
"Os homens temem a morte, como as crianças temem a escuridão." (Francis Bacon)
Rated: Fiction T - Portuguese - Drama/Tragedy - Chapters: 2 - Words: 1,688 - Reviews: 1 - Published: 11-22-12 - id: 3076619
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Meu pequeno romance baseado nas músicas do disco Century Child do Nighwtish. Cada capítulo será embalado por alguma música da playlist do disco.
Att,
Lieh
Resumo: Os caminhados trilhados na infância são a determinação de todo um futuro. Dois amigos vivem na pele as dificuldades de ser criança e de buscar uma identidade, um lugar no mundo. Eva enfrenta diversos problemas de relacionamento com a família, enquanto Lucas sofre pela ausência do pai em sua vida. Juntos, eles encontram força um no outro, deixando o tempo tomar o curso de suas vidas. Mas nada garante que eles irão, de fato, alcançar a felicidade plena.
Prólogo
Remember, my child: Without innocence the cross is only iron,
Lembre-se, minha criança: Sem inocência a cruz é apenas ferro,
Hope is only an illusion and Ocean Soul's nothing but a name...
Esperança é apenas uma ilusão
E a alma do oceano não é nada além de um nome...
Bless The Child
Você já parou para pensar, o que é de fato viver?
Muitos já dissecaram sobre essa pergunta durante séculos, mas as respostas nunca foram exatas. O que é comum do ser humano buscar soluções práticas para tudo.
Eu realmente sinto muito em acabar com todas as suas esperanças em dizer que, muitas coisas relacionadas aos mistérios da vida, não possuem uma resposta definitiva. Eu vou acreditar piamente que você irá aceitar de forma passiva este fato. Engano meu. Nunca iremos aceitar - nunca iremos nos conformar com a verdadeira natureza das coisas.
Então meu caro, você se encontra na mesma situação que duas pessoas já viveram - e não faz muito tempo que isso aconteceu.
Tempo. Outro mistério da Vida, tão decisivo como o Juízo Final, tão cruel como o Inferno ou tão suave quanto o Céu. O verdadeiro paradoxo das coisas está no Tempo e no seu curso incerto. E este curso definiu para sempre a vida de dois jovens, de forma inalterável.
Se isso foi certo ou errado, não somos ninguém para julgar – ai de nós, pobres mortais!
Eva
Estático.
Borrões prateados iluminavam sua visão ao se deparar com os caminhos da humanidade. Cada ser vivo ali, naquela rua, continuava com suas vidas. Um formigueiro de pessoas correndo pela sobrevivência – sem cessar, sem parar – buscando algum sentido para o mundo.
Havia algum sentido?
Você vivia se perguntando isso, Lucas. Você não era tão questionador assim depois do que aconteceu conosco. Eu compreendo. Minha influência em sua vida nunca foi algo positivo. O agora era demasiado desesperador para você – sozinho, no meio da humanidade.
Perder. Perder sempre é doloroso. O homem nunca vai estar preparado para a morte – você não acha engraçado falarmos de morte e vida, sendo que o seu sonho era se tornar médico, sendo um manipulador decisório para esses fatos recorrentes?
Eu sempre o critiquei pelas suas crenças religiosas em vida após a morte e um Juízo Final. Sempre considerei bobagens. Mas você não.
Agora você está numa confusão de crenças referente à complexidade da vida e de nossas escolhas. Minha escolha. Você encara o que era a sua vida e rotinas diárias com total ceticismo – com desdém.
Não era isso que eu queria para você, nem para nós. Não adianta se arrepender agora que tudo foi consumado, mas mesmo assim eu me arrependo amargamente.
Você se deixou levar pelo mar de gente, pelos caminhos que se cruzavam diante dos seus olhos, andando como se fosse ao seu Juízo Final – você sendo o acusador. Eu, a ré.
Minha querida criança, você nunca irá me perdoar. Seu andar demonstra claramente isso – raivoso e determinado. Os olhos, antes tão calorosos, agora são frios, distantes. Você não vê para onde caminha, porque sua mente o guia sendo o seu mestre e único salvador.
O formigueiro o empurrava para o fim. Você não viu, mas todos viram.
Impacto!
Seu corpo voando pelo asfalto frio. Inerte. Sem vida.
Morto.
E assim nossos mundos colidiram de uma forma inalterável, inalcançável.
E perecemos.
Time pays us but with earth and dust, and a dark - silent grave.
O tempo nos dá apenas terra e pó, e um escuro - silencioso túmulo.
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