-Capítulo Dezoito-

A Última Esperança

Segunda parte

Quando eles estavam sobrevoando o céu com o dragão, viram aproximar-se ao sul um uivo de vento. Alguma coisa vinha voando veloz ao encontro deles. James olhou para trás. Ele era o que havia sentado mais atrás no dorso do dragão. Ele se assustou. Outro dragão vinha ao encontro deles. Era Melingard. Estava montada sobre ele, Eleanor, que brandia em sua mão direita uma longa lança mágica. Rajadas de trovões saíam ofuscantes da ponta da lança. Elas então se estenderam em direção a eles. Catherine gritava assustada. Herald fez Enargon aumentar mais a velocidade. Tentavam evacuar e se desvencilhar das investidas do dragão e da lança mágica de Eleanor.

Desviaram-se dos trovões, abaixando suas cabeças. O mago sacou seu cajado. Lançou um feitiço. Ele seguiu em direção a Melingard, que desviou do feitiço do mago; voando para o outro lado do céu. Avançaram com o dragão mais rapidamente. Eleanor e Melingard voltaram a persegui-los. Sua lança mágica continuou a lançar feitiços com trovões. Enargon por um momento, não conseguiu mais desviar de suas investidas perigosas. O feitiço da lança acabou o atingindo. Um raio amarelo acabou atingindo-o em sua asa esquerda. O dragão soltou um grunhido de dor. Sua asa começou a se debater loucamente. Ele logo depois estremeceu, começou a soltar chamas de sua boca. Após ele se debateu lado a lado.

Catherine , James e Eriel se agarraram firmes no dragão. Herald segurava em seus chifres desesperado. Catherine soltou um grito de medo; James ofegava, Eriel a todo momento olhava para trás, pelos ombros. Tentava ver se Melingard continuaria com outros ataques. Mas quando havia olhado para trás, ele não estava mais lá. Eles haviam desaparecido no céu.

Enargon de repente começou a cair, debatendo-se pelo céu. O dragão de um súbito começou a ficar voando de cabeça para baixo, pois sua asa esquerda estava machucada. Todos começaram a gritar:

-Não! Enargon!- exclamou Herald.

-E agora como chegaremos aos vales da Escócia?!

Ele começou a baixar vôo, desamparado. Segundo após segundo. A alguns centímetros do chão. De repente eles se viram caídos sobre o chão. Desabaram com estrondo sobre uma estrada de asfalto deserta. Enargon deixou sobre o meio da estrada uma enorme cratera, que havia rachado o chão da estrada que era pavimentada de asfalto.

Estavam deitados sobre o meio da estrada. Enargon já estava desmaiado no chão ao lado deles. Todos se levantaram tontos e oscilantes da estrada. O dragão começou a se estremecer o corpo e suas asas; deitado no chão, sua asa esquerda estava muito ferida. Catherine perguntou a Herald ainda meio oscilante por causa da queda:

-Herald, o que vamos fazer agora? Algum plano para sairmos daqui e voltar com a viagem? Quem era aquele dragão que estava nos atacando, junto com aquela caveira esquisita?

-Acalme-se Catherine... –Disse Herald antes de responder sua pergunta, meio hesitante. Seu braço estendido acenando para ela se acalmar. –Aquele era Melingard e Eleanor. Melingard é seu dragão negro de estimação. Ele fora domado para nos atacar em algumas situações inusitadas. Quer nos vingar, porque Henry havia destruído o livro.

-Para onde nós iremos quando chegarmos aos vales da Escócia?- perguntou James.

-Para o templo das profecias. Henry e Wendy estão nos esperando lá, junto com Joel. É importante vocês estarem lá agora... – o mago então hesitou vacilante.

James, Eriel e Catherine fitaram o mago, curiosos e meio amedrontados.

-Mas como iremos voltar com a viagem? Enargon está muito ferido.. –Disse Eriel desconfortado.

-Esperem, eu acabei de ter uma idéia agora. –Disse Herald com ar de surpresa.

Herald retirou do bolsinho de suas vestes brancas, um potinho de vidro, meio azulado, o que parecia ser um pequeno frasco de uma poção mágica. Estava lacrado por uma tampa; vendada por um pedacinho de pano rendado, na cor verde. O mago abriu o frasco cilíndrico com força, rodeando a tampa para a direita. Todos o observavam com cara de curiosidade.

