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Fiction » Horror » Nightmare
Gabi Black Moony
Author of 3 Stories
Rated: T - Portuguese - Horror/Romance - Published: 08-12-09 - Complete - id:2708568

N.A : Oneroi na mitologia grega são filhos do deus Hypnos (sono), irmão gêmeo de Thanatos (morte). Esses sonhos são Icelus, Morpheus, Phobetor e Phantasos. As informações contidas nesta fic sobre os Oneroi foram tiradas em parte do livro "Phanton Lover" de Sherrilyn Kenion (sendo o personagem aqui descrito mais como um Skoti, que são seres que tiram sua energia dos sonhos alheios) e a outra parte da minha própria imaginação.

Aos amantes de histórias de amor trágicas e de terror, boa leitura.

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Nightmare

No entanto,todo homem mata aquilo que adora,
Que cada um deles seja ouvido.
Alguns procedem com dureza no olhar,
Outros com uma palavra lisonjeira.
O covarde fá-lo com um beijo,
Enquanto o bravo o faz com a espada!

Uns matam o próprio amor quando ainda jovens,
Outros o fazem na velhice;
Uns estrangulam com as mãos da luxúria,
Outros com a mão de Ouro,
O que é bondoso faz uso do punhal,
Porque a morte assim vem mais depressa.

Uns amam pouco tempo,outros demais,
Uns vendem,outros compram;
Alguns praticam a ação com muitas lágrimas
E outros sem um suspiro,sequer:
Pois todo o homem mata o objeto do seu amor
E, no entanto, nem todo homem é condenado à morte.

Oscar Wilde

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A base de pedra da casa branca em frente ao mar sustentava contra qualquer intempérie ou tempestade. Pena não poder sustentar seus habitantes contra as ameaças humanas também, pensava o investigador da polícia enquanto olhava a cena do crime. A vitima, uma mulher morena de trinta e poucos anos tinha recebido pelo menos sete punhaladas nas costas com a tesoura com que aparentemente vinha recortando noticias sobre pessoas famosas no jornal.

Suspirou com o que classificou como um desperdício. Mesmo depois de vinte anos na policia era essa a sensação que tinha toda vez que ia até uma cena de crime e se deparava com uma imagem tão brutal. Ordenou a retirada do corpo e foi explorar o resto da casinha. Ficava apenas no andar térreo e tinha uma atmosfera bastante feminina com cores pastel e renda aqui e ali. Sua esposa iria gostar da decoração.

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O velho homem que vagava pela casa não podia imaginar os eventos que culminaram naquele assassinato brutal. A criatura nas sombras atrás dele sabia, e aliás, fora ela mesmo a responsável por aquilo. O homem não podia vê-la, afinal não tinha mesmo uma forma corpórea.

A criatura não tinha uma forma definida, podendo se tornar tudo aquilo que a imaginação humana permitir. Era do que a criatura se alimentava: Criatividade, imaginação. Gostava de se infiltrar nos sonhos alheios, principalmente dos mais imaginativos.

Não sentia emoções, com excessão da dor. A única forma de sentir era pelos sonhos humanos.

Havia outras criaturas como ele, mas todos os outros se limitavam a visitar os sonhos alheios e logo partir.

Ele não. Fizera a descoberta que se conseguisse reunir energia suficiente poderia tomar qualquer forma animal por algumas horas.

Algum tempo atrás ele não gostava de gastar tanta energia por algo desnecessário. Antes de se apaixonar por ela.

Os sonhos dela eram especialmente vívidos. E depois de se alimentar dos sonhos dela ele não quis mais partir.

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Era uma moça bonita mas que não tinha muita sorte no amor. Seus sonhos giravam em torno das rejeições que sofria e fantasiava que seus ex-namorados pediam perdão e imploravam por não poderem viver sem ela.

Patético para os humanos mais críticos, mas um prato cheio de emoções para um Oneroi. Ficara viciado nela. Na sua colorida imaginação. Ela se tornou tão preciosa que tomou especial cuidado para escondê-la de seus irmãos.

