mãos dadas com Hanz, que tropeçava nos seus próprios pés, batendo com o joelho nas cadeiras. O karateca ria divertido, mas parou ao ver que nunca sairiam dali se não o ajudasse verdadeiramente a andar. E quando o casal saiu do barzinho, Kim começou a puxá-lo pela praia com mais pressa.
- Ah, Kim... eu não quero andar. – resmungou, tentando parar de andar.
- Você não vai andar muito, – Kim disse – só um pouquinho.
Alguns minutos se passaram e Kim abriu um largo sorriso, caminhou próximo às rochas e puxou Hanz, fazendo-o encostar-se à rocha fria e um pouco úmida. O moreno fechou os olhos e colocou a mão na sua testa.
- Eu estou enjoado. – disse.
Kim abraçou sua cintura e começou a beijar-lhe no pescoço, enquanto suas mãos abriam o zíper da calça de Golden. Ele agia com afobação, pois precisava se aliviar e acabar com aquela greve ridícula, antes que Hanz ficasse consciente e racional.
A calça jeans começou a deslizar pela perna do moreno, Kim ajoelhou-se na areia e começou a retirá-la, ouvindo uma reclamação manhosa de seu namorado. Maccario jogou a calça com a cueca para o lado e depois abriu o zíper da sua própria calça, deixando-a escorregar até o joelho.
- Ah... você me enganou...
- Eu adoro quando você está bêbado, – Kim riu baixinho, beijando os lábios do outro – fica tão ingênuo.
Kim puxou Hanz pela mão até uma pedra baixa, com poucos centímetros e altura, a sua extensão era ridícula, sendo um círculo rachado ao meio, contudo era o suficiente. Sentou-se na pedra fria, sentindo um calafrio correr por sua espinha.
Hanz ajoelhou-se na areia, sentindo seus joelhos formigarem um pouco, olhou para seu namorado que começou a afagar seu couro cabeludo. O moreno começou a fechar os olhos, inclinando a cabeça para o lado, sentindo o cansaço lhe abater.
- Eu te amo, mesmo quando você me trata friamente. – Kim confessou.
- Kim... eu to muito bêbado, mas... eu sei que eu não faço isso. – disse, abrindo suas pálpebras.
- Às vezes você faz, – falou – mas eu sempre estou correndo atrás de você. Por isso, você sempre faz isso.
- Kim... melhor voltarmos. – sugeriu, abaixando a cabeça.
O karateca sorriu docilmente, erguendo o rosto pelo qual era apaixonado, o puxou na sua direção, capturando os lábios avermelhados, dando um beijo cálido e singelo.
- Eu te amo, seu idiota. – Hanz falou.
- É bom saber disso, pena que fala isso raramente, – sussurrou – mas tudo bem, é o seu jeito.
Kim o abraçou em seguida, afundando seus lábios na jugular de Hanz, dando fortes chupões, enquanto suas mãos começaram a apertar a carne do mais novo, que gemia, reclamando dos beliscões.
O corpo de Hanz foi puxado para um lado, virado para o outro, empurrando para cá e para lá, à medida que Kim desejasse. Suas mãos passeavam com destreza e quando se deu por satisfeito, puxou o menor para que se sentasse na sua frente com as pernas abertas.
O moreno passou seus braços em volta do pescoço do outro, afundando seus lábios no rosto másculo, começando a beijá-lo suavemente, diferentemente do ataque que acabou de receber, Hanz era carinhoso e cauteloso. Ele mesmo não queria parar aquele amasso, por causa da greve que acabou inventando.
Seus corpos estavam quentes, sentindo a brisa fresca que provinha do mar. O som das águas era relaxante, contudo os seus corpos estavam quentes e entretidos demais para apreciar a natureza daquele lugar. Os pequenos insetos brilhantes espiavam furtivamente o casal.
