Prólogo – Cap. 1 – Há 16 anos.

Ele não deveria ter feito isso, mas não lhe deram escolha. Poderia ser tomado como desertor, mesmo assim enfrentaria o inferno, se necessário, para salvar a vida de sua família. Ele era um oficial de elite, privilégio concedido por conta de sua grande Força psíquica, capaz de manipular os elementos apenas com o poder de sua vontade. Por isso era muito necessário e requisitado, afinal eram muito poucos os que conseguiam desenvolver tal Força. E foi essa mesma Força que usou contra o seu comandante, que era um demônio valoroso e de grande Força física, porém não era páreo para Zach, quando este resolve manipular sua mente, fazendo com que ele aceite que o jovem oficial parta imediatamente para o interior das Terras do Sul como Mensageiro de Guerra, alertando as aldeias por onde passasse, sobre a iminente invasão pelo exército das Terras do Norte.

O seu objetivo não era assim tão nobre. Não era com esse intento que partia para o interior, para servir de mensageiro, sequer isso era necessário. Todo o País do Verão já estava em alerta e sempre se podia contar com as mensagens transmitidas através de magia, pois sempre havia algum pajé, algum feiticeiro em alguma aldeia que poderia transmitir o alerta para as aldeias vizinhas. Não, o que ele tencionava era salvar a vida de sua família: o pai idoso e a irmã que lhe restava, ainda adolescente e sem nenhuma Força desenvolvida. Mas o seu maior medo era por Mariellen, sua jovem esposa. Ela não seria capaz de acompanhar a fuga, não seria capaz de sobreviver às adversidades que provavelmente a fuga imporia a todos. Mesmo o seu pai idoso e adoentado ainda era mais apto a sobreviver do que ela, quase duzentos anos mais jovem... Mariellen era humana e pertencia a Terra.

O imponente Órix, o antílope usado como montaria pelo exército das Terras do Sul, por sua Força, agilidade e velocidade, corria a saltos largos, quase mal tocando o chão com suas patas fortes. Deslizava sobre o relvado e áreas rochosas como se não carregasse a armadura para proteção de seu próprio corpo e um demônio igualmente armado em suas costas. A paisagem passava como fosse apenas borrões lânguidos de tinta colorida, e o sol escaldante do verão parecia dar-lhe ainda mais energia.

As horas se passavam e o sol começava a se pôr atrás da serra, lançando clarões vermelhos e dourados na atmosfera, fazendo com que o reflexo na armadura belamente ornada de Zach parecesse em brasa viva. E assim ele próprio e sua montaria se sentiam, após horas correndo sob o calor intenso. E, com alívio, avistou os primeiros telhados de taipa ao subirem a ladeira que levava à aldeia onde sua família morava, que ficava aos pés de uma serra forrada pela floresta tropical. Sorriu em antecipação, apenas por saber que veria novamente os rostos que tanto amava, e veria os olhos azuis que tanta paz lhe trazia, embora, sentisse, fosse a última vez que os veria...

Zach era um demônio alto, esguio, de corpo atlético e, como seus ancestrais, possuía a pele morena, os cabelos negros, lisos e de fios grossos, e os olhos oblíquos de íris vermelhas. Envergava a armadura do exército, que cobria quase todo o seu corpo, e se tornava ainda mais imponente sobre o enorme antílope, igualmente forte, lânguido e armado. O animal empinou quando Zach puxou suas rédeas com brutalidade, afundando as patas dianteiras no solo arenoso, bufando em protesto e cansaço. Não foi sem alardes que sua família o recebeu, ao saírem apressados de dentro da casa, quando ouviram o barulho seco das patas do antílope e o tilintar dos metais das armaduras. Não foram capazes de reconhecer o demônio de imediato, e o pai impediu que a filha se adiantasse ainda mais. Apesar de estar alquebrado pela doença, o velho ainda conseguia manter a postura altiva e ameaçadora, e saiu, à frente da filha e da nora que mantinha a menina presa em seus braços, com o arco retesado e uma flecha apontando para o rosto do invasor, uma das poucas partes de Zach que estava desprotegida.

― Pai! Sou eu! – Zach gritou numa voz falha. Havia horas que não pronunciava uma única palavra e todo o vento que levou na cara secou sua garganta, pois nem para se hidratar ele havia parado a corrida.

O velho demônio baixou o arco, que ainda permanecia retesado em suas mãos, olhando incrédulo para o filho, sentindo a alegria crescendo em seu peito maltratado. Mariellen soltou Zakiyah involuntariamente, e a garota correu para junto do pai com um enorme sorriso de felicidade por ter o irmão de volta. Zach apeou, permitindo que o Órix se recuperasse por uns instantes da jornada dura que empreendeu.

― Meu filho! Você estar aqui é maravilhoso! A guerra... acabou?!

