Capítulo Dezenove

O Plano de Guerra

Era noite de natal. Todos já estavam no orfanato; no refeitório esperando para festejar a ceia. Taylor Kutcher e Helga ajudavam Dona Roses a organizar e decorar as mesas do refeitório. Dona Roses pousava sobremesas e quitutes sobre a mesa. Vários pudins, manjares de coco, gelatinas, tortas de pêssego e mousses de chocolate nevado.

Henry arregalou os olhos para a sobremesa. Ele então estendeu o braço e se serviu um pouco de manjar de coco. Estava sentado ao lado de sua irmã Wendy.

James, Catherine e Eriel haviam se sentado sobre a mesa do outro lado do refeitório, à direita e perto do balcão de Helga. Os funcionários haviam se sentado sobre uma mesa no centro do refeitório. Jantavam sua ceia em silêncio. Já era meia noite.

Logo depois de jantarem, todos iriam para a sala de estar, para trocar presentes de natal. Alice estava sentada do outro lado da mesa e toda hora encarava Wendy e Henry. Eles então fizeram que não a viram. Minutos depois de terem comido a sobremesa, se retiraram dali. Fizeram uma cara de desprezo a Alice quando haviam se retirado dali.

O saguão de entrada do orfanato estava todo iluminado e brilhante pela decoração. As luzes dos pinheiros piscavam coloridas.

A sala de visitas estava muito lotada. Wendy e Henry se espremeram para poder se reunirem para trocar os presentes de natal. Os presentes se localizavam abaixo do grande pinheiro branco. Algumas crianças órfãs estavam sentadas no sofá. Helga e Taylor ficaram postados de pé, de costas para a lareira da sala. Começaram com um discurso antes, para depois começar a entregar os presentes. Os irmãos tiveram de ficar de pé, porque os assentos dos sofás estavam todos ocupados. Ficaram do lado do sofá, onde estavam seus amigos. Muitos falavam alto e outros cochichavam nos ouvidos. Helga gritou: - silêncio!

Taylor Kutcher se virou e murmurou alguma coisa no ouvido de Helga: -Então já podemos começar com a entrega de presentes, senhora.

Ela concordou com o vice diretor acenando com a cabeça. As crianças ganharam muitos presentes dos diretores. Wendy ganhara de presente uma linda caixinha de porta jóia, com uma linda bailarina que, abrindo a caixa ela rodeava e dançava, movendo-se com graciosidade. Henry ganhara um relógio. Catherine ganhara uma boneca de porcelana muito antiga. Wendy olhou para a amiga e viu pela sua expressão no rosto, que ela não gostara muito do presente. Olhava-o meio tristonha. James e Eriel ganharam caixas de trufas e chocolate mesclado. A caixa era vermelha, enfeitada com uma fita dourada.

Os irmãos ficaram muito felizes e satisfeitos com seus presentes. Catherine se aproximou deles e falou: - Vocês só ganharam presentes legais, eu não. – Ela falou a eles ainda com a expressão tristonha no rosto.

Henry tentou consolar a amiga, estendendo seu braço e o colocando sobre seus ombros. Lágrimas escorreram dos olhos de Catherine.

-Não chore Cath. Quem sabe no próximo natal você ganhe algum presente melhor.. –Henry hesitou. Não devia ter dito nada. Preferiu não falar, não queria piorar a situação.

Horas depois todos foram se deitar nos seus dormitórios. Henry brincava com o seu relógio luminoso que ganhara de presente; deitado em seu beliche, pensativo. O visor do relógio mudava de verde para azul, vermelho e amarelo.

Três anos haviam se passado. Wendy e Henry completaram 14 anos. Estavam no mês de março, no ano de 1968. Os irmãos ajudavam Ashelley nos jardins. Ajudavam a plantar flores nos canteiros. A caverna estava lá, em ruínas com muitas pedras e rochas sobre o chão. Os corvos praticamente começaram a habitar o local, fazendo ninhos e pousando ovos.

Os irmãos haviam crescido com o tempo. Eles estavam conversando com seus amigos, sentados à mesa da biblioteca. O tempo lá fora estava chuvoso, com trovoadas. De repente surgiu, ao lado de uma estante da biblioteca uma luz verde brilhante e então Amely apareceu. Se aproximou de Wendy e Henry.

-Mensagem para vocês- disse ela.

-Ahm, Amely, shh.. –Wendy tentou silenciá-la. –Fale baixo. E se Lucy estiver escutando nossa conversa. –Disse Wendy para Amely.

-Ah, desculpe- disse ela.

