-Capítulo Quatorze-

A Emboscada

Transportaram-se para uma ilha. Eleanor e Alice os arrastaram até chegarem próximos de uns matagais, onde havia também muitos arbustos. Ainda era noite. Helga desesperada, tentava desvencilhar-se das correntes, berrando. Henry e Wendy por um momento tentaram manter o controle da situação, acalmaram-se.

Segundos depois avistaram abaixo de uma montanha, onde havia acima muitos coqueiros, plantas e vegetações: uma grande toca. Viram pousar sobre o chão, em frente à toca, muitos pássaros e pombos que se afastaram a vinda dos prisioneiros e dos seqüestradores. Entraram na toca.

Na toca havia parado perto da entrada, à esquerda e a direita, dois grandes trolls de armaduras douradas de ferro. Os dois seguravam na mão cada um, um bastão. Eram os guardas da toca e habitantes do local. Eleanor aproximou-se de um troll, falou:

-Temos três prisioneiros, Krucher, nos leve até a prisão, por favor.

-Sim, lady Eleanor. Siga-me. –Disse o troll rouco.

Alice empurrou Wendy e Henry, enquanto caminhavam, quase tropeçando no chão, juntamente com Helga.

Seguiram o troll pelo norte da imensa toca. Quando dobraram a direita avistaram sobre as paredes de pedra muitos archotes, que iluminavam o local escuro. Logo depois havia a direita e a esquerda do local duas grades de ferro com portões. Eleanor se dirigiu a um portão, o abriu e empurrou Wendy e Henry no interior da cela, os derrubando no chão, como se fossem apenas dois bonecos. Havia no interior da cela da prisão, apenas uma cama e uma pia de banheiro.

Minutos depois Alice se dirigiu a outra prisão, ao lado da deles, empurrando assim, Helga para o interior da cela. Helga chorava desesperada e gritava implorando por socorro:

-Socorro! Alguém me ajude!

-Cale a boca sua velha, aqui não há ninguém para te ajudar. Não há mais ninguém nesta ilha. –E então ela saiu do local da prisão.

Henry se aproximou a frente da grade da prisão e as segurou, começou a soquear e a chutar a grade do portão, aos berros. Wendy se aproximou do irmão pedindo que ele parasse.

-Henry, pare! Isto não vai adiantar em nada! Não há ninguém aqui que possa nos ajudar. Não ouviu o que Alice disse.

Henry então ajoelhou-se no chão, indignado, lágrimas escorriam pelos seus olhos.

-Agora, o que iremos fazer?- perguntou.

-Temos que pensar em algum plano. –Gesticulou Wendy, colocando a mão sobre o queixo.

Na alvorada, o sol vinha surgindo sobre o horizonte aos poucos, juntamente com as nuvens. Era uma linda manhã de outubro. Henry e Wendy andavam para um lado e outro, meio aturdidos. Pensavam em um plano para escaparem da prisão. Já estavam começando a sentir fome. A barriga de Henry começou a roncar. Eles mal dormiram na noite passada, que fora muito desconfortável. Alice vinha se aproximando da prisão trazendo uma bandejinha nas mãos; onde havia trazendo nela um prato com dois pães velhos e dois copos com leite. Abriu a porta da prisão das crianças, as deu na mão o café da manhã com a bandeja. As crianças fizeram cara feia para a bandeja e agradeceram o café da manhã à Alice, de mau humor.

Comeram os pães. Tomaram o leite rapidamente. Mortos de fome, mas não estava lá muito bom o café da manhã.

Helga ainda estava dormindo na cama, num sono profundo. Alice deixou seu café no interior da cela; no chão perto da cama.

Enquanto isso na caverna do mago...

-Amely, pegue. Leve esta carta aos prisioneiros que estão na toca do troll, por favor. –Ordenou o mago.

-Sim, Herald. –Respondeu Amely.

Amely era uma fada, com suas asas brilhantes e vestes em verde esmeralda. Seus cabelos eram castanhos claros. Muito lisos e curtos até os ombros. Pegou a carta da mão do mago e saiu voando pela caverna batendo suas asinhas brilhantes.

Fez uma longa viagem voando pelas florestas das cidades.

Eriel e Catherine almoçaram no refeitório em silêncio. Logo depois saíram e subiram para a biblioteca. Comentaram:

-Então elas levaram Wendy e Henry junto com a Helga?- perguntou Catherine apreensiva.

-Sim- respondeu Eriel- o James me contou. Eu estava conversando com ele esta manhã. Ele me contou tudo.

