ClockTower

Por Juliana Nonato


Por trás da torre do relógio correm pessoas atrás do tempo. Ganhando tempo. Fazendo coisas. Correndo e correndo e correndo quase como se corressem em círculos porque, cá entre nós, é impossível imaginar alguém com objetivos correndo tanto por tanto tempo.

Em frente à torre do relógio corre um rio ao invés das pessoas, e as pessoas lá ficam apenas observando o rio que corre e corre e corre quase como se corresse em círculos. O tempo corre entre as águas do rio enquanto as pessoas apenas observam. É bonito de se ver e triste de se viver em frente à torre do relógio. Vê-se os segundos e os minutos e então horas e dias e a sua vida correndo com o rio. Para longe.

De cima da torre do relógio, as pessoas param o tempo. Porque elas observam as pessoas e os rios correndo e correndo e correndo quase como se corressem em círculos e elas não sabem o que fazer e quase enlouquecem e preferem que o tempo pare para que elas possam respirar antes de fazer qualquer coisa. E é quando elas decidem que voar soa melhor que correr.

Então nós pulamos e voamos e morremos.
E ninguém ousaria dizer que nós não fomos felizes.