-Capítulo Onze-

Encurralados

Chegaram então na caverna. Enargon baixou vôo e entrou sobre a grande abertura no buraco da caverna. Pousou em seu interior.

-Finalmente chegamos!-disse o mago.

Herald desmontou do dragão junto com os meninos. Ele então prendeu o dragão nas correntes e o encerrou na grande jaula de ferro.

As crianças se despediram do mago sorridentes. Se dirigiram até a saída da caverna. De repente avistaram Joel parado sobre a entrada da caverna, refletindo e observando os jardins.

Henry e Wendy a cumprimentaram:

-Olá Joel!-Joel se virou e fitou as crianças com suas órbitas. Com seus olhos meio saltados assustadoramente.

-Ahm..olá crianças?Conseguiram destruir o colar então com Herald Gaspar?-disse Joel surpreso.

-Oh, sim. –Respondeu Wendy.

-Os duendes nos ajudaram. –Disse Henry afirmativamente.

-Herald me contou. –Disse a caveira.

A caveira estava segurando sobre a mão direita uma mochila velha e encardida. A colocou sobre o chão, abriu o fecho, enfiou em seu interior sua mão esquelética e apanhou uma bela espada com diamantes cravejados sobre o punho.

Dirigiu-se a frente de Henry dando-a na sua mão. Joel então explicou a Henry:

-Esta espada foi enviada à você pelas ordens do mago. –Ele tinha se esquecido de mandá-la a você na caverna, e me deu em seguida para dar a você.

Henry olhou para a espada fascinado. Era uma bela espada afiada, com seus lindos diamantes brilhante cravejados sobre o punho. Wendy articulou:

-Deve ser a espada para destruir o livro.

-Isso mesmo. –Afirmou Joel. –Esconda esta espada, Henry, não deixe que ninguém do orfanato veja. -Guarde-a na mochila, pegue-a para você. -E Joel deu a mochila a Henry.

-Ah, obrigado. –Disse Henry colocando a espada no interior da mochila e a fechando. Logo depois colocou a mochila a suas costas. Wendy e Henry se despediram de Joel e saíram da caverna.

O sol já estava se pondo aos poucos. A tarde vinha se arrastando. Henry e Wendy foram até o refeitório tomar seu café da tarde. Se juntaram a seus amigos: James, Eriel e Catherine. Os contaram as últimas novidades de suas aventuras na caverna.

-Então havia um dragão vermelho de nome Enargon na caverna. –Disse Catherine impressionada.

-Sim. –Disse Wendy.

-E ele nos levou até uma mina onde viajamos que fica na floresta de Madison Fallen, lá conseguimos destruir o colar de uma vez por todas.

-Agora só nos resta encontrarmos o livro..

Wendy e Henry por um momento deram uma pausa na conversa. Depois Wendy perguntou:

-James você sabe onde está o livro?

-Bom, a última vez que o vi foi Alice lendo-o aqui no refeitório. –Estava furiosa por terem apanhado o colar. –Ela anda muito desconfiada da atitude de vocês.

Henry e Wendy pensaram a respeito do alarme que o mago comentou. Que havia soado no colar. Pensaram que Alice ou então Eleanor ou até mesmo a própria Amanda Ross, mãe de Alice e criadora do colar. Acharam que alguma delas havia selado sobre o colar um encantamento para deixá-lo no alarme. Assim fazendo o troll chegar até eles para tentar impedir a sua destruição, mas o troll foi muito lento e nem conseguiu chegar a tempo.

Algumas horas depois, às oito e meia da noite, o céu já estava escuro e estrelado, em época de lua nova. As crianças subiram até seus dormitórios. Henry subiu conversando com James e Eriel, entraram em seus dormitórios. No dormitório de Henry havia um beliche de madeira, no canto direito do dormitório. E no canto esquerdo havia uma cama normal onde Eriel ia deitar. Henry dormia no beliche de cima e James no de baixo. Henry havia se deitado sobre o beliche exausto. Fechou as pálpebras de seus olhos e dormiu em seguida num sono profundo.

