Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search Login Register Extras
Fiction » Romance » Contos de Garotos 2 font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Leona-EBM
Fiction Rated: K - Portuguese - General - Reviews: 9 - Published: 12-09-08 - Updated: 03-07-09 - id:2606342

Por Leona-EBM

Contos de Garotos 2

Capítulo XII

Encontros Noturnos

Hanz bebeu o remédio e deitou sua cabeça no travesseiro, fechando suas pálpebras, recordando-se das palavras frias de seu pai. Aliás, o que podia fazer? Heimel o discriminava por ser homossexual e isso veio de sua criação. Contudo, não podia aceitar aquilo.

Maccario foi engatinhando até seu namorado, puxando seu ombro para que Hanz deitasse de barriga para cima e assim poder olhar para seu rosto marcado pelas lágrimas. Aquela situação era difícil.

- Eu vou espancar aquele idiota! – vociferou.

- Não, vai não.

Bufou ao ver o olhar reprovador de Golden. Kim acariciou seu rosto, alisando, inclinou-se e beijou seus lábios inserindo sua língua naquela boca que tanto desejava. E então percebeu que fazia tempo que não se beijavam ou se tocavam.

As pernas de Maccario se moveram, ficando lado a lado do corpo de Hanz sem desfazer o beijo que começava a ficar mais quente.

- Ah, Hanz, eu estava com saudade do seu corpo. – confessou.

- Eu também, - sorriu – eu estou chato ultimamente, desculpe-me.

- Concordo, - riu baixinho – mas eu te entendo e gosto de você do mesmo jeito. Eu faço muita burrada também.

- Não, Kim. Você não fez nada de errado, eu que faço besteira.

- “Ah! Hanz, perdão, mas não posso te contar o que eu fiz”.

- Kim, eu queria sair um pouco.

- Mesmo?! Você está bem para isso?

- Sim, eu quero sair. – sorriu, beijando a bochecha do karateca – Vamos a um barzinho ou qualquer outro lugar.

A animação de Kim voltou, ele se levantou, puxou Hanz pela mão o levando até o armário para se vestirem.

- Hei, por que não usa essa blusa que eu te dei? – indagou o karateca.

Hanz olhou para a camiseta verde musgo que tinha alguns desenhos estilo graffiti na barra e torceu o nariz levemente, não gostava de estampas e cores muito vivas.

- Por que vive de luto?

- Eu não vivo de luto. – resmungou.

Viu o olhar cabisbaixo de Kim e resolveu agradá-lo, pegou a camiseta verde e a vestiu. O karateca sorriu, estranhando ver alguma cor no corpo de seu namorado. Hanz ajeitou seu colar de prata e o colocou para fora, deixando à vista as letras KH fundidas no metal.

- Eu preciso dar alguma coisa assim para você também. – comentou.

- Ah, não precisa.

- Eu faço questão. Aliás, Kim... eu estava pensando. O que acha de aliança?

O karateca não respondeu, ele mesmo já havia pensado nisso antes, contudo não teve a coragem de falar isso com seu namorado. Afinal Hanz era um pouco rebelde demais e talvez se sentisse preso a esse tipo de objeto.

- Vamos falar no barzinho sobre isso.

Hanz concordou e eles saíram. A chuva havia parado finalmente e o porsche preto passeava pelas ruas estreitas e recheadas de bares, Hanz acabou escolhendo um e Kim estacionou.

O casal entrou no lugar que tinha uma iluminação amarelada. As mesas redondas de madeiras e as cadeiras antigas os convidaram a se sentar, ficando próximo à janela, pois Kim já puxava uma unidade de seu cigarro, estava com saudade de sua nicotina. Pediram uma porção e cerveja e se acomodaram.

- Ah, quando vai parar de fumar? – Hanz indagou, batendo a mão no ar para afastar a fumaça que se aproximava.

- Eu estou tentando, você sabe que não é fácil.

- E o que você acha sobre alianças? – indagou de repente.

- Você quer usar? – indagou, erguendo uma das sobrancelhas, soltando a fumaça de seu cigarro.

Hanz balançou a cabeça positivamente e tocou na mão de seu namorado, alisando-a com os dedos.

- Eu também quero. Vamos procurar alguma coisa amanhã mesmo.

- Que homem rápido! – riu baixinho.

- Eu sempre faço o que você quer.

- Hum... mesmo? Qualquer coisa?

- Claro que sim.

- Hum... Eu posso fazer um pedido então?

- Por você estar tão deprimido esses dias, eu faço o que você quiser.

- Então eu quero repetir aquela noite.

- Que noite? – indagou sem entender.

- Hum... você não lembra? No Saint Rosre, no seu quarto especial... Depois do banho... lembrou?

Kim ficou estático. Ah! Sim, como podia esquecer-se daquela noite? Havia adorado ser tocado por Hanz daquele jeito, contudo nunca sentiu vontade de repetir a dose, pois se contentava em possuir o moreno.

- Ahhh... Menos isso.

- Por quê?

Não sabia o que responder. Talvez dissesse que não havia gostado, porém isso desanimaria seu namorado.

- Você não gostou de mim fazendo com você? – indagou inseguro.

- Não, não é isso. – sorriu nervoso, tragando o cigarro – Apenas prefiro ficar na minha posição mesmo.

Hanz ia retrucar, entretanto se calou ao ouvir um grito que vinha da calçada, ele olhou para o lado e viu um rapaz se aproximando, acenando para o karateca que tossiu levemente. Era Armando que se aproximava.

- Quem é? – Hanz indagou.

- É... o Armando. – respondeu – “Deuses! E ele está bêbado!” – constatou em pensamento em seguida.

