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Identidade
Author:
Belladonna C. Wilmot PM
O que nos torna homens ou mulheres? Nossa identidade é aquilo que sentimos ser. [Aeron/Thamuz, Aeron/Asmita]
Rated: Fiction T - Portuguese - Drama - Words: 3,205 - Reviews: 1 - Published: 02-10-13 - Status: Complete - id: 3099919
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Não sabia bem o que esperar quando abri o Wordpad pra começar a digitar isso, mas confesso que gostei do resultado.


Identidade.


Duas vezes por semana se encontravam naquele salão vazio, a música era escolhida e começavam a dançar. Aquela era uma rotina agradável.
As primeiras aulas tinham sido desastrosas: ela não sabia como agir e teimava em guiar, mas agora tinham uma boa sincronia. Ela deslizava com graça pelo salão, sempre em seus braços. Ela aprendera a confiar por completo nele, sabendo que mesmo se dançassem na beira de um abismo ele jamais a deixaria cair.

A crescente confiança talvez fosse a responsável por aquela aproximação perigosa e pelo beijo. Talvez tenha sido o calor do ritmo escolhido naquela noite que fez com que seus corpos buscassem uma proximidade ainda maior, enquanto as mãos procuravam por mais pele para tocar, arrancando as roupas que estivessem no caminho de forma quase automática. Naquela noite permitiram que seus corpos dançassem uma dança nova.

Depois disso não conversaram sobre o que aconteceu. Ela desapareceu, faltando as suas aulas e deixando-o extremamente preocupado. Perder uma amiga preciosa devido a uma noite de paixão não era algo que o agradava, nem se perdoaria se isso acontecesse. Ele a procurou, entrando naquele território que lhe era tão estranho e onde sabia que jamais seria bem vindo. Os olhares que recebia dos servos daquele lugar eram hostis, mas devidamente ignorados enquanto andava de cabeça erguida, a postura arrogante até encontrar o que estava procurando. O quarto dela.

Por um momento seu orgulho vacilou sem saber se seria certo parecer tão arrogante naquela situação, mas era difícil controlar-se quando era um demônio que vivia no círculo das vaidades. Bateu na porta do quarto com firmeza logo que se decidiu quanto a postura que assumiria.

Em segundos ela abriu a porta. Parecia mais pálida do que o normal, talvez por vê-lo ali, mas permitiu que entrasse no quarto sem dizer nada, fechando a porta silenciosamente para encostar-se contra ela de forma suave, como se precisasse de apoio naquele momento. Vestia um pijama de duas peças, azul como seus cabelos, e os olhos acinzentados pareciam evitar encará-lo em um misto de vergonha, culpa e mais alguma coisa que ele não conseguiu definir. Mesmo que seu impulso fosse o de abraçá-la e pedir para ver seu sorriso mais uma vez ele conseguiu conter-se, mantendo a distância.

- Sinto sua falta. Peço desculpas por me deixar levar, jamais o faria se soubesse que se afastaria de mim.

- Ah Thamuz...

Ela parecia sem ar. Os olhos se encheram se lágrimas, o que fez com que ele se aproximasse com cautela, preocupado com aquela reação completamente inesperada. Em tantos anos de amizade ele jamais a vira derramar uma lágrima sequer... Sempre fora uma mulher forte, ainda que graciosa, e agora parecia completamente destruída. E ele sentia o peso da culpa, julgando que fora ele a destroçá-la.

Seu orgulho tinha sido esquecido, preparava-se para se ajoelhar a frente dela e implorar por perdão se fosse necessário, não importava quanta dor e humilhação esse ato lhe causasse, mas foi ela quem falou primeiro, após procurar em seu interior a coragem necessária. Ela devia saber o quanto o demônio orgulhoso sofria naquele momento.

- Não é por isso... Eu só... Tenho uma coisa para te contar.