A fada então começou a informar o aviso:

-Herald disse que quer conversar com vocês dois na alameda. É assunto importante.

Henry disse: - Ok. Daqui a pouco iremos conversar com ele.

Wendy ficou pensativa. Então ela havia pensado que talvez o assunto fosse sobre a profecia.

Depois de terem tomado o café da tarde, eles então foram para a alameda. Com capas de chuva e capuz para não molharem suas vestes com a chuvarada que não parava.

Fora difícil encontrar Herald em meio à névoa da alameda e entre a chuva forte. A terra estava toda enlameada. Wendy e Henry trancaram seus pés no caminho. Tentando achar Herald. Tiveram de fazer um esforço para continuarem andando. De surpresa, como um súbito, Herald havia surgido na névoa misteriosamente. Wendy e Henry levaram um tremendo susto e se sobressaltaram.

-Ah, que susto. Caramba Herald!- exclamou Henry, ofegando. –Como você aparece assim de surpresa, de repente.

-Desculpe crianças. –Disse ele, abrindo um largo sorriso no rosto.

Eles se irritaram com aquilo. Mas depois, começaram a ficar ansiosos, com curiosidade.

-Bom. Então vamos direto ao assunto. –Disse Herald. –Precisamos ir para a Floresta de Madison Fallen. Na mina dos duendes. Precisamos conseguir algumas armas. Eleanor declarou guerra contra nós. Precisaremos partir amanhã durante a tarde. Já podem ir se preparando. Avisem seus amigos também. Nosso destino agora depende somente de nós. Somos a salvação.

Wendy e Henry se encheram de coragem.

-Sim. Nós iremos. –Disse Wendy, esperançosa. Sua mão se fechou de repente, trêmula e enraivecida. Pensou nos seus pais. Na terrível tragédia que havia acontecido com eles, naquela terrível noite sem fim. Na noite do terror, da angústia e do desespero.

Porque tiveram de passar por tudo isso? Justamente com eles? Tornaram-se órfãos de repente. Sem pais e nem parentes próximos que poderiam ajudá-los. Talvez se tivessem parentes, poderiam levá-los embora dali e ir viver com eles. Queriam talvez, de repente fugir dos problemas, das responsabilidades de suas difíceis missões com Herald. Mas uma força lhes dizia que não podiam desistir jamais na vida. Que só assim, conseguiriam vingar a morte de seus pais e de Lilian, a professora que os ajudara sempre, no orfanato. Eles então saíram da alameda e voltaram para o orfanato.

Eles subiram para a biblioteca. Foram conversar com seus amigos. Desabafar com eles suas angústias e medos.

...

Alice estava ajoelhada sobre o chão. Eleanor a torturava e dizia insultos à garota. Alice berrava desesperada. Estavam em uma ilha. Em uma clareira. Alice estava ajoelhada ao lado de uma rocha.

-Você só tem fracassado ultimamente Alice. –Disse Eleanor. Eleanor a torturava com chicotadas violentas.

-Perdão lady. Me perdoe, por favor.. – Disse Alice. Ela então hesitou e começou a choramingar.

-Depois daquilo da profecia, que vergonha Alice. Você não foi persistente. –Disse Eleanor friamente, enraivecida.

-Me perdoe, lady. Me perdoe. –Disse Alice, novamente, angustiada. Querendo que Eleanor a perdoasse por todo custo.

-Onde está Aurélia? –perguntou Eleanor.

-Ela está na mina dos duendes, senhora. Foi buscar nossas armas e armaduras para a guerra de amanhã.

-Ótimo. –Disse Eleanor energicamente.

-Enviarei um exército de trolls e caveiras. –Disse Eleanor. –As caveiras faziam parte do exército de Amanda Ross. Iremos até o cemitério de Emerd. E lá ressuscitaremos o exército delas. Que está enterrado lá.

-E onde fica o cemitério de Emerd? –perguntou Alice, surpresa.

-Mais ou menos, perto desta ilha. Num lugar paralelo. No cemitério onde ficam as bruxas mortas.

Ouviram-se fortes estampidos no ar; perto de Eleanor e Alice, deixando uma fumaça cinzenta. Aurélia surgira de repente. Eleanor que estava de costas para Aurélia, se virou e ficou a frente de sua serva. Aurélia disse animada:

-Sentiu minha falta lady? Estive na mina dos duendes.

- A pouco tempo estava perguntando por você- disse Eleanor séria.