Armando entrou no barzinho e caminhou pela lateral, chegando até o casal que o encarava. Hanz tinha um leve sorriso nos lábios, olhando para o novo amigo de Kim.

- Ah, cara. Como você ‘ta? Você saiu correndo do meu apartamento!

- Eu tive que sair. – Kim respondeu.

Armando olhou para Hanz, abrindo um largo sorriso e estendendo sua mão para lhe cumprimentar.

- Você deve ser o Hanz.

- Sim, prazer.

- Kim fala muito sobre você.

- Eu espero que sejam coisas boas. – comentou bem humorado, olhando de soslaio para o seu namorado.

- Ah! Sim... sim. Somente coisas boas. Eu posso me sentar aqui?

- Claro. – Hanz respondeu rapidamente, antes que Kim pudesse se pronunciar.

Armando não se fez de rogado, puxou uma cadeira e sentou ao lado de Kim que queria queimar seu cigarro no rosto de Armando e chutá-lo para fora dali.

O trio conversava casualmente, a todo instante Kim dava indiretas para Armando ir embora, entretanto este não prestou atenção aos olhares mortais de Maccario, dando mais atenção a Hanz que era bastante simpático.

A noite foi passando e eles estavam na nona garrafa de cerveja. Hanz já estava um pouco mole, pois nunca foi forte para a bebida e por causa de sua glicemia ele acabava ficando com a pressão baixa. Kim estava atento às coisas e Armando ria e falava alto.

De repente o assunto que veio para conversarem foi sexo e aquilo arrepiou os pêlos de Kim.

- É muito bom mesmo fazer sexo! – comentou Armando – Com homens e mulheres!

- Ah, verdade. – Hanz comentou, passando a mão por sua franja, jogando-a para trás.

- Hanz, você é completamente passivo, não?

O moreno gaguejou e tossiu levemente, ficando com as faces vermelhas. Ele não tinha vontade de falar sobre sua vida sexual abertamente, mas o amigo de Kim era descontraído e falava um monte de besteiras seguidas de milhares de palavrões.

- Kim é um monstro na cama mesmo.

- Ah... Como sabe disso? – Hanz indagou.

Maccario perdeu todo seu ar naquele momento, não conseguindo mover um músculo sequer de sua face, desejando aos deuses que Armando tivesse uma resposta para responder aquela pergunta.

- Já o viu lutando? Ele é um monstro!

Hanz riu baixinho com aquele comentário. Kim escorregou na cadeira, sentindo suas costas suarem, ele chutou Armando que gritou e pediu para que Kim parasse de agredi-lo. Como ele podia ser tão estúpido?

- Kim, não seja grosso. – Hanz falou com uma voz arrastada.

- Você está bêbado, Hanz. Vamos para casa. – Kim falou, erguendo a mão e pedindo a conta para o garçom.

- Eu queria ficar mais, estou me divertindo. – resmungou.

- Eu vou levá-lo para outro lugar.

- Um motel? – Armando indagou, interrompendo a conversa do casal.

Hanz voltou a ficar vermelho e Kim pisou no pé de Armando.

- Você já estava bêbado quando veio para cá. Não é mesmo?

- Sim, você é bem atento, cara. Meu, Kim... você é um amigão. Eu te adoro! – falou, passando a mão pelos ombros de Kim – E você não pode sumir da minha vida, cara. Temos que repetir a dose!

Hanz ergueu uma das sobrancelhas não gostando de ver seu namorado sendo abraçado por um desconhecido. Mas repetir a “dose” foi algo que entrou na cabeça de Hanz.

- Que dose? – indagou Golden.

- De sairmos para beber... oras! – soluçou, respondendo a pergunta do moreno, dando um animado tapa na mesa.

- Ah, sim. – Hanz sorriu amarelo.

A conta chegou e Kim tinha que ir até o balcão pagar, entretanto não queria deixar Armando e Hanz sozinho, contudo não tinha como arrastar Hanz, pois ele estava bêbado e com certeza Armando não ia querer acompanhá-lo.

- Eu vou pagar a conta, – Kim falou em voz alta – quer ir comigo, Hanz?

- Não. – respondeu, passando a mão por suas pálpebras.

- E você?

- Também não, cara! – respondeu Armando.

Kim suspirou e se afastou olhando a todo instante para a mesa, procurando ver as feições de Hanz e Armando.

Na mesa, Armando estava falando alguma coisa sobre o mundo e Hanz apenas ouvia, desejando ir logo para casa, pois não se agüentava mais naquela mesa, precisava dormir. Minutos depois Maccario se aproximou, puxando Hanz pelo braço.

- Nós vamos indo agora.

- Ah, Kim. Me dá uma carona, vai! – Armando pediu.

- “Eu te odeio!” – Kim pensou – Volte com suas pernas!

- Ah, Kim. Não seja tão chato, olhe o estado dele. – Hanz falou.

- “Ah, Hanz! Eu também odeio esse seu lado bom samaritano”.

Kim a contra gosto empurrou Armando até o carro, jogando-o sem nenhuma delicadeza no banco de trás do carro. Hanz se sentou à frente e colocou seu cinto, encostando a cabeça no banco de couro. E o porsche saiu daquela rua, indo rapidamente até a casa de Armando.

- Está em casa! Pode sair! – disse Kim, puxando uma unidade de seu cigarro, começando a fumar.

- Obrigadão! Vocês dois são um casal lindo e...

- Chega! Eu já sei, agora vai saindo.

Armando resmungou alguma coisa e saiu meio cambaleante do carro, Hanz nem teve tempo de se despedir, pois Kim pisou no acelerador e saiu dali antes que seu amigo pudesse dizer algo que o denunciasse.