Com toda a gentileza Thamuz a ajudou a sentar-se na cama macia, recuando e permanecendo de pé para permitir que ela tivesse espaço, mas estava visivelmente tenso, ansioso para ouvir o que ela teria para revelar. Quando ela recuperou a calma e começou a falar ele a ouviu até o final sem dizer absolutamente nada, mas sua expressão revelava que seus pensamentos não eram tão silenciosos. Muitas coisas estavam se refletindo naqueles olhos azuis, uma delas era a confusão. Era informação demais para que seu cérebro processado, por isso não foi capaz de responder alguma coisa, limitando-se a se despedir e ir embora. Ela achou que tinha acabado de perder o único amigo que possuía.

Uma conclusão que se mostrou completamente equivocada no dia seguinte, quando ele a procurou novamente no quarto. Trazia nas costas uma mochila que parecia um pouco pesada e entrou no quarto sem dar explicações, puxando a cadeira da escrivaninha para o centro do quarto e pedindo para que ela sentasse.

- Você compartilhou comigo seu segredo e suas esperanças, sei o valor de tudo isso. Eu jamais deixaria de ajudá-la com o que você quer.

O sorriso dela mostrou algum constrangimento, ela estava completamente sem palavras, por isso suas ações falariam por ela. Levantou da cadeira quase em um pulo e o envolveu em um forte abraço, grata por sua amizade e pelo apoio que ela achou que não teria. Depois disso ela voltou a sentar e Thamuz a cobriu com uma capa preta, tirando da mochila pente, tesoura e tudo que precisaria para cortar o cabelo dela. Seu trabalho não demorou muito, em poucos minutos ela disse adeus para as madeixas longas e olá ao cabelo curto, com uma franja um pouco mais longa na parte da frente que dava um charme ao corte assimétrico. O resultado pareceu agradá-la imensamente, afinal por alguns motivos ela não conseguia deixar de olhar o próprio reflexo. Já achava que estava incrivelmente diferente.

O próximo passo envolveu uma faixa que ele enrolou no corpo dela com toda a paciência e cuidado, escondendo o volume de seus seios, que para a sorte dela não eram exagerados. Por ultimo buscou na mochila uma roupa devidamente dobrada: uma farda militar preta. Pelo tamanho ela tinha quase certeza que havia pertencido a ele, mas preferiu não fazer nenhum comentário sobre isso naquele momento, vestindo-a e percebendo que era pouca coisa maior do que seu próprio corpo.

Sua felicidade foi indescritível ao ver o resultado no espelho. Onde antes havia uma mulher agora havia um homem, ou algo muito próximo de um, que sorria como a mulher jamais tinha sorrido em seus muitos séculos de vida. Thamuz parecia satisfeito com o resultado, não só por concordar que via ali um rapaz muito charmoso, mas por ver tanta felicidade em um único sorriso. Sentiu-se orgulhoso por, de certa forma, ser responsável por aquele sorriso completamente novo.

- Você é um lindo homem, Aeron. As mulheres daqui tem sorte.


Pouca coisa mudou realmente depois daquilo. Ainda se encontravam e conversavam com freqüência, mas jamais mencionaram aquela noite novamente, como um pacto silencioso que mantinha a amizade firme sem o constrangimento daquele acontecimento. As transformações de Aeron continuaram até o ponto em que as pessoas começavam a esquecer que aquele soldado já tinha sido uma mulher. Estava até mesmo chamando a atenção das mulheres, o que tornou inevitável o primeiro relacionamento sério.

- Ouvi gente comentando que está namorando com a sua superior. Isso é verdade?

Havia alguma malícia nas palavras de Thamuz ao fazer essa pergunta, sentado naquela mesma cadeira, observando com ar quase entediado enquanto Aeron levantava alguns pesos. Os músculos dele já faziam Thamuz se sentir menos másculo, o que não o surpreendeu completamente. Tinha a impressão de que sua amiga tinha se tornado um homem mais interessante do que ele mesmo.

- Nossa, como gostam de espalhar as coisas... Mas eu não diria que é namoro. Ela me procura quando quer sexo.

- E você não me contou isso antes? Eu quero os detalhes. Não é justo esconder isso de mim.

