Capítulo 20

A Grande Batalha Final

Foram parar na margem do mar da ilha. Cocos estavam espalhados pela areia e pelas dunas da ilha. Eles então andaram pela ilha em direção a toca do troll. A toca estava vazia e deserta. Não havia nenhum troll na toca. Parecia que aquelas criaturas haviam abandonado o local de repente.

Joel e Enargon os esperavam na ilha, à frente de um coqueiro. Herald e as crianças se aproximaram deles. Herald disse a Joel:

-Vamos. Me siga. Até a toca.

-O caminho da toca está livre. –Disse Wendy aliviada.

-Que ótimo! – Exclamou Herald.

-O que será que aconteceu? Que eles saíram daqui de repente? – perguntou James.

-Eleanor deve ter os expulsado. –Deduziu Joel.

-Por quê?
-Para poder abrir o portal para o cemitério de Emerd.

Depois da conversa eles seguiram adiante e entraram na toca. Pela entrada eles avistaram um portal escuro em forma de um redemoinho que girava veloz, soltando relâmpagos e um brilho fortemente escuro.

Se aproximaram do portal. Wendy e Henry hesitaram por um instante. Henry sentira um receio antes de entrar para o portal. Wendy sentiu a mesma coisa que o irmão antes de seguir. Eles sentiram um grande medo antes de passar para o portal. De repente Wendy começou a ouvir vozes sussurrando em seus ouvidos:

-Vá Wendy. Siga adiante. Você e seu irmão. Siga para seu destino. Eu sempre estarei por perto de vocês. Ajudando sempre no que puder, porque eu e seu pai, nós amamos vocês dois. –Era a voz da sua mãe soando clara e serena.

-Mamãe – Disse Wendy, com a mão sobre o peito.

-Hã – Disse Henry distraído.

-Acabei de ouvir uma voz. A voz de mamãe. Você também ouviu Henry?

-Uma voz, não.

Minutos depois eles tocaram no portal; foram engolidos pela escuridão, os sugando. Sentiram um mal estar momentâneo quando chegaram ao cemitério. James, Eriel e Catherine sentiram um leve frio na barriga. O cemitério era muito frio e gelado. Eles se arrepiaram de frio, tremendo seus corpos. Não havia mais ninguém no cemitério, somente eles.

Wendy correu os olhos pelo local, vendo se achava um segundo portal.

-Preparem-se, peguem suas armas. – Alertou Herald. – Joel dê as armas a eles.

-Sim senhor. – Joel então se aproximou deles, que estavam parados em frente a um túmulo meio destruído.

-A espada de James, a adaga de Eriel, o arco e flecha de Catherine e os escudos de Henry e James. – E então entregou cada arma, a cada uma das crianças, que então as pegaram agradecidos.

Herald acendeu a ponta de seu cajado para iluminar o local que estava muito escuro. A lua cheia pairava sobre o céu, iluminado, refletindo nos túmulos do cemitério.

-Onde fica o segundo portal? – Perguntou Wendy decididamente.

-Estou tentando procurar, um momento. –Herald passou andando pelas extensas fileiras de túmulos do cemitério. O cemitério de Emerd era enorme. Correu seus olhos por perto de umas árvores sombrias.

Foi quando Herald de repente viu passar, sentindo um vento muito forte no seu rosto. O vento vinha vindo perto de uma estátua do cemitério. Ele então correu para ver o que era. Seus cabelos brancos, muito longos esvoaçaram pelo vento, juntamente também com sua capa branca que farfalhava pelo chão de areia do cemitério.

Ele apontou seu cajado para a estátua de anjo da morte. O anjo tinha uma expressão perversa e medonha no rosto; segurava em uma de suas mãos uma foice. O anjo era encapuzado. Seu rosto possuía uma expressão monstruosa e enrugada. E ao lado do anjo, lá estava o portal em forma de redemoinho. Herald chamou as crianças, gritando:

-Ei! Aqui, achei!

Eles então correram para se juntar a Herald. Passaram pelas fileiras de túmulos do cemitério e logo depois, fizeram uma curva, à esquerda, passaram pela árvore sombria e depois chegaram em frente à estátua.