- “Deuses, como eu me sinto culpado. Hanz vai descobrir algum dia pelo jeito. O que será que ele vai fazer? Será que vai terminar comigo?” – pensava aflito, olhando de soslaio para o moreno, que apenas observava a noite em silêncio.

- Hanz...

- Hum?

- Sobre traição. O que você faria se eu te traísse?

- Ah, Kim. Por favor, não venha reclamar sobre isso, você já me perdôo. Eu me sinto um cachorro até hoje, pare de me torturar! – exclamou, olhando para seu namorado com misericórdia.

Kim suspirou. Certo! Não seria muito fácil entrar nesse assunto, mas ele precisava saber.

- Mas eu estou falando se eu te traísse. Se eu... vejamos... por acaso... hum... dormisse com outro cara ou uma mulher.

Hanz riu baixinho ao imaginar Kim com uma mulher e não respondeu, fechando os olhos, sentindo o sono lhe levar.

- Hanz?!

- Hum?

- Você não respondeu. – avisou.

- Ah, Kim. Sei lá, eu sou muito impulsivo. Talvez eu perdoasse ou talvez desse na sua cara e terminasse. Não sei!

- “Previsível.” – pensou com tristeza – “Hanz é bem imprevisível mesmo, nem ele sabe o que faria. Mas o conhecendo bem, eu acho que ele daria na minha cara, choraria e depois iria embora”.

O carro continuou seu percurso pela rua escura. O casal trocava poucas palavras, enquanto ouviam uma música baixa e romântica que começou a tocar na rádio.

- Kim, espere! – Hanz falou de repente.

- O que foi? – indagou, pisando no freio do carro com suavidade, andando lentamente.

- Eu acho que vi o Hudi. Pare, pare! – pediu, já soltando seu cinto de segurança.

Kim revirou os olhos e parou o carro. Será que não podia ter um momento de paz com seu namorado? Queria levá-lo para casa e terminar a noite fazendo amor, entretanto seus planos estavam sendo destruídos desde que Hanz desejou sair para passear.

O moreno saiu do carro e bateu a porta com força, arrepiando os pêlos de Maccario que tinha um carinho especial pelo seu carro. Golden caminhou pela calçada com velocidade, apesar da forte tontura que sentia.

- Hudi! – chamou.

E um garoto de curtos cabelos cor de fogo virou-se ao ouvir o chamado, abrindo um largo sorriso para Hanz que se aproximava vitorioso. Sim, era seu amigo.

- Hanz! Há quanto tempo! – exclamou, indo de encontro a Hanz, abraçando-o.

- Como você está?

- Muito bem. Estou me adaptando a essa cidade ainda. Nossa! Aqui é muito barulhento, e achar um apartamento foi muito difícil! – disse.

E era o mesmo Hudi, sempre reclamando, movimentando os braços, fazendo caras e bocas quando falava sobre um determinado assunto. Contudo a sombra que estava ao seu lado era seu oposto. E ali estava Miles, trajando roupas escuras, olhando para Hanz com sua impassibilidade de sempre.

- Olá, Miles. Como vai? – Hanz indagou, estendendo a mão que foi devidamente apertada por Miles num cumprimento casual.

- Eu vou bem. – respondeu seco.

- Seja mais educado! – Hudi pediu, dando um tapa no braço do maior, que apenas o olhou com serenidade.

- Como vai? – indagou Miles.

Hanz riu baixinho, não se contendo. Os dois pareciam marido e mulher, e o Hudi seria a mulher no caso. Sempre reclamando, exigindo alguma coisa do seu parceiro. Típico das mulheres! Mudar os homens.

- Onde vocês estavam?

- Viajando. Tiramos férias! – Hudi falou – Fomos ao Brasil no final de ano. Foi muito bom. Ótimas praias, povo alegre, comida...

E Hudi começou a falar e falar, gesticulando os braços, fazendo algumas piadas, rindo baixinho com Hanz. Um tempo se passou e Kim se aproximou com um olhar impassível, cumprimentando o casal com um aperto leve de mãos e se pondo ao lado de Hanz.

No final, o quarteto concordou em entrar em um barzinho para começarem a conversar e aquilo foi o fim para Kim, que a contragosto acabou concordando. Afinal, Hanz estava feliz, rindo e comentando algumas coisas e essa era a intenção, que o moreno esquecesse um pouco de seus problemas.

Miles e Kim ficaram em silêncio na mesa, algumas vezes Maccario falava alguma coisa, contudo Miles apenas observava o diálogo.

- Não é mesmo, Miles? – Hudi indagou de repente, dando um tapa no namorado.

- Sim. – respondeu.

- “Como esse Miles agüenta uma matraca dessa?” – Kim indagou em pensamento – “Se Hanz falasse metade do que esse moleque fala, eu nunca teria ficado com ele”.

E o assunto continuou durante um longo tempo e agora quem desejava dormir naquela mesa era Kim, que suspeitava que Miles também estivesse desejando desmaiar ali.

OoO

E naquela noite cheia de encontros entre Kim e Hanz, a situação de outros indivíduos não era diferente. Em um bar, lá estava Corei com sua nova namorada.

O mais novo dos Honoi estava com um semblante sério, demasiado triste para falar a verdade. Sua franja loira caía por seus olhos esverdeados que transmitiam decepção e infelicidade, seus lábios rosados moviam-se para falar alguma coisa, mas a todo instante era interrompido pela voz fina e delicada de Ariel.

Ela estava terminando o recente namoro. Por quê? Ela não respondia claramente. Apenas dizia que o problema era ela e que Corei era perfeito, portanto não devia se preocupar. Mesmo assim o loirinho não estava satisfeito, contudo não podia pedir mais nada.

