{ Fearless }

Ping… ping… pingpingping… pingpingpingpingping…

Não… Já começou a chover! E eu ainda aqui na escola! E para piorar as coisas, esqueci-me do telemóvel em casa e as minhas amigas já foram embora… Que azar…

Oh bem… acho que vou ter que esperar que a chuva passe…

Acabo de arrumar os livros nas estantes e saio da silenciosa e vazia biblioteca. Não preciso ir ao cacifo uma vez que já tenho tudo o que preciso comigo. Hehe, que frase…

– E agora? O que faço até a chuva passar? – pergunto ao corredor vazio. Acho que me vou sentar nos bancos do pátio. Uma das coisas que mais gosto nesta escola é o seu alpendre, que se estende ao longo da fachada frontal do edifício, oferecendo abrigo, quer seja em dias de muito sol ou em dias como este, a alunos, professores e outros funcionários. Assim que lá chego sento-me no segundo banco de jardim da minha direita, o meu lugar habitual. Que posso eu fazer? Sou uma rapariga de hábitos e rotinas, a mudança ou a espontaneidade não fazem parte do meu dia-a-dia.

Solto um enorme e resignado suspiro enquanto observo a chuva a cair.

– Hey! 'Tás à espera de alguma coisa? – uma voz masculina, calma e doce arranca-me dos meus pensamentos.

– AAHHH!! Mas que raio?! – argh.. Acho que até levantei voo com o susto que apanhei. Viro-me para quem falou e lá está ele, o dono da voz que me ia matando de susto. Alto, cerca de 1,75m ou por aí, cabelo curto, despenteado e castanho-chocolate. Os olhos em tons de castanho e dourado eram surpreendentemente radiantes. Estava encostado à ombreira da porta no lado oposto a mim.

– Desculpa se te assustei, não era minha intenção.

– Amm… Não faz mal.

– Então? – desencosta-se da porta e dá uns três ou quatro passos em direcção à rua antes de continuar – Estás à espera de alguma coisa? Ou apenas a apreciar a vista? – diz dirigindo o olhar para mim. Oh não! Borboletas! Vou tentar olhar para a rua molhada e evitar o seu olhar…

– Huh… Sim, estou à espera que a chuva pare, para ir para casa.

– Humm… Quer me parecer que vais ficar aí ainda um bom bocado.

– Hã? Ai é? Então porquê?

– A chuva está a piorar cada vez mais. Queres boleia para casa?

– Hã? - o que é que ele disse?!

– Eu disse: Queres… Boleia… Para… Casa? – falou super devagar, como que a gozar comigo.

– N-não, não é preciso – oi! 'Tou a gaguejar! Isto não é bom!

– Vááá – diz ele, enquanto ao mesmo tempo me levanta e me põe a mala a tiracolo.

– Mas?... Que estás fazendo? – acho que paralisei ou algo assim.

– A ajudar-te – e tira o seu casaco de cabedal à corredor. Depois, o mais surpreendente:

– Toma, coloca-o sobre a cabeça para não te molhares muito até chegares ao meu carro.

– Mas…

– Vá! Vamos – e com isto começa a correr em direcção ao parque de estacionamento.

Após alguns segundos de debate interior, decido arriscar. Coloco o belo casaco sobre a cabeça, respiro bem fundo e sigo o rapaz.

Quando finalmente chego ao pé do seu Mustang Shelby GT500E, ou Eleanor, a porta do passageiro já estava aberta. Entro e fecho a porta num abrir e fechar de olhos. Felizmente não me molhei muito, apenas a parte de baixo das calças. Graças ao casaco…

– Uff! – o rapaz sacode o seu cabelo ligeiramente. Uau! Coitado! Está encharcado… e é culpa minha… Wow! Pára tudo! Eu estou sentada num Shelby GT500E! Uma raridade!

– Huh…

– Sim? – ele levanta a cabeça e olha para mim

– Este é mesmo um GT500E?

– Yup! O meu pai ofereceu-mo, eu ficava contente com um Mustang mais barato, – encolhe os ombros – mas ele fez questão de me comprar este. Pais…

– Wow… Adoro este carro. – e até é preto com as riscas brancas que gosto tanto! – Esquece isso! Tu estás encharcado! – mudo de assunto mental mais uma vez assim que me apercebo que ele ainda está encharcado.

– Heh… – encolhe os ombros, outra vez – Onde moras? – liga o motor e sai do parque do estacionamento.

– Uns seis quarteirões para aquele lado – digo enquanto aponto para a nossa esquerda – eu ia a pé, se não estivesse a chover tanto e não tivesse coisas que não se podem molhar.

