
Antes de se conhecer o amor, ainda não se viveu plenamente. Mas depois que se conhece á pessoa amada parece que viver longe de quem se ama é só uma vida vazia, uma vida incompleta. Por isso ela voltou para ele do mesmo modo que estava quando ele havia partido, pois só com sua alma completa ela poderia viver.
Rated: Fiction T - Portuguese - Romance/Drama - Chapters: 15 - Words: 37,878 - Reviews: 10 - Updated: 07-17-12 - Published: 06-11-12 - id: 3031195
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1° Capitulo - Aposta
- Gui -
Festa Fantasy;
Pra variar minha mãe foi viajar. E pra descontrair eu vou dar uma festa!
Espero que todos compareçam em minha humilde residência nesse Domingo às 20h00min. Convide todos os seus amigos!
Obs. O nome da festa é Fantasy, por tanto fantasia é obrigatória!
Postei no meu Facebook, anunciando a festa que eu daria.
Sarah, Bruno, Marinho e Juan me ajudaram a organizar tudo. Faltavam duas horas para o início da festa e já estava tudo pronto, só faltava o DJ chegar.
-Gui a gente está indo lá. Quando der á hora da festa começar nós estaremos aqui sem falta. – falou Bruno.
-Tá, só não demora que se não eu vou atrás de vocês.
-Impossível a gente demorar mais que você. Até eu me arrumo mais rápido, você é pior que uma moça. – disse Sarah.
-Tá garota... Fica quieta por que ninguém pediu a sua opinião. – eu não gosto de Sarah, então sempre que tenho uma oportunidade faço questão de humilhá-la, ela merece. –Vocês vão vir fantasiados de quê?
-Surpresa, mano. Quando a gente chegar você vai ver. – falou Marinho. Arqueei a sobrancelha.
Quando o DJ chegou não estava vestido a caráter, acho que ele queria me irritar!
-Cara, cadê a sua fantasia? É obrigatória até mesmo para o DJ, sabia? – eu o repreendi. Eu já tinha falado isso antes.
-Minha fantasia ta na mochila. – disse ele apontando para as costas, onde sua mochila se encontrava. –Vou me fantasiar de Homem-bumerangue.
Eu quase morri de rir ao imaginá-lo com aquela fantasia, ficaria ridículo. Bruno, Sarah, Marinho e Juan voltaram logo após o DJ chegar. Bruno estava fantasiado de Batman, Sarah de Mulher-gato, Marinho de Capitão Gancho e Juan de Homem–Cicatriz. Eu ainda nem havia me arrumado.
-Porra cara, você ainda não se arrumou? – perguntou Juan.
-É claro que eu me arrumei, não está vendo? Vou ficar com a mesma roupa que fiquei o dia inteiro arrumando as coisas pra festa. Eu gosto de me sentir sujo, por isso me arrumei assim que levantei da cama. – fiz cara de ironia. –É obvio que eu não me arrumei! Para de ser jegue moleque.
-Guilherme... Um poço de amor e doçura. – disse a irritante Sarah. Eu a ignorei.
-Mas eu estou indo me arrumar agora, vocês seguram as pontas aqui pra mim enquanto isso? Pelo menos até o Diogo chegar.
-Ué... Por que nosso empresário vai tomar conta de uma festa sua? – disse Bruno enquanto ruía o pouco da unha que tem e Sarah o reprimia com uma tapa na mão dele.
-Por que sou eu quem paga o salário dele?
-Ah sim claro, esqueci desse detalhe. – Bruno concluiu.
Tomei um banho rápido. Minha fantasia já estava escolhida e seria de astro do rock anos 60. Quando acabei de me arrumar, já eram 20h30min. Já deveriam ter chegado todos os convidados. Quando cheguei ao pé da escada, todos gritaram. Havia gente que eu nem conhecia, mais estavam todos me esperando para a festa começar. Pude ouvir "Gostoso!", "Tesão" e afins. Provavelmente vindo da boca dessas menininhas desprezíveis, que geralmente só servem para me fazer relaxar.
Eu havia combinado com o DJ que a primeira música a tocar seria We made you - Eminen. E como minha palavra é lei, assim foi feito.