E a garota se ergueu, aproximou-se e o beijou na bochecha despedindo-se. E agora ele estava ali, sozinho naquela mesa de bar, olhando para a garrafa vazia de cerveja. Desde quando começou a beber cerveja? Havia amadurecido um pouco e acabou rindo sozinho com seu pensamento.

- “Melhor sair daqui. Já estão olhando para mim.” – pensou, pedindo a conta, que veio logo. Assim deixou o dinheiro na mesa e saiu, vagando pela rua lentamente.

O vento noturno batia contra suas roupas, arrastando-as para os lados, desarrumando todo seu figurino. Para quê ficar arrumado? Pensou com desânimo. Não tinha nenhuma namorada.

Entrou em uma loja de conveniência e ali ficou vendo alguns produtos sem a necessidade de comprá-los, apenas queria distrair sua mente com alguma coisa. De repente estava em uma área de livros.

- “Livros numa loja de conveniência? Que surpresa!”.

Começou a ver alguns de ficção científica, depois mexeu na parte de quadrinhos, procurando alguma edição nova do “Homem Aranha” que ainda não tinha. Estava distraído, lendo em silêncio, ajoelhado no piso frio daquela loja.

- Corei?

O loirinho ergueu sua cabeça e encontrou um par de esmeraldas que o encaravam com certa surpresa.

- Vincent, como vai? – indagou o loirinho, erguendo-se e estendendo a mão até o ex-namorado de Hanz.

- Bem e você?

- Bem. – respondeu seco.

- O que faz aqui há essa hora? – indagou.

- Estava apenas passando. – respondeu.

- Sozinho há essa hora? – indagou, rindo baixinho – Vejamos... Você está com uma cara péssima.

Vincent era direto e Corei havia notado isso quando foi visitar Hanz na sua casa, entretanto nunca pensou que ele pudesse ser tão indelicado.

- Eu vou tomar um café. Quer me acompanhar? – indagou o jovem escritor.

- Sim. – respondeu lentamente, como se ainda não estivesse acreditando naquele encontro. Era para ficar sozinho naquela noite, remoendo-se.

Vincent sorriu e virou suas costas, indo até o balcão pagar algumas coisas que havia comprado, depois chamou Corei pela mão até a rua, onde seu carro estava estacionado. Era um carro esporte preto, nada de chamativo, Corei acabou entrando em silêncio.

- E como está Hanz?

- Sei lá. Ele está com aquele cachorro. – respondeu, ligando o carro e saindo dali.

- Ele saiu de sua casa? – indagou, rindo baixinho ao ver que o outro também não gostava de Maccario.

- Sim. – respondeu.

- Ele está bem?

- Não sei, ligue para ele e pergunte. Afinal, Corei, eu fico curioso no seu interesse no Hanz. – falou.

- In... interesse?

Vincent riu alto ao ouvir aquela voz gaguejando, transmitindo insegurança. Ele passou a mão por seus longos cabelos negros e parou na frente de uma loja de café que gostava de ficar nas suas madrugadas de insônia.

- É aqui. Vamos?

Eles saíram do carro. Corei olhou para o estabelecimento, gostando do cheiro forte dos grãos de café e do chocolate que vinha dos bolos. Eles se sentaram numa mesa redonda de mogno escuro e ali foram recebidos por um atendente. Fizeram seus pedidos e voltaram a se encarar.

- E você gosta muito do Hanz mesmo. Eu fico na dúvida sobre isso.

- Como... como assim? – indagou, ficando com as faces rosadas.

- Admita você gosta dele. – sorriu malicioso.

- Claro que eu gosto dele. – falou rapidamente – Porém não do jeito que pensa.

Vincent soltou um gemido, mostrando sua suspeita, como se não concordasse ou mesmo acreditasse naquelas palavras, naquele olhar desesperado e faces rosadas.

- Você gosta de homens.

- Não, gosto!

- Claro que gosta, está evidente. Eu reconheço um gay à distância e você é um enrustido. – suspirou – Não falo para te ofender, porém me incomoda ver alguém que não se aceita. Eu estou escrevendo um livro sobre isso, e meu personagem é muito parecido com você.

- Eu não sou um personagem de livro. – disse com irritação. Será que ninguém pararia de enchê-lo com esse assunto?

- Não é mesmo, eu não disse que era. Contudo é o mesmo caso do meu personagem. – falou casualmente.

- O Hanz... ele... ele comentou que acha... que eu sou? – indagou inseguro.

Vincent sorriu docilmente para aquela criança que estava a sua frente.

- Não, o Hanz é muito distraído. Ele sempre foi muito desligado, nem sequer pensa nisso. Não se preocupe, e ele não ia te odiar se soubesse a verdade.

Corei abaixou a cabeça, sentindo seu coração acelerar. Ele mesmo não se entendia, não se aceitava, não se permitia ver o que realmente era ou apenas não queria saber a verdade. Conversar sobre esse assunto sempre foi um tabu na sua vida.

Sempre correu quando Amín ou Haziel vinham conversar sobre sexualidade, sempre os xingou e se afastou, tendo pensamentos machistas, procurando amigos heterossexuais. Contudo, agora que estava longe do Saint Rosre, ele podia achar pessoas heterossexuais e o que lhe surpreendeu era que os garotos de sua idade - os heterossexuais - eram completamente diferentes dele.

No fundo se viu melhor com seus irmãos, com Hanz, com os antigos garotos do colégio. Acabava por se identificar melhor com eles. O loirinho não gostava de “molecagem”, como os garotos de sua idade gostavam. Também não pensava somente em mulheres e suas partes íntimas, desejando pegá-las apenas para se satisfazer sexualmente. Ele gostava de conversar com elas, e isso era um problema, pelo menos achou que sim.

- Eu não sou...