O movimento do casal parecia combinado, talvez fosse pelo tempo que já ficaram juntos. Eles sabiam onde ficava cada músculo, cada prazer do outro e buscavam isso através de seus dedos, ansiando proporcionar o melhor para o alheio.
Hanz gemeu e suspirou ao sentir parte de Kim adentrar em seu corpo, agarrou os cabelos castanhos avermelhados de seu namorado, deixando seus lábios escorrer pela pele suada. A cada tranco, seu corpo abria, contudo estava acostumado àquilo.
A camisa preta foi escorregando pelos braços soltos de Hanz, deixando cair pela areia. O seu dorso estava livre para aspirar o ar exterior, contudo as mãos fortes do karateca propuseram-se a resvalar por toda sua extensão, apertando-a, puxando sua pele, como se quisesse arrancar pedaços.
Os lábios apaixonados encostaram-se, batendo suas línguas de frente, ansiosos pelo gosto do outro. A saliva cálida escorria juntando-se ao suor. O balançar de seus corpos era ritmado, numa frenética subida e descida.
Os dedos de Kim caminharam pelo peito de Hanz, indo até o seu baixo ventre, o tocando. Iniciou movimentos vagarosos, apertando aquele pedaço de carne, enquanto movia seu quadril contra o seu corpo, buscando bater com a cabeça de seu pênis na próstata do menor.
- Ah... Kim! – suspirou, abrindo mais sua boca, esperançoso pelo oxigênio que tanto desejava.
Contudo parecia não conseguir respirar, pensar ou então se mover como queria. A bebida deixou sua mente funcionar como se fosse uma fábrica velha e com peças enferrujadas, tudo era visto em pequenos flashes de imagens.
O seu corpo estava aceso, apesar da lentidão de seus pensamentos. A mão de Kim estava deixando-o louco, aliás, não era somente a mão, mas sim todo o jogo de beijos, toques e abraços que ele dava de graça para seu namorado. Alguns sussurros provocantes também eram expelidos daquele corpo que tanto lhe acariciava.
E o prazer veio rápido, o membro de Hanz ficou úmido pelas gotas de sêmen expelidas; a mão de Kim recebeu de bom grado aquele líquido viscoso que ajudou na manipulação do pênis do menor.
- Já está cansado? – Kim indagou de repente.
Hanz havia caído com a cabeça no ombro largo e forte de Maccario, ele suspirou e gemeu baixo, aquela havia sido sua resposta, não conseguia falar nada plausível no momento. E Kim não procurou ouvir nada, abraçou a cintura fina de seu namorado e deu mais ênfase ao que fazia, procurando o seu prazer, apesar de já estar satisfeito de ter quebrado a greve.
Enquanto o casal estava se divertindo na ponta da praia, no barzinho o clima estava mais sombrio. Na mesa que Hanz estava, Hudi acabou levantando-se e afastando-se dos demais, não queria participar da futura briga que viria a seguir e o seu namorado havia aparecido com cara de cão sem dono no lugar, isso é, a visão que o ruivo teve de Miles.
O ruivo deu a mão para seu namorado, eles saíram do lugar em passos lentos, pois Hudi parecia estar um pouco tonto por causa da bebida.
- O que está fazendo aqui? – indagou o ruivo.
- Estava entediado. – respondeu.
- Quer fazer alguma coisa? – indagou, com um sorriso encantador.
Miles não disse nada, apenas sorriu com leveza e começou a caminhar com seu namorado pela praia. E como sempre, Hudi começou a falar um monte de coisas, e dessa vez falava mais enrolado, não encaixando os assuntos, enquanto o moreno ouvia pacientemente, amando ver as expressões que seu namorado fazia a cada comentário.
Mas voltando as ações que estavam acontecendo no barzinho, mais especificamente na mesa onde os garotos mais novos resolveram ficar. Três garotos louros estavam se olhando, Corei era um deles, sentia arrepios correr por sua espinha ao ver o olhar fulminante de Kirios do outro lado do salão.