Zach retirou o elmo, deixando à mostra sua fisionomia alterada, quase bárbara. A tatuagem tribal que tinha em sua testa estava escarlate, denunciando seu estado de fúria e terror. As pupilas estavam fechadas em fendas verticais, denunciando que sua Força psíquica estava completamente despertada e pronta para ser usada a qualquer momento e em toda a sua totalidade. O rosto do velho pai empalideceu e o sorriso da irmã desmanchou, mas foi Mariellen que mais se aterrorizou com aquela expressão jamais vista no rosto de seu amado esposo. A moça estancou a meio caminho de abraçá-lo. Zach percebeu, sentiu em seu íntimo, o terror de sua consorte, mas não desviou seu olhar cruel de seu pai, que já havia compreendido a tudo sem que uma palavra fosse pronunciada.

― As tropas do Norte já estão em nossas fronteiras e eles são muito numerosos, muito bem armados e possuem poderosos soldados psíquicos e feiticeiros do Grande Deserto! E o Guardião também está aqui! Preparem-se para sair daqui, agora! Fujam para as montanhas! É provável que nossas tropas não consigam detê-los antes que eles cheguem até aqui!

― Meu Pai Olorun! Isso não pode ser verdade! Aquele... bastardo... maldito... Que levou a minha primogênita... levou à morte! – Ailã balbuciou de forma desconexa com o ódio crescendo no peito.

O rapaz se aproximou, pegando grosseiramente o pai e a irmã caçula pelo braço, obrigando-os a entrar na casa. ― Não temos tempo para que vocês acreditem ou não, pai! Se Imam está aqui à frente de seu exército, é porque ele está convicto de que desta vez conseguirá invadir e dominar a nossa Terra! E eles não serão piedosos com velhos ou mulheres! Não quero que corram riscos desnecessários se podem ainda fugir e se proteger!

Dentro da casa, Zach dá ordens imperiais ao pai e à irmã: ― Providenciem o mínimo necessário possível! Agasalho para o corpo e mantas para dormitarem na selva! Zakiyah, prepare duas sacolas, uma com os agasalhos e uma ou duas panelas e pedras de fogo, outra com alguns alimentos, água e remédios! O pai saberá como sobreviver dentro da selva, mas será mais fácil para vocês se tiverem um mínimo de algo que facilite as suas vidas! Vistam-se com os trajes de couro e as bota de cano longo. Deverão sair para a mata antes que o sol se ponha totalmente e não deverão descansar antes de chegar ao alto da serra!

― Mas, irmão! A mata é muito perigosa à noite! Os animais noturnos...

― Se esperar pelo amanhecer, será tarde demais, Zakiyah! Nenhum animal das nossas matas é mais perigoso que um Soldado do Frio! Faça o que estou ordenando e agora!

Zakiyah engoliu o pranto e sua resposta. Jamais vira o irmão em tal estado alterado. Jamais ele falara a ela naquele tom ou fora grosseiro. Mas sabia que ele não agia por mal e resolveu obedecê-lo sem mais questionamentos, como seu pai fazia.

Do lado de fora, parada e temerosa, estava Mariellen, a moça humana que Zach conhecera há três anos, quando conseguiu forjar um portal interdimensional que ligava o Mundo Místico à Terra. Haviam se casado há sete meses e desde então ela vivia ali com sua nova família. Porém, a Guerra das Quatro Terras fora deflagrada e Zach, sendo um oficial do exército do Sul, foi convocado. Não se viam há quase três meses.

As lágrimas e o medo de Mariellen não detiveram o jovem demônio, quando virou-se para ela, agarrando-a pelo braço e praticamente a arrastando até o antílope que mastigava com voracidade o belo canteiro de flores de Zakiyah. A moça humana, completamente inabilitada para aquele mundo e não compreendendo as atitudes daquele homem que tanto amava, gemeu em protesto, mas não lhe fora dispensada nenhuma atenção a mais por isso. Zach puxou a montaria pela rédea e, com extrema facilidade, ergueu a esposa até à sela, montando em seguida.

― Zach... por favor! – Suplicou, sem sucesso.

O Órix desceu embalado a ladeira, passando com destreza e fluidez pela vegetação e rochas, como se estivesse completamente recuperado da louca corrida que empreendera durante quase metade de um dia e como se não carregasse alguns quilos a mais em suas costas. Mariellen apertou com Força as pálpebras, não suportando a vertigem que a velocidade da montaria lhe impingia, e ainda com mais medo de se desequilibrar e cair, embora estivesse bem protegida pelos braços e corpo de Zach. Queria poder agarrar-se em algo, mas temia encostar as mãos naquele animal tão estranho para ela, e as braçadeiras e peitoril de metal que Zach usava pareciam a repelir! Há meses sem estar junto ao esposo, tendo uma saudade quase a sufocá-la, e ela sequer podia tocá-lo quando finalmente ele voltava para casa! Perdeu os sentidos por instantes por causa da vertigem e teria caído da montaria se Zach não a tivesse amparado, sobraçando-a pela cintura. Foi, somente assim, que ele fez com que o Órix parasse. Preocupado, deitou a moça em seu braço, vendo seu rosto ainda mais pálido do que de costume. Os lábios, naturalmente avermelhados, estavam brancos. A fisionomia de Zach se abrandou e, embora seus traços voltassem à serenidade costumeira, a tatuagem continuava carmesim e as pupilas fendidas.