Eu nem conseguia andar na minha própria casa, estava uma montoeira de gente. Fui para o canto onde se encontravam o pessoal, uma espécie de área vip improvisada. Cheguei lá e abrimos uma garrafa de Big Apple. Tomamos uns dois ou três copos enquanto dançávamos e nos divertíamos. De repente passou uma garota vestida de vampira que parecia uma gótica, uma gótica muito gostosa por sinal.
-Aquela é a Thamires? Thamires! Oh Thamires!
-Para de gritar no meu ouvido demônio.
-Foi mal Gui. É que aquela garota que acabou de passar aqui, vestida de vampira, parece com uma menina da minha sala, só que ela vive falando que não gosta de você, por isso comecei á gritá-la. Achei estranho ela estar aqui mesmo não gostando de ti, assim eu teria mais um motivo para zoar aquela esquisita. – eu ri de seu comentário.
-O que você disse Sarah? Uma garota que não gosta dele? É impossível uma garota não gostar dele! – Bruno exclamou. –Não dê ouvidos pra ela véio, é que eu bati muito firme com a cabeça no céu da boca dela antes de vir para cá, acho que ela ficou tonta.
-Não, é possível sim uma garota não gostar dele. – Marinho se intrometeu. –Você acha que o Guilherme é o fodão da estrela? Pica das galáxias? Tem muita garota que não gosta dele pelo jeito marrento e arrogante dele de ser. – ele me encarou. –A minha irmã, por exemplo, é uma que não gosta. E tipo, não é que ela não goste, ela simplesmente te odeia. – ele riu e eu balancei a cabeça negativamente.
-Duvido que se eu quisesse ficar com a sua irmã, ou então até mesmo com essa esquisita da sala da Sarah, elas não iriam negar meu beijo. – eu disse arqueando a sobrancelha.
-Cara, você é muito convencido. – Sarah ironizou. – Acho que você não é o tipo da menina da minha sala. – disse ela dando uma tapinha nas minhas costas.
-Ele é o tipo de qualquer garota! Eu sei que isso vai ser meio gay, mas ele é lindo cara! Se eu fosse mulher dava pra ele! – Juan quase gritou, se intrometendo no assunto repentinamente. Eu ri.
-Já que você é assim tão maravilhoso, vamos ver se você consegue ficar com ela em sete dias. – disse Marinho, duvidando de minha capacidade.
-Já é. – disse Bruno. –Eu aposto mil reais contigo que ele panha.
-Ahm? Tá maluco Bruno? Eu nem conheço essa garota, e se ela for o cão chupando manga eu é que me fodo né?
-Ué... Se vira! Meu namorado apostou mil reais por sua causa.
-Já estou até vendo a merda que isso vai dar. – disse Diogo, nosso empresário.
-Eu também Diogo, mas a minha opinião pouco importa aqui pelo que estou vendo.
-Apostadíssimo. – disse Marinho bebendo mais um gole de sua mistura louca de bebidas. – Mas oh, não é só ficar não, terá que transar com ela.
-Em sete dias? – eu perguntei com o olhar desafiador como quem diz "Só isso?". – Moleza! Mas preciso de duas semanas. E o que eu vou ganhar com isso?
-Não! Não é moleza? Você não é o pica de ouro? Então você não precisa de nem um dia a mais. Você divide o dinheiro com o Bruno. – disse Marinho me desafiando de modo arrogante.
-Dez dias após o show. – disse eu impondo minha preferência, me referindo ao o show que ocorrerá na quarta-feira, dia dezoito.
-Sete dias após o show. – disse Marinho cedendo um pouco.
-Então está fechado. Se eu ganhar você nos dá dois mil, mil pra cada um. Mas se perdermos te daremos dois mil, mil cada um. – disse Bruno. –E eu acho bom você ganhar essa aposta pra mim em seu filho da puta!
-Acho muito difícil o Guilherme perder essa aposta. Se você quiser, eu posso apostar com você que ele te ganha. – disse Juan para Marinho.
- Thami -
Mais uma segunda-feira irritante na escola. A mesma portaria, o mesmo porteiro e as mesmas pessoas chatas. E o pior, todos comentariam sobre a maldita festa na casa do Guilherme Delford.