Ele então se aproximou de Enargon; a sua frente. Ele ainda estava desmaiado no meio da estrada demolida do asfalto. Sua asa esquerda se contorcia desesperada. Estava escorrendo sangue sobre ela. O mago retirou mais alguma outra coisa do bolso. Era um pedaço de esparadrapo branco, meio empoleirado. Na outra mão, o frasco que ele segurava da poção, tinha em seu interior um líquido de aspecto meio esverdeado e barroso. Ele então enfiou sua mão comprida e enrugada, cheia de anéis de ouro e prata, no interior do frasco da poção. Com um pouco do creme esverdeado na mão, ele então passou, um pouco do creme na asa esquerda de Enargon, com cautela. O dragão sentiu uma breve ardência em sua asa e soltou imediatamente um rugido alto que ecoou pela estrada deserta. As crianças taparam seus ouvidos por causa do barulho.

Herald com o seu esparadrapo o colocou então sobre sua asa, no local do ferimento. Também colocou o creme da poção esverdeada. Retirou novamente de seu bolso uma fita adesiva branca. Colocou-a sobre o esparadrapo, tapando assim o ferimento para o dragão poder cicatrizar o ferimento rapidamente.

-Bom. Acho que isto já serve. Ajuda muito, daqui a pouco ele já estará curado.

De repente de um súbito, começou a emergir do meio da estrada deserta, um caminhão de carregar cargas. Os faróis já estavam acesos; a noite havia chegado. Todos entraram em pânico. O caminhão se aproximava deles cada vez mais. Estava ficando perto de Enargon, a alguns metros de distância. O dragão de repente se ergueu do chão assustado. Por um reflexo ele se desvencilhou e voou para o outro lado da estrada, onde havia muita terra, areia, árvores desmatadas e secas. O caminhão buzinou alto para eles duas vezes.

-Rápido. Crianças, cuidado!- exclamou Herald brandindo seu cajado.

Todos então correram para o outro lado, se juntando a Enargon. Fugindo de serem atropelados pelo caminhão.

Dentro da cabine do caminhão havia um homem gorducho sentado no banco da frente; dirigindo no volante. Estava pasmo e amedrontado. Começou a ficar pálido quando havia visto o grande dragão vermelho fugir para o outro lado da estrada. Batendo suas asas. Abriu a janela direita do caminhão e exclamou:

-Vocês estão malucos?! E o que era aquilo?!

Eles nem deram atenção ao homem. Já estavam juntos com Enargon ao lado dele. O homem acelerou com o caminhão, que roncou o motor e soltou fumaça do cano da frente, na lateral esquerda do caminhão. Então ele desapareceu de vista da estrada. Acelerando e seguindo para o sul.

James, Eriel e Catherine suspiraram aliviados, por terem conseguido escapar da morte. Eriel começou, imediatamente a choramingar, triste.

-Snif, Snif.. Acabamos de cair nesta estrada e agora quase fomos atropelados por um caminhão. Estamos sem sorte mesmo. – Disse Eriel choroso.

-Pare de choramingar Eriel. Coragem, cara. –Disse James ao amigo.

-Acalme-se garoto, paciência. –Disse Herald com ar de severidade.

-Daqui a pouco iremos sair daqui; deste lugar, já, já. –Afirmou Catherine a James, estendendo seu braço direito a Eriel, em seu ombro. Tentando consolá-lo.

Eriel então parou de choramingar. Eriel as vezes chorava por qualquer coisa, sem motivo algum. James era o mais corajoso deles. Sempre tentava às vezes solucionar algum problema.

Eles estavam em um acostamento de uma estrada na Inglaterra. Todos estavam com suas roupas muito sujas e com arranhões nos rostos. As mangas de seus casacos estavam rasgadas. Suas calças ficaram com furos nas pernas e nos joelhos. Herald acariciava a asa de Enargon, tentando aliviá-lo da dor. Minutos depois eles voltaram com a viagem.

A viagem finalmente fora tranqüila. Passaram pela cidade de Reino Unido e logo após, algumas horas depois, eles já haviam chegado.

Wendy, Henry e Joel estavam sentados em volta da fogueira. Observavam ela preocupados e pensativos. Wendy tinha uma expressão de tristeza em seu rosto. Viraram-se; surpresos, olhando para trás. Wendy de repente guinchou de raiva:

-O que aconteceu? Porque demoraram uma eternidade com a viagem?! Ficamos preocupados. Achamos que vocês tivessem morrido!