Aurélia segurava em seus braços algumas armaduras de metal de bronze muito pesadas, e segurava também, junto às armaduras, uma lança mágica com uma luz incandescente dourada. Aurélia cambaleou por um momento e quase caiu ao chão com o peso das armaduras. Ela então largou as armaduras e a lança mágica ao lado da rocha. Onde Alice estava ajoelhada ao lado dela.

-Está tudo pronto lady. –Disse Aurélia.

-Ótimo. –Disse a caveira Eleanor. –Muito obrigada Aurélia. Você tem sido uma serva fiel a mim ultimamente, diferente de Alice.

Alice ficou enraivecida. Lançou um olhar fulminante para Aurélia. Invejando a amiga.

-Mas e eu lady? Eu também andei ajudando você ultimamente. –Disse Alice, chorosa.

-Quieta menina! Você tem fracassado sim ultimamente.

Eleanor deu uma olhadela para a lança mágica incandescente. Percebeu que a lança era muito parecida com a que ela havia usado; quando perseguira James, Eriel, Catherine, Herald e Joel, pelos céus. Ela disse surpresa:

-Aurélia, esta não é a lança.. –Ela hesitou. Aurélia respondeu rápido:

-Não é não, lady. Só é parecida e é muito melhor que a sua que havia usado. Ela é mais poderosa. O poder dos trovões são mais intensos.

-Que bom. Isso é bom. –Disse Eleanor, repetitiva e cômica.

Alice se levantou do chão. A noite se aproximava. Alice, Aurélia e Eleanor acamparam na ilha de Madison Fallen. Acamparam na clareira. Fizeram uma barraca. Minutos depois quando pronta, se reuniram, sentadas no interior da barraca sob o saco de dormir. Estavam conversando, armando planos.

-Então o melhor horário para irmos ao cemitério de Emerd seria a meia noite. É neste horário que o portal se abre para o plano paralelo, para chegarmos ao cemitério das bruxas.

-E onde o portal se localiza? –perguntou Alice.

-Na entrada da toca do troll –disse Eleanor com clareza. –A passagem do portal para o cemitério é num redemoinho negro.

Depois de terminarem com a conversa foram dar uma descansada na cabana. Deitaram-se um pouco, enquanto à hora não chegava. Faltavam duas horas para a meia noite.

...

Wendy e Henry estavam em seus dormitórios dormindo. Herald ficara acampando na floresta. Não havia mais outro local que pudesse viver a não ser a floresta da alameda. A caverna estava destruída. Enargon ficou preso nas correntes; pelo fim da alameda, em um tronco grosso de árvore seca e sem folhas.

No dia seguinte, amanhecera um lindo dia ensolarado. Wendy e Henry despertaram agitados e ansiosos. Mal tomaram o café da manhã e já haviam descido para ir para a floresta. Escapando das tarefas propostas por Ashelley para a manhã. Encontraram Herald conversando com Joel no centro da floresta da alameda. Explicando qual seriam seus planos para a tarde. Joel concordava com seus planos. Quando os dois irmãos se aproximaram deles, Joel se virou para cumprimentá-los:

-Oh, olá! Como tem passado a manhã vocês dois?

-Ah, agitados. –Disse Henry. –Olá Joel!

-Joel irá com a gente? –perguntou a irmã.

- Sim. -assentiu o mago.

-Então esperaremos a tarde chegar. –Disse o mago. Wendy e Henry avisem seus amigos. Façam suas malas.

-Ah, sim. –Disseram eles, meio distraídos.

Eles então voltaram para o orfanato. Nos dormitórios eles fizeram suas malas, colocaram nelas tudo o que iriam precisar para a viagem. Comida, roupas limpas, água e biscoitos de mel e por último suas varinhas. Era sempre bom irem prevenidos. Eles fecharam então as suas malas depois terem colocado quase todos os seus pertences nelas.

-Wendy, não temos que avisar Helga de que iremos nos ausentar daqui novamente por algum tempo?

-Ah, sim. –Disse a irmã. –Vou ver se aviso a Helga.

-Venha comigo. –Disse Wendy ao irmão.

Eles saíram do dormitório e foram ao gabinete da diretora. Quando eles entraram, estava junto o vice- diretor conversando com ela. Sentado em uma cadeira à frente de Helga, que estava sentada na cadeira de seu gabinete. Ao se aproximarem, a diretora perguntou:

-Pois não crianças?

-Helga precisamos ter uma conversa com você. Desculpe atrapalhar a conversa de vocês. –Disse Wendy.

-Sim, esperem um minuto, estou ocupada. –Respondeu ela séria.

-Sim senhora. –Disse Henry, obediente.

