
Fazer verso agora é vital.
Rated: Fiction K - Portuguese - Poetry/Angst - Words: 268 - Published: 07-30-12 - Status: Complete - id: 3046123
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Fui-me então.
O fechar dos olhos...!
O envolver duma escuridão...!
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Fui-me então.
Desta minha vida parti.
E sequer lembro se existi.
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Mas trouxe a caneta comigo.
(E ela ainda é tão viva...!)
Ao pulsar em meu bolso, seu abrigo
Clama por outra saída.
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Mas sabes bem pequena,
Sempre fostes meu coração.
Lembra-te de como era tenra
Ao deslizar nos dedos de minha mão?
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Eras tão bela no rodopiar vertiginoso
Que se fixava no papel, feito eterna espiral
Mas agora este poeta é morto,
E fazer verso agora é vital.
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Pois já não me lembro
Do mundo que deixei
Lembro, apenas, das rimas que fiz
Dos amores que versei.
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E se agora eu o refaço
É porque não ouso esquecer
Não sei dar nó sem laço
Tampouco sei se sei morrer.
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Escrevo sussurros cadenciados
Pois sou feito de tinta azul
Preciso do meu silêncio gritado!
Vivo nas entrelinhas dum poema cru.
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Escrevo também seus sorrisos
Os triunfos que deixei há muito,
As alegrias efêmeras e intrínsecas
No perfume doce dos teus olhos úmidos.
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Recriei, em tinta de caneta
O tontear do prazer.
Refiz estrelas e planetas
Só pra vê-los quando anoitecer.
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Mas sou menino-cinza:
Sem noite não sei existir.
Não sei morrer sem rima,
Mas não sei rimar sem deixar cair.
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Fiz meu mundo em poesia,
Reticências e vírgulas
Mas fracassei! Meu mundo não me pertencia
Pois sou nu: despi-me da vida.
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Mas sou poeta morto:
Fracasso de sorriso enviesado.
Meu mundo agora é outro;
Que estes versos padeçam comigo:
Enterrados.
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