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As Metamorfoses da Cultura
“Cultura compreende os bens materiais de um modo geral [...] e também os bens não-materiais, como as representações simbólicas [...], isto é, o conjunto de normas que orienta a vida em sociedade”.
Sabendo que a sociedade é uma pirâmide dividida em várias classes, podemos afirmar que, embora haja uma mesma cultura para um determinado grupo, dentro desse mesmo grupo a cultura sofre ligeiras modificações para adequar-se a determinadas camadas sociais. Assim sendo, existem a cultura erudita, a popular e ainda uma terceira, muito mais moderna, conhecida como cultura de massa.
Entretanto a cultura não só é mutável nas diferentes esferas sociais, mas primeiramente é mutável no tempo e no espaço.
A cultura erudita é assim conhecida por ter sido criada por e para uma elite, nesse caso, a burguesia. Talvez podemos dizer, erroneamente, que o motivo pelo qual a cultura tenha uma divisão social foi por causa da ambição de ascensão da burguesia; isso porque para ascenderem socialmente a burguuesia necessitava, além da economia e da política, de uma cultura diferenciada como base.
Se existe uma cultura tida como “superior” deve haver uma outra de mais baixo escalão. A cultura popular é mais difundida e “utilizada” por uma parcela mais pobre da população, já que ao contrário da erudita, não necessita de técnicas requintadas e científicas. É uma cultura que também alcançou formas artísticas expressivas e significativas.
Tais expressões foram criadas para se distinguirem entre si numa determinada sociedade. Mas ambas as culturas fundem-se novamente para tornarem-se parte de uma cultura de massa. E, ainda assim, essa cultura não está ligada a nenhum grupo social específico.
Criada depois da segunda metade do século XIX, a cultura de massa foi nascendo junto com a indústria cultural. Praticamente criada para atender a nova onda de mercadorias, a cultura de massa é o “enorme mercado potencial de consumidores”, constituindo, na verdade, uma sociedade de consumo.
Parece um modo capitalista dividir a cultura. Principalmente se julgarmos que tais expressões surgiram pela diferença de capitais. Será, então, que essa divisão cultural é uma invenção capitalista?