-Capítulo Quinze-

O Esconderijo Secreto da Caverna Mágica

Passos apressados vinham se aproximando do corredor do dormitório do terceiro andar. Aurélia vinha passando. Segurava na mão uma chave. Aproximou-se do cofre na parede, ao lado de uma porta de madeira de um dormitório ao lado. Abriu então o cofre com a chavezinha de ferro prateada. Apanhou o livro que estava no interior do cofre. A porta ao lado escancarou-se. Aurélia de um salto saiu dali; escondeu o livro por debaixo de seu casaco. Escondeu-se por detrás de uma cortina escura próxima, à frente de uma janela de vidro.

Eriel que havia escancarado a porta, olhou por volta de todo o corredor e avistou o cofre aberto. Chegou perto do cofre e viu que ele já estava vazio. Meio desconfiado, hesitou por alguns segundos e desceu correndo as escadas. Aurélia saiu detrás das cortinas, soltando um suspiro de alívio.

Wendy, Henry e Helga estavam parados em frente à grande porta dupla de entrada do orfanato. O mago despediu-se sorridente dos três. Taylor Kutcher deu uma espiada pela janela ao lado da porta, os observava curioso enrugando a testa e mexendo com os dedos no bigode.

Helga pousou a mão sobre a maçaneta da porta. Virou-se para as crianças e disse:

-Vamos então crianças, entrem.

Henry e Wendy entraram no orfanato e passaram andando pela sala de visitas, quando de repente pararam por um instante. Helga guinchou:

-Crianças, digam ao mago que estou muito agradecida por terem me salvado. Que foi uma grande gentileza da parte dele nos salvar. –Taylor Kutcher seguia Helga a todo momento como se fosse uma sombra, perguntando o tempo todo como ela estava e o que havia ocorrido.

-Como tem andado o orfanato com minha ausência?-perguntou ela.

-Ah, tudo muito bem, senhora. –Respondeu Taylor Kutcher com sua voz meio rouca.

-As crianças estão agora tomando o café da tarde, senhora. –Avisou Taylor Kutcher.

-Muito obrigada; por ter me substituído, senhor Taylor.

-Pelo jeito a caverna não anda nada segura, senhora. –Comentou Taylor.

-Ah, sim, temos de cerrar a caverna. Ah, mas se eu descubro quem a andou abrindo... –Disse Helga desconfiada, seus olhos correndo pela sala de visitas.

Wendy, Henry, James e Catherine já estavam no refeitório tomando o café da tarde. Estavam famintos depois do ocorrido na toca. Eriel estava sentado sozinho sobre uma mesa ao lado deles; brincava com a comida.

Henry e Wendy os viram de lado:

-Olhe, só, Henry o que ele tem? Porque não está sentado com a gente? Espere um momento.. –disse Wendy. Aproximou-se da mesa de Eriel.

-Eriel, olá, como está você? O que houve?

-O.. olá Wendy- disse Eriel cabisbaixo-, ah, estou bem. E você? Nem sabe o que aconteceu..

-O quê?!- guinchou Wendy.

-Aurélia levou o livro do cofre. Não consegui recuperar. Por favor, Wendy me desculpe, eu não queria, fui medroso na hora. –Culpou-se Eriel.

-Ah, Eriel, não fale assim, não foi sua culpa.

-Wendy, claro que foi. Catherine havia me avisado que era pra eu ficar de vigia no corredor, para que não pegassem o livro.

-E agora onde será que Aurélia se meteu? Será que na caverna? Ou então na toca do troll?

-Não sei te dizer Wendy. Acho que na caverna. –Deduziu Eriel.

-Pode ir comigo até lá à tarde?- perguntou Wendy.

-Sim- afirmou Eriel.

Wendy retirou-se da mesa de Eriel e foi se juntar aos outros amigos na mesa ao lado. Os contou tudo o que Eriel havia lhe falado.

