Capítulo Dezenoze

Segunda Parte

James, Eriel e Cath esperavam pelo mago na floresta, ansiosos. Cath olhava para um lado e outro. James e Eriel batiam com o pé no chão segundo após segundo, esperavam ansiosamente. De repente ouviu-se um estampido. Herald surgira na floresta. Aproximou-se dos três amigos dos irmãos. Os três seguraram nas mãos um do outro, juntamente com Herald. Sumiram de um súbito pelo ar. James, Eriel e Cath sentiram a pior sensação que poderiam sentir na vida. Estavam todos na floresta de Madison Fallen, em frente a mina dos duendes. Joel e Enargon ficaram parados na estradinha que levava para a mina dos duendes. Cath se virou e perguntou: - Joel não vai entrar conosco?

-Não. Ele ficará esperando aqui, cuidando de Enargon.

Eles lançaram um breve olhar a Joel, a alguns metros de distância, ao sul deles. Joel acenou com sua mão esquelética para eles.

-Podem ir! –exclamou.

Enargon começou a cochilar a seu lado, na estradinha que levava a mina. O mago e as crianças então entraram na mina. Herald imediatamente acendeu a ponta de seu cajado. Andaram até o centro da mina. Os duendes vestidos de armaduras de bronze, trabalhando arduamente. Confeccionando espadas e outros tipos de armas. James, Eriel e Cath observavam a mina, admirados. Olharam para os duendes com um ar de surpresa e espanto no rosto.

Herald se aproximou de um duende que estava cavando com uma pá, abrindo um túnel para o subterrâneo. Ele começava a catar do túnel pratas e ouros em moedas. O duende de barba ruiva e olhos verdes se virou surpreso. Exclamou:

-Ah, olá, quem está ai?! Ah é você Herald!

Herald lançou um sorriso para o duende e o cumprimentou. Os outros duendes que estavam na mina, nem deram atenção as pessoas que estavam ali. Estavam todos muito concentrados em seus trabalhos.

-Vim buscar umas encomendas. –Afirmou Herald.

O duende assentiu.

-Essas crianças vieram com você?- perguntou Fenor.

-Sim. –Respondeu o mago.

-Venham. Me sigam. –Disse Fenor.

Fenor andou até um túnel próximo, com trilhos e vagonetes que estavam presos à eles, que transportavam os minérios ao longo do túnel. Eles então seguiram Fenor até lá.

Fenor subiu no vagonete. Eles então se juntaram a Fenor.

-Teremos de ir andando pelos trilhos até chegarmos ao cofre das encomendas.

-Certo –Responderam eles.

Fenor puxou uma alavanca com força, ao lado do vagonete. O vagonete guinchou e então acelerou, seguindo adiante pelos trilhos. As crianças se sentaram no vagonete e o seguraram firme em suas bordas de metal. Os cabelos ondulados e ruivos de Wendy esvoaçaram com o vento forte que passava com a aceleração do vagonete. O vagonete passou acelerado por vários túneis muito escuros e por alas de ouro. Estava muito desconfortável no vagonete para todo mundo. Herald estava ao lado de Fenor; à frente do vagonete. Wendy e Henry atrás de Fenor e Herald. James estava ao lado de Cath, atrás dos irmãos. Eriel segurava amedrontado a borda do vagonete, atrás deles.

Eles então finalmente chegaram no cofre das encomendas. O cofre das encomendas localizava-se em um túnel estreito. No final do túnel havia uma pequena porta de ferro dourada. A maçaneta da porta era uma roda, meia parecida com uma manivela de ferro. Fenor que andava pela frente, se aproximou da porta e tocou na maçaneta. Soltou um suspiro, então girou a roda da porta e abriu o cofre. Se virou para a direita, segurando a porta, estendeu seu braço, indicando que eles já poderiam entrar pra pegar as encomendas.

-Muito obrigado Fenor. –Disse Herald agradecido.

