|
Author of 2 Stories |
Vampire Love
Fanfic de Originais por NanyDark
Nota da autora: A história é organizada por flashbacks, por isso, pode ser um pouco confusa no início, mas ao longo da história os fatos irão se interligando e tornando-se mais claros.
Capítulo 01: Demônios não podem amar.
Abriu os olhos lentamente. A luz do sol entrava pela janela e refletia nos cacos de vidro espalhados pelo chão, a cortina balançava com o vento, que entrava pela janela quebrada. Apoiou uma das mãos no chão e ergueu o tronco. Sentiu uma dor no pescoço, levou a mão ao local dolorido. Lembrava vagamente do que ocorrera na noite anterior. Levantou-se, olhou-se no espelho. O garoto assustou-se com a sua imagem no espelho, estava realmente horrível, cabelo desarrumado, olheiras escuras e aquela marca no pescoço. Tentou ajeitar o cabelo escuro, afastando-o do olho. Tentava costurar suas lembranças para entender o que acontecera na noite anterior, o porquê de estar naquele estado. Foi até a janela quebrada, afastou as cortinas e olhou para o lado de fora. Nem sinal dela.
-Noite anterior-
Fugia, fugia para longe. Atravessava ruas, desviava de carros, empurrava as pessoas para que saíssem de seu caminho. Na noite iluminada pelas luzes da cidade, a garota de cabelos negros curtos corria desesperada. Do que fugia? De si mesma e do que acabara de fazer. Parou por um momento, em frente a um prédio qualquer. Encostou as costas na parede, ofegante. Sentiu um líquido descer do canto da boca, tateou com os dedos e olhou para sua cor avermelhada. Não resistiu em lamber aquele delicioso pecado, as íris dos olhos reluzindo vermelhas, mas logo toma consciência do ato, a íris volta a ser castanha. Ela era um monstro, isso sim. Como podia ter feito uma coisa dessas com ele? Deslizou as costas pela parede até encostar-se ao chão, os cabelos encobriram seu rosto. Tinha dito que o amava, mas o abandonara no chão, após dar uma prova de como seu instinto era incontrolável, era como um animal. Ela nunca poderia ser algo para ele, ela apenas estaria adiando o momento de machucá-lo, de sugar ele até a última gota do seu sangue. E ela sabia que, da próxima vez, ela ia matá-lo.
-x-
A garota de sobretudo preto entrou timidamente na sala de aula. Tinha os cabelos negros curtos, olhos castanho-avermelhados, usava roupas pretas e coturno. A pele, extremamente pálida. Passou os olhos pelos alunos, procurando uma carteira vazia onde poderia sentar-se. Havia uma única carteira vaga, no fundo da sala. Dirigiu-se rapidamente a carteira, evitando olhar nos olhos de quem quer que seja. Colocou a mochila no chão, abrindo o zíper desta para tirar o caderno.
- Não está com calor com este casaco? - a pergunta pegou-a de surpresa, olhou para ver quem falava com ela, logo viu que era o garoto que sentava ao lado dela. Seus olhos cruzaram-se por um momento com os do garoto que lhe fez a pergunta, ela desviou-os rapidamente.
- Não muito. - respondeu simplesmente, voltando a mexer nos cadernos. O garoto até que era bonito. Tinha cabelos castanho-escuros cacheados, olhos castanhos. Usava uma camiseta preta e uma calça jeans. Físico atlético, provavelmente bem mais alto que ela. E o cheiro do sangue... Era muito mais forte nele do que em outros mortais. Isso não era bom, melhor afastar-se antes que fizesse alguma besteira.
- Hum... - ele havia assustado com o jeito da garota, mas talvez apenas estivesse nervosa, era nova no colégio. - Qual é o seu nome?
- Cecília. - ela respondeu, sem olhar para ele.
- Eu sou Marcos. - ele disse, mas a garota não esticou o assunto. Ele virou-se para frente. O cheiro ainda a incomodava, sentia vontade de pular sobre ele e rasgar suas veias, mas sabia que não deveria revelar esse seu lado vampiresco. Para distrair-se, abriu o caderno e começou a rabiscar algo em uma das folhas. Lembrava-se do Mestre.
- Você sabe as conseqüências de andar a luz do dia, não sabe? - perguntou o homem alto de cabelos louros, no meio do porão empoeirado iluminado apenas por velas. O efeito da luz das velas no rosto do homem fazia com que este ficasse ao mesmo tempo bonito e fantasmagórico. Cecília estava à frente deste, usando um belo e longo vestido branco. O homem a fitava com os belos olhos azul-acinzentados, vestindo uma roupa de gala antiga. Não se mexia, apenas esperando a resposta. Os dois pareciam ter saído de um quadro.
- Sim. - a reposta saiu quase inaudível, uma lágrima vermelha desceu por sua face, ela enxugou-a rapidamente, desviou os olhos do Mestre.
- Seu desejo por sangue ficará muito mais forte, haverá horas em que perderá todo o seu lado racional e passará a agir apenas por instinto. E esse é o perigo. - ele disse, com um brilho estranho no olho. Cecília abaixou a cabeça. - Tanto para nós quanto para os humanos.
- Eu sei. - ela disse, ainda com a cabeça baixa. Uma gota vermelha caiu no chão. O homem a frente da garota abaixou-se em frente a ela, ela abaixou a cabeça ainda mais, afastando-se uns dois passos. - Mas eu preciso fazer isso.
