
| The words left unspoken
Author: RebeltoAnything Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões" Shakespeare Fixei a página do livro indicado por Nate.Poucos meses atrás eu era apenas uma portuguesa de 17 anos numa small town. Agora, sou a mesma mas unida ao meu amor, um professor de 30 anos.
Rated: Fiction M - Portuguese - Romance/Humor - Chapters: 2 - Words: 2,729 - Reviews: 1 - Favs: 1 - Updated: 12-06-09 - Published: 07-16-09 - id: 2697787
|
|
A+ A- |
No dia seguinte eu acordei 3 horas mais cedo que o habitual, de certeza devido à diferença de horário. Eram por volta de 5 horas de diferença, o que significava que em Portugal já passava e muito da hora de me levantar. Desci para tomar o pequeno-almoço e já todos estavam levantados, sendo que os meus irmãos já estavam a terminar o pequeno-almoço. A minha madrasta tinha uma loja de antiguidades no centro da cidade, mas ao que parece tinha tirado a manha de folga para ajudar-me a resolver os meus assuntos por ali, o que eu aceitei de boa vontade, a cidade era minúscula mas para mim que ainda só tinha feito o caminho do aeroporto ate lá era um mundo por descobrir, desinteressante, mas desconhecido.
-Come rápido que os teus irmãos já estão prontos para irem para escola e tu vais com eles. – disse-me o meu pai vestindo o casaco que se encontrava nas costas da cadeira e dando um beijo a cada um de nós antes de ir para o trabalho.
-Huuum não se preocupem que eu também já estou pronta, é só lavar os dentes. – disse eu enchendo um copo com sumo de laranja e bebendo tudo num só trago.
-É que nem penses nisso. Vou aquecer algumas french tostes para ti, sentas-te, comes como deve ser e depois vamos. – disse Judy (madrasta) prontamente para me servir.
Sentei-me na mesa e esperei então as tais french não sei quantos, mas só por achar que seria uma falta de educação se recusasse. A verdade é que eu não como muito de manha para alem dum copo de leite. Qualquer coisa a mais, ainda por cima sólida deixa-me completamente enjoada.
Assim que eu acabei o meu pequeno almoço, entramos no carro e seguimos em direcção à escola. À minha volta tudo era novo e diferente e era incrível o quanto aquilo tudo igual aos filmes que eu estava habituada a ver. Mesmo o meu pai vivendo tantos anos na América eu sempre pensei que seria mais fácil ele ir de férias para Portugal do que propriamente eu viver ou ate mesmo visitar a terra do tio Sam. Ainda estávamos no verão e fazia um calor insuportável naquele dia, mas já me tinham dito que aquela zona era bastante fria, muita chuva e neve no pico do inverno. Não que os invernos portugueses fossem secos ou algo do género, ainda por cima eu vivia no Porto e não Algarve, mas ainda assim se o inverno português me custava tanto à espinha este então vai-me fazer desejar correr para os braços da minha mãe. Por enquanto eu limitei-me a aproveitar o sol escaldante aquecendo a minha pele bronzeada.
A escola tinha um tamanho razoável, embora só tivesse o rés de chão em termos de comprimento era maior que a minha antiga. A maior parte dos alunos que chegavam tinham carro próprio em vez de serem trazidos pelos pais ou nos famosos autocarros amarelos.
-O Dylan não conduz? – perguntei eu a Judy.
-Conduzia até espetar o carro contra um poste.
-Outch.
Entramos os três juntos na escola e no interior o meu irmão separou-se de nós. As paredes eram todas revestidas em azulejos vermelhos e amarelos, com cacifos cinzentos ao longo dos corredores. No interior reinava uma barulheira infernal enquanto todos conversavam uns com os outros, ou se dirigiam para as aulas. Ao chegarmos à secretaria, já pareciam estar à minha espera, por isso foi necessário só assinar alguns papeis e fazer a escolha das disciplinas. Ao contrário de Portugal, lá, eu só teria dois semestres, o que não servia de consolo visto que mesmo assim eu teria mais tempo de aulas, mas fiquei feliz por não me obrigarem a ter matemática. Até nem foi mal, pelo que percebi o obrigatório são Inglês, História Americana, Educação Física e Ciências Sociais, sendo a última pouco apelativa, mas não me posso queixar. Ainda tinha mais duas vagas para preencher e fiquei bastante confusa com as opções. Nada o que fosse relacionado com ciências eu aceitava, por isso matemática, química e biologia estavam fora de questão. Optei então por espanhol e geografia. No dia seguinte eu já começaria a estudar, mas o dia ainda mal tinha começado e ainda havia muita coisa pra resolver.
Primeiro fomos às compras, precisava de livros e materiais escolares. Depois almoçamos no bar do meu pai, onde tive de ser apresentada a uma quantidade surpreendente de labregos, mas que pareciam ser amigos muito chegados do meu pai.
