-Capítulo Doze-

O Plano Malévolo de Eleanor

O sol vinha surgindo no horizonte, clareando assim, a alameda. Surgindo aos poucos através das árvores, e iluminando, assim, a alameda e os quintais do orfanato.

Aurélia havia voltado a seu estado normal, como humana. Eleanor e Alice vinham andando, discutindo com Aurélia pela alameda.

Amanheceram pela alameda. Alice e Aurélia voltaram para o orfanato. Eleanor voltou a caverna. Herald e as crianças sobrevoavam sobre o céu com o dragão; minutos depois pousaram sobre uma planície verde, alta. Pousaram no auge dela. Joel foi o primeiro a descer. Logo depois Wendy, Henry e o mago. Prendeu o dragão sobre as correntes em um tronco de árvore de madeira resistente. Sentaram; próximos a um rochedo rodeado de araucárias, pinheiros e faias. Sentaram-se abaixo de uma faia. Suas sombras refletindo sobre a planície.

O sol estava queimando no céu, estava um calorão insuportável. Henry e Wendy chegaram a se deitar sobre a planície, nas sombras. Estavam exaustos e suados. Herald apanhou seu saquinho branco do bolso de suas vestes, o abriu e apanhou de seu interior as varinhas, examinando-as.

Joel deu uma volta pelas planícies. De repente avistou ao leste um laguinho verde muito sujo, aonde peixes iam nadando calmamente. Joel parou à frente do laguinho observando os peixes. O mago perguntou as crianças:

-Por que vocês estavam na alameda?

-Bom..Nós resolvemos dar uma volta nos quintais a noite para dar uma arejada; porque estávamos muito tristes com a noticia que vimos do jornal. Quando eu e Henry, de repente, avistemos uma alameda no quintal dos fundos. Nós nunca havíamos descoberto a alameda antes. Conhecíamos somente os quintais e jardins do orfanato. A descobrimos seguindo pelo nevoeiro. Quando de repente, vimos Aurélia parada observando a lua, fascinada. Logo após Aurélia começou a assumir uma estranha forma de uma terrível criatura: um lobisomem. Fiquemos chocados primeiro, logo após comecemos a correr em disparada pela alameda; tentando escapar. Mas logo depois apareceu Alice acompanhada de Eleanor e nos cercaram. Daí não teve mais por onde escapar. Depois graças a vocês fomos salvos. –Explicou Wendy, veemente.

-Vocês não deviam estar andando por ai tarde da noite crianças. Principalmente aquela hora da madrugada. Vocês deveriam estar em seus dormitórios, cerrados e em segurança. Nunca se sabe o que pode acontecer naquela alameda; é um lugar muito perigoso. Lá sempre está surgindo criaturas medonhas e perigosas. Coisas que vocês nem imaginam. Coisas que vocês não seriam capazes de enfrentar sozinhos.

-Er..Desculpe..He- Herald. – Gaguejou Henry, meio sem jeito.

-Bom, crianças, já estão avisados, só façam o que eu mandar que vocês façam. –Disse o mago serenamente.

As crianças concordaram com o mago balançando a cabeça, obedecendo às ordens do mago.

-São para o próprio bem de vocês dois, garotos.

Henry pensou por alguns segundos em comentar com o mago sobre o noticiário da manchete do jornal e sobre seu pesadelo que teve dos pais. Queria dizer tudo o que viu ao mago; queria contar tudo, desabafar ao mago. Dizer os acontecimentos do dia.

-Herald, muito obrigado pela espada. –Agradeceu Henry.

-Não tem de quê. –Retribuiu o mago, sorridente.

Henry então pensou, e falou ao mago, curiosamente:

-Tive um pesadelo na noite de segunda. –Afirmou Henry meio aturdido e ansioso.- Com.. Meus pais.. Foi.. Horrível. –Disse Henry hesitante.

-O pesadelo que eu tive realmente, havia acontecido no passado. O incêndio que ocorreu em nossa casa no mês de julho. Eu e Wendy lemos ontem no jornal. Vimos a noticia, estava na primeira página da manchete. Fiquemos apavorados.

-Eu também fiquei sabendo da noticia do jornal, Holly Sparks está se tornando um lugar cada vez pior. Agora o futuro de Holly Sparks depende de nós. Um lugar realmente perigoso de se viver. Antigamente Holly Sparks era uma cidade comum, mas agora, pela maldição, a cidade foi tomada pelo sofrimento, escuridão e trevas.

