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Fiction » Historical » Drina font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Blodeu-sama
Fiction Rated: K - Portuguese - Romance/General - Reviews: 1 - Published: 11-02-08 - Updated: 11-02-08 - Complete - id:2591228

Disclaimer: Todos os personagens citados são reais e históricos. A situação em si é completamente fictícia e nada tem haver com a realidade.

Shippers: Albert x Victoria

Categoria: Histórico, Romance

Classificação: Livre

Beta Reader: Não foi betado

Sinopse: “A natureza humana é de fato contraditoriamente previsível” pensava a futura rainha do Reino Unido no dia de seu aniversario de 18 anos. Porque ela sabia que até rainhas podem se apaixonar.

Notas: Eu faço dezoito anos hoje. Resolvi me dar um presente escrevendo sobre algo que queria escrever a algum tempo já. Uma rainha britânica. Escolhi a rainha Vitória, apesar de não ser exatamente minha rainha britânica preferida, porque ela assumiu o trono aos dezoito anos de idade.

Drina by Blodeu-sama

“A natureza humana” pensava a jovem lady, olhando para seu intrínseco e delicado jardim “é de fato contraditoriamente previsível”. Victoria Alexandrina curvou seus pequenos lábios num sorriso triste, voltando o rosto redondo para o salão que deixara a pouco. Estava cheio, agradável, e havia musica alegre e taças de vinho circulando entre os convidados. Pessoas, alias, da mais alta classe e estima, a nata da sociedade. As mais bem vestidas mulheres e os mais bem abastados homens. Estavam todos ali, em sua festa de aniversario. E, apesar disto, nenhum deles poderia se comparar a jovem princesa Victoria de Kent, a brilhante aniversariante, que agora fugia por alguns poucos minutos para a sacada silenciosa, a contemplar seus jardins e junto com eles, toda a sua curta vida.

Afinal, ela estava a pouquíssimos passos de se tornar, oficialmente, Rainha Victoria do Reino Unido.

A brilhante aniversariante, no entanto, não sentia-se intimamente assim tão... brilhante. Ela vivera quase todos estes dezoito anos com a sombra do peso do país em suas costas, mas nunca de fato esperara que esta sombra a alcançasse. Havia muitas mortes em famílias reais. Suas próprias primas, mortas antes que chegassem a parar de usar fraudas. Seu pai, igualmente falecido muito cedo. Ela, de certa forma, esperava morrer antes que a coroa pesasse em sua cabeça. Não que desejasse, apenas... apenas esperava que fosse assim. Mas isto, claro, não podia acontecer. Sem ela como rainha, o futuro do Reino Unido estaria a mercê da sorte. Já havia problemas o bastante com a bendita lei sálica...

Victoria sacudiu levemente a cabeça de cabelos castanhos, espantando o pensamento como quem espanta um inseto. Haveria muito tempo para se preocupar com política, leis, e mais todas estas coisas que, cedo ou tarde, se tornariam toda a sua vida. Agora havia uma festa esperando por ela, e ela deveria apresentar-se tão radiante quanto possível. Este pensamento desanimou ainda mais a jovem Victoria, que suspirou e novamente lançou um olhar resignado ao salão.

Gostaria de ter, ao menos por aquele único dia, um momento de normalidade. Gostaria de estar comemorando seu aniversario no campo, com suas damas de companhia, sem ter que se preocupar com seu sorriso, com alianças políticas, com as anáguas de suas vestes... com casamentos. Ah sim, casamentos. Se fosse uma garota ordinária de boa família, já estaria ficando demasiado velha para casar-se. Como rainha, podia ter mais tempo e escolher com mais calma. Precisava pensar cuidadosamente em seus pretendentes, e escolher o príncipe que mais se adequasse ao posto de consorte real. Precisava pensar delicadamente no assunto. Não que precisasse pensar muito para saber com quem ela realmente gostaria de se casar.

...ah, doce Albert. Seu lindo, galante, e adorável primo-irmão Albert. Com seus grandes olhos claros e aquele deleitável sorriso tímido. Oh, amava-o tanto! E ele, no entanto, não era seu melhor pretendente. Não... havia muito a se considerar. E havia mais que isso. Victoria temia ainda mais as razões pelas quais Albert a queria, do que temia ter que casar-se com outro alguém tão ordinariamente comum quando aquele insípido Alexandre. Ela sabia que não era tão bonita quanto ele. Ela sabia que não era bonita como aquelas mulheres loiras de delicadas que dançavam agradavelmente com seus maridos e irmãos do salão.

Não, ela tinha um rosto redondo de mais, uma boca pequena de mais, olhos redondos de mais. Murchos cabelos castanhos... que no entanto eram exatamente iguais aos dele, e nele assentavam tão bem! Ele com certeza se casaria com ela, mas seria apenas e unicamente pelo poder. E que apunhalada em sua juvenil vaidade esta de se casar por amor com alguém que de fato não a amava. Victoria poderia aparentar toda a sua nobreza a orgulho perante outros, mas sozinha consigo mesma, como naquele momento, sentia-se apenas uma jovenzinha insegura até de sua própria aparência. “Como poderei governar um país?!”

- Solitária, como sempre, Drina.

Victoria levou a mão ao peito, empalidecendo de susto, e logo enrubescendo ao notar, ao seu lado, seu galante e belíssimo primo.

- Albert! Sorrateiro, como sempre...

Victoria sentia um deleite especial naquele apelido pronunciado pelos lábios dele. Alexandrina... Drina... apenas os muito íntimos ousavam chama-la assim. Entretanto, conhecendo-se a apenas um ano, ele já a tratava como Drina tão naturalmente quanto faria com uma irmã de criação. Era confortante.