- Cuidado, Cecília. - o homem disse, puxando a garota para si e abraçando-a, que se sentia uma tanto constrangida, sem retribuir o gesto. - E você não precisa fazer isso se não quiser. - ouve-se um estalido na porta, o Mestre olha para trás, num gesto instintivo. - Cecília, pegue isso. - o Mestre coloca um livreto nas mãos da garota. - Fuja, Cecília. Eles nos descobriram. - o homem retirou um lenço do bolso e enxugou as lágrimas que começaram a escorrer pelo rosto de Cecília.
O sinal que indicava o fim da aula soava, os alunos levantaram-se das mesas, arrumavam mochilas e saiam da sala. Cecília permanecia sentada, arrumando calmamente o material. Viu Marcos sair da sala pelo canto do olho. O cheiro daquele mortal causava algo muito estranho nela. Tentou afastar os pensamentos, terminou de guardar o material e saiu da sala.
- Marcos! - a garota de cabelos louro-escuros chamou, trazia um fichário rosa em mãos. Tinha belos olhos verdes, cabelos ondulados que refletiam belamente a luz do sol. Usava uma camiseta lilás e uma calça jeans-clara.
- Elis... Você não veio na primeira aula. - ele olhou a garota, sorriu com o canto da boca.
- Ah, deixe de ser CDF... - a garota empurrou o garoto de leve. - Que tal irmos à quadra? Um monte de gente está lá!
- Mas ainda tem a aula de Matemática... - ele tentou resistir, a garota começou a empurrá-lo na direção oposta.
- Vamos lá... - ela disse, enquanto o empurrava, rindo.
O Mestre empurrou rapidamente a garota para uma pequena porta, a garota agachou-se e entrou no apertado local, com o livreto junto ao peito. Fechou a porta, ouvindo um grande estrondo. Cinco homens entraram no local, o Mestre recuou alguns passos. Um homem ruivo, com uma enorme cicatriz na bochecha esquerda, postou-se a frente dos demais homens.
- Será morto assim como os outros iguais a você. - disse o homem, com uma expressão de claro ódio. - Você é um monstro, uma criatura da noite, sugador de sangue.
O Mestre avançou para cima do homem, e um estampido foi ouvido. O Mestre caiu de joelhos no chão, vendo fumaça saindo do local ensangüentado no braço direito e a dor tomar conta dele depois de tanto tempo. O homem de cabelos louros mostrava sua verdadeira forma: os caninos longos a afiados, as íris vermelhas, a pele muito mais pálida que a de uma pessoa normal. O homem ruivo segurava uma arma de fogo na mão esquerda, apontada para o Mestre.
- Não achou que viríamos aqui despreparados, não é? - e mais um estampido foi ouvido, Cecília, dentro do esconderijo, escutou o grito forte do Mestre. Pensou por um instante em abrir a porta, mas lembrou-se das instruções do Mestre e em como confiava plenamente nela, então deteve-se.
O homem de cabelos ruivos sorriu ao ver o vampiro contorcer-se de dor no chão, revelando dois caninos afiados. O homem louro surpreendeu-se ao ver que o homem também era um vampiro. Um traidor. E foi sua última visão, mais três estampidos foram ouvidos e o sangue sugado anteriormente pelo vampiro espalhava-se no chão, as gotas caminhando em trilhas irregulares. Cecília não pode deixar de sentir o cheiro de sangue, a fome e o desejo tomavam conta dela, mas sabia de conter. Seu Mestre era forte e não morreria tão rápido. Ou talvez ela estivesse enganada.
- Elis é uma garota bem idiota, não acha? - perguntou o garoto ao lado dela, fazendo a aterrissar de suas lembranças. Ela o fitou, sem responder. Ele era um pouco mais alto que ela, tinha os cabelos num tom curioso de castanho claro, onde a luz do sol batia assumia um tom meio avermelhado, os olhos eram azuis e pareciam um tanto instigantes, ele usava uma camiseta azul-claro e estava com um sorriso descontraído no rosto. - Ela e Marcos fazem parte do grupo de bobões que não assiste às aulas e depois ficam implorando por notas. - A garota continuou sem responder, apenas olhando-o, observando os detalhes. Não sabia o porquê, mas achava-o familiar. - Então, como se chama?
- Cecília.
- Cecília? Parece um nome meio antigo não? - disse ele. - Você não tem um apelido ou algo assim? - ela balançou a cabeça, negativamente. - Bom, meu nome é Daniel Mayfair, meu apelido é Dan. Eu estudo a um ano nesse buraco aqui... E como veio parar na nossa humilde joça, digo, escola, senhorita Cecília?
- Não lhe interessa. - e, dizendo isso, virou as costas para o garoto, andando em um ritmo mais rápido que o do garoto, para não poder alcançá-la. Ele segurou seu braço, ela virou-se rapidamente, seu instinto o identificava como um perigo. Conteve-se para não acertar o garoto, as unhas a poucos centímetros do pescoço de Dan.
- Ia me bater, é, Cecília? - perguntou ele. - Pode até me bater, ou mesmo me zoar, mas eu não aceito ser ignorado por ninguém!
- Se acostume, eu não perco tempo com babacas. - respondeu ela, desvencilhando-se do garoto, continuou andando depressa, entrou no banheiro. Foi até a pia e ligou a torneira, apenas para ouvir o barulho da água. O local estava completamente vazio. "Não posso continuar isso, o cheiro do sangue desse humano é tentador também". Olhou-se no espelho, por um segundo, teve a impressão de que a íris havia se tornado vermelha. Uma enorme rachadura surgiu no rosto de Cecília refletido. E de repente, um cheiro forte de sangue invadiu o local.
- Não, Marcos, não se preocupe tanto, é só um pequeno corte. - dizia a garota loura, entrando no banheiro.
Ao abrir a porta, as luzes do local apagaram-se. Viu dois pontos rubros brilharem na escuridão, ameaçadores.
Continua