Eles vinham se aproximando do norte do vale a alguns centímetros de distancia de Henry e Wendy que estavam sentados em volta da fogueira. O tempo estava gélido, não parava mais de nevar. Joel preparava marshmallons sobre um espeto na fogueira. Herald que vinha na frente pelo caminho, respondeu:

-Tivemos problemas. Melingard e Eleanor nos atacaram no meio da viagem. No fim terminamos caindo sobre uma estrada deserta, na Inglaterra. Enargon fora atingido por Eleanor; com um feitiço na asa.

-E como Enargon está agora?- perguntou Henry.

-Ele está bem. - Disse Herald. - Consegui curá-lo.

Wendy então suspirou aliviada. Henry observava-os com curiosidade. Joel começou a comer os marshmallows do espeto. Wendy se virava; pois havia visto, logo atrás do mago, Catherine, James e Eriel, parados atrás dele. A garota chamou:

-Catherine! Que bom que você está aqui!- ela então correu em direção a amiga para abraçá-la. As duas deram um abraço forte.

-Wendy, também sentira sua falta. –Disse Catherine, sorridente.

Henry correu para cumprimentar seus amigos: James e Eriel. Henry então perguntou para seus amigos:

-Como fora lá no orfanato com a nossa ausência?

-Ahn.. bem.. Helga e Taylor andaram muito preocupados ultimamente. Ficaram indignados com o que acontecera na caverna. Eles suspeitaram que fossem vocês que botaram fogo nela. –Disse James, sério.

Henry ficou indignado com o que acabara de ouvir. Mas Helga e Taylor haviam confiado neles, não fora eles que haviam assassinado a instrutora Lilian. E que agora eles suspeitavam que as crianças houvessem botado fogo na caverna e fugido dali.

-Bem, mas nós tentamos convencer a Helga de que não foram vocês. Mas sim Alice e Aurélia. Sabe. Que vocês jamais fariam uma coisa dessas. Nós dissemos que estávamos numa missão importante junto com Herald. E que não iríamos voltar muito cedo para o orfanato, por causa disso. Que queríamos nos livrar de Eleanor e Alice.

-E o orfanato está tranqüilo agora? Não ouve mais ataques?- perguntou Henry.

-Sim. Ficou mais tranqüilo com a ausência de vocês.

Eriel contou a Henry:

-Henry, você sabe o que aconteceu depois que fomos atingidos por Eleanor e caído na estrada? Nós fomos logo após, quase atropelados por um caminhão. –Ele disse, com um ar amedrontador.

Henry ficou boquiaberto. Pousou sua mão sobre a boca, indignado.

-Por um triz escapamos da morte. –Disse Eriel.

As duas amigas que estavam perto deles se viraram. Wendy olhou para Eriel:

-Como assim, por um triz escapamos da morte?

-Ahn, -Eriel embaraçou-se- nós quando estávamos na estrada, quase fomos atropelados por um caminhão, junto com Enargon. –Finalizou então Eriel.

-Puxa! Ainda bem que não aconteceu nada de mal com vocês! Eu já estava achando que alguma coisa de mal iria acontecer. Tive um pressentimento.

Depois da conversa todos foram dormir. Era tarde da noite. Herald havia conjurado de seu cajado sete sacos de dormir, com vários edredons. Eles dormiram em uma pequena caverna, perto de um pinheiro, em uma montanha plana. Dormiram perto da fogueira, aquecidos.

No dia seguinte, todos acordaram ao surgir da alvorada sob o vale, o iluminando com os raios solares. Era uma manhã de céu limpo e com poucas nuvens.

Logo depois todos foram tomar o café da manhã, em volta da fogueira, na caverna do vale de neve. Ainda nevava forte lá fora. Wendy pousou sua xícara de café com leite; no chão da caverna, a seu lado e então perguntou a eles:

-Será que já é natal?

-Ontem, quando saímos do orfanato era dia vinte e três de dezembro.

-Nossa, então, já está perto. Como os dias passaram rápido.. –Wendy parou de falar e ficou em silêncio. Todos a olharam com ar de distração.

-Pena que não podemos estar lá no orfanato. –Disse Henry. –Poderíamos ter comemorado o natal lá, daí seria divertido. Iríamos trocar presentes, cartões de natal, teríamos uma grande ceia no refeitório.