O louro de moicano batia seus dedos pela mesa de madeira, ele balançava sua perna inquieta. Julian estava ao seu lado, bebendo em silêncio, pensando na sua vida amorosa, sendo ignorado pelo seu parceiro.
- Eu vou andar. – disse Julian de repente.
Kirios o olhou de canto, vendo o estado lastimável de seu amigo, puxou algumas notas de dinheiro e jogou em cima da mesa, saindo do lugar com passos cambaleantes.
- Julian. – Kirios o chamou.
- O que foi? – indagou, virando parte de seu rosto.
- Pense bastante no seu primo, enquanto estiver bêbado – sorriu de jeito maldoso – e pense que ele não vai te querer mais.
- Cala boca, filho da puta. – resmungou com agressividade, saindo em seguida.
- Pelo menos ele vai pensar. – Kirios falou consigo mesmo – “Agora vamos resolver as coisas aqui.” – pensou em seguida.
O louro ergueu-se lentamente, afastando a cadeira que caiu no chão pelo empurrão brusco, caminhou até a mesa onde seu irmão estava sentado, e quando se aproximou, os três olharam para Kirios.
- Vamos embora. – disse Kirios, olhando diretamente para o seu irmão.
- Não mesmo. – respondeu com irritação.
O louro não disse duas vezes, não tinha intenção de conversar, fechou sua mão no braço do caçula e o arrancou da mesa, começando a arrastá-lo para fora daquele barzinho, ignorando o escândalo de seu irmão e os olhares dos outros clientes.
Haziel e Corei se entreolharam e deram de ombros, felizmente não havia acontecido nada com eles. O mais velho suspirou e saiu do bar a fim de procurar o seu irmão gêmeo, deixando Corei que acabou se encontrando sozinho.
- “Eu preciso de uma namorada.” – pensou de repente, olhando ao seu redor com certa solidão.
E do lado de fora Kirios puxava Alexis que lhe chutava nas pernas e arranhava seus braços, tentando fugir. Somente ele sabia o quando seu irmão estava realmente bravo, mas ignorou isso, pois o que queria mesmo era estar longe de sua presença.
- Onde está me levando? – indagou o menor.
O mais velho não respondeu, começando a arrastá-lo pela beira do mar. Os minutos foram passando e Alexis começou a ficar cansado de xingar e bater no outro, estava sendo puxado com menos dificuldade agora. De repente, Kirios parou e começou a andar até um ponto sem nada aparente, sentou-se, puxando seu irmão para baixo.
- O que estava fazendo? – Kirios indagou com a voz rouca.
- Eu estava tentando me divertir. – respondeu – Por que fez isso, Kirios?
- Com aquele idiota? Você só pode estar me provocando. – riu baixinho.
- E agora você que vai escolher alguém para mim? – indagou com revolta.
- Você sabe que eu o detesto, – falou baixinho – pare de querer fazer ciúme em mim.
- E você pode fazer, não é mesmo?
- Também não, – disse – eu já conversei com você.
Alexis revirou os olhos e acalmou sua respiração, passou a mão por sua testa suada, retirando algumas mechas que caíram por seu rosto. Jogou seu tronco para trás, caindo na areia fria, olhando para o céu cheio de nuvens.
- Eu acho que te odeio. – Alexis sussurrou baixinho.
Kirios virou seu rosto na direção do irmão, olhando-o com surpresa. No início se incomodou com aquela revelação, mas com o passar dos segundos sua irritação foi mais crescente que uma possível mágoa.
- Você está perdendo o respeito por mim, – Kirios falou – eu não vou admitir isso.
- Você não admite nada, sempre fala isso. – resmungou – Está me irritando cada vez mais, se eu não fosse seu irmão, eu já teria me livrado de você.
A última frase foi um baque para o mais velho, ele suspirou e olhou para suas mãos que tremiam levemente. Certamente seu coração pertencia a duas pessoas com sentimentos diferentes para cada uma, mas uma coisa era óbvia, o amor pelo seu irmão era obsessivo.