― Ellen! Por Deus! Acorde!

Trêmulo, passou a ponta dos dedos desnudos sobre o rosto de sua amada, sentindo a pele dela muito fria. Só, então, se deu conta do quanto monstruoso deveria estar aos olhos dela, que ainda não conhecia todas as particularidades daquele mundo e de seus habitantes. E ele, miseravelmente, não a havia prevenido para essa sua face demoníaca. Até então, ela somente conheceu um homem diferente, de fisionomia exótica que mais lembrava um elfo das mitologias nórdicas de seu próprio mundo.

Baixou seus lábios até os dela, beijando-a e, desta forma, transmitindo sua própria energia vital a ela. Depois de uns instantes o sangue começou a circular novamente pelo rosto da moça, devolvendo-lhe o rosado dos lábios e das bochechas. Abriu os olhos de azuis celestes que refletiram o clarão vermelho-alaranjado do céu do poente.

― Perdoe-me, Ellen! Não queria tê-la amedrontado! – Zach sussurrou, agora muito mais calmo e embevecido pelos azuis celestiais daqueles olhos tão brilhantes.

Mariellen ajeitou-se sobre a sela, respirando o ar em golfadas e reprimindo uma náusea. Voltou-se para Zach quando sentiu que não havia mais riscos de pôr para fora o lanche da tarde, e tocou-o no rosto com dedos frios e vacilantes.

― Não imaginas como senti a tua falta! E como eu tive medo por ti! E quando te vi, pensei que tudo ficaria novamente bem e que finalmente iríamos para a nossa casa! Tenho algo muito importante para te contar e queria fazê-lo em nossa casa!

Zach fechou os olhos com pesar, sentindo finalmente a dor e a angústia daquilo que ele pretendia fazer. Beijou com leveza a fronde da esposa, puxando as rédeas do Órix e voltando à corrida, porém desta vez mais leve, quase apenas passadas largas.

A moça não estava gostando do rumo que eles estavam tomando. Conhecia aquelas paragens, embora tivesse passado por ali apenas algumas poucas vezes e a vegetação estivesse sempre em mutação. Definitivamente, não era para casa que eles estavam indo, afinal esta ficava no lado oposto, à raiz das montanhas e próxima às cachoeiras. E por que Zach permitiria que o pai e a irmã partissem sem ela? Ela era assim tão inútil que os atrapalharia?!

― Zach! Por favor! Para onde estamos indo?!

Zach não respondeu de imediato, embora não pudesse adiar isso por mais tempo. Respirou fundo. Não desviou o olhar do caminho por onde iam para responder à garota.

― Estamos indo à gruta...

Por um instante, o coração de Mariellen gelou, mas logo uma luz de esperança brilhou e o esboço de um sorriso se formou em seu rosto. ― Voltaremos para a Terra? Ficaremos por lá até a guerra acabar, é isso? E por que não trouxemos Zakiyah e o Sr. Ailã? Eles ficariam mais seguros conosco!

O Órix começou a galgar os rochedos que levariam à gruta escondida no pequeno outeiro. Mariellen ficou na expectativa de ter as suas respostas, mas a luzinha de esperança que havia se acendido em seu peito se apagava, pois, de alguma forma, sentia que Zach não estaria com ela. Ele, por sua vez, adiava o máximo que podia em lhe informar a sua decisão.

O animal parou na laje que daria entrada à gruta e Zach apeou, descendo a esposa em seguida. Mariellen estava rígida, os olhos marejados e a respiração opressa, mas manteve-se em silêncio, aguardando para que ele se pronunciasse, embora estivesse evitando isso. Para ganhar um tempo já perdido, o rapaz despiu as braçadeiras, o peitoril e a cota de malha que usava por baixo, ficando apenas com a túnica em couro macio que protegia a sua pele do atrito e calor dos metais da armadura. Voltou-se para Isa, envolvendo as mãos em seu rosto e absorvendo os seus traços em sua memória até que a urgência de senti-la junto a ele fosse mais forte. Envolveu-a em seus braços e a beijou como fosse o último ato de sua vida.