- Não termine essa frase. – pediu o escritor, interrompendo-o – É difícil aceitar mesmo algo que você não queira. Sabe, quando eu era pequeno eu desejava ser desenhista.

Corei ergueu sua cabeça, prestando a atenção nas palavras do outro.

- Eu tentava desenhar e desenhar, até minha adolescência e nunca ficava bom. Mesmo que eu fizesse cursos, eu nunca fazia coisas boas, pois eu não nasci com o... digamos “dom” de desenhar. Entende?

- Sim... e então resolveu escrever?

- Não, no começo eu não quis acreditar. Pois eu sempre li coisas sobre sonhos, superação, etc., então eu tentava, tentava, mas... não servia mesmo para aquilo.

- E você fala que sua frustração por não conseguir desenhar é a mesma frustração que você acha que eu tenho?

- Eu não acho, eu tenho certeza. Você desejaria gostar de mulher, eu entendo, acho que todo homossexual queria não ser discriminado. Vamos, Corei! Quem gosta de ser diferente e discriminado? Quem gosta de ser apontado na rua? Alvo de preconceito e tristeza familiar?

- Ninguém deve gostar. – respondeu rapidamente – Hanz uma vez falou isso para mim

- Acho que muitos pensamos assim. Seria tudo mais fácil se vivêssemos no círculo comum da vida, seguindo as regras da sociedade, - sorriu – procriação, homem com mulher e um filho lindo nos braços. Essa seria a vida certa, mas estamos rompendo isso.

- Vocês devem...

- Nós, Corei, nós. Você é tão igual a mim que me dá pena! – riu alto – Você não se aceita.

O loirinho ia falar algo, contudo o atendente se aproximou com os pedidos, colocando duas xícaras na mesa, junto com alguns biscoitos de chocolate, depois se afastou.

- Tome seu capuccino. – falou Vincent – Não quero te ofender ou te deixar desconfortável. Se você se ofende ou se sente assim, isso significa que o que eu falo é verdade.

Corei não respondeu, bebendo do líquido quente, apreciando seu sabor em silêncio. Sua mente estava um caos, ele sentia vontade de chorar e desabafar sobre sua vida pessoal com Vincent, mas a insegurança ainda o impedia.

- Hanz é apaixonante mesmo. Muito bonito, ele já foi convidado para ser modelo quando éramos menores, mas a mãe dele quase teve um ataque ao imaginar seu filho longe dela, - começou a falar com um sorriso nostálgico nos lábios – ele é bondoso, divertido e viver com ele é... muito bom. Eu entendo o que você pode sentir, pois eu me senti assim por anos.

- Ainda gosta dele? – indagou.

- Um pouco, mas nada que me faça mover montanhas. – confessou – Se ele quisesse ficar comigo, talvez eu ficasse.

- Talvez?

- Sim, Corei. Eu estou querendo buscar um novo companheiro, uma pessoa que seja somente minha. Entende? Hanz já é de outra pessoa.

- Sim, eu estava procurando também.

- E achou?

- Eu pensei que sim, mas ela terminou comigo hoje.

- Mesmo? – indagou com surpresa, parando a xícara na altura de seus lábios sem beber – Você deve estar chateado. Afinal, ninguém gosta de ser rejeitado.

- Sim, eu estou chateado. E ela não me disse o motivo, apenas disse que queria acabar.

- O motivo é óbvio. Ela não gosta mais de você. Acho que todos deviam entender as coisas desse jeito, pois quem gosta, mesmo que seja tratado feito cachorro, acaba continuando com a pessoa. – comentou – Eu penso assim, se não quer mais ficar é porque não gosta mais e ponto final, pode ter um motivo a mais, mas o principal é esse.

- Eu concordo.

- Mesmo?

- Sim. Se ela gostasse de mim, talvez tentasse arrumar o defeito que tenha visto em mim, mas se ela não fez isso ou então me deu uma segunda chance, talvez ela tenha desgostado de mim.

- Exatamente! E não é que você pensa? – riu alto.

- Isso não teve graça.

- Eu sei, eu sei. – continuou a rir.

- Ainda não tem graça.

- Perdão, mas você é divertido. Logo vai achar outra pessoa, mas eu acho que você atrai mais olhares masculinos do que femininos.

- Ah, fala sério!

- Verdade, se você notar. Quando você anda pelos lugares, o seu público favorito são os homens, só que você é distraído demais. Se notasse, o atendente ficou babando em você, - riu alto – e quando entramos aqui, um casal de gays olharam para você e depois se entreolharam com um sorriso malicioso. Talvez eles pudessem te convidar para fazer um sexo a três.

Corei ficou vermelho, ele olhou de canto para o balcão e viu que o homem que os atendeu o olhou de relance e lhe lançou um sorriso discreto. O loirinho logo moveu sua cabeça novamente, sentindo seu coração acelerar. Aquilo não podia ser verdade! O que Vincent era afinal? Um gênio com uma bola de crista? Como podia saber mais sobre ele, do que ele mesmo sabia?

Eles terminaram de tomar o café falando sobre sexualidade e relacionamentos.

- Eu pago, eu te convidei. – falou Vincent ao ver que Corei fez a menção de tocar na sua carteira. O jovem escritor se ergueu e foi até o caixa, pagando a conta.

Corei já caminhou até a saída, olhando para o céu escuro e a fina garoa que começava a cair. Vincent parou ao seu lado, soltando um longo suspiro.

- Vamos nos molhar um pouco. – disse – Você está de carro por acaso?

- Não tirei minha carta.

- Por quê?

- Eu tenho dezessete anos ainda.

- Mas... você não estudou com o Hanz?

- Eu sou um ano adiantado. – sorriu.

- Nossa! Eu estou surpreso. E quando faz dezoito anos?