– OK! Então vamos! Quando lá chegarmos fiz para eu parar.

– OK.

*****

O resto da viagem foi bastante silencioso, exceptuando a chuva e uma ou outra troca de palavras.

– Então, o que o fazias na escola até esta hora? – pergunta o rapaz mantendo os olhos na estrada.

– Huh? Ah… Estava a fazer uma pesquisa para um trabalho.

– Ah. Ok.

– E tu? – pergunto mantendo também os olhos na estrada.

– Tinha estado a praticar cestos, embora tenha recusado entrar na equipa e basket e de futebol, mantenho o meu gosto pelo desporto.

– Recusaste?! Porquê? – isto apanhou toda a minha atenção, fazendo-me dirigir o meu olhar para ele.

– Heh – diz encolhendo os ombros, depois olha-me pelo canto do olho e esboça um sorriso, o que me faz desviar o olhar, quebrando o contacto visual – Acho que nunca me atraiu fazer parte de uma equipa da escola, sempre senti que seria como se estivesse a aceitar fazer parte de um estereótipo.

– Compreendo. Bem, ali está a minha casa. – digo assim que a avisto.

– Muito bem. – é tudo o que ele diz antes de encostar mesmo em frente ao caminho da entrada – Chegámos mademoiselle – diz oferecendo um acolhedor sorriso.

– Pois… Obrigada pela boleia – retribuo o sorriso antes de voltar a colocar o casaco sobre a cabeça – Oh! É teu. – estendo-lhe o casaco mas ele nega.

– Leva-o, ainda precisas dele.

– Mas…

– Vá – e com isto recoloca o casaco sobre a minha cabeça – Tchau!

– Ahm… Ok… Tchau. – abro a porta do carro, fecho-a e corro que nem uma louca até ao pequeno alpendre da entrada. Assim que lá chego, volto-me para o carro e aceno adeus ao meu "herói". Ele apenas acena com a cabeça e continua a sua viagem.

E eu observo até ele desaparecer do meu campo de visão.

Decido entrar em casa, uma vez que a tempestade piora cada vez mais.

– Já cheguei! Mãe! Já estás em casa? – grito pela casa fora enquanto me dirijo ao meu quarto para pousar as coisas.

– Sim Eileen! Estou na cozinha!

Assim que troco de sapatos, peúgas e calças, salto do quarto e dirijo-me à cozinha descendo as escadas aos pulinhos. Quando lá chego o belo e apetitoso perfume de esparguete bolonhesa invade as minhas narinas.

– Mmmm… Que cheirinho! Mal posso esperar pelo jantar! – digo enquanto roubo uma bolacha do armário.

– Eileen?

– Sim?

– Como chegaste a casa seca?

– Hã? Ah… Um rapaz lá da escola ofereceu-me boleia e como me esqueci do telemóvel e a chuva estava a piorar, aceitei.

A minha mãe apenas me olha como se eu tivesse cometido um crime.

– Tu tens noção de que arriscaste um bocado?

– Eh… – por acaso não tinha pensado nisso.

– Pois, bem me parecia.

– Desculpa mãe. – ela apenas acena com a cabeça.

– O teu pai deve estar quase a chegar.

Depois de jantar e de explicar melhor a situação aos meus pais, fui para o meu quarto. Assim que lá cheguei vi o casaco do rapaz.

– Não cheguei a saber o seu nome… - penso em voz alta. Amanhã logo o procuro. Por agora é melhor dormir.

*****

Saio de casa a horas e desta vez com um guarda-chuva, não fosse o diabo tecê-las. Levo também o casaco, delicadamente dobrado ao alto, pendurado no meu braço que mantenho junto ao meu corpo. Não quero estragá-lo, é demasiado bonito, tal como o dono… Ao aperceber-me do que estou a pensar abano a cabeça:

– Não vais deixar que uma chuvazita e que um simples casaco te façam apaixonar por um desconhecido, pois não? – digo para mim própria. Mas depois apercebo-me de que já estou na escola – Olha… já cheguei… – não acredito que levei o caminho todo a pensar nele…

– Eily! – uma voz familiar acorda-me.

– Marion, bom dia! – respondo à minha grande amiga de infância, Marion. É uma rapariga bem bonita: alta, elegante, cabelo liso, loiro e pela cintura e olhos verde-azeitona. Parece uma barbie.

– Então Eily, apanhaste muita chuva ontem? – tom de gozo cobre esta pergunta.