Henry e Wendy estavam brincando lá fora no quintal de felizes e sorridentes.

Mary Olivers estava em seu quarto escovando seus longos e belos cabelos muito negros, escorridos e vivos. Estava em frente ao espelho confeccionado de madeira adornado, sobre a penteadeira onde ela guardava caixinhas de maquiagem, pentes, escovas, lindos colares e brincos. Por um instante abriu a caixinha de madeira texturizada de lindas orquídeas e cipós. Abriu então uma gavetinha onde guardava seus colares. Apanhou então um colar de ouro, com uma forma de caveira desenhada sobre ele. Ela o colocou sobre o pescoço e se viu longos minutos se admirando no espelho cuja sua beleza que a cativara.

O marido, Willian Olivers estava na cozinha jantando sobre uma mesa de madeira no seu centro, jantava em silêncio sentado na cadeira.

A mulher de repente sentiu um impulso, seu coração batia aceleradamente. Estava trêmula. Seus grandes lábios retorciam-se. Seus olhos começaram imediatamente a mudar de forma e cor, adquirindo uma cor vermelho escarlate ofuscante.

Apanhou de uma poltrona marrom escura próxima, do lado de sua cama de casal de ferro, perto também de um criado mudo e sobre ele estava um abajur aceso. Apanhou então um punhal da poltrona marrom. Vinha caminhando e deslizando, adquirindo uma forma assustadora e macabra.

Dirigiu-se até os corredores da casa, parou. Dirigiu-se até as cortinas de veludo brancas da entrada da cozinha a direita e fitou o marido o olhando fixamente. O marido não a viu: estava de costas jantando, sentado na cadeira.

A mulher que vinha trazendo o punhal, caminhando silenciosamente. Ficou parada de pé atrás do marido sentado. Então levantou o punhal no ar e o baixou; apunhalou o marido pelas costas, o esfaqueando com violência. O marido deu gritos e murmúrios de desespero; escorrendo jorros de sangue pelas suas costas, e se espalhando ao redor da cozinha toda. Então ele caiu sobre o chão meio aleijado, de costas. A mulher se dirigiu voltando para seu quarto. Ela então apanhou do bolso de sua calça um isqueiro e o acendeu jogando-o aceso sobre a cama. A casa então logo depois começou a ficar em chamas.

Mary então apunhalou seu coração; suicidando sua própria vida friamente.

A casa então se queimou completamente pelas chamas.

Já era de manhã quando Henry acordou assustado por Wendy o cutucando. Estava muito pálido, seu corpo estava todo suado. Sentou-se então no beliche horrorizado. Wendy perguntou:

-O que aconteceu? Ouvi berros e gemidos do outro lado, do meu dormitório! O que você tem?Olhe só pra você está todo suado. Henry explicou o pesadelo a Wendy, apavorado:

-Tive um pesadelo muito ruim!Wendy o incêndio, descobri..como nossos pais morreram...

-Acalme-se Henry, explique melhor como foi que aconteceu?-indagou Wendy.

-Ah, nossa mãe estava no quarto quando de repente ela abriu sua caixinha de porta jóia e apanhou uma replica, sabe do colar de Alice, ela tinha a réplica nós não sabíamos; ela o apanhou e colocou o colar sobre seu pescoço. Logo depois ela já estava possuída pela maldição do colar e assassinou nosso pai o apunhalando violentamente pelas costas. -Henry explicava horrorizado.

Wendy congelou; boquiaberta e pasma.

-Espere tem mais..-Disse Henry.

-Logo depois ela incendiou a casa, se matou apunhalando-se com o punhal em seu peito. –A casa então logo depois ficou em chamas, destruída pelo incêndio.

Os dois ficaram em silêncio longos minutos, traumatizados com o ocorrido. Tristes e assustados.