Eriel quando viu a estátua do anjo, ele começou a tremer as pernas e os dentes. Murmurava amedrontado. Wendy, Henry, Cath e James pararam para observar o portal escuro. Joel vinha vendo por ultimo, guiando Enargon para se juntar a eles. Wendy fechou os olhos e disse para si mesma em voz baixa:

-É agora ou nunca. Espero que de tudo certo.

De repente a irmã segurou na mão de Henry e disse a ele:

-Vai dar tudo certo. Estarei sempre ao seu lado. –Wendy abriu um largo sorriso para o irmão, que então retribuiu com outro sorriso.

Lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Wendy. Wendy tentou disfarçar por um instante, tentando enxugar as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Henry deu uma palmadinha pelo seu ombro, tentando animá-la.

-Também estarei sempre a seu lado. –Disse Henry – não se preocupe.

O mago e os outros três amigos os olharam curiosos observando a cena, emocionados.

-Ahnn, bom. Então já podemos ir? – perguntou Herald.

-Claro – disse Wendy enxugando seu rosto. –Vamos.

Eles deram uma ultima olhada a volta, pelo cemitério. Por uma fração de segundos, todos logo depois já haviam desaparecido. Sugados pelo portal do cemitério.

Transportaram-se para o deserto de Mellatrox.

-Puxa, não agüentava mais aquele lugar, já estava me dando arrepios. –Queixou-se Eriel para eles.

-É mesmo, concordo Eriel . –Disseram Cath e Wendy ao mesmo tempo.

-Eu não sinto nada. – Disse Herald. –Já estou acostumado.

O sol sobre o deserto de Mellatrox era escaldante. O deserto estava num calorão insuportável e sufocante. No deserto havia miragens que de repente confundiam Herald e os outros de seguir adiante. Deixando-os confusos. Precisavam no momento da ajuda de Amely. Herald estalou os dedos e chamou:

-Amely! – A fada verde então surgiu no ar.

-Pois não? – ela perguntou.

-Nos ajude a encontrar o caminho até Eleanor.

-Claro, por aqui.

Seguiram a fada, andando pelo leste. Joel montou em Enargon e voou baixo pelo céu, os seguindo com atenção. Quando de repente estavam andando pelo leste, eles então pararam assustados e surpresos. Wendy e Henry ofegaram suados de tanto andar pelo deserto calorento.

Do outro lado do deserto, de onde eles estavam, viram a direita deles, olhando para o céu havia uma criatura voando. Eleanor estava junto com ela, segurando sua lança mágica na mão e um escudo na outra. Rodeava pelo céu. Esperava ansiosamente seus inimigos chegarem para a grande batalha. Sobre o chão uma enorme tropa de guerra estava enfileirada lado a lado uma da outra. Era uma tropa imensa de milhares de caveiras, que seguravam nas mãos uma espada reluzente e um escudo redondo simples e de ferro. Todas estavam em uma posição de postura ereta, como de tropas de exército.

A frente delas haviam cinco gigantescos trolls, empunhando na grotesca mão um bastão de ferro. Dois deles possuíam armaduras de bronze no corpo. Um elmo na cabeça. Os trolls rugiam ferozes.

Os trolls haviam abandonado a toca para ajudar com a guerra, porque Eleanor precisava de mais tropas para a batalha.

-Somente nós sete contra este exército todo! – Indignou-se Henry, empunhando sua espada do alforje de sua cintura.

-Não – disse Herald.

De repente Herald empunhou seu cajado para o alto e murmurou:

-Exército de guerreiras desperte!- Imediatamente o chão do deserto começou a rachar-se ao meio.

As crianças se desvencilharam; assustadas para o outro lado. Wendy abraçou Cath, amedrontada, as duas desvencilhando-se para o outro lado.

- Herald, o que você fez? – perguntou Cath.

Herald não respondeu. Do chão, caveiras com corpos esqueléticos, emergiram no subterrâneo, empunhando espadas e escudos. As caveiras se ergueram e se juntaram, formando tropas ordenadas em fileiras. As caveiras clamaram um grito agudo e formaram uma posição de guerra.

