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Fiction » Thriller » Ernest Adams: ORIGEM font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Goldfield
Fiction Rated: M - Portuguese - Drama/Fantasy - Published: 07-01-09 - Updated: 07-01-09 - Complete - id:2691858

Ernest Adams: ORIGEM

Introdução

Acredito que quase todo escritor possua um “personagem-coringa”.

Sem fazer qualquer analogia com o Batman, estou me referindo a personagens recorrentes nas histórias de um determinado autor, aquela mesma figura que aparece em vários enredos diferentes e acaba logo se tornando bastante familiar para o leitor.

Tenho um personagem assim também. Chama-se Ernest Adams, agente do FBI. E agora lhes mostrarei suas credenciais.

Adams surgiu pela primeira vez em uma história minha em 2002, no conto que levaria à criação da série “Projeto Ares” (até hoje inédita, e que algum tempo depois levou ao surgimento do Sub-Man e suas aventuras). É um dos poucos personagens meus que praticamente não mudaram nada desde sua concepção inicial: Ernest é o típico sujeito misterioso e sério que surge quando quer, ajuda se quiser e parece sempre saber mais a respeito do que está acontecendo do que os outros ao seu redor.

Foi cumprindo esse papel de coadjuvante com destaque que Adams marcou presença em vários de meus contos e inclusive em minha primeira fanfic, “Ares-1 Vs. Nemesis” (Resident Evil), em 2004. Além de retornar ou ao menos ser mencionado em suas duas continuações (“O Patrocínio do Mal” e “Nemesis X”), o astuto agente do FBI deu as caras nas histórias do Charlie Team, ganhou uma fic solo também de Resident Evil (“Raccoon Disaster: Adams’ Cut”, revelando que esteve presente em Raccoon City durante a epidemia do T-Virus) e, atualmente, também integra o elenco de “Death Note: Ressurreição”.

Além disso, na Internet pode ser igualmente encontrado nos meus contos “Sub-Man: O Vingador” e “A Revolução dos Vampiros”, sem contar as obras inéditas minhas que também contam com sua aparição.

No entanto, um grande mistério se conservou a respeito de sua pessoa. Sua real origem sempre foi desconhecida. Apesar da existência de pistas em alguns dos enredos dos quais participou, a verdade a respeito de quem é Adams e quais são seus objetivos sempre permaneceu um mistério.

Até agora.

Esta breve história de origem na verdade é composta por trechos de um conto bem maior, chamado “O Prelúdio de Sub-Man”, que também serve de introdução aos feitos do super-herói. Como tenho sérias restrições ao ato de publicar trabalhos originais meus on-line, recortei e adaptei apenas as partes referentes a Ernest Adams e montei esta narrativa. O leitor perceberá que a proposta original é mais ampla devido às participações especiais de Luck Peterson (o futuro Sub-Man, então ainda na polícia) e Ângela Thompson (que mais tarde será a vilã mutante Viúva-Negra), mas talvez no futuro eu venha a publicar o texto de “Prelúdio” na íntegra.

Por enquanto, fiquem com a origem do sisudo e sagaz agente do FBI. Acredito que várias questões serão elucidadas através desta história e os motivos do personagem ficarão mais nítidos.

Espero que gostem!

Goldfield.

Prólogo

Natal de 1998.

Ela andava sozinha pelas ruas da cidade, vestes negras, mãos nos bolsos. A neve caía sobre seu corpo, fria, mas ela nada sentia. Não era como as outras pessoas.

Sua sombra se projetava sobre os muros, sobre as casas. Ela de quando em quando parava na frente de alguma residência e via as luzes acesas, os enfeites nas portas, as árvores de Natal nas salas. Olhando através das janelas, observava as pessoas ceando, famílias felizes comendo peru e tomando vinho. Mas ela não, ela era diferente...

O vento rugia em alta voz, atingindo seu corpo sem piedade. Ela correu para dentro de um beco para se esconder da força da natureza, fugindo de sua desgraça. Lembrou-se então da mulher que costumava ser, das pessoas que perdeu, da vida que lhe evaporou como fumaça.

Após tocar brevemente seus cabelos negros repletos de pontinhos brancos, ela soluçou com amargura, enquanto uma fria e salgada lágrima escorria por seu rosto tão branco quanto a neve.

Centro de Metro City, EUA. Um mês depois. Início de 1999.

Um homem corre desesperado pelos becos cobertos de neve. Apesar de estar sem fôlego e com as pernas doendo, a última coisa na qual poderia pensar era em parar. Sua vida estava em jogo.

Ele podia ouvir os passos atrás de si, as sinistras sombras de seus perseguidores se projetando sobre as paredes pichadas. O medo havia dominado seu corpo assim como a sensação de frio e cansaço.

Mas, para seu azar, escorregou sobre a neve que forrava o chão da viela...

Seu corpo caiu sobre o concreto num baque violento e doloroso, mas ele praticamente não sentiu. O importante era levantar o mais rápido possível para continuar correndo.

Porém, era inútil. Seu destino já estava selado. As sombras se aproximaram, ganharam forma. E o pobre homem, imobilizado pelo temor, apenas olhava para trás, esperando que a morte chegasse.

Surgiram cinco homens vestindo roupas negras, pele incrivelmente pálida. Eles caminhavam de forma calma, sabiam que seu alvo não poderia mais fugir. Eram seus últimos instantes.

Um dos perseguidores, careca, colocou-se à frente dos outros, sorridente. O perseguido, logo que fitou seu rosto, começou a gritar de horror, como uma presa encurralada pelo caçador. O careca gargalhou alto, e em seguida disse:

-- Smith, Smith... Aonde pensa que vai?

-- Por favor, Baltazar, me perdoe! Eu não o decepcionarei mais, não faltarei com minha palavra!

-- É você quem deve me perdoar, Smith, pois deixei bem claro que não toleraria mais nenhuma falha sua!

-- Não me mate, por favor! Eu estou para me casar!

-- Então acho que sua noiva ficará viúva antes mesmo de tê-lo como marido...

-- Não, Baltazar! Não!

Baltazar se aproximou de Smith, que simplesmente não conseguia se levantar do chão devido ao medo. Ele gritava como uma criança, lágrimas de pavor escorriam por sua face. O careca abaixou-se ao lado do perseguido com aparente ternura, expressão dócil, dando a impressão de que perdoaria Smith...

-- Baltazar?

Mas a compaixão transformou-se em fúria, e Baltazar abriu a boca, exibindo caninos enormes e pontiagudos, com um sinistro brilho vermelho nos olhos. Smith deu um último grito de angústia, e o vampiro enterrou seu braço direito no peito da vítima.

A mão de Baltazar penetrava no corpo de Smith, enquanto rios de sangue escorriam de sua boca. Súbito, o vampiro agarrou algo, que arrancou violentamente de dentro de sua vítima, já morta.

O sangue de Smith tingiu a neve, enquanto Baltazar segurava seu troféu: o coração do mortal, ainda pulsando.

-- Ninguém desaponta Baltazar Dracul, miserável humano!

Os demais vampiros riam ao redor, enquanto Baltazar atirava o coração de Smith dentro de uma lixeira, suas mãos sujas de sangue.

-- Venham, nós ainda temos muito a fazer antes que o sol nasça!

Os cinco vampiros deixaram o beco como se nada houvesse acontecido, enquanto a neve cobria o corpo do pobre Greg Smith...

Continua...


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