Alguns vários minutos depois Wendy disse a Henry:

-Como, o Marcus, da vistoria não descobriu nada, nenhum vestígio do que foi a causa do incêndio?- indagou Wendy aterrorizada.

-Pois é, é isso que eu acho tudo muito estranho. –Articulou Henry.

-Espere, acho que o vi segurando aquele colar na mão. –O colar ainda estava intacto, nem estava queimado, muito estranho isto. –Comentou Henry, sua mão segurava o queixo.

-Mas o colar pode ser destruído totalmente só na fornalha da mina dos duendes que foi onde nós o destruímos; somente por fogo mágico!-exclamou Wendy.

-Ah, sim, mas será que o Marcus ficou com a réplica, depois que a pegou, no incêndio em nossa casa?-indagou Henry.

-Não consigo me lembrar agora disto... –Disse Wendy, absorta em seus pensamentos.

-E se ele pegou o colar? Se ele foi amaldiçoado?!- falou Henry, já estava irritado e impaciente.

Queria saber de uma vez por todas se Marcus havia apanhado o colar e levado para casa. Não conseguia lembrar-se de nada, nada vinha em sua mente, imagem alguma, queria ter voltado novamente ao sonho e avançado um pouco mais depois que Marcus chega para vistoriar a casa.

-Mas, Henry, o original já foi destruído!-Wendy já estava ficando nervosa. –Deixe isso pra lá Henry!O que importa agora é conseguirmos o livro!

-Sim, mas, e se a maldição nas réplicas dos colares ainda existe... –Disse Henry vagarosamente e pensativo.

-Pois é. Eu também fico me perguntando sobre isso, mas deixa pra lá! Temos que perguntar isto ao mago não é mesmo?É só ele que sabe de tudo!

Wendy e Henry ficaram depois longos minutos em estado de choque. Pensando no pesadelo. Mal conseguiram almoçar, só ficaram olhando e brincando com a comida pensativos. Minutos depois foram cumprir as tarefas dos jardins à tarde. Ajudaram nas tarefas, muito desanimados. Wendy começou a ficar com estranhas tonturas e ânsias de vômitos. Henry estava tendo estranhos devaneios,preso em seus pensamentos. Não acreditava. Seus pais foram mortos. Sua mãe tinha cometido homicídio e logo após suicídio. Queimara a casa, fora possuída pela maldição.

O dia estava muito ventoso. Era uma tarde de outono. Os jardins e quintais estavam muito difíceis de varrer, pois todo o tempo vinha vento e as folhas das árvores secas e frutíferas não paravam de cair das árvores. Dificultando assim, a tarefa das crianças.

Lilian comandou e dirigiu as crianças, enfileiradas, caminhavam em direção ao refeitório. Wendy e Henry gostam muito de Lilian por causa de sua aura que esbanjava simpatia. Estava sempre disposta a cuidar das crianças sempre que elas precisassem. Era uma mulher solidária e de uma índole boa.

As crianças foram andando aturdidas. Não estavam com muita fome. Pegaram seus pratos de porcelana branca. Serviram-se de sopa de aspargos, e sentaram-se sobre a mesa, sozinhos. Tomaram a sopa de má vontade. Logo depois de mal terem comido a sopa, saíram do refeitório e foram rapidamente para seus dormitórios descansarem, pois não estavam nada bem.

Horas depois, já de tardezinha, deram uma volta nos jardins. Conversavam e contemplavam os pássaros que passavam pelos jardins cantarolando e pousando sobre as árvores e arbustos muito verdes.

Instantes depois avistaram ao longe: Alice e Aurélia regando as plantas dos canteiros, e cuidando das hortas. Espantando os pássaros para não comerem as alfaces sobre a terra. Estavam irritadas e impacientes. Uma cochichava no ouvido da outra. Logo depois reclamava uma no ouvido da outra, baixinho. Wendy e Henry se aproximaram perto delas e se esconderam atrás de um grande arbusto espinhento. Henry sem querer havia pisado num graveto, dando cliques e estalidos.