Após isso, Taylor retirou-se de seu gabinete, lançando um breve olhar aos dois irmãos que estavam em frente a entrada da porta do gabinete. Wendy corou. Sentindo-se sem graça. Como se eles estivessem aprontando alguma coisa que não deviam.

-Já podem entrar. –Avisou Helga. –Então do que se trata o assunto queridos? –Perguntou, maternalmente.

-Bom.. Helga, você sabe aquele mago que nos resgatou da prisão da toca?

-Ahnn, sim.

-Nós precisamos ir para outra viagem com ele, é muito importante. –Disse Henry com clareza e vivacidade.

-Bem, mas vocês tem tarefas restantes a serem cumpridas esta tarde. Ashelley tem um teste muito importante hoje para dar a vocês. Se isto se trata do que estou pensando, vocês podem ir. Aquele mago salvou minha vida daqueles seqüestradores. Esta missão que vocês irão ter de cumprir junto com ele deve ser muito urgente mesmo. Crianças, vocês duas foram as únicas a descobrir o segredo da caverna. Admiro-me por vocês terem coragem de seguir adiante com esta missão. Bom, isto então fica só entre nós. Não contem mais a ninguém. Aquela caverna era um segredo. Amanda sempre fora uma garota com dons muito raros. Ela sempre fora uma garota sabe, com dons especiais. E era difícil para ela se relacionar com as outras crianças do orfanato por causa do preconceito que tinham com ela. As vezes agredia as outras crianças. Ela vivia dizendo que uma guerra entre bruxas iria se aproximar. –Helga então suspirou. –Então vocês já podem ir. Se cuidem crianças, mas depois vocês, por favor, voltem. Conto com vocês. Boa sorte.

Se despediram de Helga e saíram de seu gabinete. Wendy de repente parou, depois voltou para o gabinete de Helga. Falou, se lembrando que havia se esquecido de lhe contar mais alguma coisa.

-Ahn, Sra. Helga. James, Eriel e Cath podem ir conosco?

-Se o mago ordenou que eles tivessem de ir junto com vocês, eu deixo.

-Herald disse que eles terão de ir também, senhora.

-Está tudo bem, podem ir. Não contarei a ninguém. Isto ficará então só entre nós. –Helga deu uma piscadela para os dois irmãos.

Eles estranharam Helga, agir desta maneira. Tão liberal com eles. Sem obrigação de regras. Notaram que Helga estava muito confiante por eles.

Quando eles iam se retirando do gabinete, Helga voltou a falar novamente. Wendy e Henry sobressaltaram-se surpresos.

-Eu já sei de tudo. O mago me contou. Eu conversei com ele na floresta. Marquemos um horário para conversar. Foi difícil aceitar no começo o que se tratava. Mas tive que acreditar que é mesmo importante. É para o bem de vocês. Para o bem de todos. Salvar a Inglaterra. Vão em frente. –Helga sorriu para os dois.

Wendy e Henry sentiram uma grande afeição pela diretora. Nunca haviam sentido isso antes. Sempre acharam que ela talvez fosse de uma índole rigorosa e maldosa. Se retiraram finalmente do gabinete. Subiram para os dormitórios no terceiro andar. Wendy fora falar com Cath, no dormitório dela. Henry fora conversar com James e Eriel. Falaram sobre a missão que eles tinham com o mago. Todos aceitaram.

Horas depois, desceram dos andares dos dormitórios, cada um carregando sua mala. Já era de tarde. O sol estava forte lá fora. Eram duas horas e trinta da tarde quando foram para a floresta. Herald os esperava ao lado de Joel e Enargon. Herald no meio, Joel a direita e Enargon a esquerda. Aproximaram-se deles correndo.

-Estão todos prontos? –perguntou Herald.

Eles olharam para Herald por alguns segundos e depois para Enargon. Assentiram respondendo que sim para Herald. Todos já de malas prontos para partir

-Iremos como? –perguntou Henry.

-Nós iremos através de tele-transporte. Joel irá com Enargon. Não há lugar para irmos todos juntos em Enargon.

De repente Joel virou-se. Segundos depois montou em Enargon. Ele então saiu voando pelo céu.

-Agora é nossa vez, vamos.

Todos se aproximaram de Herald para se transportarem. Os primeiros a se aproximarem foram Henry e Wendy. Wendy tocou na mão direita de Herald e Henry na mão esquerda. Segundos depois, eles se transportaram. Deixando no ar uma densa fumaça cinzenta. Os irmãos sentiram um breve repuxo em seus corpos. Eles então imediatamente foram parar na floresta de Madison Fallen.