– Por acaso, não apanhei muita.

– Ai não? O que… – os olhos dela prendem-se no casaco – Conta-me tudo o que se passou! – grita a Marion enquanto dá pulinhos e bate palmas. Que louca! A claque tornou-a demasiado hiperactiva. No entanto não estragou mais nada, incluindo o seu sexto sentido: se há um rapaz na história ela sabe logo!

Então lá lhe contei tudo sobre aquela tarde.

– Oh! E não sabes quem ele é? Apenas tens o seu casaco! Oh! – lá estava ela a dramatizar a situação, mesmo à drama queen, incluindo as costas da mão na testa… ai…ai…

De repente deixo de a ouvir, ali estava ele. Dirigia-se à entrada e vinha a baloiçar as chaves do seu Shelby. Trazia umas calças de ganga escura e de corte direito e um outro casaco de cabedal, desta vez um simples e castanho natural.

Sem pensar levantei-me do meu banco e de casaco na mão fui ter com ele.

– Olá – ok… vamos parecer o mais natural possível.

– Hey! – responde ele com um gentil sorriso – Tudo bem?

– Sim, olha… humm… o-obrigada pelo ca-casaco, aqui está – e depois de tanto gaguejar (grrr) lá lhe entrego o casaco.

– Ora essa! Tu precisavas de ajuda, e eu ajudei – o seu sorriso cresce.

– Tens um sorriso bonito – ups! Tapo a boca e coro como um tomate maduro, oh meu Deus! – Desculpa, eu-eu não sei o que me deu – já não consigo olhar directamente para ele, ai que vergonha… E eu nem sequer sou assim…

É então que sinto uma mão a levantar-me o queixo gentilmente, de maneira a que eu olhe para ele. Um pequeno sorriso aparece no canto da sua boca.

– Hey… e tu também – para minha surpresa ele também cora, embora mais suavemente.

– Hey Lance, tudo bem meu? – aparece um tipo do nada que se joga para cima do rapaz, ahm Lance. Então é esse o nome… Lance. Este tipo coloca o seu braço esquerdo sobre os ombros do Lance, deixando-o um pouco surpreendido com este ataque-surpresa. Era um tipo forte e alto, e pelas suas roupas, de certeza que fazia parte da equipa de futebol.

– Olá Ron, comigo está tudo. E contigo? – consigo notar um tom de… aborrecimento?

– Yah! 'Tá tudo excelente!

– Ermm… Lance, não é? Muito obrigada mais uma vez! Tchau! – e com isto saí dali o mais depressa possível.

Acabei por voltar para perto da Marion, que tinha cara de quem não me ia largar em relação ao assunto «Lance».

– Então Eileen? O que foi aquilo? Caras coradas, a mão dele no teu queixo e para tornar tudo mais interessante, ele é o Lance Reed! O rapaz que negou os convites para as equipas de futebol e basquetebol. E… Ora – parece que o entusiasmo dela diminuiu drasticamente, é mesmo típico dela – não sei mais nada sobre ele… – e acaba fazendo beicinho! Ahahaha! Esta rapariga é demais.

– De que te ris? – ela joga-me um olhar matador, ups! Devia ter contido melhor o riso.

– De nada Marion. – digo enquanto levanto as mãos em sinal de derrota.

– Humm… Vamos para a sala? Está quase a tocar. – ela muda o assunto de uma maneira… Mas eu não me queixo, ela não me iria deixar em paz durante muito tempo se não fossem as aulas.

Eu acenei que sim e lá fomos.

As aulas passaram depressa e quando dei por mim já era hora de me ir embora. Felizmente o tempo de chuva passou.

Estou na biblioteca mais uma vez, a minha pesquisa ainda não foi dada por terminada! Hehe.

– Olá – diz uma voz.

– Huh? Oh, olá Lance – interrompo a minha leitura para responder ao rapaz encostado às estantes.

– O que lês? – diz enquanto se desencosta para se sentar à minha frente.

– Nada, apenas uma pesquisa para um trabalho de casa.

– Umm… Fixe. – diz sorrindo.

– O que é tão engraçado?

– Nada, nada. Acho giro dedicares-te à escola.

– Giro? – levanto um sobrolho tentando manter um ar sério, tarefa que se torna infrutífera uma vez que o sorriso do Lance leva-me a sorrir também.

– Nunca cheguei a saber o teu nome. – diz o rapaz mudando de assunto.

– Huh… E-Eileen. Eileen Crystal – estendo a mão. Ele aperta-a:

– Lance Reed. – e com isto sorrimos os dois.