-Oh, não Wendy, não acredito que Eriel fez isso!- exclamou Catherine perplexa.

-Calma Catherine. Nós iremos juntos mais tarde à caverna; inspecionar se ela anda por lá e o que está fazendo.

À tardinha quando iam andando para cumprirem com as tarefas do dia, procuraram por Lilian por todo o jardim e nada. Lilian havia sumido, sem mais nem menos. Contaram a diretora Helga sobre o estranho sumiço de Lilian. Helga ficou perplexa e horrorizada. Contou também à Taylor Kutcher. No dia seguinte, todos andaram pela cidade. Haviam feito vários cartazes com uma grande foto colada sobre eles e com dizeres: "Desaparecida". "Recompensa de $1.000,00 por quem achá-la". Puseram os cartazes por quase toda a cidade e pelos postes da rua, pelas lojas, pelas paredes de grandes construções, e pela estação de metrô de Holly Sparks.

Logo em seguida, todos voltaram para o orfanato. Helga dirigiu-se a seu escritório. As crianças andando pelos quintais a tarde, avistaram uma nova instrutora; parada em frente à uma horta dos jardins. Havia uma fileira de crianças a frente, que seguravam cestos contendo uma grande quantidade de frutas.

Henry e Wendy aproximaram-se da fila. Ficaram parados, observando a nova instrutora, curiosos.

-Boa tarde, crianças! Prazer em vê-las! Estarei com vocês por tempo indeterminado, devido ao ocorrido. Bom pra quem não me conhece, eu me chamo Ashelley. Sou a nova instrutora de vocês. –Explicou Ashelley.

Ashelley era uma senhora ruiva de sardas no rosto. Era alta, magra, os cabelos alaranjados e vivos, muito ondulados.

-Bom, já estão todos com seus baldes?- perguntou.

-Sim- responderam as crianças.

-Podemos começar então, com a tarefa?- Avisou a instrutora com sua voz rude e séria.

Wendy parou ao lado do irmão. Cochichou baixinho em seu ouvido:

-Henry me espere aqui um instante. Já volto. Preciso ir até a caverna, agora, com Eriel.

-Está bem. –Respondeu Henry, baixinho.

Wendy retirou-se da fila de fininho. Correndo os olhos pelo quintal, não queria ser descoberta por ninguém. Mas a Sra. Ashelley que não era nada boba, cuidava a fila atentamente, com seus olhos saltados. Fixava seus olhos em Wendy.

-Onde a senhorita pensa que vai mocinha?

-Hum.. Eu vou ao banheiro senhora Ashelley, já volto. –Mentiu Wendy.

-Está bem mocinha, pode ir. –Afirmou Ashelley.

Wendy correu pela caverna e avistou Eriel parado ao lado dela. Parecia meio ansioso, olhava para todos os lados atento. Acenou para Wendy.

-Ah, Wendy, que demora. Achei que não viria mais. Fiquei esperando por você uma eternidade. Bom, vamos entrar então?

-Vamos. –E Wendy retirou de seu bolso a chave do portão da caverna, deu-a a Eriel para abrir. Eriel balançou a cabeça.

-Não, Wendy, vai você primeiro, abra. Você que já está acostumada. –Disse Eriel.

-Ah, Eriel, está bem. –Wendy então pegou a chave de volta e abriu o grande portão enferrujado. O grande portão rangeu ao abrir.

Entraram na caverna. Wendy acendeu uma luz na ponta de sua varinha, iluminando a caverna. Eriel a observava perplexo e impressionado. Andaram por quase toda a caverna a procura de Lilian. Entraram na sala de Joel e o perguntaram se ele não a tinha visto. Joel respondeu que não. Procuraram pelo mago. Mas o mago, infelizmente não estava lá, havia saído. Passaram e atravessaram pela grande ponte de madeira, onde havia rios e riachos que escorriam pelas correntezas. Passaram pelos túneis e pelo subterrâneo. Entraram na sala de Enargon.