Enquanto isso James estava andando pelos quintais. Observou no saguão de entrada do orfanato um grande quadro escuro de avisos. Havia escrito nele:

"Taylor Kutcher substitui Helga na direção do orfanato Madison."

Correu até a biblioteca no sexto andar, ansioso para contar aos amigos a novidade que acabara de ver. Chegou a biblioteca ofegando. Se aproximou dos dois e falou meio sem ar:

-Vocês viram no quadro de avisos do saguão? Acabaram de colocá-lo agora à tarde.

-O que é?- perguntou Catherine meio surpresa.

-Taylor Kutcher está na direção.

-Bem, mas será só por um tempo, enquanto Helga ainda não aparece.. –Hesitou Catherine por um momento, pensou numa idéia.

-..Isso!- disse Catherine com tom de euforia.

Sobressaltaram-se surpresos:

-Ah, o quê?

-Vamos procurar o mago na caverna. Ele deve saber de alguma coisa sobre isto. –Afirmou Catherine.

Desceram. Caminharam pelos quintais a procura da caverna de Herald. Ficaram perdidos por alguns instantes; foi quando James lembrou-se onde a caverna localizava-se. Ordenou que Catherine e Eriel o seguissem.

Finalmente quando andaram pela direção, à direita do quintal, avistaram umas grades de ferro a frente da caverna. James compreendera que era a caverna. Se aproximou do portão e o abriu. O portão rangeu quando o garoto o abriu. Eles então entraram na abertura da caverna.

Logo na metade da caminhada viram, parada em frente a um córrego, uma caveira. Congelaram no caminho, paralisados. Catherine murmurou espantada:

-Quem.. Quem é você?

Joel virou-se:

-Olá. Não se preocupem comigo, sou Joel a caveira guerreira a seu dispor. –Fez uma longa reverência aos três, que a observavam admirados.

-Você é uma caveira mágica? –perguntou Eriel, apontando o dedo indicador a caveira, pasmado.

-Sim- respondeu ela.

-Você pode nos ajudar?

-Sim, vivo aqui para isso, para ajudar a quem precisa.

Contou a Joel o que sabia sobre o seqüestro de Helga e dos meninos. Joel pediu que eles procurassem Herald para tratarem sobre o assunto com mais clareza. Seguiram Joel até uma pequena abertura que levava até uma salinha, onde se localizava o mago: - ele estava sentado sobre uma cadeira. –Joel fez uma reverência ao mago e o explicou:

-Herald, estas crianças, são os amigos de Henry e Wendy. Querem falar com você com urgência.

-Ah, sim, muito obrigado Joel. Pode deixar.

Joel se retirou. Deixando as crianças a sós com o mago.

-Bom.. senhor, Herald, olá!- cumprimentou Catherine.

-Olá!- retribuiu Herald, com um aceno.

-O senhor pode nos ajudar a salvar Helga, Wendy e Henry?

-Eu já sabia crianças, muito antes.

-Os mandei uma carta com um aviso. Daqui a pouco irei resgatá-los. James e Catherine gostariam de me acompanhar?- perguntou o mago, observando os dois com atenção.

-Sim, senhor. –Responderam decididos.

-Não posso ir junto com vocês?- falou Eriel.

-Não, Eriel, alguém precisa ficar de vigiar no corredor. –Disse Catherine, com um tom de áustera liderança.

O mago então se levantou da cadeira. Murmurou:

-Bom, podemos ir então. Estão preparados?

-Sim- responderam- , vamos James. –Disse Catherine.

Seguiram Herald pela caverna. Andaram pelo subsolo até chegarem à sala quadrangular de Enargon. Onde se balançava na jaula, impaciente e furioso.

...

Wendy e Henry deitados na cama da prisão. Sonolentos e entediados. Perderam as esperanças e os planos de escaparem. Quando finalmente viram, inesperadamente, uma forte luz verde brilhante pela fresta da pequena janelinha de vidro da cela da prisão. Quando espiaram pela fresta avistaram ao longe pelas colinas da floresta, a alguns quilômetros dali: uma fadinha que esvoaçava pelas colinas da floresta; aproximando-se cada vez mais, em direção a janelinha.

Os irmãos entreolharam-se. Na hora em que a fada vinha se aproximando, viram em sua mãozinha fina, segurava uma carta. Passou rapidamente esvoaçando pela janelinha, entrando no interior da cela. Largou a cartinha no chão do lado da cama da cela. Henry agachou-se para pegar a carta. Wendy fitou os olhos na carta, curiosamente. A fada parou em frente deles. Falava:

-Olá! Sou Amely a fada guia e mensageira de Herald Gaspar. Herald os mandou esta a vocês. É uma mensagem muito importante. Leiam.