Aeron sorriu, mas estava surpreso. Nunca esperava que Thamuz tivesse interesse em ouvir aquele tipo de coisa, por isso sempre tinha guardado para si qualquer informação sobre encontros. Continuou com seus pesos, mas sua atenção ainda estava nele, às vezes o espiando com o canto dos olhos, sem saber realmente como entrar naquele assunto. Acabou esperando que a curiosidade vencesse o amigo e ele começasse.

- Como foi que isso começou?

- Quando me apresentei assim pela primeira vez. Ela pareceu... Curiosa. Pediu-me para acompanhá-la até uma sala e me fez algumas perguntas, quando eu vi já estava me agarrando.

- Isso já faz cinco anos. Como é que você espera cinco anos para me contar uma coisa dessas?

Ele parecia irritado, o que fez as bochechas de Aeron coraram na mesma hora. Fez uma pausa, respirando profundamente e pensando na melhor maneira se explicar o que tinha acontecido depois daquilo, mas sem revelar mais do que seria necessário.

- Ela me procurava de vez em quando... Acho que quando estava mais estressada. Mas de uns tempos para cá se tornou mais freqüente, até me deu... um presente.

Um sorriso malicioso foi o suficiente para que Thamuz baixasse o olhar e reparasse em algo que até então não lhe chamara atenção. O volume na calça do amigo que, supostamente, não deveria estar ali. Não pareceu muito surpreso com a novidade, até considerou que fazia sentido.

- O que se espera de um Súcubo. E suponho que ela é tão intensa quanto parece...

- Até mais. Não durmo quando ela me procura.

Ao pronunciar essas palavras ele sorriu novamente, mas não era o sorriso malicioso, tampouco tinha o orgulho de um homem que se gaba por seu desempenho. Foi um sorriso mais leve, amoroso, o que não deixava dúvidas que sendo um namoro ou não ele tinha realmente se apaixonado pela ruiva. Thamuz percebeu isso prontamente, rindo baixo e de forma um tanto sarcástica, pronto a implicar com o que poderia chamar de Primeiro Amor do amigo.

- Está caidinho por ela.

- Como não ficaria? É uma mulher incrível.

- Já a olhou com outras intenções antes de tudo isso acontecer?

A questão apareceu em sua mente sem aviso e Thamuz deixou que escapasse de seus lábios na mesma hora. Se quando se envolveram Aeron já tinha quase certeza de que não nascera para ser uma mulher fazia sentido que já tivesse uma queda por sua superior desde aquela época. E, ele admitia, era difícil não achar Asmita atraente, por pior que fosse o temperamento dela.

- Já... E eu acho que ela sabe disso. Súcubos sentem isso, não é?

- Dizem por ai. Não sei, eu nunca comi um Súcubo. Só não digo que estou com inveja porque dessa ai eu tenho medo.

Os dois acabaram rindo e finalmente Aeron pareceu terminar sua sessão de exercícios, sentando-se um pouco no chão mesmo para descansar, encarando o demônio orgulhoso com um sorriso discreto, mas completamente natural. O tipo de sorriso que dava a Thamuz a certeza que o outro estava feliz.

- Então... Como é?

- Você não acha que vou dar detalhes, acha?

- Não seja sem graça. Pode começar a falar. É dominadora na cama também?

O sorriso de Thamuz deixava bem claro que não ia desistir do interrogatório e ele podia ser realmente uma peste quando queria saber alguma coisa. Aeron acabou se rendendo, sabendo que não tinha como escapar, mas evitou olhar na direção dele na hora de dar uma resposta.

- Exigente. E gosta de ficar por cima... Exceto quando está com tanto tesão que temos que fazer contra a parede mesmo.

- Sem chicote ou coisa do tipo? Ela sempre pareceu do tipo que algema o cara e usa o chicote até fazê-lo implorar.

- Não. Pelo menos nunca usou comigo...

O que o deixou em duvida se ela usaria esse tipo de acessório com outros possíveis amantes... Um pensamento que ele apagou ao se lembrar que não existiam outros. Ou ela estava com ele ou ela estava caçando humanos para se alimentar, não sobrava muito tempo para brincadeiras.