De repente, quando estavam passando pela sala quadrangular, viram uma abertura redonda no chão de pedra. Logo abaixo havia uma longa escada de ferro, enferrujada e cheia de limo. Wendy baixou a varinha, iluminando o interior do buraco. Eriel observava também o fundo. Aquele buraco nunca havia estado ali antes, pensou Wendy. A última vez que estavam na sala de Enargon não havia buraco algum.

Por um momento ocorreu-lhe um súbito de curiosidade, e resolveu descer o buraco junto com Eriel. Wendy então desceu primeiro as escadas. Eriel ficou lá encima, parado, observando Wendy lá de cima. Eriel que era muito medroso, não quis descer no buraco. Wendy então soltou alguns resmungos abafados que fizeram com que Eriel descesse imediatamente. Eriel sacou uma lanterna do bolso de seu casaco, iluminou o buraco e desceu as escadas.

Wendy já estava lá no chão, quando Eriel desceu por último. Perceberam na mesma hora que o lugar se tratava de uma escavação pelo subterrâneo. Havia sobre a escavação muitos canos interligados. Alguns estavam com pequenos furos, que chegavam a vazar água pelo local. Também havia no chão de terra muitas poças d'água, lamacentas. Wendy saiu andando pela frente. Eriel a acompanhava pelos calcanhares, segurava firmemente sua lanterna, trêmulo. Mais ao norte viram ao longe extensos túneis de concreto. Passaram andando por eles. A escuridão tomou conta do local. Depois de terem passado pelos túneis, mais a frente, avistaram uma enorme sala circular.

A sala era iluminada, rodeada por archotes. No centro da sala havia uma cadeira de madeira entalhada. Nela, estava sentada uma mulher, que se retorcia sobre a cadeira. Estava presa, rodeada de cordas resistentes que a prendiam. Sua boca estava vendada. Ouviram murmúrios e gemidos vindos da mulher que estava sentada. Wendy imediatamente sobressaltou-se. Congelou por um momento. Seus olhos se fixavam na mulher que estava presa. Seu coração batia aceleradamente, segundo após segundo. Começou a suar frio, paralisada. Eriel correu os olhos pela sala circular, quando viu a mulher presa. Sem querer deixou cair a lanterna sobre o chão com estrépito. Wendy tentou imediatamente silenciá-lo.

Na sala também estavam ao lado da mulher, Aurélia e Eleanor. A mulher que estava presa era Lilian. Eriel e Wendy se esconderam detrás de um baú de bronze. Agacharam-se detrás dele, observando elas, perplexos.

A frente de Aurélia, também à frente de Lilian, havia um altar. E ao lado dele tinha candelabros, com velas que reluziam sobre o rosto pálido de Aurélia. No altar havia um livro aberto, que Aurélia o lia atentamente em voz baixa. Eriel e Wendy entreolharam-se. Wendy disse a Eriel, baixinho:

-É o livro que estava no cofre, Aurélia pegou!

-Sim, Wendy, eu tentei deixar ela não pegar o livro, mas não consegui.

-Que estranho, porque Lilian está ali, o que elas querem com ela?-indagou Wendy, amedrontada.

-Não sei- disse Eriel-, mas talvez elas querem vingá-la de alguma coisa.

Aurélia se retirou do altar. Aproximou-se de Eleanor e Lilian. Falou a Eleanor:

-Então podemos começar com o ritual?Minha lady.

-Sim, já está preparada, então, Aurélia?- perguntou Eleanor com sua voz aguda e assustadora. Sua voz ecoava pela sala. Eriel começou a tremer de medo.

-Sim, teremos de matá-la, então, lady?-perguntou.

-Claro. Só assim poderemos trazer a maldição novamente de volta. –Balbuciou Eleanor. –Você que irá matá-la então?