-Henry, você não percebe, que agora não dá. Estamos em uma missão importantíssima. Herald quer nos levar ao templo das profecias, não é mesmo Herald?- perguntou Wendy, austera. Olhando para o mago com ar de dúvida.

-Sim. Iremos à tarde. Já vão se preparando, vai ser uma longa caminhada.

Eram quatro horas da tarde quando começaram com a viagem. Eles tinham de seguir andando pelo norte do vale coberto de neve. Enargon estava calmo. Preso nas correntes sobre um pinheiro, ao lado da caverna de neve.

Ao andarem, eles passaram por riachos, planícies, serras e montanhas íngremes. Os lagos, córregos e alguns riachos estavam congelados. Herald vinha caminhando na frente, guiando as cinco crianças que os acompanhava por trás, pelos calcanhares.

Depois de terem caminhado longos minutos, já estavam começando a ficar cansados e com dores nas pernas. A cabeça de Henry e Wendy formigava. Catherine andava pelo caminho roendo as unhas, ansiosa. James e Eriel não paravam de conversar a todo momento.

No meio do caminho todos pararam de repente. Perto de um riacho que escorria a água calmamente. Parecia ser um outro tipo de água, era brilhante e muito clara. O sol irradiava forte sobre o local onde estava o riacho. Eles taparam o rosto, com uma mão sobre a testa e observaram o riacho forçando os olhos. Na cachoeira de águas brilhantes, um unicórnio branco bebia a água do riacho. Ele estava com muita sede.

-Não se aproximem dele!- guinchou Herald.

-Por quê? – perguntaram as crianças, ao mesmo tempo com ar de duvida.

Wendy e Catherine observavam a criatura, fascinadas e admiradas. Estavam a dois metros de distancia do belo unicórnio branco. Sua aparência expressava pureza e esperança. Ele balançava sua cauda de leão, enquanto bebia a água do riacho. Ele tinha uma barba branca e os seus olhos eram azuis, muito vivos e brilhantes. Herald respondeu para eles:

-Porque esta criatura é um unicórnio. Os unicórnios são seres selvagens e domesticáveis apenas por donzelas de coração puro, ou então por um mago, em meu caso.

-Oh- disseram eles, admirados, observando o unicórnio.

Logo depois o unicórnio se virou e se dirigiu para uma árvore próxima, onde havia maçãs muito vermelhas. Ele então ficou em frente à árvore, e abocanhou uma maçã da árvore.

-Como iremos passar por ele?- perguntou James.

-Precisamos ter cautela- disse Herald. –Deixe comigo. Eu irei distraí-lo. Essas criaturas costumam vir para o vale, às vezes. Uma vez quando estava viajando para cá, os vi por aqui, neste mesmo local. –Ele então parou de falar e andou em direção ao unicórnio com cautela.

Herald acendeu uma luz forte da ponta de seu cajado, a alguns centímetros de distancia do unicórnio. O unicórnio de repente sentiu-se atraído pela forte luz do cajado de Herald. Se virou e trotou em direção ao mago; observando seu cajado,com a luz acesa e ofuscante.

-Aqui!

Herald murmurou alguma coisa, acenando com a mão que estava livre, para as crianças. Wendy que estava na frente, disse para os amigos: - Acho que já podemos ir. Vamos.

Eles então saíram correndo em frente, passando pelo unicórnio, que estava distraído olhando para a luz do cajado do mago. O mago deu um petisco de um grão maduro. Depois ele sacou do seu bolso outro grão. O acenou pra o unicórnio; brandindo seu braço esquerdo, com o grão na mão. O jogou, atirando-o perto do riacho, à direita.

-Vá pegar!

O unicórnio então correu para pegar o grão maduro, perto do riacho. O mago saiu dali. Foi se juntar as crianças.

Finalmente eles puderam seguir adiante com a caminhada. Em um tronco de uma árvore; um esquilo subia veloz, com uma noz nas mãozinhas. Depois ele andou por um galho e entrou direto dentro de uma pequena toca, no tronco da árvore. Henry o observava meio tenso e pensativo. Havia parado no caminho.

-Henry, vamos, não pare no caminho. Não queremos mais problemas. –Disse a sua irmã.

