-Capítulo Treze-

Helga em Perigo

Em frente a porta de marfim de madeira, do gabinete da diretora Helga, Wendy e Henry bateram na porta duas vezes seguidas. Helga que estava dentro do gabinete, concentrada e distraída, sentada sobre sua escrivaninha fazendo relatórios e anotando nos papéis com uma pena e fazendo listinhas de nomes de novas crianças órfãs do orfanato. Sobressaltou-se da cadeira, levou um susto. Dirigiu-se até a grande porta de marfim. Tocou na maçaneta ornamentada de ondinhas, respirou fundo e abriu a porta. Observou as crianças que estavam à frente, de olhos arregalados. Perguntou: - Henry, Wendy, o que vocês querem? Agora estou muito ocupada, falem rápido.

-Helga, por favor, não fique no gabinete durante toda a noite, a senhora estará correndo um grave risco. –Dizia Wendy perplexa, observando Helga com os olhos dilatados.

Helga observava Wendy com cara de que não entendia nada. Fez uma careta, enrugando a testa e arqueando as finas sobrancelhas.

-O que? Do que vocês estão falando?! Quem vocês pensam que são para me dar ordens do que devo ou não devo fazer! Fora daqui!- Helga bateu com a porta de marfim na cara das crianças. Bateu-a com estrondo e violência. Wendy e Henry se entreolharam pasmos.

-Puxa, está mulher é tenebrosa!- exclamou Henry.

-Quanta ignorância. Ela não quer saber de nos ouvir. E agora Henry, que iremos fazer?

-É melhor ficarmos de vigia a noite inteira.

-Vamos ficar na sala de visitas, cuidando quem passa.

-Boa idéia. –Disse Henry concordando com a irmã. –Vamos ter de dormir no sofá.

A tarde vinha caindo aos poucos. Os irmãos estavam nos quintais catando frutas do pomar com James. Contavam a ele as novidades do dia. Contaram sobre o segredo de Aurélia; a fuga pela alameda, o plano de Eleanor e sobre o livro que estava encerrado no cofre. James disse que já sabia sobre o livro, que Eriel e Catherine já o tinham avisado; que iriam tentar abrir o cofre no corredor e que logo depois eles dariam à Wendy e Henry.

-Você topa nos ajudar na vigia do gabinete de Helga, então?- perguntou Henry, seus olhos fixos e curiosos observavam James.

-Sim. Mas que horas foi planejado de a seqüestrarem?

-Não sabemos ao certo, mas será durante a madrugada.

-Mas porque a querem seqüestrá-la?- perguntou James aturdido, coçando os cabelos ondulados.

-Pra conseguirem a chave do cofre do corredor. E apanharem o livro, assim invocando a maldição novamente.

James ficou perplexo, e meio amedrontado.

Entraram no orfanato. Passaram pelos corredores e dobraram a esquerda. Entraram no refeitório para tomarem o café da tarde. Já era umas seis e meia da tarde quando terminaram. Logo depois subiram para a biblioteca; se reuniram lá e sentaram-se sobre a mesa redonda, onde estava Eriel e Catherine. Contaram tudo sobre o seqüestro. Sobre o plano do seqüestro de Helga, que Eleanor havia planejado.

Finalmente a noite já havia chegado. Estavam na sala de visitas. Os irmãos, Wendy e Henry estavam sentados sobre as poltronas, enquanto Eriel, James e Catherine estavam sentados no chão sobre o tapete vermelho de renda, em frente à lareira. Logo após, já exaustos, bocejando de cansaço; se despediram de Henry, Wendy e James. Retiraram-se da sala de visitas e subiram para seus dormitórios.

Pensaram sentados na sala de visitas em frente à lareira em um plano para salvarem Helga das mãos do seqüestro. Já era uma hora da madrugada quando Wendy observou o grande relógio de parede pendurado no alto, acima da lareira. Observava os ponteiros do relógio ansiosa. Os batimentos de seu coração aceleravam a cada segundo. Seu corpo suava frio e gélido. James e Henry conversavam distraídos na sala. Ouviram a grande porta de entrada, do orfanato arrombar assustadoramente. Sobressaltaram-se. Seus corações disparados, bombeavam a cada momento. Seus sentimentos se mixavam e misturavam-se com angústia e medo. Viraram-se e olharam à frente, de esguelha. Curvaram-se a frente, observando a porta. Esconderam-se atrás do sofá vermelho.

Uma terrível caveira esquelética encapuzada de capa preta havia surgido da entrada. A seu lado havia mais dois vultos encapuzados; era Alice e Aurélia. As duas segurando as varinhas na mão firme.

Dirigiram-se e pararam em frente a porta do escritório da diretora Helga. Eleanor sussurrou baixinho no ouvido de Alice:

-Me dê à chave do escritório, Alice, rápido.

-Ah, sim, espere um pouco lady. –Alice futricou no bolso de seu vestido, tentando achar a chave, então finalmente a achou e deu a Eleanor.

-Obrigada- agradeceu Eleanor.

Eleanor recuou uns passinhos para trás; encaixou a chave na fechadura de ferro da porta de marfim e rodeou a chave na fechadura para a direita; a destrancou.