Todos os dias eu passava pela casa de Nina para irmos juntas ao colégio. Nina adorava conversar sobre garotos desnecessários. Coisa que geralmente me irritava. Mas hoje ela resolveu me perguntar, enquanto íamos pra a cantina comprar meu sanduiche:
-Por que você acha os garotos do colégio idiotas e repugnantes?
Imediatamente apontei para uma roda de meninos que mais pareciam babuínos, balbuciando em bando. Lá havia, em média, nove garotos e todos os dias eles faziam as mesmas piadas ridículas. Chegou lá um retardado com caderno debaixo do braço, que falou:
-Quem quer que a Gina vá embora diga, vá Gina!
Os outros, idiotas, gritaram:
-Vagina!
Depois todos riram da piada ridiculamente sem graça. Nina riu. Eu balancei a cabeça com ar de reprovação.
-Não são só os do colégio. – eu disse de boca cheia.
Continuamos a conversar, e eu a comer meu sanduiche. Olhei para a portaria, e vi Guilherme Delford e seus fieis escudeiros: Sarah, uma garota de minha sala, e Bruno, melhor amigo de Guilherme e namorado de Sarah. Eles ficavam para cima e para baixo, de um lado para o outro, grudados em Guilherme. Pareciam sombras vivas, isso me enojava.
Guilherme era o garoto mais ridículo do colégio, e olha que a escola era grande! Ele era reverenciado, literalmente, e adorado pelas pessoas. Ele era considerado um Deus grego entre as meninas e o maior pegador de todos os tempos, entre os meninos.
Ele tinha uma banda emo chamada Éros. Um nome muito brega, que foi ele que escolheu, por ser o fundador da banda, além de vocalista, claro. Acho que Bruno também é de sua banda, se não me engano guitarrista. Sua banda havia apenas começado, mais era o bastante para as garotas se derreterem.
Quando Nina reparou para onde eu olhava, desviei meu olhar rapidamente.
-Odeio esse garoto. – sibilei.
-Ele é a mistura perfeita de Dean Winchester e Damon Salvatore! Um Deus grego entre as meninas. É impossível uma garota normal não gostar dele. – disse Nina, confirmando meus pensamentos.
-Pois é. Mais quem lhe disse que eu sou normal? – eu sorri com a boca ainda cheia de atum do sanduiche natural.
-Vai mutante! – Nina zoou. E eu voltei á atenção pro meu alimento. Matar a fome da minha lombriga era mais importante do que prestar atenção naquele grupo de retardados.
-Amiga, ele é tão lindo. – por que ela continuava insistindo nesse assunto?
-Não se iluda.
-Por que "Não se iluda"? Ele por acaso tem namorada?
-Não, mas já encontrou o amor da vida dele.
-Quando? Onde que eu não sei.
-Hoje de manhã quando se olhou no espelho!
- Gui -
-É aquela ali. O nome dela é Thamires. – disse Sarah, apontando para uma garota morena com cabelos enrolados e compridos. Ela tinha um corpo tão avantajado que foi praticamente impossível não pensar em como seria bom cumprir aquela aposta.
Eu já havia visto aquela garota algumas vezes. Ela me observava de longe, mas não era com tanta frequência. Mas nunca chegou perto pra me apreciar como as outras. Eu era considerado uns dos caras mais populares do colégio, devido a minha conta bancaria e a minha sutil beleza. Então, consequentemente, todas chegavam perto demais, ultrapassavam limites... Mas ela não, mantinha uma distancia confortável, que eu não estava acostumado a ter. E se eu realmente quisesse ganhar, isso tinha que mudar. Ela tinha que prestar atenção em mim como todas as outras, ainda mais agora, meu ego estava em jogo e dois mil reais também. Não fazia sentido alguém não gostar de mim. Eu nunca precisei me aproximar de alguém, tudo vinha naturalmente. Essa, definitivamente, seria uma tarefa difícil, ou não.
-Esquece essa garota, cara. Ela é estranha. - Sarah resmunga.
-Você está maluca? Ela vale dois mil reais! Você tem noção do que é isso? – ela me olhou como quem diz "Ih dai?". –Esqueci que você não sabe contar. Tive uma idéia, segura aqui. – eu disse a entregando o meu violão.