A franja de Alexis foi puxada pela mão forte e pesada do mais velho, deixou a testa do menor contra o chão de areia, enquanto alguns fios louros eram arrancados de seu couro cabeludo. Kirios inclinou seu tronco e encostou seus lábios no do irmão, forçando a passagem com sua língua, começando um beijo forte e sufocante.
As mãos de Alexis estavam espalmadas no peito do mais velho, tentando empurrá-lo para trás, buscando abrir sua boca para aspirar um pouco de oxigênio, entretanto estava tendo dificuldades por motivos óbvios, seu irmão era fisicamente mais forte, e um pouco insano também.
Os lábios de Kirios desceram pela pele do menor, resvalando por seu pescoço, dando longas lambidas para depois chupar energeticamente. A camiseta do outro começou a ser puxada para cima até que saiu num puxão mais agressivo.
- Por que não vai atrás da sua lesma? – indagou o menor, enfurecido.
- Só tem você aqui. – respondeu seco.
Alexis engoliu em seco, fechando os olhos marejados de lágrimas, agora sentia os dentes de seu irmão lhe arranharem a pele, mordendo em certos pontos, causando arrepios e momentos de dor e aflição.
Kirios ficou em cima do corpo menor, com os joelhos afundados na areia. Sentou-se nas coxas de Alexis e puxou o seu dorso para cima, fazendo-o ficar sentado, assim beijavam-se com o tronco ereto.
- Ah! Você está me sufocando. – reclamou, quando os lábios de seu irmão lhe deram sossego.
- Não era isso que você queria?
- Não desse jeito. Você está com raiva de mim, não me ama mais, não me toca com amor. – falou baixinho.
- Pare de falar feito criança. – pediu, dando um tapa na cabeça do mais novo.
- Não me bata! – gritou.
- Bato se quiser.
- Você não tem direito. – disse, recebendo outro tapa forte na cabeça – Eu vou contar para nossos pais sobre o que você faz comigo.
- Pode contar. – disse sem se abalar com a ameaça.
Alexis começou a se debater dando joelhadas e tapas no seu irmão, tentando se livrar do abraço apertado, desejando que Kirios saísse de cima de seu corpo. Virou a cabeça para o outro lado, encostando sua bochecha na areia, não desejando mais olhar para o seu irmão ou então receber algum beijo nos lábios.
- Por que me ignora? Não queria isso? Olhe para mim agora! – mandou, puxando a franja do menor, a fim de virar seu rosto novamente. E conseguiu, encarando aquele par de olhos esverdeados que estavam tão magoados e obscuros como as nuvens que cobriam o céu daquela noite.
- Solta, Kirios... – pediu com a voz fraca, pelo choro que começava a se iniciar.
Kirios riu baixinho e se afastou, sentando ao lado de seu irmão. Alexis respirou bem fundo e sentou-se na areia, passando a mão por sua franja que estava dolorida, fez menção de se levantar, mas deteve, seu irmão começou a falar.
- Pode ficar sentado. – disse Kirios.
- O que raios você quer agora? – indagou.
- Quer que eu continue? – indagou, exibindo um olhar febril.
- Não! – respondeu, puxando a sua camiseta, vestindo-a rapidamente em seguida.
- As férias acabam daqui a pouco, – Kirios falou – vamos nos separar.
- Está falando daquele lá? – indagou.
- Sim! – respondeu – Ele vai continuar no colégio, eu temo isso.
Alexis não sabia o que falar, ele não queria conversar sobre Mahoma, mas também não ia discutir, ou poderia ser atacado novamente e se permitisse que isso acontecesse, certamente não ia conseguir levantar da cama no dia seguinte.
- More perto do colégio então. – Alexis sugeriu, sentindo seu peito apertar.