Alice e Aurélia se viraram. Alice murmurou:

-O que foi isso?Aurélia?

-Não sei. Alice. –Respondeu Aurélia, também desconfiada.

-Acho que deve ser detrás daquele arbusto. –Disse Aurélia, apontando em direção a ele.

-Bom.. Acho que deve ser algum rato. –Deduziu Alice tranqüilizando-se. –Então voltando ao assunto.. –Disse Alice num sussurro hesitante. Olhou para os lados por sua volta, correndo os olhos pelos jardins para ver se via alguém por ali, desconfiada. –Nosso plano, você já se decidiu?- indagou Alice.

-Ah, bom, ainda não sei, Alice.. –Disse Aurélia meio hesitante e cabisbaixa. –Não sei, não confio muito nesse seu plano Alice. –Não sei não, se vai dar certo isso.

-Como não! Coragem garota! Está ficando com medo agora é?! –Disse Alice aumentando a voz, nervosa.

-Temos que nos vingar deles. E não deixar-nos roubar meu livro!

-Você me ajudará agora com a armadilha, Aurélia?- perguntou Alice.

-Está bem então. –Afirmou Aurélia de má vontade.

-Quando eles saírem depois, da caverna nós os encurralemos. Daremos uma tremenda lição neles. Eles irão nunca mais se meterem com a gente. Vamos cortar o caminho deles.

-Aurélia, você ficará de vigia por mim?

-Sim. – Afirmou Aurélia.

-Ótimo. –Disse Alice secamente.

-Então você ficará por aqui nos jardins vigiando. Fique de olho, principalmente na caverna.

Alice saiu da horta. Retirou-se e seguiu até o orfanato. Entrou no hall de entrada. Sentou-se numa poltrona vermelha próxima. Pegou um livro numa estante próxima e começou a lê-lo.

Aurélia sentou-se no saguão do orfanato. Observando as crianças passarem pelos quintais e jardins, atentamente. Instantes depois, Henry e Wendy saíram detrás dos arbustos e comentaram baixinho o plano de Alice e Aurélia.

-Então elas estão planejando nos apanhar..O que faremos?- indagou Henry.

-Temos que procurar Herald primeiro. Depois veremos o que podemos fazer. –Gesticulou Wendy. Logo depois ela andou apressada em direção a caverna.

-Wendy, espere. Aurélia. Temos que distraí-la primeiro. – Henry pegou uma pedra próxima de uma árvore. Tocou-a perto do saguão de entrada, onde ficava Aurélia. Aurélia que estava sentada, imediatamente, quando ouviu o barulho do estrondo da pedra bater; se levantou atordoada. Foi ver o que era. Henry e Wendy saíram dali correndo. Entraram na caverna sem que Aurélia os visse.

Henry retirou sua lanterna do bolso. Acendeu ela. Dirigiram-se para o centro da caverna. O mago não estava mais ali.

-Onde está Herald?- perguntou Henry, meio nervoso. –Ele sempre costumava ficar por aqui.

-Talvez ele tenha ido viajar. Você não acha?- deduziu Wendy.

-Mas como?!- se indignou Henry. –Ele deveria estar aqui. Ele disse que estaria se precisássemos.

-Também acho. Mas ele pelo menos deveria ter nos avisado que fosse viajar.

-Deve ter ido aos vales da Escócia. Ele sempre está andando por lá, a procura de novas varinhas para coleção. –Wendy já não estava gostando nada do assunto. Queria contar todas as novidades ao mago. O pesadelo de Henry, sobre o plano de Alice, o livro...

Era oito e meia da noite quando Henry e Wendy se retiraram da caverna. Andaram por toda a imensa caverna, tentando ver se achavam o mago. Passaram pela sala de Joel, pelo subterrâneo, pelos túneis, pelos esgotos e finalmente depois, pela sala quadrangular onde se localizava o dragão, preso a enorme jaula.