Em uma duna do deserto, próxima deles, haviam dois arqueiros de capuz preto. Os arqueiros se aproximaram deles, segurando seu arco e flecha. Suas vestes eram nobres. Os dois arqueiros então tiraram o capuz da cabeça. Revelando seus rostos. Os arqueiros possuíam orelhas compridas e pontiagudas. Henry reconheceu imediatamente que se tratava de um elfo.

O mago acenou para eles. Ele então conversou com os dois elfos. O primeiro elfo era loiro de cabelos longos e lisos e olhos azuis. Tinha uma expressão angelical no rosto e de pureza. O segundo tinha cabelos ruivos e médios. Tinha olhos verdes. Sua pele era meio bronzeada, ele era muito diferente do primeiro elfo que possui a pele muito clara e rosto pálido. O mago apresentou os dois elfos as crianças:

-Estes são Lemert e Mesiel, os elfos guardiões da terra. – Os elfos olharam e sorriram para eles, bem humorados.

-Prazer em conhecê-los. – Disseram eles.

-Nos ajudarão na batalha. –Disse Herald.

Todos, instantes depois, organizaram-se para a batalha. Lemert e Mesiel se postaram a frente das crianças ao lado do mago. As crianças atrás do mago e de Lemert e Mesiel.

Sobre o céu, Joel e Enargon postaram-se no centro acima deles e do exército de esqueletos guerreiros. Joel empunhava sua espada comprida, com punhos de rubis e seu escudo adornado por uma águia.

Do outro lado do campo de batalha estava a frente Alice e Aurélia, as duas empunhavam espadas sobre a mão. Na mão esquerda de Alice havia uma estranha marca, que de repente dela começou a emergir uma luz fortemente azulada, a volta da mão. Estava com uma expressão feroz no rosto. Ela observava atentamente sua tropa inimiga. Pronta para atacar. Sobre o céu acima delas estava Eleanor e Melingard. Ela segurava sua lança mágica e um escudo retangular de ferro em bronze.

De repente todos se postaram e declararam guerra:

-Atacar! – Gritou Herald em uníssono. Sua voz de locutor ecoou pelo deserto.

Do outro lado Alice também gritou:

-Atacar! – As caveiras brandiram suas espadas e soltaram um clamor de guerra.

Wendy e Henry congelaram, engolindo em seco. Amedrontaram-se e hesitaram por um momento. Os arqueiros Lemert e Mesiel empunhavam seus arcos e flechas. Pegaram uma flecha e apontaram juntamente com o arco para os trolls a frente. Eles então imediatamente lançaram as flechas que voaram na direção dos trolls, em uma enxurrada. Atingindo os trolls e fazendo-os caírem ao chão com um estrondo ensurdecedor. Um troll de armadura não havia caído. Ainda estava de pé. Ele desviou das flechas dos elfos.

Enargon e Joel avançaram em frente para atacar Melingard e Eleanor. Enargon soltava chamas furiosamente. Joel soltou um grito agudo, empunhando sua espada; com o escudo o protegendo no rosto. Avançava veloz em Melingard. Joel atingira ele na asa desferindo um golpe sobre ela.

Eleanor gritou:

-Maldita! Melingard mate-a agora! – Ordenou Eleanor.

Melingard atacou Joel e derrubou a espada de sua mão que caiu sobre o chão com estrépito, a poucos metros de altura.

-Oh, não! Minha espada! – Gritou Joel indignado.

Restava-lhe somente seu escudo em mãos.

-Hahaha! – Riu Eleanor.

Eleanor brandiu sua lança mágica e tentou atingir Joel com ela. Mas seu escudo o protegeu. Logo depois Melingard e Enargon enfrentaram-se. Melingard avançou no pescoço de Enargon, o mordendo com suas presas até Enargon sangrar. Enargon soltou um urro ensurdecedor de dor no pescoço. Retribuiu logo após a mordida, se desvencilhando de Melingard. Depois disso Enargon atacou direto na asa de Melingard. De repente por um momento o dragão negro tentou desvencilhar-se mas não havia conseguido. Enargon rasgou a asa de Melingard com um poderoso golpe. Melingard soltou um grunhido feroz e cortante que ecoou pelo deserto. Ele desabou veloz sobre o chão, juntamente com sua dona, num estrondo. Eleanor desmontou-se no chão com estrépito.