Eles então finalmente entraram no interior do cofre. O espaço do lugar era muito pequeno e de teto baixo. No lugar havia pequenas estantes de ferro com muitos objetos e vários tipos de armas diferentes. O teto e o chão eram de pedra. Sobre o chão havia rios de moedas de ouro. Sobre o rio de moedas havia também uma espada larga cravejada. A espada era muito brilhante com suas lâminas prateadas. Seu punho era de esmeraldas.

Herald se aproximou de uma estante e pegou uma adaga. Ela tinha uma lâmina larga e curta. Seus punhos eram enfeitados por serpentes e dragões em forma prateada. As crianças se aproximaram do mago para ver. Herald deu a adaga para Eriel. Eriel observou a adaga com curiosidade.

-Esta adaga é para você, Eriel. –Disse Herald.

-Oh, muito obrigado Herald. Obrigado mesmo.

-Não tem de que. – Disse Herald sorridente.

Minutos depois o mago foi até o rio de ouro espalhado no chão. Apanhou a espada larga que estava cravejada no rio; os seus punhos esmeraldas brilhantes.

Se dirigiu à James e estendeu seu braço, deu a James a espada.

-A espada, a James. –Afirmou o mago sorrindo para James.

-Uau, obrigado Herald. Bela espada. –Disse James com uma expressão extasiada no rosto.

Herald se dirigiu ao lado da estante mais alta. Havia na parede de pedra, enganchado em um prego um arco e flecha de cor amarela e vermelha. O arco era adornado por penas coloridas. Herald então pegou o arco e flecha e deu a Catherine.

-Bom, então por último a Cath, o arco e flecha.- Cath lançou ao arco um breve olhar de fascinação e prazer.

-O.. obrigada. – Gaguejou Cath.

-Bem. Então já podemos ir? Henry e Wendy já possuem suas armas. Ah, esperem já ia me esquecendo de mais alguma coisa. –Disse Herald com a mão no queixo. –Os escudos!- exclamou ele.

Ele então andou em direção até uma estante mais baixa. Nela havia dói escudos: um vermelho com um desenho de um leão feroz, no centro do escudo, e um zul com um urubu prateado no centro. Os escudos eram de ferro. Herald apanhou os dois escudos e se virou, segurando-os um em cada mão; ele então os deu a Henry e James.

-Estes escudos são a Henry e James. Necessitarão de usá-los.

Os dois meninos contemplaram os escudos admirando a beleza deles. Minutos depois eles saíram do cofre das encomendas. Passaram pela porta de entrada e olharam para Fenor, que ainda continuava parado ao lado da porta. O duende de barba ruiva e olhos azuis perguntou:

-Conseguiram pegar as encomendas? –Ele perguntou curioso.

-Ah, sim, nós conseguimos. Todos já estão com as armas.

-Aqui está o pagamento. –Herald retirou de seu bolso das vestes um saco de moedas, o pousou na mão do duende.

-Muito obrigado. – Agradeceu Fenor.

Se retiraram do cofre e andaram até o vagonete nos trilhos. Voltaram para o centro da mina.

...

No cemitério de Emerd, Eleanor conversava com um exército de esqueletos ressuscitados. Alice e Aurélia estavam à seu lado com um ar de excitação e ferocidade em seus rostos.

-Então nosso campo de batalha será no deserto de Mellatrox.

As caveiras esqueléticas escutavam Eleanor com atenção. O exército de caveiras, possuíam todas em suas mãos uma espada de lâminas duplas, com os punhos cravejados de diamantes negros. Seguravam também escudos na mão. Eram escudos negros de ferro com desenhos de serpentes verdes no centro dos escudos em um círculo prateado. Eleanor continuou com sua reunião:

-O deserto de Mellatrox fica mais ou menos perto do cemitério de Emerd. Teremos de pegar um segundo portal. Ao lado da estátua do anjo da morte. Seremos levados para o segundo plano paralelo.