No hall de entrada do orfanato, Henry e Wendy sentaram-se no sofá, contemplando a lareira exaustos. Cansados de procurar pelo mago.

Viram numa mesinha sobre o tapete de renda vermelho um jornal. Wendy curvou-se em direção a mesinha e apanhou o jornal. Havia escrito na manchete:

"Causa do acidente na casa dos Olivers."

Wendy e Henry se entreolharam. Wendy espantada, correu os olhos pelo jornal, curiosa. O leu baixinho para Henry:

"Vistoria investiga causas do incêndio da casa dos Olivers e também fazem uma autópsia dos corpos de Mary Olivers e Willian Olivers. Descobrem estranhos pontos profundos de facadas nas costas de Willian. De Mary há um profundo ponto no coração. Deduzimos que Mary há assassinado o marido e logo depois suicidado sua própria vida; ela própria havia incendiado a casa. Havíamos também encontrado no quarto do casal sobre o chão um estranho colar dourado com uma caveira assustadora com os olhos muito amarelos vivos e ofuscantes. Um de nossos homens da vistoria havia sido morto misteriosamente dias depois em sua casa; se matando com um tiro na cabeça. A cidade de Holly Sparks não é mais a mesma pelas coisas que andam ocorrendo.

Parece-nos que este estranho colar tem algum tipo de ligação com magia negra; pois já, dezenas de pessoas foram mortas. Todas as que foram mortas possuíam o colar em seus lares. Holly Sparks está se tornando cada vez mais um verdadeiro caos."

Wendy fechou o jornal, aterrorizada. Jogou o jornal de volta a mesinha bege da sala, sobre o tapete de renda.

Henry ficou aturdido pela noticia do jornal. Teve um breve auspicio em sua mente. Pensou em Marcus. Auspiciou que Marcus havia cometido o suicídio com a arma. Entristeceram-se pela noticia do jornal. Holly Sparks já estava tomada pela maldição por causa das réplicas. A única esperança agora era conseguir o livro e destruí-lo com a espada de Henry. Assim acabando com a maldição de uma vez por todas.

Deram uma volta pelos quintais dos fundos do orfanato para darem uma arejada na cabeça; para esquecerem um pouco dos problemas. Eles agora eram a única esperança para salvar Holly Sparks e o destino do resto do mundo, da maldade. A única luz no fim do túnel, a única saída, solução...

Quando estavam andando ao leste do quintal dos fundos, avistaram um nevoeiro perto de alguns arbustos e árvores. Aproximaram-se. Já era noite, a lua cheia no céu estava enorme e bela. As estrelas dançavam a luz do luar num magnífico esplendor.

As crianças seguiram em direção ao nevoeiro. Suas visões estavam ficando meio cegas pela densa fumaça de nevoeiro. Avistaram então, uma extensa alameda de arvoredos e seguiram na estradinha conversando um com o outro. Mais a frente lá estava Aurélia, observando e contemplando a lua cheia. Fitava a lua fixamente, em seus olhos, paralisada. Começando a ficar obcecada.

Henry e Wendy pararam imediatamente de andar. Olharam para Aurélia. Esconderam-se detrás de um tronco de uma árvore.

-Henry, veja, o que ela está fazendo? Ela ficou maluca?!

-Ela está observando a lua, Wendy.. muito estranho você não acha? E logo agora neste horário, já está tarde.

-Também acho. –Retribuiu Wendy.

Começou a surgir na pele de Aurélia estranhos pêlos marrons escuros. Em suas mãos e logo depois surgindo pelos seus braços e se estendendo pelo corpo todo segundos depois. Aurélia Havaí se transformado em um lobisomem. Aurélia era um lobisomem. Se virou instantes depois, e farejou com seu focinho escuro; tentando ver se sentia algum cheiro de sangue humano na alameda.

