Eu te odeio.

Odeio quando você me repreende. Odeio quando você acha que manda em mim. Odeio quando você me obriga a fazer coisas que eu nunca faria. Odeio quando você me faz passar no ridículo. Odeio quando você me obriga a deixar a porta do quarto aberta, para você ficar me vigiando. Odeio quando você me obriga a comer mais verduras o que uma pessoa normal pode agüentar. Odeio quando você decide com que roupa eu vou sair. Odeio quando você mexe no meu cabelo, arrumando ele como você acha que deveria ficar. Tenho ódio quando você me bate. Odeio quando você grita comigo. Odeio quando você muda minhas coisas de lugar sem minha autorização. Odeio quando você mexe nos meus livros como se fossem coisas banais. Odeio quando você dá palpites em minha vida. Odeio quando você me começa seu sermão, achando que por causa da sua idade, você sabe mais que eu. Odeio quando você me manda estudar quando estou com o livro de matemática aberto. Odeio suas cobranças desnecessárias. Odeio sua ironia. Odeio quando você fala. Odeio quando você me xinga. Odeio quando você me faz chorar.

Mais eu me odeio ainda mais.

Me odeio por depois estar rindo junto a você. Me odeio por demais falar que esqueci, no entanto, meus olhos denunciam a minha dor. Me odeio por fingir um sorriso enquanto na verdade queria me afogar em prantos. Me odeio por me preocupar com você a ponto de esquecer e largar tudo o que eu tenho que fazer. Me odeio por acreditar na sua mentira mais deslavada. Me odeio por deixar você mexer nas minhas coisas para por nos lugares onde você gostaria, só para te ver feliz. Me odeio por fazer tudo o que você manda, e – mesmo quando eu tento te responder, e você briga ainda mais comigo – eu te desejar uma boa noite. Me odeio te abraçar quando na verdade queria estar longe de você. Me odeio por ouvir seus sermões. Me odeio por me matar de estudar, só para mendigar um elogio qualquer. Me odeio por colocar meu cabelo ridículo do jeito que você quer só para você me contar as histórias engraçadas da sua época.

Mais eu me odeio – ainda mais - por sempre te perdoar. Por continuar te amando incondicionalmente.

Eu me odeio

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N/a: Uma da madrugada, uma mãe de TPM e uma filha que sente as dores de uma briga noturna. E que me fez perder o sono – e muitas lágrimas por cima do teclado também -. Não ligo se estiver ruim.