-Ah, está bem. –Disse o irmão, distraído. Então ele voltou a seguir os amigos.

Perto de uma clareira; nas planícies do vale, fadas dançavam alegres, brandindo suas asinhas brilhantes, de diversas cores, em volta de um pinheiro. Elas também enfeitavam o pinheiro, passando uma à outra, bolas luminosas de várias cores: vermelhas, azuis, brancas, rosas, roxas e amarelas. As fadas pousaram; depois, as bolas luminosas sobre o pinheiro. Instantes depois, uma fada gorduchinha vinha trazendo na sua mão, um pisca-pisca multicolorido. Do outro lado; outra fada, de cabelos loiros ondulados e compridos, de olhos verdes, a ajudava a carregá-lo do outro lado com a sua mão esquerda. Elas então pousaram o pisca-pisca em volta da árvore.

Depois, as crianças avistaram Amely que vinha trazendo na sua mão uma linda estrela brilhante e dourada. Aproximou-se do pinheiro e pousou a estrela no topo do pinheiro.

Como um passe de mágica, a fada gorduchinha de coque no cabelo escuro, estalou os dedos. Imediatamente as luzes do pisca-pisca se acenderam. Segundos depois começaram a piscar.

-Uau! Amely- gritaram Henry e Wendy.

-Ahn, sim. – Amely rodeava e balançava com a cabeça para lá e para cá, distraída. Tentando ver quem a chamava. Então ela de repente viu os três irmãos. Falou surpresa:

-Ah, olá!Henry, Wendy, que bom encontrar vocês por aqui.. Ah, já estão com seus amigos. –Ela se virou, olhava de esguelha para Catherine, James e Eriel, que pararam no caminho para ver o que era.

-O que você está fazendo? E quem são essas outras fadas?

-Ah, elas são minhas amigas. Nós sempre nos reunimos perto do natal para enfeitar os pinheiros do vale. O natal já vem chegando. Lá, lá, lá.. –Cantava Amely, alegremente com sua voz fina e suave. Voltou a se reunir com suas amigas, para conversar.

-Legal- disse Wendy, admirada.

-Elas vieram do reino das fadas. –O mago afirmou sério. –No natal elas sempre se reúnem nos vales. Para enfeitar os pinheiros e festejar a ceia no vale, na noite de natal.

Às seis horas da tarde; depois de caminharem por umas duas horas pelo vale, avistaram a quilômetros de distância, ao raiar do sol, um enorme templo em ruínas. Tinha alguns pilares destruídos em pedaços pelo chão. A frente do templo havia dois pilares, meio rachados. Em frente da grande e comprida porta de entrada do templo. A porta do templo era dourada. A maçaneta da porta era uma cabeça de leão jubado com a boca aberta.

Somente uma parte da entrada do templo estava destruída. Na parede da entrada, no lado esquerdo, havia um buraco; uma parte da parede do templo estava destruída. De seu buraco emergia uma luz, saindo pra fora do buraco, por causa dos raios solares que refletiam pelo buraco na parede.

O templo parecia ser muito antigo e de um aspecto meio rústico. O teto do templo era de pedra. Havia muitas vidraças, adornadas com desenhos de santos e alguns anjos que seguravam na mão cornetas, outros seguravam harpas. Do lado esquerdo da parede uma janela grande de vidro de cristal. E do lado direito também havia uma mesma janela. Nos tetos havia muitas vidraças.

-Está ali. Vejam! É o templo das profecias. Estamos quase chegando. –Disse o mago, apontando para o templo.

Para chegarem ao templo eles teriam de chegar adiante para o norte. Ele ficava sobre uma planície, abaixo de uma montanha.

As crianças suavam de cansaço. Herald retirou do bolso, um frasco de vidro. Depois ele apontou com o seu cajado para o frasco. Murmurou:

-Aqua Jatius!- o frasco de vidro, então, encheu-se de água.

O mago o deu para as crianças beberem da água. Wendy e Henry foram os primeiros a beber. Logo após James, Eriel e Catherine beberam por último. James de repente quebrou o silêncio e perguntou:

-Porque Joel não veio conosco?

-Ele ficou cuidando de Enargon para mim. –Respondeu Herald.

Depois de conversarem mais um pouco, andaram até o templo. Desceram a montanha, meio íngreme, depois seguiram andando por uma extensa estradinha em curvas, abaixo da montanha. Começaram a andar em ziguezague pela estradinha que a todo o momento curvava-se.