*****

Uma semana antes do Baile de Finalistas

– Vamos Eily! Temos que ir buscar os vestidos! – grita uma Marion ansiosa na entrada.

– Vou já! – pego na mala e no casaco de cabedal que o Lance me ofereceu pelo meu aniversário e num instante estou na entrada.

– Final-men-te! – diz a Marion levantando as mãos aos Céus. – Sinceramente, desde que começaste a namorar com o Lance que demoras muito mais tempo a despachares-te. – resmunga a minha melhor amiga enquanto liga o carro. Eu apenas me rio, enquanto coro suavemente ao pensar no Lance. Wow, o que a minha vida mudou nestes últimos meses… De certo modo tornei-me mais corajosa, arrisco mais. Nada mudou em relação à escola, isso mantém-se estável. A minha atitude perante a vida é que mudou… Graças ao Lance…

– Então Eileen? Não dizes nada? – interrompe-me a Marion.

– Que há para dizer?

– Ummm… como está o Lance?

– Marion! Tu viste-o ainda esta manhã!

– Eu sei, apenas queria falar sobre algo – responde encolhendo os ombros. Eu abano a cabeça. Esta rapariga é demais.

Passados dez minutos chegamos finalmente à costureira.

– Vamos lá ver se ficamos deslumbrantes ou não! – diz a Marion dirigindo-se à entrada.

Depois de muito esperar, finalmente experimentámos os nossos vestidos. Estavam perfeitos. A Marion comprou um vestido cinzento-escuro apertado no pescoço e com a saia com algumas pregas, fazendo um efeito fofo. Eu fiquei-me por um mais simples, rosa e com renda. Pagámos e voltámos para casa.

Noite do Baile

São 7.30h e já estou quase pronta, já tenho a pequena bandolete com brilhantes colocada no meu cabelo, que foi apanhado na nuca com algumas madeixas de cabelo soltas, e o lipgloss também já está. Agora apenas tenho que vestir o vestido. Estou bastante satisfeita com ele, é cor-de-rosa com renda preta na cintura e na bainha. Assenta na perfeição.

*DlingDlon*

É ele! E como se a minha vida dependesse disso, dirijo-me o mais depressa possível para a entrada. Quando lá chego já está o meu pai a dar o seu "sermão" ao Lance.

– Não se preocupe Sr. Crystal. Trago-a a casa antes da meia-noite e calçada.

– Hahaha – ri-se o meu pai. Ele aprova o Lance, apenas gosta de dar o seu sermão dos pais – Eu sei meu rapaz. Ah, querida! Já estás pronta! – diz o meu pai assim que se apercebe da minha presença – Estás linda! – estende-me a mão, e de mão dada com o meu pai acabo de descer as escadas. – Penso que está na hora. – beija-me na testa e prepara-se para se ir embora – Divirtam-se! – e com isto deixa-nos a sós.

– O teu pai tem razão, – diz o Lance enquanto me pega na mão e me faz rodopiar – estás linda!

Eu apenas sorrio.

– Vamos? – eu aceno e aceito o braço que o Lance estendera.

A meio do caminho começa a chover.

– Espero que não piore muito, não tenho nada para te proteger da chuva. – preocupa-se o Lance, passando a mão pelo cabelo, hoje arranjado num penteado à anos 50. Adoro quando ele faz isto, é um tique que ele tem. Sempre que fica preocupado com alguma coisa, passa a mão pelo cabelo, não numa maneira convencida, mas numa maneira querida. Adoro-o.

Cerca de cinco minutos depois, a chuva leve transforma-se numa tempestade.

– Ugh… Está a chover a potes! – desabafa o Lance. – Mal se vê a estrada!

– Que fazemos? – pergunto ligeiramente preocupada, esta chuva é perigosa para andar na estrada…

– Vou reduzir a velocidade, depois tento… ahah! Vou estacionar naquele parque – aponta para uma publicidade luminosa pertencente a um mini-mercado, daqueles que estão abertos vinte e quatro horas, mesmo antes de entrar no parque.

– E agora? – pergunto. Como resposta obtenho um encolher de ombros.

– Esperamos, não posso arriscar conduzir com esta chuva. É muito perigoso.

– Pois…

E com isto solto um grande mas calmo suspiro e encosto o cotovelo na porta, apoiando o queixo na palma da mão.

Depois de alguns minutos a observar a chuva a cair, uma vontade enorme de imitar Gene Kelly invade-me…

– Lance?

– Sim?

– Vamos dançar!