- Dia vinte de fevereiro, – respondeu – Fiz dezessete agora pouco.

- Estou pasmo!

Corei riu baixinho. Sim, ele era muito mais novo do que a maioria pensava, pois entrou na escola adiantado e ainda pulou um ano. Enquanto a maioria dos alunos tinha dezoito anos na faculdade, Corei tinha seus dezessete e só faria anos novamente no ano seguinte.

- Uma criança ainda. – riu baixinho – Venha, eu te ajudo a sair dessa noite chuvosa.

E a dupla correu até o carro, entrando rapidamente. Todavia a chuva não estava tão intensa para que se molhassem agora eles estavam sentados no carro, ofegantes.

- Você é bem interessante, Corei. Só sinto que você é muito inseguro e precisa mudar esse seu visual de Nerd.

- Ah!?!

Vincent sorriu, virando seu corpo na direção do menor, tocando levemente numa mecha loura que estava úmida, olhando para os olhos arregalados de Corei. O jovem escritor puxou o seu queixo que tremia ligeiramente e não era de frio, mas sim de nervoso.

- Não precisa ter medo de admitir. – Vincent sussurrou próximo aos seus lábios.

Corei fechou os olhos e engoliu em seco quando sentiu os lábios macios tocarem os seus, pressionando levemente sua cabeça contra a de Vincent. Quando o jovem escritor abriu os lábios, o coração de Corei engatou em uma batida frenética e dali não saiu mais. Suava frio, tremia e sua mente estava cheia de dúvidas.

E quando a língua quente invadiu sua boca, seu corpo pareceu desligar, parou de pensar e sua tremedeira passou assim como seu suor. Aquele toque cálido o tranqüilizou finalmente.

A cabeça foi puxada para o lado para acertar o beijo. Vincent começou a mover sua língua lentamente, esfregando-se na língua de Corei, passando por seu céu da boca, por debaixo da língua, correndo pelas laterais, para depois mordiscar seu lábio, chupando-o com doçura. Não queria assustá-lo com um beijo brusco aquele garoto que parecia que ia se quebrar a qualquer momento.

O beijo terminou, Vincent voltou ao seu assento com um sorriso vitorioso, encarando Corei que estava com os olhos abertos, olhando-o com confusão, desespero e estranhamente, com certa paz.

- Eu... – falou baixinho, sentindo algumas lágrimas caírem por seu rosto – eu... não entendo porque você fez isso.

- Porque me interessei por você e também não gosto de ver garotos bonitinhos perdidos no meio da noite. – respondeu, voltando a tocar na cabeça do menor.

- Eu... estou... confuso. – falou com segurança dessa vez, finalmente admitindo para ele mesmo que não sabia mais o que pensar.

- Claro, eu sei que está. Mas logo essa confusão irá passar e você vai ver a verdade. – disse docilmente, com tranqüilidade, como se estivesse a aconselhar uma criança.

- Eu vou para casa. – falou, tocando na maçaneta interna da porta.

Vincent puxou sua mão rapidamente e disse:

- Não vou deixar um garotinho perdido na noite, eu já disse. Depois você vai para casa, pois eu acho que você precisa... de carinho agora.

Vincent sorriu e voltou a beijar aqueles lábios rosados, sentindo o gosto salgado das lágrimas que morriam no tépido sabor de suas línguas.

OoO

E no meio daquela noite chuvosa, caminhando com a cabeça baixa estava Kirios, pensando na sua vida amorosa. E finalmente havia se decidido, o tempo de tristeza e indecisão havia acabado finalmente.

Precisava de alguém, sim. E alguém que fosse somente dele!

Não conseguia ao certo entender o motivo de não conseguir ficar somente com Mahoma. Por que o moreno não conseguia fazê-lo se esquecer de seu irmão menor? Não conseguia entender isso, mas talvez o problema não fosse somente Kirios e sim seu parceiro também.

Era difícil que gostasse de alguém, mas finalmente estava gostado e estava sendo mais difícil para ele aceitar isso do que seu irmão menor. Alexis já havia superado a separação e agora seguia com sua vida, enquanto o mais velho estava preso aos sentimentos passados.

Pegou o celular que estava no bolso de sua calça e começou a discar o número que estava na sua cabeça.

Alguns segundos e ouviu a voz de quem desejava.

- Sou, eu, Kirios. – falou.

- O que você quer agora?

- Mahoma, eu sou complicado.

- Não diga! Acho que já falamos tudo um para o outro.

- Eu quero você.

- Não quer, não.

- Eu quero sim. Eu pensei muito.

- Você sempre pensa muito e não faz nada certo.

- Você está rebelde. – riu baixinho – Eu quero ficar com você.

- Mesmo?

- Claro, e eu sei que você também. Eu estava pensando em como podíamos ficar mais tempo juntos.

- Já está se adiantando, Kirios.

- Por que não estuda em um colégio dessa cidade, como meu irmão.

- Quer que eu estude com seu irmão?

- Não, não precisa ser com ele, mas tanto faz. Acho que nós três estamos resolvidos agora.

- Você quer que eu saia do Saint Rosre e vá estudar numa escola da sua cidade. Quer mais alguma coisa?

- Sim, que você pare com esse cinismo irritante que está me deixando puto.

- Claro. E por que acha que meu pai ia aceitar isso?

- Porque você vai pedir para ele, oras. Você me disse que seu pai sempre tentou te agradar com tudo, então esse é um bom momento para ser um filho mimado e birrento.

- Kirios, você é louco.

- Eu sei. Faça isso logo ou eu vou te seqüestrar.

A risada de Mahoma foi ouvida através do aparelho.

- Kirios, Kirios, você e seu jeito estranho.

- Eu vou ligar amanhã à tarde. Ligue agora para seu pai.