Fui em direção àquela menina com um sorriso que se alastrava em meu rosto. Sai apressado, pois o sinal já iria tocar, mas o sinal tocou antes mesmo que eu pudesse me aproximar. A vi andar em direção à escada. Apertei o passo até chegar nela e disse:
-Oi. –ela me olhou, como se pensasse "What hell?".
-Tchau. – ela disse passando por mim, como se eu não estivesse ali, como se eu fosse simplesmente uma estatua esculpida por Deus. Eu levantei minha sobrancelha não entendo nada.
- Thami -
-Aquele garoto é normal? – eu perguntei a Nina quando ele se afastou de nós.
-Não, desde quando uma pessoa com aquela beleza é normal? Ele é simplesmente PER-FEI-TO! Não tem nada de normal nele. Eu sabia que você também acharia isso um dia. – ela sorriu.
-Vou deletar seu comentário dos meus pensamentos. E você precisa rever seus conceitos de "normal" e "perfeição".
Fomos para a sala, atrasadas como sempre. Agora eu tinha a aula mais chata, matemática, um inferno em forma de matéria escolar.
- Gui -
Eu não entendi por que ela me olhou daquele jeito. Será que sou tão insignificante assim? Pensei nisso enquanto ia para sala. Agora eu terei aula de teatro com a professora Elizabeth, apelidada carinhosamente de Beth. Cheguei lá meia hora atrasado, mas era tão normal que os professores já nem se importavam. Eu e Bruno nos sentamos um ao lado do outro no mesmo lugar de sempre.
Bruno chegou perto de mim e disse:
-Não vai ser tão fácil assim não é? Já estou até sentindo o cheiro de grana viva saindo da minha mão! – ele falou furioso. Eu estreitei meus olhos.
-Já mandaram você pra merda hoje?- eu disse, ironicamente. Ele riu ainda furioso.
-Não me convidaram para ir a sua casa ainda. Mas se convidarem você vai ser o primeiro a saber, afinal você mora lá. – ele disse tentando me ofender de alguma forma, que não funcionou.
-Pois é né? Noite passada você foi à merda e ainda se lambuzou! Que porra de merda é essa que todo mundo gosta e ainda pede mais?
-Nós iremos fazer uma peça com o pessoal do segundo ano, a turma 2108. O tema é romance, mas a encenação será livre. Eu me juntei com a professora Lucia e as professoras de redação de vocês para fazer esse projeto de meio de ano. Vocês criarão ou copiarão uma poesia/poema para entregar a professora de vocês. Vocês poderão apresentar o que quiserem. As redações serão postas na peça e quem interpretar a própria redação terá a chance de ganhar um papel. Detalhe valerá ponto. - disse a professora.
Imediatamente tive outra idéia. Um plano que me pareceu ser infalível, e com certeza era. A professora continuou a explicar o trabalho, mas eu nem prestei atenção de tão maravilhado que eu estava com minha genialidade.
Depois de algum tempo enfim tocou o sinal. Agora eu poderia colocar meu plano em pratica! Passei rapidamente pela multidão muito apressado em descer a escada.
- Thami -
Eu dormi na aula matemática... Pra falar a verdade eu não consegui dormir, já que o professor Márcio ficava me tacando bolinhas de papel toda hora, mas eu não levantava a cabeça. Se eu fizesse isso, eu ia acabar mandando ele pra puta que pariu. E isso não seria legal! Não para ele. Para mim seria como uma terapia!
Finalmente a aula acabou, e eu disparei pra porta da sala, igual a um jato.
-Nossa! Tocou o sinal. Lá vem a fubazada. - olhei pro corredor, já amontoado de gente.
Foi legal só ter três aulas hoje devido a uma paralisação.
-THAMIIIII... - um ser gritou no meu ouvido, me dando um susto. Eu fechei os olhos, respirei fundo e contei até dez mentalmente.
-Qual seria a pena para uma pessoa que comete um homicídio e se alto acusa? - eu bufei. -Idiota! - comecei a andar batendo o pé feito uma criança pirracenta.
-Ah... Qual é? Deixa de ser chata. - o mesmo ser veio me perturbar.