Kirios o olhou de esgueira e voltou sua atenção para o mar, passou a mão por seu moicano e abraçou seus joelhos, afundando o seu queixo entre suas pernas.
- Você quer que eu more perto do colégio? – Kirios indagou.
- Que pergunta estúpida, Kirios. – respondeu.
- Por quê? – indagou o mais velho – Você está sugerindo que eu fique perto do colégio mesmo pedindo para eu largá-lo, eu não te entendo.
- Eu não sei o que você não entende. – desabafou – Já disse meus sentimentos, você não aceita. Então que fique feliz, pelo menos.
- Que bonitinho, meu irmão está querendo me ver feliz. – zombou.
- Conversar com você nesses últimos tempos não está sendo fácil. – irritou-se – Se me acha tão infantil e mimado, por que ainda continua a me procurar?
- Porque você é meu irmão, oras. – respondeu o óbvio.
Alexis ergueu-se de repente, batendo a mão por suas roupas, retirando a areia que havia lhe agarrado. Kirios ficou olhando-o de canto, observando os traços de seu irmão, que eram tão parecidos com os seus. De longe era visível que eram irmãos.
- Aonde vai? – Kirios indagou.
- Dormir. – respondeu.
O mais novo foi se afastando, com a cabeça baixa e passos lentos, deixando seus dedos do pé se arrastarem a cada passo. Estava arrasado, havia sido humilhado na frente do garoto que estava querendo se envolver, seu irmão havia lhe atacado e ainda por cima tinha revelado que estava triste com a futura ausência de seu rival amoroso.
Quando chegou ao hotel, caminhou lentamente pelo corredor, passando a mão pela parede lisa e fria para conseguir se equilibrar. Ao longe, sentado perto da janela estava Julian, com a cabeça afundada no meio de suas pernas flexionadas. Alexis sentou-se ao seu lado, em silêncio.
- O que foi? – indagou Julian com a voz arrastada, deixando o seu hálito envolver a região.
- Nada. – respondeu.
Alexis escorou no corpo do maior, deixando sua cabeça pender no ombro do ruivo que estranhou aquela proximidade, contudo não se afastou. Passou o braço pelo ombro do menor e continuou perdido nos seus devaneios, ficaram assim até que o sono os socorresse.
OoO
Na manhã daquele mesmo dia, um temporal atingiu a ilha, os hóspedes ficaram amuados dentro do hotel. O som do trovão era aterrorizante, algumas pessoas evitaram ficar próximas a entrada do hotel, onde havia muitos coqueiros.
Dentro do quarto, os garotos estavam conversando e jogando baralho, eles bebiam e riam alto, alguns estavam abraçados numa das camas, obviamente a porta foi fechada para que ninguém os visse pelo corredor. Seria um escândalo para os outros hóspedes.
Hanz e Kim estavam deitados numa cama de solteiro. O mais velho estava abraçado ao corpo magro de seu namorado, aproveitando o calor humano, adorando sentir o hálito de Hanz bater contra seu rosto. Havia sido convidado a jogar carta com seus amigos, mas não podia cometer o sacrilégio de se afastar daquele homem que tanto lhe seduzia.
- Parece que ninguém vai à praia hoje, – Hanz murmurou – ainda bem.
- Por que ainda bem? – indagou sem entender.
- Minhas costas estão queimadas. – disse, dando um beijo na bochecha de Kim.
- Era só você não sair no sol. – disse.
- E quem disse que eu ia ficar preso nesse quarto com um sol lindo lá fora? – comentou, rindo baixinho – Me queimo, mas não deixo de me divertir.
- Hum... essa sua frase teve duplo sentido. – sorriu, beijando os lábios de Hanz.
De repente, Kim recebeu uma travesseirada na cara, olhou para o chão vendo que Kirios lhe olhava com um péssimo humor. O karateca se sentou lentamente e encarou o louro.
- Deixe de ser meloso e vem jogar. – disse Kirios.