Joel retirou de seu bolsinho marrom de velcro, da cintura, uma vara de pesca, um anzol, e uma isca cheia de minhocas dentro de um potinho de vidro, bem fechado. O abriu, enfiando sua mão esquelética, apanhando as minhocas. Pegou uma minhoca na mão e engatou no anzol. Se dirigiu mais a frente do laguinho verde. Jogou a vara de pesca no lago. Ficou esperando para ver se conseguia pescar algum peixe.

Enquanto isso o mago ficou mostrando as varinhas a Wendy e Henry. A observavam com admiração, interessados e atentos.

-Lá nos vales da Escócia há muitas varinhas Herald?- perguntou Wendy, interessada, observando o mago.

-Ah, sim. Dos mais diversos tipos. Vamos fazer um piquenique; vocês aceitam?- balbuciou Herald.

-Acho que sim, ahm.. você vai querer Wendy?

-Sim, bom, já está perto da hora do almoço, aceitamos sim. –Disse Wendy, já estavam famintos, nem puderam tomar o café da manhã. Aliás, passaram a noite toda fora do orfanato, rondando pela alameda.

-Onde está Joel?

-Está no lago verde pescando. –Apontou o mago com seu dedo indicador para o laguinho verde. –Comida para o nosso piquenique. – Afirmou Herald. –A diversas espécies de peixes neste lago.

O mago pegou outro saco branco de suas vestes. O abriu, revelando-se muitas frutas e biscoitos de mel. Havia maçãs, uvas, peras, ameixas e bananas. Tirou também do bolso de suas vestes uma grande toalha branca de mesa, rendada. A largou sobre o gramado da planície. Na sombra, abaixo da árvore. As crianças o ajudaram a ajeitar a toalha. E depois pegaram as frutas e as colocaram sobre a toalha branca, juntamente com os biscoitos de mel.

-Podem comer agora, se quiserem. Crianças. –Gesticulou o mago.

As crianças, famintas, pegaram cada uma, uma fruta, e deram uma mordida tentando saciar a fome. Henry comia feito um condenado. Morto de fome, depois se empanturrava com a boca cheia de biscoitos de mel. Wendy o proibiu:

-Henry, pare!Não é só você que vai comer!Herald e Joel também vão!-exclamou Wendy brava, a Henry e aos cochichos, o beliscando.

-Ai!Está bem!-Henry então parou.

Joel vinha voltando trazendo uma grande balde azul. Carregando já muitos peixes, de várias espécies.

-Consegui pescar uns quantos, Herald!-Exclamou Joel, mostrando e acenando o balde a Herald, que o observava.

-Muito bem, Joel. Deixe aqui. – Disse o mago apontando para o lado da árvore, a Joel.

Enargon que estava a alguns quilômetros de distância deles, estava muito inquieto e agitado, soltando baforadas de chamas de fogo.

-Herald, porque Enargon está tão agitado?-perguntou Wendy.

-Acho que ele deve estar com fome. –Disse Herald, levantando-se do chão e, então andou em direção até o dragão.

-Apanhou uma fruta sobre a toalha branca. Deu-a ao dragão. Enargon então deu uma abocanhada na fruta, e logo após a engoliu direto na boca. Arrotou, cuspindo chamas. As crianças o observavam atentas.

-Nossa Herald!Como esse dragão é faminto!

O mago se virou, deu uma risadinha. Sentou-se, se juntando as crianças. Refletiu por um instante, pensativo.

-Descobri por onde está o livro. –Disse Herald, com tom de surpresa.

-No corredor do terceiro andar do orfanato, do dormitório. Descobri numa conversa entre Eleanor e Alice. Ele está muito bem guardado em um cofre.

-Como iremos pegá-lo, Herald?-perguntou Wendy, meio desconfortada. Pedindo ajuda ao mago.

-O cofre havia sido cerrado por magia. Somente Eleanor e Alice sabem como cerrar e destrancar o cofre. Quando chegarem ao orfanato terão de ficar de vigia por um tempo nos corredores do terceiro andar. Tentem descobrir qual é a senha mágica.

Joel se juntou aos três, para o piquenique, apanhou um biscoito de mel e deu uma mordida. Suas mandíbulas ósseas se debatendo e retorcendo, mastigando o biscoito. As crianças a observavam espantadas, vendo a caveira esquelética.

-Herald, temos que voltar ao orfanato. Temos deveres, para cuidar dos jardins.

-Sim, vamos voltar.

Arrumaram toda a bagunça que fizeram no piquenique. Herald limpou a toalha branca, murmurando um encantamento. Recolheu a toalha branca rendada. Guardou-a no bolso de suas vestes brancas.