Primeiro apenas assistia aos sonhos dela, não interferia, apenas desfrutava das emoções que ali brotavam em abundância. Sentia tristeza quando ela chorava, exultava junto com ela e até ria com a alegria dela.

Ela. Ela. Ela. Aos poucos ela foi se tornando o centro da existência dele.

Passou a acompanhá-la também quando estava acordada.

Ia junto até o trabalho dela. Era uma garçonete de um restaurante de periferia, não tinha um bom salário, mas por enquanto teria que servir. Não precisava pagar o aluguel da casa que havia herdado dos pais, mas gostava de roupas bonitas, e de preferência, de grife.

Se ele pudesse sentir, pensava que sentia irritação cada vez que um dos clientes a paquerava. Pois, afinal, ela agora lhe pertencia, não havia mais ninguém que a entendesse melhor do ele, o Oneroi.

Depois de alguns meses os sonhos lacrimosos, nos quais chorava pelo último namorado, diminuíram gradualmente. O ex-namorado foi substituído por um homem loiro alto, de ombros largos, olhos azuis, sedutor e romântico, que vinha e num passe de mágica resolvia todos os problemas dela, dava os mais finos presentes e a levava embora para sua mansão.

Mais clichê que isso impossível. Mas o Oneroi se divertia e por brincadeira resolveu interferir no sonho. Já estava farto de observar e não quis pensar nas possíveis conseqüências.

No sonho ele se tornou o príncipe dela. E ela o amou e mimou.

Ah, o sublime amor. Já tinha capturado a sensação nos sonhos de outras pessoas, mas nunca tinha sido dirigido a ele. Isto a tornava ainda mais deliciosa.

E enquanto ela se apaixonava ele fazia o mesmo quase sem não perceber.

Já estava reunindo energia suficiente para se tornar humano. Ela agora era como uma febre para ele,que não conseguia se livrar.

Tinha que tocar nela, sentir seu cheiro, a textura da sua pele... Sentia-se morrer quando pensava na hipótese dela encontrar outra pessoa e deixar de sonhar com ele. Ele lhe daria um motivo concreto para continuar sonhando.

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Antes que ele pudesse tomar qualquer atitude aconteceu o que ele temia.

O homem, um novo garçom do restaurante, depois de vários convites recusados finalmente conseguiu levá-la para um encontro. O jovem conquistador a encantou.

Pouco a pouco, os sonhos com o príncipe louro foram sendo substituídos pelos sonhos com o outro homem.

Neste momento se o Oneroi tivesse prestado atenção teria percebido o milagre. Ele podia sentir!

O ódio não é uma emoção agradável de sentir. Corrói por dentro e não nos deixa raciocinar com clareza. Mas para alguém que não podia sentir absolutamente nada, já seria alguma coisa.

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Na noite de folga dela, na qual ele sabia que ela estaria em casa fazendo recortes, assumiu a forma do príncipe louro dos sonhos e bateu à porta dela. Ela abriu a porta e pareceu absolutamente assombrada de olhá-lo parado ali na soleira de sua porta. Ela o deixou entrar ainda em estado de choque e curiosa em saber por que aquele homem lhe era tão familiar e viera à sua casa.

Ele sentou-se no sofá e olhou a mesinha de centro, com as figuras recortadas e o brilho metálico da tesoura.

Ela perguntou que ele fazia ali. Ele lhe disse toda a verdade: era um Oneroi e a queria para si, amava-a, daria tudo que ela quisesse e não gostava do novo amigo dela. Ela primeiramente não acreditou, e depois, ficou horrorizada.

A dor, velha conhecida dele, fez-se sentir e ajudou a aflorar a nova emoção, o ódio. Ele não pensava em mais nada além dela rejeitando-o e ao amor que oferecia, não entendia, ela implorara por ele e agora isso?

Agarrou a tesoura e partiu para cima dela. Não parou até ficar ofegante e sentir as mãos molhadas com o sangue dela. Sentou-se no chão e esperou até acabar o prazo do seu corpo humano. Pouco antes de desaparecer chamou a polícia, certo que nunca poderiam por as mãos no assassino. Sorriu sem sentir nada realmente.

Mas nesta noite descobriu mais uma emoção: o prazer da vingança.

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