- Eu queria ver isso. Pena que ela nunca deixaria.

- Que mania é essa de vocês do Sexto de ficar olhando?

- Gostamos de ver coisas bonitas. Sua chefa rebolando no seu colo me parece uma coisa bonita.

- Você é um tarado.

- Você está saindo com um Súcubo s e eu que sou tarado?

Aeron não retrucou, aquele era um bom argumento. Ninguém inocente saia com um Súcubo ou um íncubo... Os deixaria entediados facilmente. Normalmente isso também indicava que a pessoa era boa de cama, afinal eram criaturas exigentes e dispensavam quem não era capaz de lhes agradar. Se Aeron fosse desse tipo teria se permitido ficar com o ego enorme, mas não era. Se esforçava para satisfazer Asmita, fosse durante o sexo ou depois, quando conseguia que ela aceitasse seus carinhos.

- Está quase na hora de encontrá-la, preciso tomar um banho... Acho que suas outras perguntas vão ter que esperar.

- Não pense que se livrou de mim. Agora vá logo pro banho, nada de deixá-la esperando. É capaz de ela arrancar um pedaço de você como castigo.

Trocaram um aperto de mão e Aeron desapareceu no banheiro. Só saiu quando já estava de banho tomado e parcialmente vestido. Saiu do banheiro só de cueca e com a faixa de sempre, sabendo que não haveria ninguém ali para ver, indo direto para o armário e escolhendo uma roupa mais casual. Não guardava nada de suas roupas de mulher.

Só na hora de colocar o perfume percebeu um buquê de rosas vermelhas, com um bilhete do lado.

"Não consigo produzir ouro, mas tente a sorte."

Aeron apenas riu com o bilhete. É, rosas talvez não fossem exatamente o presente ideal, mas ele as levou mesmo assim. Lembraria de arrumar algum presente para o amigo depois, como um agradecimento por ele ter criado aquelas flores tão lindas. E que surpreendentemente pareceram agradar Asmita, que as colocou em um vaso em seu quarto.

- Não sabia que era do tipo que trazia rosas. É um romantismo antiquado...

- Às vezes um pouco de romantismo é necessário. Eu mostraria, se quisesse ver.

Ele a envolveu pela cintura com um dos braços, as palavras sussurras ao pé do ouvido enquanto a trazia para mais perto, colando seus corpos gentilmente e sentindo-a se arrepiar. Normalmente ela reagiria na hora, mas o máximo que fez envolvê-lo em um abraço suave. Ela permitiria que ele lhe mostrasse a sensação de ser amada.

Sexo e amor se misturaram dali em diante e ele achou que continuariam assim pela eternidade que lhes restava, mas um dia ela terminou tudo. Ele não pediu explicação, já imaginava quais seriam os motivos dela, e Asmita pareceu satisfeita por não ser questionada. As coisas não mudaram muito; ele a tratava com respeito e ela o considerava um soldado valoroso. Era só o que importava.


As outras mulheres que apareceram em sua vida depois disso não eram como ela, não despertavam a sua paixão, o que fez Aeron concluir que Asmita fora realmente seu primeiro amor. Antes dela não existiu ninguém que mexesse com seu coração daquele jeito. Dizem que primeiro amor nunca dá certo, por isso ele se conformou.

Séculos depois já não achava que as coisas mudariam. Passar a eternidade com várias mulheres não era uma perspectiva ruim, mas sempre sentiria falta de alguma coisa. Quando viu aquela foto e alguém dizendo que aquela jovem era "teimosa", "muito chata" e "com um temperamento horrível" sentiu que achava justamente o que procurava, certeza que teve ao conhecê-la pessoalmente. Era única.

- Você está suspirando sozinho... E fazendo mistério. Ela é tão enlouquecedora assim?

- Ainda ouço a voz dela pedindo por mais e sinto seu corpo quente apertando meus dedos... É difícil não suspirar lembrando disso.

- Tarado. Definitivamente você é um tarado. Acho que se eu fosse mulher ia correr de você.