Hanz sentou-se também, olhando para o louro. O casal se encarou e ergueu as sobrancelhas, certamente Kirios estava de mal humor.
- Melhor você ir conversar com ele. – Hanz sussurrou.
- Ele deve ter brigado com o irmão. – Maccario cochichou.
- Ele está olhando com ódio para mim. Vai logo, Kim. – Hanz disse, sentindo o olhar fulminante do louro.
Maccario resmungou algum palavrão e saiu da cama, sentindo o ar frio que vinha da janela. Sentou-se no chão, ao lado de Kirios que bufou, começando a entregar um jogo de cartaz para o karateca. Hanz acomodou-se na cama a fim de ver o jogo.
- “Kirios está soltando fogo pelos olhos,” – Hanz pensou – “perdi meu namorado.” – suspirou, jogando seu tronco na cama, deixando seus braços estendidos até a cabeceira de madeira.
Hanz olhou para a porta do quarto, ficando com o olhar perdido, de repente Mahoma adentrou no aposento, bocejando. O olhar do Golden foi direcionado para Kirios, que apenas ignorou a entrada do mais novo.
Kim olhou para Mahoma discretamente, vendo que ele sentou-se na mesma cama que Hanz, ficando a observar o jogo dos garotos em silêncio. O karateca olhou para Kirios, vendo que ele estava entretido nas cartas.
- Você está bem? – Kim indagou num sussurro.
- Por que não estaria? – indagou num tom alto e mal humorado.
Hanz acabou rindo baixinho ao ouvir a resposta mal criada do louro, se ergueu e colocou uma jaqueta de pano fino da cor preta, calçou seu par de chinelos e saiu do quarto com os braços cruzados.
- Hanz? Onde está indo? – Kim indagou.
- Vou tomar um pouco de café. – respondeu.
- Ah, eu vou junto! – disse com impaciência, jogando as cartas no chão.
Kirios xingou o karateca que simplesmente o ignorou. Kim não estava a fim de ficar longe de seu namorado agora que estavam se dando bem, e ainda por cima, estava recebendo patadas do seu amigo.
O casal saiu do quarto, passando pelo corredor frio do hotel. E quando chegaram ao restaurante, tiveram um pouco de dificuldade para achar uma mesa vazia. Felizmente acharam uma mesa com apenas dois lugares.
- O humor do pessoal está terrível, – Hanz comentou – que bom que amanhã já arrumaremos nossas coisas.
- Kirios brigou com o irmão e deve estar irritado com Mahoma, esse aí vai ficar é sozinho. – Kim falou – Julian está se remoendo pelos cantos, por causa do seu primo. Mas...
- Mas? – Hanz indagou, erguendo seu olhar do cardápio.
- Mas nós estamos muito bem. – sorriu para o mais novo, que retribuiu o sorriso.
- Kim... promete que se brigarmos, nós vamos conversar sempre? E nunca nos ignorarmos ou nos agredirmos? – Hanz pediu de repente.
- Por que isso de repente? – indagou curioso.
- Vendo os desentendimentos dos outros, eu sinto que isso pode acontecer conosco. Eu tenho medo disso, – confessou – medo de brigarmos e você parar de falar comigo, me ignorar como Kirios ignorou Mahoma... ou me agredir como Julian fez ao...
- Eu nunca vou te agredir – falou rapidamente, interrompendo o menor.
Hanz sorriu e passou seus dedos pela mão quente de Maccario.
- Kim, quer morar comigo? – convidou.
- Como? – indagou com surpresa.
- Eu vou ter que sair da casa dos meus tios. Eu quero me mudar para próximo da faculdade e queria que você viesse comigo. – disse.
- Eu adoraria, – sorriu – mas preciso conversar com minha mãe antes, eu devo satisfação de tudo que eu faço a ela, afinal ela me criou muito bem.
- Você reclama, mas adora ficar com sua mãe – Hanz riu baixinho – e sua irmã é uma graça também.