- Pensando em seus dezoito anos, minha princesa? – perguntou o rapaz, postando-se ao lado dela no parapeito da sacada, observando os jardins com os mesmos olhos perdidos.

- Pensando nos dezoito que ainda estão por vir, Albert.

- Ah sim... imagino que não esteja muito confortável neste momento, com o peso de todo aquele ouro prestes a cair em sua cabeça.

Victoria riu. Somente Albert poderia tratar a coroa da Inglaterra tão levianamente!

- O que sentiria, primo, se fosse essa sua situação, e não minha?

- ...acredito que estaria tentando me esconder do mundo em uma sacada. Ou, se não do mundo, ao menos de seus representantes.

Albert sorriu apenas com os cantos de seus lábios bem feitos, daquele jeito tímido e travesso, e Victoria sentiu uma intensa, avassaladora vontade de beija-lo. Ah sim, ele conseguia traduzir tudo em palavras de sutil ironia! Seus sentimentos mais profundos, mais verdadeiros. Talvez sua mãe tivesse razão. Talvez devesse apressar essa escolha de uma vez por todas. Precisava se casar antes que essas vontades pecaminosas a tomassem pro completo.

- Albert... posso fazer-lhe uma pergunta, que gostaria que mantivesse apenas de nosso conhecimento?

- Mas é claro, Drina, minha querida.

Victoria permitiu-se morder levemente o lábio inferior. Muito levemente. Já haveria de demonstrar insegurança o suficiente com aquela pergunta.

- Acha... acha que serei uma boa rainha para o meu povo?

O jovem galã, em sua farda militar elegante e brilhantes cabelos escuros, deixou que seu rosto assumisse uma expressão suave e amável. Ele voltou o corpo completamente para a elegante jovem e segurou suas pequenas e delicadas mãos entre as próprias.

- Victoria Alexandrina, eu nunca em toda a minha vida conheci uma mulher mais inteligente, racional e adequada para ser uma rainha. Não importa o que aconteça prima, nem quem esteja ao seu lado, eu tenho plena confiança que será uma das mais lembradas rainhas que esse nosso amado país terá.

Os olhos azulados dela brilharem como se fossem, repentinamente, se encher de lagrimas. Porém ela voltou o rosto para o jardim, e quando finalmente olhou novamente para seu primo, havia apenas uma resolução de aço nestes mesmos olhos azuis, que agora contrastavam de maneira quase gritante com seu rosto corado.

- Albert... gostaria de fazer-te outra pergunta. E sobre esta resposta quero que pense bem. Não apenas com o que há debaixo de seus cabelos, mas com o que há dentro de sua alma. E gostaria de perguntar-lhe isto agora, quando ainda não tenho “todo aquele ouro” sobre minha cabeça.

O rapaz novamente tornou-se sério, e Victoria sentiu que apertava as mãos dela entre as dele com mais força.

- ...Albert de Saxe-Coburgo-Gota... gostaria de se casar comigo?

Mesmo a luz escassa da noite, ela o viu empalidecer. E depois o calor das mãos dele deixou as dela, e foram apoiar o corpo do rapaz na pedra da sacada. E então, novamente seus grandes e belos olhos azuis pousaram na jovem princesa corada e decidida, para só então murmurar, numa voz tremida e sussurrada.

- Drina...

E de repente ele caiu de joelhos diante dela, assustando-a. Olhava-a de baixo, tão adoravelmente corado quanto ela, e novamente tomou suas pequenas mãos entre as dele, parecendo prestes a se emocionar verdadeiramente.

- Drina... está desejando que nos casemos... por política ou por amor?! Porque, minha adorável Victoria, eu me caso com você de qualquer modo, mas me caso por amor unicamente.

- ...amor, meu querido...unicamente amor. – respondeu-lhe, num sussurro, fazendo com que se erguesse para que acariciar o rosto. Tão... próximos quanto sempre desejara. Tão adoravelmente e perigosamente próximos....

Victoria Alexandrina fazia dezoito anos naquele dia. Ela tivera uma vida, até então, complicada, trágica e ditada por terceiros. Ela tinha medo do que viria a seguir, com seu novo posto. Ela era tão insegura quanto qualquer outra jovem, por mais pobre ou rica ou bela ou feia que fosse. Mas ela agora sentia-se, se não forte, ao menos capaz. Porque ela sabia que não estava de todo sozinha, apesar das tempestades e intempéries que estava prestes a enfrentar. Apesar de seu ingrato dever.

Não, nunca completamente sozinha.

E aos dezoito anos de idade, Rainha Victoria do Reino Unido beijou seu verdadeiro amor pela primeira vez.

A princesa Victoria de Kent fez dezoito anos no dia vinte e quatro de maio de mil oitocentos e trinta e sete. Foi coroada Rainha apenas vinte e sete dias depois, iniciando assim o mais longo reinado da historia do Reino Unido, até então. Em dez de fevereiro de mil oitocentos e quarenta, rainha Victoria se casou com Albert de Saxe-Coburgo-Gota, seu primo irmão. Acrescentou ao traje nupcial algo até então proibido para uma rainha, um véu. Foi a primeira vez que se teve noticia de um membro da família real casando-se por amor.

oOo

Notas: Bem, feliz aniversario pra mim! Claro que as coisas não aconteceram desse jeito. Na verdade, como eu não estudei a fundo a historia da Gran Bretanha, eu nem garanto a veracidade histórica desse suposto ‘amor’. Mas mesmo assim, eu gosto de imaginar...

Ah sim, dou os devidos créditos a Jane Austen, que inspirou esse estilo de escrita.



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