Instantes depois fez-se um breve silêncio que adensou-se por todo o cemitério. Depois o silêncio se cortou e Eleanor voltou a falar

-Temos de avisá-los! Onde está Alexia?- gritou Eleanor com sua voz aguda e agonizante.

De repente um pequeno corpo com asas surgiu, aparecendo pelas fileiras de túmulos do cemitério, a metros de distância delas. A fada possuía uma luz muito negra e arroxeada a sua volta, a luz era brilhante e ofuscante. No cemitério de Emerd não existia dia. Havia somente noite no cemitério. Aquele cemitério era um local mágico e ao mesmo tempo assustador. Alexia, a fada das trevas vinha se aproximando de Eleanor. Depois de Alexia ter se aproximado de sua comandante, ela falou:

-Estou aqui, Milady. O que aconteceu?

-Mande uma mensagem aquelas crianças e ao mago imediatamente . Diga-os que a batalha será no deserto de Mellatrox, que terão de pegar um segundo portal para chegarem, que está no cemitério de Emerd.

Alexia por um momento memorizou a mensagem e logo após disso ela se transportou no ar deixando um brilho escuro.

A fada se transportou para a mina dos duendes. James, Eriel, Cath, Wendy, Henry e Herald conversavam com Fenor na mina. Sobressaltaram-se assustados com o surgimento da fada tão de repente.

-Quem é você? – Perguntou Eriel, apontando para ela, amedrontado.

-A fada mensageira de Eleanor seu garoto burro. Hihihi. –Debochou a fada, rindo de Eriel. – Quem você pensou que fosse?

-Não sabia que Eleanor tinha uma fada mensageira.. – Disse Eriel.

-Agora está sabendo. Hahaha. –Riu Alexia novamente com ar de provocativo deboche.

-Então vamos direto a mensagem que Eleanor ordenou. –Disse Alexia.

Todos olharam para a fada com ar de curiosidade. Observaram Alexia perplexos.

-Eleanor disse que a batalha será no deserto de Mellatrox. Vocês terão de pegar um segundo portal no cemitério de Emerd. A não ser se vocês já saibam onde fica o cemitério de Emerd?

-Eu sei sim. – Disse o mago.

-Ótimo. Então já posso ir. – Disse Alexia.

Alexia então voltou para o cemitério de Emerd, sumindo no ar.

-E agora o que faremos? – perguntou Wendy.

-Toca do troll. Na entrada. Lá está o primeiro portal. Nosso próximo destino. –Disse Herald solenemente.

-Naquela ilha? – perguntou Henry.

-Sim – respondeu Herald.

-Mas e os trolls, como nós enfretaremos? – perguntou Henry bravo.

-Lutaremos contra eles.

-Suas armas. –Ele apontou com seu dedo indicador para as armas das crianças que as seguravam.

-Mas.. Nós nunca lutemos contra um troll, não sabemos. – Disse Cath indignada.

-Eu irei ajudar.

-Bom, está bem. –Disse James meio repetitivo.

Eles saíram da mina dos duendes e se despediram de Fenor. Andaram pela estradinha da floresta. Voltaram para se reunir com Joel e Enargon.

-Joel, você já pode ir, está tudo certo. Pode levar estas coisas pra nós, por favor? – perguntou Herald.

Herald então pediu que as crianças dessem as armas para Joel, para levá-las junto com ele. Joel pegou todas as armas e os dois escudos, os colocando em uma grande mochila de couro. Logo depois Joel pegou a mochila e a pôs sobre suas costas. Se aproximou de Enargon e subiu no dorso do dragão. De repente Joel hesitou. O mago havia falado:

-Vá para a ilha onde fica a toca do troll e nos espere lá.

-Sim, senhor. –Disse Joel mexendo suas mandíbulas esqueléticas.

Joel levantou vôo com o dragão e subiu para o ar e minutos depois Joel havia sumido no céu, pelas nuvens.

Herald e as crianças tocaram-se nas mãos um do outro e instantes depois, juntos, eles sumiram no ar.