-Tens carta de condução? – perguntou-me a minha madrasta.
-Ham, nem por isso. Em Portugal só é permitido a partir dos 18 e eu ainda só tenho 17.
-Então tens de te inscrever numa escola de condução. Vais ver que é fácil, os nossos carros são automáticos.
Judy e eu passamos a tarde inteira nas compras, ela apresentou-me cada canto da cidade por onde passávamos e fomos também a uma cidade vizinha e maior pois ela queria comprar-me alguma roupa que eu aceitei de bom grado. Os americanos não têm muito bom gosto para a roupa, mas eu sempre pensei que fosse por falta de opção, bom é exactamente o contrário, eles têm roupas como nós, vestem-se daquela forma por preferência à loja do Manel da esquina.
No final do dia, regressamos a casa com as mãos cheias e eu resolvi ajuda-la no jantar como forma de agradecimento. A minha mãe sempre me disse que eu era um desastre na cozinha, mas como se diz por aí "a intenção é que conta".
--------------------------------------------------------- x --------------------------------------------------------------
Primeiro dia de aulas. Custou-me um pouco mais a levantar-me, mas estranhamente eu sentia vontade de ir para a escola, talvez vontade não seja a palavra indicada, curiosidade aplicava-se melhor a situação. Eu começava a ver aquela situação de bom grado. Sim, é verdade, aquela cidade não tinha nada a ver comigo e era o último lugar do mundo que eu escolheria para estudar, mas aquela família que sempre foram apenas nomes para mim esforçavam-se de tal maneira por me deixarem satisfeita, que eu sentia-me mal em comportar-me como uma pobre e mal agradecida.
Naquela manha o Dylan parecia extremamente feliz, depois percebi que ele iria receber o velho carro do pai, embora tenha as minhas suspeitas de que a minha chegada tenha influenciado essa decisão. Afinal de contas os meus pais trabalhavam e era muito mais fácil para o meu irmão andar para cima e para baixo comigo.
-------------------------------------------------------- x -----------------------------------------------------------
Atravessava os corredores da escola em passadas rápidas enquanto olhava para os cacifos à procura do número que correspondia à letra irregular do papel. Não conseguia nem por alma de nenhum santo perceber se aquilo era um 24 ou um 29, mas apostei no 24 pois o ultimo número tinha uma leve abertura na parte superior. Se não fosse, então só restava mais uma hipótese. Inseri a palavra-chave no cadeado e voilá. Atirei os livros lá para dentro, deixando apenas o calhamaço de inglês nos braços, pois seria a minha primeira aula.
Encontrava-me tão imersa na confusão que tinha nos braços que não tive a atenção de olhar para a frente fazendo com que me esbarrasse num casal que conversavam encostados a uma parede. A rapariga ela loira e alta, tinha o cabelo todo apanhado atrás em um rabo-de-cavalo e lançava-me um ar arrogante como se eu fosse uma obesa e que o corredor não era suficiente para mim fazendo-me esbarrar nos outros. O rapaz à sua frente vestia um daqueles casacos de raygbe, tinha um ar adorável, embora o seu corpo fosse extremamente masculino e não parecia assim tão incomodado com a minha presença. "Fantástico… os filmes definitivamente não mentem". Eu encarei de frente e pedi desculpa em um tom tão arrogante quanto o olhar que ela me lançava seguindo depois em frente e entrando na sala.
A aula já tinha começado e o professor só pareceu dar pela minha presença quando eu já estava sentada, fazendo-me levantar novamente e apresentou-me para a turma. A minha presença ali não parecia ser novidade para ninguém, afinal as notícias corriam no meio de pessoas que se conhecem todos uns aos outros, além disso eu vinha de um país diferente o que fazia com que eu fosse uma atracção no meio deles.
-Well… I'm William, and I'm your English teacher… welcome. Don't waste my time and open your book on page 32.
Eu apenas fiz um aceno de cabeça e abri o livro onde ele tinha dito. Pelo sotaque ele definitivamente não era americano, mas sim britânico ou algo do género (mais tarde vim a descobrir que era escocês para ser mais correcto), ao que parece ele era novo na escola e quebrava corações entre as alunas com o seu cabelo escuro, olhos verdes, arrogância charme e… O sotaque.
-Hey… my name is Farrah. Nice to meet you.
-Tânia. Nice to meet you too.
Farrah. O primeiro contacto permanente que eu fizera. A simpática rapariga com origens latinas, pertencia à claque e era bastante comunicativa, Nos dias que se passaram ela convidava-me sempre para almoçar com ela e as amigas e por vezes saiamos a tarde para fazer compras ou dar umas voltas na cidade próxima. Mas isso são trivialidades, o que precisam mesmo de saber é que aquela cheerleader tornou-se a minha melhor amiga durante a minha estadia.
|
||||||