A frente da entrada do templo, Herald tocou na maçaneta de cabeça de leão jubado. Virou-a e logo após o leão soltou um rugido, então ela se abriu imediatamente. A porta dourada rangeu de tão antiga. O teto do templo era muito alto, adornado por pinturas de anjos e santos.

No centro do templo havia um pedestal com um globo esférico de vidro de cristal sobre ele. Mais a frente havia escadarias de andares superiores. À direita e a esquerda do templo havia muitas estantes com diversos outros globos esféricos de cristal de vidro. Milhares de outros deles.

No templo também tinha muitas estátuas de santos. Algumas possuíam uma coroa encima da cabeça. E havia também muitos anjos. Alguns seguravam harpas e outros, flechas. Outros estavam pousados sob uma nuvem, sorridentes.

Eles depois de terem observado o interior do templo, finalmente entraram dando um passo a frente. O piso do templo era de mármore. Nas paredes de pedra havia archotes que iluminavam o templo. Ao lado dos archotes tinha quadros de pinturas com anjos.

-Uau!- disseram Henry e Wendy admirados com o lugar.

-Venham!- exclamou Herald brevemente.

As crianças obedeceram acenando e então seguiram o mago que ia em direção ao centro do templo para pegar o globo de cristal que deveria conter a tal profecia.

A frente do pedestal, Herald tocou na profecia. Imediatamente, sobre o interior do globo surgiu o rosto de uma bruxa vidente, com os cabelos desgrenhados castanhos e muito crespos. Seus olhos eram escuros e brilhantes. Seu nariz era curvo e comprido. A bruxa de repente começou a falar com uma voz calma, aguda e misteriosa que ecoou por todo o templo:

"E um exército de caveiras rivais se erguerão e travarão uma terrível batalha que determinara o destino da humanidade da Inglaterra. A caveira maligna se rebelará, numa vingança esmagadora. Cinco crianças escolhidas e um mago se juntarão ao batalhão e lutarão bravamente. Em uma batalha que somente os mais resistentes e corajosos vencerão. E então talvez haja paz."

Logo após disso o rosto da bruxa que estava no interior do globo desapareceu, se apagando. Deixando uma névoa branca de fumaça no globo de cristal. Fez-se um longo minuto de silêncio. As crianças chocaram-se surpresas.

-Esta então é a profecia? – perguntou Henry.

-Sim, era o que eu queria mostrar a vocês. –Respondeu Herald.

-Depois de todo este tempo, você não nos mostrou? – perguntou Wendy com uma expressão de indignada.

-Acalme-se Wendy. Era porque antes não podemos ter uma oportunidade de vir até aqui. Os trolls estavam vigiando o templo, porque havia criaturas que queriam roubar a profecia para darem a Eleanor. –Finalizou o mago.

Eriel, James e Catherine observavam o mago atentamente.

-Ah, bem. –Disse Wendy aliviada.

-Então o que significa esta profecia realmente? –perguntou Catherine, com ar de curiosidade.

-Haverá guerra. –Afirmou Herald. – Porque Eleanor e Alice querem a profecia. Porque querem, também dominar a Inglaterra ou talvez o mundo com a maldição de Amanda Ross, mãe de Alice. Eleanor e Joel são as caveiras rivais. Desde muito tempo as duas foram rivais. Quando estavam vivas na forma humana, Eleanor era feiticeira maligna e Joel um bravo guerreiro bondoso e pacifico. Luz e trevas entraram em guerra. Somente os mais corajosos e resistentes conseguirão vencer essa batalha. Que então determinara nosso destino.

Herald então apanhou o globo de cristal do pedestal. Eles então voltaram, para sair do templo. Imediatamente; ouviu-se um estampido no ar e surgiu detrás deles, perto de uma estátua, a esquerda de um santo, Alice. Ela vinha se aproximando deles com um ar de superioridade e arrogância, exibindo seus lindos cabelos loiros e lisos. Na sua cabeça havia uma tiara prateada brilhante. Ela guinchou enraivecida de repente detrás deles:

-Parem!

Henry e Wendy tropeçaram e quase caíram de queixo no chão de mármore.

-O quê? Quem é que está falando?-perguntou Eriel meio confuso.

-Sou eu. Seu garoto imbecil!-gritou Alice.

