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Author of 3 Stories |
The Siren
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A lady with a violin playing to the seals
(Uma dama com um violino tocando para as focas)
Heartken to the sound of calling
(Atendendo ao som do chamado)
E ela ouvia o clamor do vento, como se estivesse chamando-a, atraindo-a para o oceano. A velha mulher de olhos fechados tocava um violino sentada nas rochas à beira do desfiladeiro.
Pensava em sua história e no amor que perdera. Nunca superara a perda dele e não podia evitar uma certa amargura.
Vivia numa velha cabana decrépita e o pai sustentava a casa com o dinheiro que ganhava com a pesca. A velha esposa morrera no parto da primeira filha e o pescador não se casou novamente, e mesmo que quisesse, não tinha muito dinheiro para que fosse um bom partido. Assim viveram os dois por vinte e três anos até que o velho sofresse um acidente e não pudesse mais se mexer. A partir daí coubera à filha o pesado encargo, e como tinha alguma habilidade na cozinha, pode cumpri-lo.
Sabia que não poderia mais se casar, nenhum homem se casaria com um noiva pobre, sem dote algum.
Em seus momentos de lazer gostava de sentar-se numa rocha à beira do mar ou mesmo na areia e ficar sonhando acordada e aspirando a fragância que subia com a maresia. Era assim que recuperava a energia e se preparava para o próximo dia de trabalho pesado.
Quando em criança, um homem culto do vilarejo a ensinara a tocar violino e mais tarde lhe dera um de presente. E enquanto se refrescava com a brisa que vinha do mar podia-se ouvir a música do violino.
Foi a primeira impressão que o selkie teve dela, foi o que o atraiu. A música. Era de conhecimento geral que todos os sereianos amavam música, com este não foi diferente.
Ao término da música ela abriu os olhos e deparou-se com ele ali, metade despido da pele de foca, olhando sorridente para ela. Ela o olhou embevecida por vários minutos até que ele pediu: Toque mais uma.
Como ela poderia resistir ao apelo dos olhos tão claros e límpidos? Passou a tocar novamente não querendo se despedir do belo moço.
Quando ficou escuro ela olhou para os lados e lamentou não poder adiar mais a partida. Ele a olhou como se compreendesse seus pensamentos e lhe beijou levemente nos lábios: Te espero amanhã. Piscou o olho travessamente e voltou para o mar.
Who tied my hands to the wheel?
(Quem amarrou minhas mãos na roda?)
The zodiac turns over me
(O zodíaco revira-se sobre mim)
(come to me)
(Venha para mim)
Nas semanas que se seguiram ela voltava todo o dia para a praia. Para o seu selkie.
E a cada minuto enamorava-se pelo selkie. Toda noite que chegava em casa via a condenação nos olhos do pai, e como ele não podia articular uma palavra ela evitava seus olhos. Sabia que estava errada mas não podia se deter.
Depois de refletir por dias a fio resolveu toma-lo para si de uma vez por todas. Iria roubar sua pele de foca. Atraíra-o para um abrigo de madeira e o drogara, depois que ele adormeceu ela pegou sua pele de foca e a escondeu enrolada em um bau dentro de uma caverna ao pé do desfiladeiro.
Primeiramente ele ficara furioso por ter sido logrado. Apenas se acalmou depois que ela tocou para ele. Ela estava exultante por tê-lo agora para si e mais tarde ela manteria entesourada a lembrança dos meses que passou com seu selkie.
O único que nublava a felicidade de seus dias era o descontentamento dele e aquilo estava sendo demais para ela.
Convenceu-se de que não a abandonaria se lhe devolvesse a pele. Ele a amava, não? Já era tempo.
Doce ilusão. Ele se fora e não aparecera nem quando ela voltara a tocar a gaita a beira do mar. Ela insistiu em voltar lá dias a fio e espera-lo. Ele nunca voltou.
Mas só desistiu de espera-lo durante uma tempestade em que a chuva encharcara seus cabelos e o vento os grudara em seus rosto, do topo do desfiladeiro observava o mar revolto, no qual as ondas chegavam a uma grande altura.
Era como se zombasse dela e sua pretensão de ser amada por um selkie. Odiava ao mar por que detinha o coração dele. Tinha certeza de que nunca mais o veria agora que o tinha deixado pegar sua pele se foca e escapar para o mar.
As lágrimas arderam em seus olhos mas a mulher não permitiu que escorressem, já havia se permitido chorar na solidão da sua cabana e já era mais que o suficiente. Seu pai a criara para ser uma pessoa forte e se começasse a chorar novamente não sabia se conseguiria parar.
Somewhere there my fate revealed
(Algum lugar lá o meu destino revelou)
I hear but how will I see?
(Eu escuto mas como irei ver?)
Bem que foi avisada de que não deveria se apaixonar por alguém do povo das fadas. Era certo o desastre. Mas não faria como as mulheres idiotas dos casos que chegaram a seus ouvidos, não se jogaria ao mar como todas elas. Já tinha chegado de bancar a idiota, não tinha só ela em quem pensar. Apesar de às vezes ter a impressão de ver uma grande foca nadando por entre as rochas enquanto ela sentava-se perto das ondas e tocava a gaita. Ficava feliz em pensar que seu selkie voltava apenas para ouvi-la tocar.
-x-
N.A: Selkies são criaturas mitológicas do folclore escocês, similares às sereias. Têm uma pele de foca, sem a qual não podem voltar para o mar, se alguém quisesse um selkie como esposo teria que roubar sua pele e esconder; segundo a crença também são apaixonados por música.
Tive a idéia desta fic depois de haver lido "Enfrentando o fogo" de Nora Roberts e a história da Mérope Gaunt e Tom Riddle Sr. Não ficou muito grande, mas espero que gostem. Obrigada à minha gêmea Nany Dark por me incentivar a postar.
E a música The Siren do Nightwish se encaixou perfeitamente. Bem, quase, apenas uma pequena mudança. A tradução foi tirada do Terra Letras de música.
Angelic Kiss
Gabi Moony/ Arashi Kurotsuki