– Hã? Mas onde? – os seus olhos quase que lhe saltam das órbitas, ups… – Não vês que está a chover torrencialmente?

– Ora, aí é que está a piada! – a sua expressão não melhora, pelo contrário, piora.

– Estás doida…

– Por ti – lanço-lhe um sorriso de orelha a orelha, o que o faz sorrir também.

E então, de repente pego em mim e salto para a rua. Saltito, rodopio e rodopio enquanto desafio o Lance:

– Vem lá! Vem sentir a chuva! Dança comigo! – o Lance apenas sorri e abana a cabeça como se eu fosse uma criança.

– Vá lá Eily, sai da chuva. Vais ficar doente. – oh que querido, ele bem que tenta, mas não vou sair daqui.

– Não fico nada doente! Vem lá dançar! Porquê ir até ao baile, se podemos dançar aqui e agora? – e para ajudar faço um beicinho. Hehe! Consegui! Ele está finalmente a sair do carro! No entanto, não vem com a mesma velocidade com que eu saí do carro, vem nas calmas só para me picar.

– Tu és a rapariga mais surpreendente que eu alguma vez conheci – segreda-me ao ouvido assim que chega perto de mim. Isto faz-me rir, a sua respiração faz cócegas, ele é mesmo fofo.

– Bem, minha princesa, dá-me a honra desta dança? – pergunta-me estendendo a mão. Sorrio e aceito-a.

Enquanto dançamos é como se não houvesse chuva nenhuma, ou melhor, como se a chuva fosse parte da dança. Momentos mágicos…

No entanto, tudo o que é bom tem um fim… Começo a tremer, a chuva finalmente atingiu os meus ossos… notando isto, o Lance pára de danças e observa-me de alto a baixo muito preocupado.

– Estás gelada!

– N-não es-estou na-nada – Grrr até a minha voz está contra, já não bastava o corpo a tremer…

– Deves pensar que me enganas – levanta o sobrolho direito – Vá, vamos para casa – e com isto põe um braço à volta dos meus ombros e leva-me até ao carro. Depois de ter a certeza de que eu estava bem sentada, fecha a porta e corre para o seu lugar.

*****

Depois de uma viagem cuidadosa devido à estrada molhada recentemente pela chuva que acabara há minutos, chegamos a minha casa.

– Chegámos menina – anuncia o Lance enquanto me lança um enorme sorriso. Eu respondo com um outro sorriso da mesma natureza. Depois, assim que me preparo para sair, sinto a mão do Lance no meu braço impedindo-me de avançar.

– Espera. – diz ao mesmo tempo que sai e se dirige à minha porta para abri-la.

– És mesmo um cavalheiro, Lance Reed – digo-lhe enquanto saio do carro.

Como que para fazer prevalecer a sua fama de cavalheiro, Lance acompanha-me até à porta.

Ali estamos, debaixo do meu alpendre frente-a-frente, olhos nos olhos. As minhas mãos tremem como varas verdes, não sei o que me deu. Sim, estou gelada, mas não o suficiente para ter as mãos assim.

Lance, apercebendo-se disto, pega nas minhas mãos e puxa-me ligeiramente na sua direcção.

– Sabes? – ele apenas sussurra e com a mão esquerda afasta uns cabelos da minha cara – Namoramos há umas semanas, no entanto…

– Ainda não nos beijámos – términos por ele, com o mesmo tom de voz.

– Pois – um pequeno riso solta-se dos seus lábios – somos sempre interrompidos.

– Pois… Mas agora estamos completamente sozinhos…

– Eu sei… – o espaço entre nós começa a escassear, até que os nossos lábios finalmente se tocam.

Parece que estou num filme! O meu primeiro beijo! Dado depois de uma noite mágica! Acabei de experienciar um momento ainda mais mágico que a nossa dança à chuva…

Depois do que me pareceu séculos, separamo-nos e apenas sorrimos um para o outro.

– Bem, – é o Lance que quebra o silêncio – acho que é melhor ires para dentro antes que o teu pai se lembre de abrir a porta ou assim.

Eu rio-me baixinho:

– Sim, é melhor, já se faz tarde. E ainda tenho que ir tomar um banho antes que me constipe.

– Não queremos isso, pois não? – ele brinca acariciando a minha cara e despede-se com um outro leve beijo. – Vemo-nos amanhã

– Tchau

Assim que chego ao quarto preparo as coisas para tomar um banho rápido. Depois do banho, visto um pijama de corsários e deito-me a recordar a noite mágica que tive… Perfeita… Sem falhas.

FIM!!!