-Arthur me faz um favor... - eu sorri falsamente. -CALA A BOCA! - voltei a andar apressada. Arthur me seguiu. Ele estava tentando estragar meu dia?
Quando cheguei ao pátio, o mesmo tédio de sempre. "Pessoas" tocando violão e "abutres" a sua volta. Mas dessa vez, era diferente... Ele me olhava! E me perguntei por quê.
- Gui -
Eu estava tocando violão, como de costume, quando a vi descendo as escadas. Não consegui disfarçar meu olhar, tinha algo nela que chamava a minha atenção. Acho que era porque ela valia dois mil reais, ou por causa do tamanho daquela bunda... Ou era somente o modo como ela havia agido hoje mais cedo, me ignorando completamente como se eu fosse um idiota. Eu estava sentindo vontade de agarrá-la para acabar logo com essa situação extremamente patética e provar para ela que ela não podia me tratar assim. Sei que ela não negaria meu beijo e nem todo o resto que viria depois quando a levasse para o meu quarto, ou pra qualquer outro lugar.
Imediatamente levantei, decidido de minha atitude, mais não consegui dar um passo em sua direção. Pela primeira vez na minha vida, inseguro. Simplesmente com medo de ser rejeitado e parecer um retardado na frente de todos.
- Thami -
-Esse garoto é estranho. - Art comenta.
-Que garoto? - perguntei curiosa.
-Quem mais? Esse que tá te olhando... – disse ele apontando com o dedo indicador por cima do meu ombro.
-Me olhando? Quem? - olhei por cima de meu ombro, procurando para onde ele apontava.
-O idiota do Delford. – disse ele claramente insatisfeito com a situação.
-Ih...? - eu disse indiferente, voltando à atenção para o meu Ipad.
- Gui -
Parei por um momento e pensei o que eu lhe diria. O "Oi" não funcionou, ao invés de ela retribuir com um belo sorriso ganhei um belo "Tchau." então resolvi improvisar. Respirei fundo e contei até três. É tão estranho querer chamar a atenção quando você é o centro dela. Ela estava indo em direção a cantina, e eu a perseguia.
-Oi. - ela me olhou, mas depois rapidamente voltou a olhar para frente.
-Você de novo? – disse ela agora olhando para o sanduiche que segurava.
Percebi que Sarah me observava de longe enquanto Thamires pagava seu lanche e passava por mim como se eu não estivesse ali.
- Thami -
O que esse garoto quer afinal? Tá todo mundo olhando pra gente. Será que ele não percebeu? Eu tentei apressar o passo, mas o infeliz, infelizmente me seguiu. O que ele quer agora? Eu já estava ficando irritada com isso.
-O que você quer? - me virei, olhando-o.
-Chegar perto de você. - respondeu ele.
-Caso não tenha notado, já está perto de mim. –eu disse fazendo gestos com a mão.
-Não digo... Desse jeito. - ele sorriu torto.
-E esse jeito é...? - dei um passo pra trás.
Ele me segurou pela nuca, entrelaçando a mão em meus cabelos. Se aproximou de meu rosto pairando sua boca pertíssimo da minha. Ele levou os lábios até meus ouvidos e sussurrou suavemente. –Perto.
O que eu digo? Deveria dizer sim, é claro. NÃO! Sim é o caralho! Quem este idiota pensa que é? Só por que ele se acha o fodão pensa que pega qualquer garota. Ele é fodinha, mas mesmo assim só por que tem dinheiro, por que se não ele seria um merda. E só por ser fodinha não quer dizer que toda garota vai querer sair com ele. Bem, eu sei que todas iriam querer, mas eu não. Sou diferente de todas as outras, tenho CER-TE-ZA disso. E não é por que Nina fica empreguinando na minha cabeça que ele é isso e aquilo que vou ceder.
-Obrigada pelo convite, mas não. - eu virei às costas e sai andando.
- Gui -
-Ahm? - eu bufei. Como ela pôde? Eu sou... Perfeito!
Eu a puxei pelo braço e a virei. Neste instante, senti seu coração bater mais rápido, uma reação que eu normalmente provocava em uma garota. Mas isso poderia significar duas coisas: Ou ela estava extremamente irritada, ou sentia a mesma atração que as demais garotas.