O mago avançava com seu cajado, lutando bravamente, lançando magias sobre o exército das caveiras inimigas. Wendy avançou até Alice, as duas lutaram uma com a outra. Wendy lançara com a sua varinha um feitiço certeiro que acertara Alice, que tombou no chão. Depois disso ela se retorceu e levantou-se empunhando sua espada na mão. Na outra mão ela começou a lançar feitiços que saiam emergindo de sua estranha marca. Wendy desviara de suas investidas.

Henry lutava contra Aurélia, com sua espada. Os dois desferiam golpes um contra o outro e se defendiam também com seus escudos.

-Henry! Está me ouvindo? – Uma voz gritou.

Henry meio distraído respondeu:

-Ah, sim, estou. É você Herald?

-Sim!

-Atinja Aurélia no coração. Faça isso. A maldição está selada nela. –Disse o mago alteando sua voz e lutando contra o exército.

-Sim, Herald!

Aurélia desferiu um golpe no braço esquerdo de Henry, que gritou de dor:

-Argh! – Henry ajoelhou-se no chão, ferido.

-Não! Henry! – gritou Wendy a alguns metros de distância.

Ela acertou outro feitiço em Alice, derrubando-a. Ela perguntou:

-Henry você está bem?

-Sim, estou. Não se preocupe comigo. Ficarei bem.

Aurélia ergueu a espada à frente de Henry e em seguida a baixou. Henry então desviou para o outro lado, rolando pelo chão do deserto. Ele então se levantou e correu até Aurélia. Voltando ao combate de espada.

James, Eriel e Cath lutavam contra o outro exército de caveiras, comandados por Eleanor. Eriel lutava empunhando sua ádaga. Cath acertava ataques certeiros com o arco e flecha, nas caveiras que caíam sobre o chão, se espatifando. James desferia golpes nas caveiras com sua espada.

De repente quando Henry estava lutando; acertou, finalmente a espada com um golpe certeiro, atingindo Aurélia no coração, cravejando com a espada.

Aurélia gemeu e então caiu dura sobre o chão. Fez-se um longo silêncio e todos então pararam com a batalha. Alice berrava histérica e indignada. Lágrimas escorreram pelos seus olhos.

-Não! Aurélia! O que você fez com ela? – Guinchou Alice, furiosa, correndo para se juntar ao lado da amiga caída sobre o chão do deserto. Empurrou Henry para o lado para ele sair do caminho.

-Saia do meu caminho imbecil!

Alice ajoelhou-se sobre a amiga. A guerra de repente parara. Segundos depois o exército de Eleanor desabara com estrépito, num som ensurdecedor que ecoou por todo deserto. Num efeito dominó, quando haviam tombado.

O silêncio de repente fora quebrado por urros e berros de vitória e alegria que ecoaram pelo deserto. O exército de Joel vibrava com emoção, juntamente com Herald e as crianças. Herald levantou seu cajado para o alto e clamou, comemorando a vitória:

-Viva! Vencemos! Finalmente!

Alice de repente sumira no ar segurando o corpo de Aurélia que estava morto, com uma expressão indignada em seu rosto.

Eleanor havia morrido. Tudo agora estava bem. Conseguiram vencer finalmente a grande batalha. A batalha tão aguardada. Todos abraçaram-se, comemorando a vitória. Wendy abraçou contente o irmão. Logo após ela deu um abraço em sua amiga Cath.

Os arqueiros também comemoravam a vitória, extasiados. Herald fora abraçar as crianças. Lágrimas escorriam pelos seus olhos.

Joel voava pelo céu, alegremente com Enargon. E comemorava com ele, cuspindo chamas, alegre pelo céu ensolarado.

A grande batalha agora terminara. A maldição não existiria mais, nunca mais.