-Sim, lady. Primeiro vamos começar com o ritual. –E Aurélia dirigiu-se até o altar. Folheou o livro. –Bom aqui está, achei.

Aurélia começou a lê-lo. Começou a pronunciar, em uma língua muito estranha.

Wendy e Eriel congelaram, aflitos. Pensaram por um momento no que fazer. Aurélia começou a assumir uma estranha forma; pêlos surgiram rapidamente por toda sua pele. O lobisomem Aurélia chegou mais perto, a frente de Lilian. Sua boca aberta, começava a exalar um bafo terrível de sua boca. Lilian virou o rosto para o lado com nojo. Seus olhos começaram a correr lágrimas. Gritava e se revirava na cadeira, desesperada. Seus berros ecoando pela sala circular.

Empunhou a sua varinha e apontou a frente da testa de Lilian. Bradou:

-Maldicis Morbius! –Lilian contorceu-se aturdida na cadeira, desesperada, então com um grito de dor, de repente, de um súbito, morreu.

Wendy gritou desesperada:

-Nãããooo!- Seus olhos, marejavam, cheios d'água.

Eriel entrou em choque, paralisado, observando a cena. Já de pé.

Eleanor e Aurélia viraram-se, para ver quem estava gritando, de um sobressalto.

-O que vocês estão fazendo aqui?! Como descobriram nosso esconderijo?!-Guinchou Eleanor, enraivecida.

-Não interessa!-Exclamou Wendy, ofegante.

-Oh, não. O que fizeram com Lilian?- sussurrava Wendy, desesperada.

-Não está vendo, garota, sua professorinha querida está morta, morta! E não há nada que você possa fazer agora! Ahahaha!- Riu Eleanor cinicamente.

-Sua.. sua!- Disse Wendy, trêmula. –Sacou a sua varinha do bolso da calça. Apontou-a para Aurélia:

-Fogus Maximus!- Labaredas de fogo saíram da ponta de sua varinha. Foram em direção de Aurélia rapidamente.

Aurélia, imediatamente desviou do feitiço. O lobisomem Aurélia rosnava feroz. Correu em direção à Wendy e Eriel.

-Isto, Aurélia, pegue-os, vá!- Guinchou Eleanor.

Os dois, imediatamente viraram-se e correram rapidamente pela sala circular. Eriel falou:

-Wendy o livro, não temos que pegá-lo?!

-O livro, ah, claro. Pegue-o pra mim Eriel. –Disse Wendy, que corria desesperada do lobisomem Aurélia.

Eriel correu para o altar e pegou o livro. Eleanor aproximou-se dele. O deu uma bofetada na bochechas de seu rosto; que imediatamente, o fez cair sobre o chão, ao lado do altar. Wendy que corria pela sala circular, apontou a varinha para Eleanor, sobre suas costas:

-Rics Enervate!-murmurou.

Eleanor imediatamente caiu, despencando sobre o chão. Seu corpo esquelético em seguida arrebentou-se todo com estrépito. Levantou Eriel, segurando-o pelo braço.

-Eriel, vamos, corra!

Os dois correram pela sala. Wendy já conseguira apanhar o livro. Fugiram. Correram pelos túneis. Logo após, finalmente viram os encanamentos que estavam vazando água. Avistaram à frente as escadas. Aurélia estava atrás deles. Rosnava aos dois, ferozmente. Wendy, ofegante, foi a primeira a subir as escadas, apressada. Logo após Eriel subiu. Aurélia, então, subiu também, atrás deles. Rosnava para os dois. Eriel e Wendy gritaram desesperados. Aurélia segurou o tornozelo de Eriel. Eriel sacudiu as pernas, e deu um chute na cara de Aurélia.

Aurélia imediatamente caiu com estrondo, sobre o chão, em uma grande poça d' água. Deu um gemido de dor e desmaiou sobre a poça d'água, inconsciente.