- Agora?!

- Sim, ligue choroso falando que não gosta do colégio e quer ficar nessa cidade, pois conhece pessoas que te entendem. Sei lá, inventa.

- Você ficou o tempo todo pensando nisso? Do nada não quer mais seu irmão?

- Não, eu não quero meu irmão. Não mais... não depois do que pensei, depois do que admiti para mim mesmo.

- Kirios, não me magoe.

- Eu não vou mais fazer isso. E agora cansei de falar sobre esse assunto, eu já dei um ponto final.

- Você dá o ponto final e acha que eu tenho que dar também?

- Óbvio que sim.

- Por quê?

- Porque você é meu namorado e ponto final e eu quero você do meu lado. Agora pare de ficar me tratando com esse cinismo, só porque estamos distantes e faça logo o que eu sugeri. Vamos dar um fim nessa questão.

- Hum... você está bravo agora.

- Sim, claro que eu estou. Agora vou desligar, meus créditos estão acabando. Apenas faça o que mandei.

- Ah, Kirios, eu...

- Vou desligar. Amanhã eu te ligo. Boa noite.

- Boa noite.

Kirios olhou para seu aparelho, vendo que seus créditos haviam terminado. Ele suspirou e ergueu sua cabeça, sentindo as gotas frias baterem contra seu rosto, e finalmente sorriu, exibindo seus dentes brancos, sentindo-se finalmente livre do peso que carregava em seu peito.

Ele era confuso, admitia. Egoísta, isso era evidente, entretanto não fazia isso porque gostava, mas sim porque era uma pessoa de pensamentos confusos. Todavia estava resolvido e só de tomar essa atitude seu peito estava mais leve.

Seus braços foram esticados e ele rodou algumas vezes naquela calçada fria, como se fosse um louco drogado. As pessoas se desviavam do louro de moicano, temendo que fossem atacadas, mas Kirios não ligava, não olhava para os lados.

E quando a tontura forte o atingiu, ele parou de rodar e voltou a andar meio cambaleante, passando a mão por seu cabelo, rindo baixinho. E ficou rondando as calçadas dos barzinhos, caminhando sem destino, rindo sozinho, todavia parou ao encontrar um casal sentado num bar.

Aquela era uma noite de encontros, talvez uma noite de entendimentos pessoais. Quem sabe aquela chuva era uma benção divina que estava a limpar os pensamentos obscuros, revelando as respostas ocultas. Parecia uma noite mística.

Era seu irmão menor, ele havia dado a desculpa que ia dormir na casa de um amigo para fazer um trabalho de escola, mas agora ele estava ali, sentado naquela mesa de bar com seu atual namorado, que por acaso era uma das pessoas que mais detestava. Porém, Alexis sorria e aquela felicidade era para Haziel.

Kirios encostou-se num poste e cruzou os braços, ficando a observar o casal, vendo como se acariciavam, se beijavam sem nenhum pudor e depois voltavam a conversar no ouvido do outro, rindo baixinho. Um casal perfeito de namorados! Aquilo o incomodava, mas sua decisão de minutos atrás o fazia não ter raiva daquilo.

Não tinha raiva de Alexis e da sua decisão, talvez sentisse raiva do parceiro que ele escolheu, mas uma coisa era certa: agora poderiam seguir suas vidas em paz. Ainda seriam irmãos, mesmo namorando outras pessoas, morando em cidades diferentes, tendo rumos diferentes. Nada poderia separar o sangue.

E aquilo tranqüilizava Kirios. Afinal, sempre seria ligado a Alexis.

E ria baixinho, sozinho, pensando em como sua vida estava fugindo do controle. Quando menor, ele havia estipulado todas suas metas, mas agora estava sem nenhum plano, não tinha consciência do futuro e por isso o presente era tão tortuoso.

- “Viver é muito difícil.” – pensou, desencostando-se do poste, voltando a caminhar pela rua fria e chuvosa, sentindo algumas lágrimas começarem a escorrer pela sua bela face.

Não eram lágrimas de tristeza. Afinal, quem entenderia aquele louco? Talvez lágrimas de felicidade ou então de liberdade. Mas o importante é que se sentia livre para agir.

- “Alguém só para mim, eu já tenho. Agora só preciso prendê-lo aos meus braços. Ah, eu estava sendo tão cego. Eu estava sendo patético, isso é tão cômico. Ah... eu preciso ser menos sentimental.” – concluiu seu pensamento com um sorriso malicioso nos lábios – “preciso voltar a ser como antes. Talvez já tenha acordado desse pesadelo que criei”.

E para completar aquela noite de encontros, mais à frente naquela caminhada Kirios sorriu ao encontrar mais duas pessoas. Certamente que era uma chuva muito boa, pois todos estavam escondidos em barzinhos.

Kirios entrou todo molhado no estabelecimento, indo até o casal que já o encarava com um leve sorriso nos lábios.

- Você está um trapo! – comentou Julian.

- Posso me sentar? – indagou Kirios.

O casal assentiu e Kirios sentou-se, molhando toda a cadeira. Logo um garçom se aproximou e indagou se precisaria de mais um copo na mesa e Julian respondeu positivamente.

- O que estava fazendo aqui? – indagou Leon, olhando para o louro.

- Estava apenas pensando.

- Você sempre encontrou os melhores lugares para ir pensar. – Julian zombou – O que sua mente decidiu dessa vez?

- Não quero mais meu irmão. – falou, pegando o copo recém chegado com cerveja, sorvendo alguns goles.

- Não? – Julian e Leon indagaram em uníssono.

- Não, cansei de sentimentalismo. O sangue é apenas para ser compartilhado, e não mais para ser cruzado. Não tenho interesse em manter o sentimento carnal.