Joel se aproximou das crianças e disse com sua voz aguda e tenebrosa:

-Podem ir à frente, crianças.

-Ah, muito obrigado Joel. –Disseram Henry e Wendy muito agradecidos.

-Vamos. –Disse Herald, e seguiu andando em direção ao norte. As crianças atrás o seguindo, acompanhadas de Joel.

Enargon balançava-se nas correntes agitadíssimo. Gritava e rugia se contorcendo nas correntes de ferro. Quase chegou a arrebentar o grande tronco da árvore.

Chegaram perto do dragão vermelho. Herald segurou firme a corrente de ferro presa ao pescoço do dragão.

-Joel me ajude aqui!-exclamou Herald a Joel.

-Sim, senhor. –Afirmou Joel brevemente. Empunhou sua espada da cintura, sobre o alforje. Aproximou-se das correntes de ferro, e levantou a espada, logo após descendo-a rapidamente. Arrebentou as correntes de ferro ao meio. O mago se afastou, desvencilhando-se.

-Ótimo trabalho, obrigado Joel!

-Vamos montar. Venham crianças.

Todos subiram sobre as costas escamosas e vermelhas de Enargon. Enargon bateu suas asas. Instantes depois deu um impulso. Logo após sobrevoou os céus passando pelas nuvens. Sobrevoaram, passando pelas planícies.

Minutos depois avistaram a caverna pelos céus. Enargon baixou o vôo e aterrissou lentamente sobre o chão, na frente do portão de entrada da caverna.

Wendy e Henry desceram do dragão.

-Obrigado Herald, obrigado por nos avisar onde está o livro.

-Até a próxima!-despediram-se as crianças do mago, excitadas. E voltaram correndo para o orfanato.

Parados sobre a grande porta de entrada abriram-na. Passaram pelo hall de entrada e pela salinha da diretora Helga. Helga estava quieta, sentada sobre seu gabinete, organizando seus objetos. E organizando vários papéis separando-os em vários montinhos.

Henry e Wendy foram subindo pelos andares para chegarem aos dormitórios. Quando chegaram no segundo andar, viram Lilian vagando pelos corredores. Vigiando e cuidando dos quartos. Lilian os avistou passando pela porta da entrada de seus dormitórios. Falou: - Wendy e Henry podem me dar uma ajudinha?Um favorzinho pra mim?

-Sim- Disseram as crianças se virando.

-Encontrem Catherine e Eriel e chame-os. Preciso conversar com eles. É um assunto sério.

-Onde eles devem estar?-perguntou Henry.

-Acho que talvez no refeitório, vamos até lá.

Saíram correndo do corredor, desceram as escadas rapidamente. Entraram no refeitório. Correram os olhos ao redor do local, e não viram ninguém; exceto Dona Roses que estava preparando o café da tarde. Se aproximaram de Dona Roses.

-Dona Roses, sabe onde estão Eriel e Catherine?

-Acho que sim. Eu os vi por aqui faz pouco tempo. Eles estavam conversando e dizendo que iriam logo depois à biblioteca.

-Obrigado Roses. –Agradeceu Henry.

No sexto andar, Henry e Wendy finalmente encontraram Eriel e Catherine; sentados sobre uma mesa no centro da biblioteca. Estavam lendo e cochichando um no ouvido do outro.

-Catherine, Eriel, olá!-acenaram Wendy e Henry, a alguns centímetros de distância dos dois.

-Ah, Wendy, olá! -Acenou Catherine.

-Como você está? Não à vi mais por aqui esses dias. –Perguntou Catherine veemente.

-Eu e Henry estivemos por ai com o mago em uma missão importante. Nós estamos bem, obrigado. Bom, é uma longa história o que acabou de acontecer agora...

-E James, como ele está? Não o vi mais. –Perguntou Henry.

-Deve estar por ai pelos jardins andando.. –Respondeu Eriel, meio hesitante.

-Lilian precisa conversar com vocês, é um assunto muito serio. É urgente. –Avisou Wendy.

Eriel e Catherine os fixaram por um instante, os observando. Logo depois se retiraram imediatamente da biblioteca, apressados. Wendy e Henry ficaram parados por alguns segundos na biblioteca. Logo após ficaram com curiosidade para saber do que se tratava o assunto de que Lilian queria tanto conversar com eles. Os seguiram de fininho, então, até o terceiro andar. Eriel e Catherine no corredor; conversavam com Lilian. Se esconderam atrás de uma porta de um dormitório, que estava encostada a direita. Havia uma garota dentro do dormitório.

-Ei! O que estão fazendo aqui?!- protestou a garota. –Não podem entrar!Este dormitório não pertence a vocês!-resmungou a garota, com cara de brava.