Wendy e Henry, assustados e ofegantes tentaram sair imediatamente dali mais não conseguiram. Aurélia já havia localizado o rastro dos dois pelo cheiro, que eles estavam detrás do tronco da árvore.

Wendy paralisou hesitante; atordoada com a situação. O irmão a puxou, pegando-a pelo braço.

-Vamos Wendy, saia daí já ela quer nos pegar! É uma armadilha! Corra!- gritou o irmão alertando Wendy. O lobisomem rosnava feroz. Estava faminto e louco por carne humana. Wendy e Henry correram apressados, o mais rápido possível pela alameda. O lobisomem atrás deles os perseguindo velozmente. Wendy corria junto com Henry; desesperada e com falta de ar. Sem querer tropeçou em um galho que havia no chão. Dando um grito de desespero. Henry deu à mão a irmã, levantando-a rapidamente. Seguiram com a correria pela extensa e vasta alameda. O lobisomem cada vez mais perto do ataque; pronto pra "dar o bote." Pegou Wendy; atacando-a pelos tornozelos, puxando-a e arrastando pela estradinha de terra da alameda. Wendy gritava de dor. Henry apanhou um galho próximo de uma árvore. Bateu com o galho espinhento no lobisomem, que depois ficou tonto por um momento. Logo após o lobisomem contra atacou rebatendo com o braço peludo, jogando Henry para longe, fazendo o garoto bater violentamente num tronco de uma árvore.

-Ai!- gritou Henry de dor. E se deslizando com as costas sobre o tronco da árvore. Caindo sobre o chão.

Alguns segundos depois, ao sul da alameda, Alice vinha chegando acompanhada de Eleanor. As duas seguravam suas varinhas. Wendy se desvencilhou do lobisomem- Aurélia, agachada.

-Ah, olhe só quem encontramos por aqui na alameda!- debochou Alice dando risadinhas insuportáveis.

-Deixe-nos em paz Alice! O que você quer?!- indignou-se Henry; meio aturdido e massageava suas costas, tentando aliviar a dor.

-Temos umas contas a resolver com vocês dois, agora mesmo!- exclamou Alice cinicamente.

-Lady Eleanor, já pode cercá-los!

A caveira esquelética se aproximou de Wendy e Henry. Segurando em sua mão direita a varinha. Logo depois Alice veio junto e se aproximou das crianças. Aurélia rosnava feroz para as crianças, faminta.

-Aurélia, agora não! Pare ai! Agora não é hora do jantar! Era só pra você segurá-los por algum tempo pra mim quando chegasse. – Explicou Alice.

O lobisomem se acalmou por um momento. Observava as crianças, com seu rosto feroz e assustador, animal e tenebroso.

-O que você acha de nós torturarmos eles, Alice?- perguntou Eleanor com sua voz fria e aguda.

-Seria uma boa idéia, senhora. –Respondeu Alice, austera.

Eleanor e Alice empunharam as varinhas. Alice tirou a varinha do bolso de seu vestido cinza. Eleanor apanhou sua varinha da bolsinha que carregava pelos seus ombros. As duas apontaram a varinha à frente das crianças. Estavam já de pé; no centro da estradinha da alameda, congelados de medo. Suspiravam agoniados.

-Preparem-se para nossa vingança!- gritaram Alice e Eleanor ao mesmo tempo, austeras. Aurélia rosnava em volta das crianças, seus dentes pontiagudos e afiados.

Alice murmurou um feitiço:

-Maldicis Enervious!- lampejos roxos saíram da ponta de sua varinha, atingindo Wendy certeiramente na barriga. Que então caiu sobre o chão. Seu corpo dolorido.

-Wendy, não!- exclamou Henry desesperado.

Henry apanhou rapidamente sua varinha do bolso da calça. Apontou-a, a Alice e Eleanor.

-Parem imediatamente com isso, é uma ordem!- guinchou Henry, explosivo.

Eleanor e Alice riram do garoto.

