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Disclaimer: A Morte talvez não seja uma Morte original, porque eu estava começando a ler Sabdman na época em que escrevi. Mas, sabe... Morte é de todos.
Shippers: Lord Byron x Morte
Categoria: Romance, Drama
Classificação: Livre
Beta Reader: Não foi betado
Sinopse: "Não esperava visitas, muito menos a visita dela. Mas a Morte tem essa mania de aparecer de surpresa."
Ode a Morte
Eu escrevia naquele fim de tarde, como sempre escrevera em todos os fins de tarde desde onde minha memória alcança. Não esperava visitas, muito menos a visita dela.
Mas a Morte tem essa mania de aparecer de surpresa.
Chegou por trás, sem que eu percebesse, daquele seu jeito meio misterioso, e soprou algo em meu ouvido.
- ...tristeza...
Pulei da cadeira, e olhei assustado para ela. Pálida, toda de preto, mas com aquele sorriso tão lindo no rosto, aqueles olhos românticos, aquele jeito todo belo de ser e não ser. Confesso que estou apaixonado pela Morte.
- A tristeza é muito simples, minha querida... – murmurei, lhe sorrindo.
- A tristeza é muito pura, muito branca, como a neve. Não é isso que quer?
Sim, era isso que eu queria. Sentei-me novamente e novamente me pus a escrever, desta vez vigiado de perto por minha adorável companheira sombria, quase silenciosa, que se fazia sentir apenas pelo frio aquecido que emanava da pele.
- É uma bela história, George.
- É a única que agora se atreve a me chamar assim, querida. Sou conhecido unicamente como Lord Byron agora.
- Para mim é George, e será sempre George.
Sorri. Gostava desta intimidade com ela. A Morte consegue ser estranhamente acolhedora.
- Esqueça a história, querida. Prefiro passar algum tempo contigo.
- ...creio que devia terminar.
Seus olhos brilham em minha direção, e então entendo, num relance lúcido de consciência do futuro. Então está será sua ultima visita...
- Já?
- Deveria ser antes, mas gosto de teus escritos. Termine-o, por favor.
Obedeço, que mais me resta fazer? Não se pode contrariar a Morte, por mais doce que seja seu olhar. Mas de qualquer modo, desejei-a por muito tempo, e agora tenho a certeza que finalmente a terei.
Termino o conto. É belo, é triste, confortável e frio. É para ela, um Ode a ela... como sempre foi.
- Esta aqui, querida, é seu. – entrego a ela o manuscrito, mas a Morte se recusa a toca-lo.
- Não é meu, George. Eu não posso leva-lo comigo, posso levar apenas você.
- ...está bem, se é assim que deseja... – me levando, e toco sua pele branca. É quente, quente como lagrimas.
- Agora poderei ter você?
- ...pode, querido George. Por uma vez você pode me ter.
Então sinto frio, muito frio, quando ela me pega pela mão. Mas é apenas por um segundo. Ela sempre foi gentil comigo.
E a Morte me leva, para podermos nos amar, apenas uma vez.