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A cidade tem algo a lhe dizer
Ele ignora, porém ela insiste
Esfrega na cara os muros com grafite
para mudar o jeito dele de ser
Os semáforos mantêm a ordem
Carros sofrem pra chegar ao destino
Vão seguindo ele e o seu tino
torcendo pra que os motoristas acordem
Placas bem informadas lhe indicam
onde se situa cada lugar
Os sonhos que ele quer alcançar
elas nunca dirão onde ficam
Deseja nunca saber
com quantos paus se faz
uma canoa furada
Evita ao máximo se meter,
às custas da sua paz,
numa estúpida cilada
À noite os postes tão doentes
se atrevem a piscar em Morse
Chega a eles e a nós a morte
se os mesmos não são reluzentes
Ele foi ficando suicida
Perfume agradável de fumaça,
besta de metal que a cospe e passa
dá mais sentido à sua vida
É possível se matar de outra forma
como a garota burra
que resolveu se suspender
do alto do prédio em reforma
Chora, xinga e urra,
só para aparecer
De cabeças abaixadas
abraçam o urbano vício,
não pretendem lutar,
enquanto as árvores cortadas
anunciam o início
da era do mal-estar
Deseja nunca saber
com quantos paus se faz
uma canoa furada
Evita ao máximo se meter,
às custas da sua paz,
numa estúpida cilada
É possível se matar de outra forma
como a garota burra
que resolveu se suspender
do alto do prédio em reforma
Chora, xinga e urra,
só para aparecer
De cabeças abaixadas
abraçam o urbano vício,
não pretendem lutar,
enquanto as árvores cortadas
anunciam o início
da era do mal-estar