Wendy e Eriel aliviados, finalmente subiram até encima. Estavam na sala de Enargon. Sua jaula ainda estava vazia. Herald ainda não havia chegado. Wendy ajoelhou-se sobre o chão, o rosto pálido; seus olhos marejados de lágrimas. Estava oscilante. Eriel estendeu seu braço e o colocou sobre seu ombro, tentava consolá-la.

Minutos depois, surgiu-se no ar uma forte luz verde cintilante. Uma fada apareceu. Wendy, que estava ajoelhada sobre o chão; levantou levemente a cabeça. Suas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Eriel observava a fada atentamente.

-Amely!-exclamou Wendy.

A fadinha verde aproximou-se de Wendy e Eriel. Seu rosto tinha uma expressão rude e tristonha.

-Sinto muito Wendy. Muito mesmo. – Disse a fada.

-O.. Obrigada, Amely. –Disse Wendy, sua voz gaguejava trêmula.

-E agora, o que iremos fazer com o corpo de Lilian? –perguntou Eriel, perplexo.

Fez-se um longo minuto de silêncio. Logo depois, Amely falou:

-Segurem minha mão. –Wendy e Eriel entreolharam-se.

-Por quê?- perguntaram.

Amely não respondeu. Estendeu, então, a mão direita à Wendy e a mão esquerda a Eriel. Instantes depois, com um súbito, transportaram-se imediatamente, voltando para o subterrâneo. No esconderijo de Eleanor. Na sala circular, onde havia no centro, um altar. Wendy e Eriel sentiram por todo o corpo, um forte repuxo. Wendy sentiu uma forte tontura na cabeça.

-Vamos ter que levar o corpo de Lilian então?- perguntou Eriel.

Amely concordou, acenando a cabeça. O corpo de Lilian estava caído sobre o chão ao lado da cadeira. Inconsciente. Seus olhos muito abertos, paralisados. Seu rosto estava muito pálido, branco como a neve. Wendy e Eriel se aproximaram do corpo da mulher. A levantaram. Seu corpo estava gélido.

Tinham-na levantado, segurando-a pelos ombros. Amely se aproximou dos dois. Transportaram-se novamente. Voltaram para a sala quadrangular de Enargon.

Andaram pela caverna, voltando para os quintais do orfanato, juntamente segurando o corpo de Lilian com cautela. Amely segundos depois desapareceu no ar subitamente.

-Ué, Amely! Espere, volte!-exclamou Wendy.

-Que estranho- disse Eriel,-nem chegou a se despedir de nós.

-Eriel, e agora? O que iremos fazer?

-Mostraremos o corpo a Helga. Todos precisam saber da verdade, o que aconteceu realmente. –Respondeu Eriel, veemente.

Fez-se uma longa pausa. Wendy e Eriel andaram cambaleando, vagarosamente. Seus rostos expressando feições deprimidas e angustiantes. No centro do quintal, estavam lá todas as crianças órfãs, juntamente com Ashelley, a nova instrutora. Quando chegaram no centro do quintal. Ashelley os avistou; congelou, imediatamente ficou pasma. Seu rosto empalideceu. Sua mão sobre sua boca, a tampava, exprimindo um gesto de terror e pânico. As crianças a observaram. Imediatamente todos se viraram para trás. Todos observavam à cena chocados e espantados. Ashelley guinchou:

-Crianças! Voltem imediatamente para o orfanato, agora! Vão!- as crianças por um momento, continuaram ali, paralisadas. Logo após despertaram. E então saíram do quintal. Voltaram para o orfanato.

Todos voltaram em silêncio. Todos cochichavam, murmurando um no ouvido do outro, o que acabaram de ver. Ashelley postou-se à frente das crianças. As observava com uma expressão severa e rígida no rosto. Ela suspirou, pasma. Exclamou:

-O que aconteceu?!-a mulher congelou.