- Você sempre falou tão complicado... – Julian comentou com um longo suspiro, olhando para Leon que sorriu de canto.

- E vai querer alguém ou vai ficar sozinho?

- Mahoma, eu escolhi ele.

- Finalmente! – Julian riu alto – Kirios, você sempre foi o mais doido de todos nós.

Leon apenas observava os dois conversando, ele nunca conversou muito com Kirios, pois o louro não era muito receptivo, mas agora não estavam mais no colégio e podia tentar se socializar com ele.

- Eu apenas sou sincero. Enquanto vocês ficam se enganando e enganando aos outros, eu apenas paro e falo a verdade.

- Ah, nem vem, Kirios. Você não acha que podia ter evitado mais dor de cabeça se não tivesse falado para o Mahoma que você queria o seu irmão? Assim você ia levando o relacionamento e se visse que queria mesmo seu irmão você terminava... – comentou – e se visse que queria o Mahoma, continuava com ele, sem essa confusão toda.

- Isso é falso demais. – falou – Você não pode agir tão friamente com as pessoas. E depois dizem que eu sou louco!

Kirios olhou para Leon, enquanto bebia sua cerveja.

- Não seria mais fácil se você tivesse falado logo que gostava de seu primo ao invés de agir silenciosamente? – indagou.

Leon olhou de esgueira para Julian que franziu seu cenho, não querendo entrar naquele assunto. Kirios riu alto, batendo a mão na mesa, para depois bater no braço de Leon.

- Ah, Leon, você é tão paciente.

O moreno sorriu e nada disse, voltando a beber, pois ele mesmo não queria mais falar sobre isso. Ele queria paz e aproveitar com o ruivo seus bons momentos.

- Falaram com o Kim? Ele está sumido.

- Eu soube que teve alguns problemas com o Hanz. – Julian disse.

- Que problemas?

- O pai do Hanz apareceu e... – Leon começou a contar a histórias nos mínimos detalhes até o ponto que sabia. E quando terminou seu relato, Kirios suspirou.

- Aqueles dois só brigam. – comentou o louro.

- Eu concordo. Eu acho que eles poderiam ter umas férias. – disse Julian.

- Sim, pois Hanz está estressado demais. – Leon disse.

- Eu tenho certeza que o Kim quer matar esse velho interesseiro. Eu acho que vou ajudá-lo a dar um susto nesse velho. – riu baixinho.

- Kirios, Kirios... contenha-se. – Julian pediu.

O louro continuou a rir baixinho, ele pensou em ligar para Kim, mas lembrou-se que seu celular estava sem crédito. Acabou por ficar a conversar com o casal, aprendendo a falar mais com Leon, com quem pouco havia se sociabilizado no Saint Rosre.

OoO

E na casa de Vincent, esse estava arrumando a sua cama, olhando para o loirinho que estava parado na frente de uma estante cheia de livros que estava no seu quarto, passando os dedos finos e longos por alguns volumes, puxando-os em certos momentos para ler sua sinopse, porém logo os devolvia para a estante.

- Se quiser algum emprestado é só pedir. – avisou Vincent, sentando-se na cama para retirar suas botas e sua camisa, ficando apenas com uma calça jeans.

Corei nada disse, apenas assentiu com a cabeça. Ele nem estava pensando nos livros, mas sim no beijo que recebeu e ainda se perguntava o que estava fazendo na casa do ex-namorado de Hanz. E mais! O que estava fazendo no quarto dele?

- O que está pensando?

- Ah?

- No que está pensando, Corei?

- Nada demais. – mentiu.

Vincent gargalhou durante um tempo, retirando seu jeans apertado, ficando apenas de cueca. Ele foi até seu armário e vestiu uma calça larga de algodão preta e caminhou até o loirinho, puxando seus ombros para que seus corpos ficassem de frente.

- Você deve estar se sentindo perdido. O que faz no meu quarto sozinho comigo? Pois é, viu como eu tinha razão?

- Não me provoque, - falou baixo, com a voz quase sumindo – eu já vou embora.

- Não vai, não. – sorriu.

Vincent ergueu aquele queixo e o beijou novamente na boca, vendo que não tinha tanta resistência. Seus braços resvalaram por seu corpo, indo até sua cintura fina, abraçando o corpo menor. Vincent foi caminhando pelo quarto até encostar Corei numa parede.

A mão trêmula do mais novo tocou timidamente a cintura de Vincent, passando seu braço por suas costas, num meio abraço sem muita força, apenas sentia o tronco nu do mais velho.

O beijo resvalou para o pescoço de Corei que suspirou, acelerando sua respiração. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Fechou suas pálpebras com forçar ao sentir um chupão de leve na jugular.

- “Eu... eu estou gostando disso.” – admitiu para ele mesmo em pensamento.

OoO

Continua...

Capítulo corrigido por Nyx Malfoy.

Oh, God! E finalmente essa chuva mística apareceu para introduzir o arco-íris na cabeça de Corei, e ninguém mais sedutor que o ex-namorado do Hanz para conseguir tirar o loirinho do armário.

Hudi e Miles entrando de fininho na trama!

Foi uma noite de encontros, eu gostei muito de escrever esse capítulo. Foi divertido para mim, um pouco engraçado, dramático, singelo em certos pontos. Eu estou a fim de escrever uma paródia de “A Bela e a Fera”, com os personagens de Contos de Garotos. Também pensei em “A Bela Adormecida” ou então “Branca de Neve e os Sete Anões”. Acho que seria bem engraçado. O que vocês acham? Gostariam de ler isso?

Comentário são sempre bem-vindos. Obrigada pela atenção de todos.

27/2/2009

Por Leona-EBM

e-mail / MSN:

31



Return to Top