As palavras de Hanz eram tristes ao olhar de Maccario, afinal o mais novo não tinha família, ou então não tinha carinho dos seus parentes ainda vivos. Kim fechou sua mão nos dedos finos de Hanz como se pudesse passar sua energia a ele.
- Eu prometo que vou fazer de tudo para que possamos ficar juntos. – falou.
- Eu vou cobrar, hein! – disse.
Os dois continuaram conversando até que um garçom se aproximou para anotar os pedidos do casal.
- Hei, não é o Mahoma e o Kirios ali? – Hanz indagou de repente, dando um gole no seu capuccino.
- Sim, e estão conversando. – falou, observando o casal.
- Tomara que se entendam. Mas o que você acha dessa relação, Kim? – Hanz indagou.
- Eu acho que o Kirios gosta do irmão – respondeu – e você?
- Eu acho que o Kirios quer ficar com o Mahoma. – disse – Ele não ama mais Alexis, está cansado, gosta do irmão e nada mais.
- Você acha? – Kim indagou – Eu não sei, Kirios é um mistério, eu acho que nem ele se entende.
Hanz olhou para todo o restaurante, vendo muitos rostos parecidos. Em uma mesa viu a família Honoi conversando, os três irmãos pareciam estar se dando bem. O moreno sorriu ternamente, vendo que Corei estava bem. Sentia-se mal por não ter dado atenção a ele nessas férias, mas não conseguiu desgrudar de Kim por muito tempo.
- Alguém está sorrindo finalmente. – Hanz falou – Julian está sentado com Cássio e Max.
- Hum... ontem ele estava arrasado, – Kim falou – eu o vi jogado no chão do corredor, tive que levá-lo para o quarto.
- Sério? Você não me contou isso!
Kim balançou a cabeça positivamente.
- Hanz, eu tenho um desejo, na verdade um sonho... no ano que vem, eu quero lutar profissional. – falou.
- Mesmo? Lutar o quê? – indagou.
- Eu quero participar de vale-tudo, – disse – vou lugar Boxe e Muay Thai.
- Hum... só o karate não está bom? – indagou, sorvendo um pouco do café.
- Não, – respondeu rapidamente – claro que não. Se eu for num vale-tudo somente com karate, eu vou sair quebrado.
- Mesmo? – indagou com surpresa.
- Sim, eu vou te passar uns vídeos de lutas vale-tudo, para você ver como é, – comentou – vou treinar muito ano que vem. O meu sonho é participar do K-1 World Max.
- Hein? – ergueu as sobrancelhas sem entender.
- Depois te mostro o que é isso. – falou, comendo um pedaço do seu pão de queijo que já estava frio.
O casal ficou conversando por horas, divertindo-se, comentando alguma coisa sobre alguns casais, observando o falatório dos garotos do Saint Rosre. Por um momento viram alguns se beijando, outros discutindo, rindo, e nesse clima frio e aconchegante o tempo foi passando.
Os garotos estavam de certo modo entediados por terem que ficar presos a um hotel a uma praia, infelizmente a cidade era longe e não podiam se afastar da monitoria. Contudo tudo teve um final no último dia, onde eles arrumaram suas coisas com um sorriso de felicidade no rosto.
E infelizmente, o dia estava quente, o sol parecia uma bola de fogo que os torturava no céu. O Jipe estava cheio de malas e os garotos começavam a acertar as contas no restaurante.
Hanz e Kim sentaram-se no banco do jipe e ficaram olhando para o céu azul e límpido, ambos estavam usando bonés, pois seus couros cabeludos estavam implorando por descanso.
- Eu vou sentir saudade desse lugar. – Hanz falou de repente.
- Podemos voltar se quiser, – Kim falou – mas existem outros lugares que eu gostaria de conhecer.
- Sim, sim, eu quero viajar muito, – falou – contudo preciso administrar meu dinheiro também.