-Seu garoto inútil, quer nos ameaçar é?! Seu patético! Você não passa de um babaca, garoto, e sua irmã também. –Afirmou Eleanor rindo cínica.

-Rics Trovius!- lampejos de trovões e raios amarelos saíram brilhando da ponta da varinha de Henry.

Wendy ainda continuava no chão deitada; se retorcendo atordoada, sentia seu corpo todo formigar.

-Magicus Defendius!- defendeu Eleanor do feitiço, conjurando um escudo transparente a sua frente.

-Desarmius!- bradou Alice. A varinha de Henry escapou de sua mão e ricocheteou pela alameda, caindo no chão.

Wendy levantou-se do chão; oscilante. Demorou um pouco até ficar lúcida.

O nevoeiro da alameda adensou-se cada vez mais em direção a eles. De repente emergiu do alto do céu um enorme dragão vermelho. Emergindo e passando sobre a luz do luar. As crianças forçaram um pouco a visão, com a mão sobre a testa, tentando enxergar se viam alguém na garupa do dragão. Instantes depois avistaram que era o mago que estava sentado sobre ele. Detrás dele estava Joel, no dragão, segurava firme na cintura do mago. O dragão então baixou vôo e seguiu em direção as crianças. As crianças ficavam o tempo todo fazendo sinal com as mãos e murmuravam:

-Herald! Aqui! Herald!- acenando as mãos rapidamente.

Herald então pousou finalmente; acompanhado de Joel. Herald estava encapuzado com a toca branca de suas vestes, cobrindo seus longos cabelos brancos como a neve. Segurava em sua mão, cheia de anéis de áureos, um saquinho de seda branco. Com elásticos na ponta, e cordas para abrir e fechar. As crianças suspeitaram, e haviam acertado. Herald tinha ido mesmo aos vales da Escócia. Mas tinha ido acompanhado de Joel. Que carregava em sua cintura um alforje, onde estava uma espada que carregava; com o punho decorado de rubis.

Alice, Aurélia e Eleanor espantaram-se com a chegada do mago. As crianças o observavam também, admiradas.

-Herald, o que você está fazendo aqui?!- perguntou Eleanor atordoada.

-Acabei de chegar dos vales da Escócia, apanhei novas varinhas. –E mostrou o saquinho branco, o balançava para as crianças. Que o olhavam.

-Crianças o que vocês estão fazendo? Já está muito tarde da noite pra vocês ficarem andando por esta alameda perigosa. E Alice, Aurélia e Eleanor soltem-nos agora mesmo!- exclamou o mago rigoroso.

-Veio ajudar os pivetes, Heraldizinho!- debochou Eleanor friamente, Alice riu. O lobisomem avançou rapidamente até o mago.

-Rics Trovius!- exclamou o mago, sacando seu cajado por trás de suas costas; do alforje, rapidamente.

Atingiu o lobisomem com faíscas de trovões amarelos. O lobisomem voou longe e bateu em uma árvore próxima, fazendo quebrar alguns galhos.

O lobisomem gemeu:

-Cain!Cain! –dando gemidos de dor. Havia caído com estrondo da árvore.

-Enargon!Ataque-as!- ordenou o mago ao dragão.

Enargon bateu suas enormes asas de escamas vermelhas. Voou em direção a elas, soltando baforadas de chamas que saíam de sua boca.

Elas se desvencilharam e pularam para outro lado, se escondendo detrás de uma árvore. Wendy e Henry riam e debochavam delas. Sentiam-se eufóricos.

-Henry, Wendy, vamos dar o fora daqui já!- exclamou o mago. Eles então subiram sobre as costas de Enargon. Enargon então levantou vôo e desapareceu de vista pelos céus, com Herald, Wendy, Henry e Joel.

Alice, Aurélia e Eleanor saíram detrás da árvore. Alice gritou furiosa:

-Malditos! Conseguiram escapar!

-Aurélia sua incompetente!