-Shhh. –Silenciou Henry.

A garota ficou reclamando mais por alguns segundos. Wendy e Henry a ignoraram por algum tempo. Ouviram então a conversa dos três atrás da porta. Colocaram um dos ouvidos para fora. Lilian reclamava para os dois: - Mais uma vez se puserem a mão no cofre estarão de castigo! Os dois estão me ouvindo!

-Ah, sim.. senhora, Lilian. –Disse Catherine.

-Ah, mas se a Helga descobre.. ela deixa vocês dois de castigo por um mês e olhe lá.Estou até sendo um pouco boa com vocês, por eu deixar de castigo somente por dois dias, cumprindo tarefas nada fáceis no jardim. O cofre guarda uma coisa realmente muito importante, coisas que vocês não devem se envolver, por se tratar de uma coisa perigosíssima. - Os dois a escutavam, cabisbaixos.

-Desculpe-nos mesmo, Lilian. –Disseram os dois.

-Bom, já podem se retirar então.

Os dois saíram do corredor e desceram as escadas. Wendy e Henry se entreolharam.

-Eles já sabem quase de tudo, eles querem apanhar o livro, Wendy, querem nos ajudar.

Os dois ficaram pensando longos minutos sobre o assunto. Agora estavam felizes por terem os dois amigos ao seu lado, cooperando e ajudando. Estavam agora em seus dormitórios descansando. Wendy se deitou na cama. De repente Alice entrou no quarto. Wendy fechou os olhos; fingindo que já estava dormindo. Alice dirigiu-se até sua cama a esquerda ao lado da de Wendy. Pegou seu travesseiro. O levantou. Abaixo dele estava uma chave de prata. Apanhou-a. Wendy abriu um pouco seus olhos, os forçando, as pálpebras meio entreabertas. Alice virou-se. Wendy imediatamente voltou a fechá-los. A garota então saiu do quarto. Ouviu passos apressados vindos do corredor. Seu coração saltava rapidamente, estava ansiosa.

Aurélia vinha caminhando pelo corredor; e de repente avistou Alice, que quase já ia descendo as escadas.

-Ei, Alice, espere!- exclamou ela, acenando nervosamente. Alice voltou para conversar com a amiga.

-Você conseguiu a chave, então, do gabinete de Helga?-perguntou.

-Sim, consegui. Já está tudo pronto; o plano de Eleanor. Só falta combinarmos o horário com ela.

-Onde ela está?

-Estará nos esperando agora na entrada da alameda. Vamos. Aurélia e Alice foram correndo até os jardins.

Wendy em seu dormitório; levantou-se da cama. Andou até o dormitório do irmão: que ficava ao lado, à direita. Bateu na porta duas vezes. Henry correu para abri-la.

-Ah, Wendy. Que susto que você me deu! Pensei que fosse Helga.

-Hehe, desculpe. Wendy começou a falar:

-Alice e Aurélia estão em um plano. Alice apanhou do dormitório uma chave debaixo de seu travesseiro. Aurélia perguntou se ela já havia recuperado a chave. Disse que era uma chave do gabinete de Helga, bom na verdade era um plano de Eleanor. Disseram que só faltava combinarem o horário. Elas foram para a alameda. –Henry escutava a irmã, paralisado.

-Nossa, Wendy, o que será que elas querem com Helga?

-Não sei, mas coisa boa não deve de ser.

-Vamos até a alameda!-exclamou.

Na entrada da alameda, lá estava novamente o denso e fumaceiro nevoeiro branco. Atrapalhados pela visão, dirigiram-se até um grande e volumoso arbusto verde musgo. Onde havia menos nevoeiro. Se agacharam detrás dele. Avistaram na entrada a assustadora e esquelética caveira Eleanor; conversando com as garotas baixinho.

-Conseguiu então recuperar a chave do gabinete de Helga. Ótimo. É sinal que nosso plano está dando certo. Teremos de invadir seu gabinete; durante a madrugada. Num horário onde todo mundo já está dormindo; que já está tudo silencioso.

-Então, finalmente a seqüestraremos e a levaremos em seguida a floresta de Madison Fallen. A deixaremos presa dentro da toca do troll. Logo após Aurélia arrombará o cofre e recuperará o livro. Assim iremos trazer de volta a maldição novamente, com o livro.

E se retiraram da entrada da alameda. Alice e Aurélia voltaram ao orfanato. Eleanor voltou à caverna.

-Temos de avisar a Helga, sobre isto o mais rápido possível. –Disse Wendy meio chocada.