Abraçou-a ainda mais forte e mergulhou o rosto nos bastos cachos dourados que pendiam soltos, tentando absorver toda a essência dela, pois era o único tesouro que queria levar deste mundo caso ele morresse na batalha.

― Perdoe-me, Ellen... – Sussurrou ao ouvido dela.

Mariellen reprimiu um soluço, mas sua voz ainda assim saiu embargada. ― Eu não irei para a Terra sem você, Zach! Não ficarei lá enquanto você estará aqui em meio a uma guerra! Se você ficar, ficarei também e correrei os mesmos riscos que você!

― Não! – Zach bradou ao mesmo tempo que se afastava de Mariellen. Ainda a segurava em seus braços e a encarava nos olhos. ― Você não correrá risco nenhum, Ellen! Você irá para a Terra e voltará para a casa dos seus pais! Você não pode ficar aqui, não sobreviverá! E eu não poderei defendê-la!

― Por que está tornando tudo tão difícil?! Por que simplesmente não larga tudo isso e vem comigo? Eu não vou ficar sem você, Zach! Não posso ficar!

― É tudo muito difícil, não sou eu que estou tornando as coisas assim! Não posso abandonar a minha terra e o meu povo quando eles mais precisam do poder que eu possuo! Passei dias pensando em tudo isso, em nós, e lhe garanto que não foi nada fácil tomar essa decisão, Ellen! Eu quero que você viva, independente se estará ao meu lado ou não! Quero você viva e bem! Mesmo que em outro mundo, até mesmo com um outro homem... desde que esteja viva e segura!

― Zach!

― Por favor, Ellen! Você não sobreviverá aqui, mesmo que ficasse com o meu pai e minha irmã! Eles mal poderão garantir a própria sobrevivência e eu mesmo não posso garantir que não perecerei nesta guerra...

― Ah, que ótimo então, Sr. Zach! Além de me enviar contra minha vontade ao um mundo que não quero mais pertencer, me privar de tê-lo ao meu lado, ainda vou para lá na incerteza de que você sobreviverá! Isso é crueldade, seu demônio arrogante!

O rapaz sorriu um sorriso desprovido de alegria. ― A crueldade faz parte da nossa natureza, minha adorável humana... – O falso sorriso por fim desvaneceu, cedendo lugar ao desalento. ― É necessário que eu faça isso, Ellen... não poderei lutar como devo se eu tiver você aqui para me preocupar e assim não serei capaz de defender nem a você e nem a mim mesmo. Por favor, peço apenas que compreenda!

― Eu compreendo... – Mariellen suspirou cansada. ― Deus sabe o quanto entendo a nossa situação e sabe que eu já esperava por isso quando você foi convocado para essa maldita guerra! Que meu coração, de alguma forma, havia pressentido de que seriamos afastados por muito tempo! Por isso pedi a Deus que me desse algo seu... que me ligasse a você para sempre... e Ele me deu!

Mariellen aproximou-se de Zach e envolveu as mãos delicadas em seu rosto, olhando-o fixamente dentro de seus olhos, já não mais estranhando as pupilas fendidas como as de um gato.

― Estou esperando um filho seu, Zach... Eu estou grávida!

Continua...

By Snake Eye's – abril de 2011-04-06

N/A:

Como costumo fazer em todos os meus textos, desde a minha época de fanfics, gosto de colocar na nota de autor o significado e explicação de alguns nomes e termos utilizados. Tem quem ache isso maçante, chamam até de didático e que quebra a fluidez do texto! Mas acredito que ninguém tem a obrigação de saber de tudo e o trabalho de ir pesquisar aquilo que não sabe. Um ato de escrever vai além de meramente inspiração. É preciso muito ir atrás das palavras certas e de pesquisas para ter o mínimo de bom senso no que se escreve. Se eu fui pesquisar isso, por que não poderia dividir o que aprendi com o leitor?

Zach – Diminutivo de Zacharias – Nome hebraico que significa "o lembrado de Deus".

O órix ou guelengue-do-deserto (Oryx gazella) é um grande antílope africano. É também chamado de gemsbok, nome de origem neerlandesa, que significa camurça, porém os dois animais não são parentes próximos. Habita desertos e planícies áridas, juntando-se frequentemente em grandes manadas. A sua pelagem é acinzentada, parecendo mais ou menos acastanhada dependendo da incidência da luz. (Fonte: Wikipédia)

Zakiyah – Nome feminino mulçumano que significa "Dama de afiada mente e percepção".

Olorun é o 'Deus Pai Criador' de tudo e de todos na Mitologia Yoruba, no Culto de Ifá e nas religiões afro-brasileiras. A religiosidade das Terras do Sul é baseada no candomblé e em seu panteão de orixás.

Nome indígena de origem Macuxi, significa "entidade mítica".

Imam – Palavra árabe que significa chefe, guia.

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