
Na mitologia celta "sídhe" são os seres encantados que vivem escondidos abaixo da terra em pequenas colinas. Mas e se um dia eles se cansarem de viver às escondidas? E afinal de contas, de onde foi que eles vieram?
Rated: Fiction T - Portuguese - Fantasy/Sci-Fi - Chapters: 2 - Words: 1,025 - Published: 09-28-12 - id: 3061742
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Nota: Anam Cara quer dizer "amigo da alma" em gaélico irlandês.
Prólogo
O ar do fim de tarde ainda exala o característico cheiro de terra molhada após a chuva enquanto dois vultos adentram apressados a mata próxima ao acampamento onde costumavam viver e que no momento está prestes a ser atacado pelos inimigos de seu povo.
Apesar do terrível fim que a espera se ficar ali, a garota parece receosa com o fato de estar adentrando a floresta.
NIMUEH: Eu não vou conseguir!
MYRDDIN: Eu sei que vai. Vamos! Estamos quase lá.
Segurando a barra do longo vestido de cor crua adornado com detalhes coloridos, na tentativa de facilitar a rápida caminhada, a jovem se esforça para alcançar os largos e determinados passos do rapaz vestido de preto.
Após andarem mais alguns metros, o casal parou em uma clareira onde apenas um grande e velho carvalho mantém-se de pé cercado pelas outras árvores do local.
MYRDDIN: Chegou a hora.
NIMUEH: Deve ter outro jeito...
Myrddin segurou as mãos de Nimueh para tranqüilizá-la.
MYRDDIN: Os outros já estão a salvo e essa é nossa única chance.
Nimueh soltou um suspiro entristecido.
MYRDDIN: Tenho que ir com nosso povo, eles precisarão de ajuda para se adaptar aos novos tempos. E você precisa ficar com sua irmã.
Ela assentiu com a cabeça, concordando que realmente precisa cuidar se sua irmã e dos outros como ela que sofrem com uma infeliz maldição, destinados a viverem entre terra e água.
NIMUEH: Quanto tempo isso vai durar?
MYRDDIN: Ninguém sabe. Pode ser um ano, cem anos...
Então, deixando seus sentimentos falarem mais alto, Nimueh abraçou Myrddin.
MYRDDIN: Na hora certa vamos saber.
Com essa afirmação enigmática Myrddin se afastou de Nimueh e se aproximando do carvalho, recostou-se em seu enorme tronco.
MYRDDIN: Sabe o que tem que fazer?
Nimueh respirou fundo, triste, porém determinada.
NIMUEH: Sei.
Em Brocéliande, uma agitada cidade de médio porte, o jovem de vinte e poucos anos desperta de um cochilo no sofá do camarim da casa de espetáculos onde deverá se apresentar daqui a poucos minutos, melancolicamente acostumado com os estranhos sonhos que vem tendo nos últimos meses.
Enquanto isso, em uma interiorana cidade vizinha, a garota da mesma idade levanta-se da cama no meio da noite e segue para a janela aberta do quarto onde apóia os braços, cruzados para aquecê-la do vento frio, contemplando a noite estrelada com uma estranha sensação de saudade e uma única certeza: essa será sua ultima noite na cidade de Lock.
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