- Isso seria bom. Apenas aplique numa poupança e depois deixe uma conta aberta, onde você irá movimentar mais do seu dinheiro, como para pagar a faculdade, e seus gastos normais. Assim seu dinheiro vai render.
- Kim, eu não sei nada disso, – suspirou – você vai me ajudar.
- Sim, eu te ajudo. – sorriu.
Ao lado de Hanz sentou-se Julian que foi jogado naquele carro pela monitoria. Kim e o ruivo começaram a conversar animadamente, sobre assuntos que Hanz nem fazia idéia de como participar, ficando amuado no meio deles.
No jipe à frente, Kirios estava sentado com Mahoma ao seu lado, ambos conversavam normalmente. O monitor havia passado pelo jipe apenas para pedir discrição e paz para Kirios, que simplesmente o ignorou.
- Eu não sou encrenqueiro. – Kirios reclamou.
- Não? – Mahoma indagou com um largo sorriso – Sempre que eu ia ver as brigas no colégio, você estava no meio.
- Sinceramente, não fui eu que provoquei, – disse, cruzando os braços – as pessoas que arrumam encrenca comigo.
- Aham! – sorriu, passando a mão por seus longos cabelos negros – Então você é calmo e da paz?
- Sim! – respondeu – É só não me irritar que eu fico tranqüilo.
- Quem houve pensa! – Mahoma riu baixinho – Vamos Kirios, você tem que admitir que é explosivo.
- Hei, eu não disse que era santo. Eu sou explosivo, eu só não sou encrenqueiro. – falou – Isso é bem diferente.
O ânimo do casal estava melhor depois da conversa do dia anterior, riam e comentavam coisas banais, felizmente estavam terminando as férias com um bom humor, pois não haviam conseguido ter um momento de amor naquele paraíso tropical.
Os garotos se ajeitaram, a monitoria contou todos os alunos com atenção. Na frente do hotel havia algumas garotas que sorriam para os meninos, alguns como Corei acenava para elas, mas a maioria as ignorava, dando atenção aos garotos que estavam aos seus lados.
E assim eles partiram, despedindo-se daquela praia que trazia um clima de romance e intrigas. Certamente era uma ilha bastante misteriosa, pois seus humores ficaram elevados, assim como ficaram baixos de uma hora para outra, e um clima de pura luxúria estava sempre presente.
Foram recebidos com um dia maravilhoso e agora estavam se despedindo com o sol nas costas, sentindo vontade de parar o jipe e pular novamente naquele mar limpo e com poucas ondas. Contudo, a vida não era apenas férias, eles precisavam trabalhar, estudar, crescer como pessoa para depois merecerem descanso.
OoO
E chegou ao final do Conto de férias de verão que é uma ponte para Contos de Garotos 2 que já está publicado no site, eu espero que vocês gostem. E espero que tenham gostado desse especial, ele não foi extenso e eu não pude resolver todos os problemas que surgiram aqui, pois não teria cabimento dar soluções às vidas amorosas das personagens em sete dias.
Mahoma e Kirios somente em Contos de Garotos 2, assim como todos os outros personagens, principalmente Julian, Leon e Victorio. Eu vou criar mais quatro personagens que trarão problemas para o protagonista da série, no caso seria o Hanz.
Eu estarei de férias na próxima semana, e poderei escrever à vontade. Portanto, eu creio que Contos de Garotos 2 será finalizado rapidamente.
Obrigada pelos comentários, eu fico muito agradecida. Contos de garotos 2 sairá somente, pois eu recebi o apoio de vocês. E eu espero que comentem essa última parte do Conto de Férias.
Quanto aos lemons, eu não poderia colocar para cada casal, isso ia ficar poluído demais. Eu fiz um simples e carinhoso, pois é bom mudar às vezes, fazer algo com mais sentimentos ao invés de tão descritivo.
3/12/2008
Por Leona-EBM