As crianças que estavam escondidas detrás do sofá vermelho, levantaram-se. Andaram de fininho silenciosamente dirigindo-se a parede da sala. Ficaram ali encostados na parede, de costas. Seus corpos começaram a congelar e a suar em seguida. Wendy e Henry sentiram uma forte fisgada nas costas e uma terrível dor no peito. James sentia náuseas.

Eleanor escancarou a porta da sala da diretora. Entraram no escritório como um súbito, de surpresa. Helga que estava sentada em sua cadeira, deu um salto dela, imediatamente derrubando-a com estrondo sobre o chão. Entrou em pânico. Quando viu Eleanor paralisou e sentiu um calafrio por todo seu corpo. Deixou escapar uma folha de sua mão, que esvoaçou levemente até chegar ao chão. Exclamou, com medo, sua voz estava trêmula:

- O que você quer?!

-Dê-me a chave do cofre do corredor do terceiro andar, agora! Ou levaremos você junto conosco.

-Do que você está falando? Quem é você?! Quem você pensa que é?!- disse Helga ainda trêmula.

-Cale a boca! Sua gorda velha!- exclamou Eleanor assustadoramente. –Dê-me a chave do cofre imediatamente!

-Não! Nunca!- exclamou Helga, desesperada.

-Faça o que ela está mandando velhota imbecil ou senão sofrerá as conseqüências. –Falou Alice, enérgica.

Helga, paralisada, balançou a cabeça, com sinal de negação.

-Alice, segure-a. Vamos levá-la daqui, até a toca troll.

-Sim, lady. –Afirmou Alice, dirigindo-se até Helga, com seu rosto muito pálido. Exibindo seus longos cabelos loiros e lisos. Segurou seu braço esquerdo firmemente, o apertando.

-Aurélia segure-a, também!- bradou Eleanor. E ela então se juntou as duas. Segurava firme no braço direito de Helga.

-Ótimo- disse Eleanor.

Helga gritava desesperada. Seus gritos ecoaram por quase todo o orfanato:

-Socorro! Larguem-me! Socorro! Me ajudem!

Aurélia deu uma risadinha de desdém. Ouviram passos apressados vindos de cima das escadas. Desceu as escadas rapidamente, gritando assustado:

-O que aconteceu ai embaixo?! Helga é você?!

Era Taylor Kutcher. Vinha andando se aproximando do escritório de Helga. Parou à frente do escritório e congelou. Assustado.

-Quem são vocês? Deixem Helga em paz!

-Cale já a boca, bigodudo!- exclamou Aurélia.

-Taylor Kutcher, me ajude!

-Helga!

Aurélia então apontou sua varinha na frente de Taylor Kutcher. Bradou:

-Maldicis Energio!- Taylor Kutcher então desabou no chão. Imediatamente.

Wendy, Henry e James observavam a cena, espantados. Pensaram longos minutos sobre o que fazer naquela difícil situação. Helga ajoelhou-se sobre o chão.

-Nãããooo! Taylor!- Taylor ficou caído no chão inconsciente e tonto. Eleanor pediu para Alice e Aurélia vasculharem todo o escritório até acharem a chave do cofre. Aurélia então finalmente achou a chave e a apanhou.

-Bom trabalho Aurélia, você ficará aqui no orfanato. Eu e Alice a levaremos a toca do troll na floresta de Madison Fallen. Eleanor e Alice então empurraram Helga segurando-a; para fora de seu escritório. Helga saiu andando pela sala de visitas aos tropeços. Eleanor apanhou correntes de seu bolso dando-as diretamente a Alice.

-Prenda-a!

-Sim, minha lady. –Afirmou Alice, apanhando a corrente. Segurou os braços de Helga virando-os para trás, pelas costas. Juntando os dois braços dela. Finalmente os acorrentou. Pararam em frente à porta dupla de entrada do orfanato.

-Parem!- exclamou uma voz, era a voz de James que vinha seguindo, surgindo da escuridão, detrás da parede.

-O que?!- exclamaram Eleanor e Alice.

-Quem é você garoto?- perguntou Eleanor sacando a varinha e apontando-a a James.

O garoto não respondeu. Ficou calado, congelou ao ver Eleanor e murmurando:

-Solte a Helga agora! Eu ordeno!

-Hahahahaha! –Riram Eleanor e Alice do garoto com ar de deboche.

-Quem você pensa que é? Seu garoto medroso e covarde!

Alice sacou a varinha do bolso de seu vestido, murmurou:

-Rics Enervate!- O garoto caiu para trás, batendo violentamente sobre a parede e gemia.

Eleanor acendeu uma luz na ponta da varinha, iluminando toda a sala de visitas que estava escura. Avistaram Wendy e Henry parados sobre a parede, suavam trêmulos. Estavam com a respiração ofegante.

-Olha só quem encontramos por aqui. Os irmãos Wendy e Henry. –Disse Eleanor friamente. Se virou, disse a Alice:

-Pegue-os também! Vamos levá-los embora daqui.

Alice aproximou-se dos dois, segurando suas correntes, e os prendeu juntando os prisioneiros ao lado de Helga.

-Não queremos mais ninguém atrapalhando nossos planos. –Afirmou Eleanor.

Saíram andando pelos quintais do orfanato. De repente ouviu-se um estampido e desapareceram, soltando uma densa nuvem de fumaça cinzenta no ar.