Wendy e Henry observavam a fada hipnotizados.

-Muito obrigado Amely. –Agradeceram os dois.

Henry leu a carta em voz alta. Pigarreou:

"Crianças já estou a caminho. Irei salvá-los."

Herald Gaspar

Deram um longo sorriso ao lerem a carta. Herald iria salvá-los. Finalmente sairiam daquela terrível cela. Helga chorava a tarde e a noite inteira. Já não suportava mais. Eleanor e Alice os tratavam super mal ali.

...

Sobrevoando o céu, sobre o dragão, Herald, James e Catherine finalmente chegaram a floresta. Pousaram sob uma planície, próxima aos canaviais. Prenderam Enargon; acorrentando-o sobre um tronco grosso e seco, de árvore.

Andaram por algumas horas até chegarem à toca do troll. James e Catherine já estavam ficando com fortes dores nas pernas de tanto andarem pelos longos e extensos canaviais. Herald chegou a parar para apoiar-se agachado sobre o seu cajado, para descansar. Estava com a respiração ofegante. Seguiram andando pelo norte; quando finalmente avistaram abaixo de uma montanha: uma grande toca. O mago primeiro ordenou:

-Esperem!- James e Catherine, que estavam atrás, pararam.

-Temos de nos esconder no local. Temos de nos infiltrarmos. Depois quando eu avisar nós atacaremos.

James e Catherine acenaram com as cabeças, concordando com o mago. Ficaram parados em frente à toca. Herald pegou próximo da toca um pedaço de galho de árvore. Cortou o galho ao meio, dando ruídos e estalos. Os dois trolls que estavam de vigia na toca, soltaram sussurros e grunhidos. Viraram-se. O mago e as crianças se esconderam por detrás de um grande arbusto verde. Os dois trolls saíram andando para fora da toca para verem o que era aquele estranho barulho.

Logo após saíram correndo em direção a floresta. Finalmente o caminho estava livre. Entraram na toca. Alice e Eleanor estavam dormindo em uma cela aberta. Eles entraram caminhando de fininho. Passaram por uma cela à direita. Wendy e Henry sussurravam, agitados, a voz aumentava a cada chamada:

-Ei! Ei! Herald, James, Catherine, aqui!- acenaram, indicando o local onde estavam.

-Heim! Heim!- disse o mago meio distraído, virando-se. Olhou para os dois na cela.

-Ah! Wendy, Henry, vocês estão ai. Estávamos procurando por vocês. –James e Catherine acenaram a Wendy e Henry, agitados.

-Vocês vieram, que bom!- exclamou Wendy.

-Pra que são os amigos.. –falou Catherine- pra isso.

-Muito obrigado por virem. –Disseram.

O mago andou pela prisão, apressado, tentando achar a chave da cela em que estavam aprisionados. Na cela a esquerda estava Helga. Sentada sobre a cama. O mago viu-a:

-Helga, já irei tirar a senhora daí! Espere um momento.

-Ah, finalmente alguém veio ajudar. –Disse Helga aliviada.

Viu sobre um banquinho uma pequena chave bronze de ferro. Pegou-a. Se dirigiu a cela de Helga e logo depois a das crianças. Finalmente resgataram todos.

-Ah, muito obrigado. Já não era hora.. –Disseram Helga e as crianças, aliviados.

Eleanor e Alice despertaram da cela. Herald e os prisioneiros espantaram-se sobressaltados. James guinchou:

-E agora, que iremos fazer?

-Escondam-se!- exclamou Herald.

Esconderam-se por trás de uma cela muito escura.

-Quando eu disser já, vocês atacam. –Afirmou Herald.

Eleanor e Alice passaram pelos corredores das celas, atentas. Wendy e Henry sacaram aas varinhas das vestes. Quando Eleanor e Alice aproximaram-se da cela deles, o mago gritou:

-Já!- E eles imediatamente saíram da sala, atacando as seqüestradoras com feitiços, que tombaram sobre o chão com estrondo.

-Podemos ir agora!- exclamou James.

A fadinha verde que ainda estava parada na cela de Wendy e Henry, aterrorizada, aproximou-se deles e os seguiu pela prisão. Saíram da toca do troll. Andaram por horas pela floresta. Ficaram comentando sobre o que havia acontecido após o seqüestro. Helga observava a fada e o mago espantada, pois nunca havia visto um mago e nem sequer uma fada. Os seguia meia aturdida pela floresta. Todos, logo depois, montaram em Enargon e fugiram do lugar. Voltaram para o orfanato juntamente com Helga, sã e salva.