-Espere, esta não era a antiga professora, a Lilian?- perguntou Ashelley.

-Oh céus!- a mulher ainda estava espantada. Fez-se um minuto de silêncio.

-É uma longa historia.. Senhora Ashelley.. –Disse Wendy, chorosa. –Chame a Helga, senhora Ashelley. Rápido.

A mulher então voltou correndo para o orfanato, assustada. Chamou Helga em seu gabinete. E logo após chamou também o vice-diretor do orfanato, Taylor Kutcher. Que estava em seu escritório, ocupado, registrando nomes. Voltou, então, com os dois diretores, seguindo Ashelley. Chegaram ao centro do quintal. Fitaram Wendy e Eriel, e o cadáver morto de Lilian, com seu rosto pálido.

Todos congelaram. Deram suspiros. Fez uma longa pausa lúgubre e deprimente. Escorreram-se lágrimas dos olhos dos diretores, imediatamente. Ao observarem a cena. Helga falou, com seus lábios que tremiam, contorcendo-se:

-Foram vocês, não foram?! É culpa de vocês! Assassinos!

-Helga, não, pare! Não fomos nós. Espere.. Foi.. Foi.. Aurélia!- Disse Eriel, assustado.

-Quando estávamos na caverna, eu e Wendy, vimos um esconderijo, no subterrâneo, então, eu e Wendy fiquemos curiosos pra ver o que era, então descemos para baixo. Vimos Aurélia e Eleanor. Lilian estava presa no centro de uma sala; era onde estavam. Sobre uma cadeira, amarrada. Elas haviam-na prendido. Então Aurélia, avançou à frente de Lilian e a matou. –Explicava Eriel, aterrorizado. Seu rosto expressava sinceridade.

Taylor Kutcher e Helga entreolharam-se.

-Acho que eles estão falando a verdade, senhor Taylor. –Afirmou Helga, pasmada.

-Também acho senhora Helga. –Disse Taylor, apanhou um lenço de seu suéter preto e enxugou suas lagrimas sobre o rosto.

Helga então chamou todos do orfanato. E todos então organizaram-se para o funeral. Que fora organizado perto da alameda. Os diretores então vinham trazendo um grande caixão de madeira. O seguravam com força, o carregando no braço. Todos haviam feito uma roda em volta do caixão e da cova profunda. Todos seguravam à mão, um ramalhete de lindas flores, muito coloridas. Henry, James e Catherine, aproximaram-se ao lado de Eriel e Wendy. Todos unidos. Um segurando a mão do outro.

Uma marcha fúnebre que estava localizada ao lado deles tocava violino. Os outros homens da marcha estavam tocando piano, melancolicamente.

Helga e Taylor, juntamente com Ashelley, pousaram o caixão sob a cova com cautela. Logo após tapando a cova, cobrindo o caixão completamente.

A canção da marcha fúnebre, então, parou. Fez-se uma pausa. Helga pousou uma lápide de pedra cinzenta, com os dizeres inscritos:

"Lilian Melkin Stingers."

15 de novembro de 1965

Segundos depois, Helga e Taylor colocaram sob a frente do caixão um túmulo de mármore branco, moldurado. Helga, então, disse melancolicamente:

-Lilian, muito obrigado por tudo mesmo. Por ser uma excelente instrutora. Cheia de virtudes e talentos fascinantes. Uma pessoa muito querida e bondosa que sempre fora caridosa. Ajudando a todos que precisassem. Seus olhos que brilhavam a cada dia, querendo cada dia nos ensinar. Que descanse em paz.

Wendy e Henry ajoelharam-se sobre o túmulo de mármore, cabisbaixos e segurando ramalhetes. Os dois então pousaram os ramalhetes sobre o túmulo. Logo após a marcha fúnebre voltou a tocar. Todos então, dirigindo-se ao túmulo para pousar as flores.

Lilian Melkin Stingers passara desta vida para sempre.