- Não. Você viria pro meu colo com seu perfume de rosas e me pediria pra provar o seu mel.

Pela primeira vez Thamuz ficou realmente com vergonha durante uma conversa dos dois, mas internamente concordaria. É, ele seria mais uma no harém do amigo. Afastou esses pensamentos e fez aparecer um buquê com flores diversas; nada de rosas dessa vez.

- Boa sorte garanhão. E se rolar sexo me deve uma bebida depois.

Na noite seguinte apareceu no quarto do amigo com uma garrafa de vinho e duas taças. Estava simplesmente radiante e isso fez com que Thamuz sorrisse, saindo da frente do espelho de corpo inteiro e indo sentar na cama mesmo, já estendendo a mão para receber sua taça, deixando o outro enchê-la com o líquido arroxeado. Brindaram e após um gole de bebida foi Aeron quem falou primeiro.

- Estou namorando.

- QUE? Já? Você gosta de usar uma coleira.

- Não é você que vive falando que eu sou um tarado que não pode ver uma mulher passar sem me enfiar debaixo da saia dela?

- Não deixa de ser verdade. Eu posso perguntar para metade das mulheres do Inferno e elas vão concordar, se duvidar ainda dizem que gostariam de tê-lo de volta lá.

Acabaram rindo. Foi uma noite agradável para os dois, o vinho ajudando a manter o assunto descontraído, pelo menos até que chegassem a um tópico que normalmente era sensível para Aeron.

- Só espero que ela não se arrependa depois... Ela esperava por uma mulher afinal.

- Você e sua insegurança. Se ela aceitou sair com você é porque não se importa. Não disse que ela é exigente e fala tudo na cara? Não ia te enganar.

- Às vezes queria ter essa sua confiança.

- Ah não. Já não sou muito popular aqui no Sexto, você se mudando pra cá seria concorrência desleal.


Bateu na porta do quarto dela suavemente e entrou quando ouviu que tinha permissão para tal. O quarto estava agradavelmente aquecido e ele não pareceu surpreso por encontrar a namorada debaixo dos cobertores, um pouco encolhida. Sorriu com compreensão e se aproximou, sentando-se na beirada da cama e deixando a caixa com bombons em cima da mesinha ao lado, passando para ela um cachorrinho de pelúcia branco e rosa.

- Me contaram que você está... Indisposta. Achei que isso ajudaria um pouco.

- Sempre tão doce...

- Apenas o que você merece.

Ele sorriu com toda a sua dedicação, feliz em vê-la abraçar o cachorrinho, mas foi ainda melhor quando ela o puxou para um abraço. Foi cuidadoso, não sabendo se poderia apertá-la, e ainda a beijou na testa demoradamente, permanecendo assim por alguns momentos até a sentir se movendo desconfortavelmente na cama.

- A dor está muito ruim?

- Está melhorando.

Ficou pensamento por um momento, afastando-se do abraço com gentileza e se levantando. Tirou a parte de cima da farda, revelando a regata branca por baixo, e depois as botas, subindo na cama e desaparecendo debaixo das cobertas. Levantou as roupas da namorada com o devido cuidado e passou a aplicar uma massagem na região abdominal, pressionando gentilmente, sentindo-a relaxar aos poucos conforme a dor ia diminuindo. Sabia que não podia sumir com a dor dela, mas fez o possível.

Quando terminou deitou-se direito na cama, aninhando-a em seus braços e se certificando que ela não estava descoberta para não passar frio. Podia não ser afetado por temperaturas, mas aprendeu a reconhecer quando um lugar era mais frio do que o normal e aquele castelo inteiro era frio.

- Eu tenho o melhor namorado do mundo.

Aquelas palavras acariciaram o seu ego, ao mesmo tempo em que sentia seu coração derretendo. Se ela soubesse como aquelas palavras eram importantes para ele! Gentilmente a apertou no abraço, respondendo-lhe em voz baixa, mas com um sorriso repleto de amor e sinceridade.

- O melhor namorado para a melhor mulher do mundo. Mais que justo...

Sentia-se um homem completo naquele momento.

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