Eriel e os outros imediatamente se viraram e olharam surpresos para Alice; que os fitava, parada à frente deles. Herald falou de repente:

-Alice, o que está fazendo aqui?!

-Eu, vim dar uma passada e depois bater um papinho furado com vocês. Hihihihih.. –Ela disse em um tom irônico acompanhado de uma risadinha medonha.

-É lógico, Heraldizinho. Vim pegar a profecia que você acabou de pegar. Me dê ela agora!- Gritou ela irritada. –Passe já!

-Não!- Gritou o mago aumentando sua voz de locutor.

-Ah, é mesmo. Então toma essa: -Rics Trovius!

-Não!- Disse Henry.

O mago havia tombado inconsciente sobre o chão de mármore do templo.

-Herald!- Disse Wendy, apavorada.

-Ele desmaiou. –Disse Catherine, seriamente. Olhando para Wendy.

-Oh, não, Herald!-Ela então correu até onde o mago estava e se ajoelhou a seu lado. Ela então falou para Alice:

-Veja só o que você acabou de fazer, sua.. Sua..

-Sua o quê?- perguntou Alice com ar medonho.

-Cale a boca!- Exclamou Wendy.

-Henry!- exclamou Wendy novamente. –Sua varinha. Ataque ela.

-Sim!- Disse o irmão. Ele então apanhou a varinha de dente de leão de seu bolso. Murmurou:

-Rics Enervate!

Alice imediatamente desviou do feitiço de Henry, pulando para o outro lado, onde estava uma estátua de um anjo de harpa. A estátua do santo que estava do outro lado; onde ela havia saído, explodiu com o feitiço de Henry que havia atingido-a. Pedras voaram pelo ar e caíram sobre o chão do templo. Henry desviou de uma pedra que quase havia atingido ele na cabeça.

Wendy foi ajudar o irmão. Retirou sua varinha. James, Eriel e Catherine foram se esconder detrás de alguns pilares do templo. Wendy mirou sua varinha de pena de águia para Alice e gritou:

-Chicoteus Ramius!- Trepadeiras com folhas verdes irromperam da ponta da varinha de Wendy.

As trepadeiras enrolaram-se em volta dos braços de Alice prendendo-a. E depois outras trepadeiras enrolaram-se nas pernas de Alice, então finalmente a imobilizou. Ficando sem movimentos.

-Ah, mas vocês me pagam suas pestes!- Gritou ela. Ela então cambaleou e depois caiu de lado com estrondo no chão.

Herald, de repente, começou a recuperar força e consciência. Levantou-se do chão de mármore meio aturdido e com tonturas.

-Me de a profecia, mago irritante, agora!- Disse ela se retorcendo no chão. Presa as trepadeiras.

Ela de repente apontou sua varinha para as trepadeiras. Murmurou: -Fógus Minimus!- Pequenas chamas de fogo irromperam da ponta de sua varinha, e queimaram as trepadeiras, que estavam presas a seu corpo.

Ela então, já liberta, correu até o mago e tentou tirar a profecia de sua mão direita puxando-a. Catherine correu até eles para impedir que Alice pegasse. Deu uma pedrada na cabeça de Alice, que caiu tonta e vacilante no chão. James murmurou atrás de um pilar: - Isso! É assim que se faz Catherine.

-Muito bem Catherine. –Disse o mago.

Alice se levantou, um minuto depois, tonta.

-Ah, Maldicis Energio!- Disse ela, meio confusa . Mirando a varinha sem querer para a estante com os globos de cristais.

Os globos de cristal rapidamente explodiram e se estilhaçaram sobre o chão, soltando um ruído ensurdecedor. Vozes de bruxas videntes foram quebradas pela explosão. As bruxas gritavam histéricas em uníssono. A voz delas ecoara pelo templo e pelos andares superiores.

As crianças e o mago taparam imediatamente os ouvidos por causa do barulho dos milhares de globos de cristal que quebravam e soltavam gritos das bruxas videntes. Logo após disso Herald gritou, com seu cajado apontado para Alice: -Fógus Maximus!- labaredas de fogo serpentearam a volta de Alice. –Vamos fugir. Venham!

As crianças então correram, seguindo Herald até a saída. Herald ainda segurando a profecia na mão. Ele então encostou sua mão na maçaneta da porta dourada. Abriu-a. Então eles saíram do templo arfando.