-Por favor... Você não tem noção das consequências que isso me traz. Eu não consigo parar de pensar em você. - é claro que a última parte era mentira, mas ela não precisava saber.
-Eu não tenho e nem quero ter noção das consequências. - ela bufou e saiu andando, apressada.
-SE VOCÊ NÃO QUER SAIR COMIGO NÃO ME IMPORTA! Você terá uma surpresa. – fiz um drama básico de novela mexicana, com direito a Maria Joaquina e tudo.
- Thami -
Eu o olhei se afastar e gritar, patético! E se ele não se importava achava que eu me importaria? É o cumulo da demência!
Voltei para onde estava com Arthur, Nina acabara de chegar lá. Aposto que ela presenciou a cena e com certeza comentaria.
Percebi que todos no pátio me olhavam. Eu já tinha mais um para ameaçar a matar! Eu odeio aquele garoto, agora mais do que nunca!
-Parabéns Thami! Conquistou o Gui! - Nina me zoou. Eu dei um sorriso forçado como quem diz "Engraçadinha.".
-Eu não estou de bom humor Nina. Me erra! – me virei e sai andando, super estressada.
Esse garoto não me conhece, eu vou matar ele. E se eu comprovar que estou de TPM a pena é reduzida. Como ele tem coragem de fazer isso? Sair gritando, no meio do pátio. Ele é um completo idiota!
Eu estava xigando até o ar que eu respirava. Subi em uma das árvores baixas, que ficavam distantes do pátio e me esqueci do mundo. O que não era muito difícil quando eu estava aliada ao meu Ipad.
Eu odiava ganhar toda a atenção pra mim e ele tinha conseguido fazer isso!
- Gui -
Fui correndo pra secretária. Estava na hora de botar meu plano em prática, eu tinha certeza que daria certo. Fui de encontro a Tia Dercy completamente sem fôlego.
-Tia Dercy eu preciso do endereço da aluna Thamires Drummond da turma 2108. Porque a gente vai fazer um trabalho de teatro e o pessoal vai ensaiar a peça na casa dela. – eu disse enquanto recobrava meu fôlego.
-Porque você não vai à sala dela? - ela me perguntou.
-Veja bem tia... Tem a paralisação, a senhora realmente acha que tem alguém em sala? Ela foi pra casa antes de me dar o endereço, então eu pensei que a senhora pudesse me ajudar. – disse eu querendo acrescentar "Se a senhora fizer o favor de colaborar seria bem mais fácil.".
-Não sei se posso Guilherme. Se a Sra. Monique ficar sabendo...
-Por favor! É uma questão de vida ou morte. - eu disse em uma voz melancólica suplicante.
-Se você encenar assim na peça vai ganhar o Oscar. - disse ela me olhando sobre os óculos.
-Vai me dar o endereço sim ou não? - perguntei impaciente.
-Vou. Mas a Sra. Monique não pode ficar sabendo.
-Pode deixar Tia Dercy, obrigado! Eu te amo! A senhora é a melhor pessoa do mundo!
- Thami -
Eu estava indo lentamente e sozinha, para casa, quando decidi telefonar para o meu pai.
-Drack! – Drack é o apelido que dei ao meu pai. Não tinha nada haver com seu nome, mas é a abreviatura de Drácula.
-Oi Thami, aconteceu alguma coisa? – disse meu pai com um ar preocupado na voz.
-Não, mas eu não estou me sentindo bem... Pede para uns dos seus motoristas vir me buscar. –tive de mentir para que alguém pudesse vir me buscar. Não era do feitio de meu pai parar a frota de taxi por causa de mim.
-Está bem... Mas o que você está sentindo? – ele disse ainda preocupado.
-Não se preocupe, não é nada grave. Pode ficar tranquilo, beijos Drack.
-Está bem... Vai chegar um carro em meia hora. – disse ele me dando a garantia que eu precisava.
Taquei o telefone dentro da bolsa e sentei no meio-fio, esperando minha carona chegar.
- Gui -
-Alo!Diogo?Preciso de uma ajuda sua...
Minutos depois...
-Alo!Gilberto?Faz uma entrega pra mim, por favor?
Mais alguns minutos depois...
-Já tá tudo confirmado? Obrigado!
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