Natal Perfeito_ Maya Amamiya

Noite de 24 de dezembro e a neve cobrindo a cidade. Alguém caminha solitariamente em meio aqueles asfaltos esbranquiçados com os olhos molhados. Havia chorado muito num dia tão especial como o natal. E agora ele estava sozinho, sem ao menos os amigos por perto.

Augusto sofria em quase todos os natais. Seu primeiro namorado lhe dera um fora uma semana antes da data e seus amigos tinham vôos atrasados o que acabava adiando a vinda deles, mesmo na véspera. Sentindo-se congelado, correu rápido até uma lanchonete ainda aberta. Abriu a porta transparente e sentou-se um pouco distante do balcão, onde pudesse se aquecer. O som que vinha do jukebox era suave e romântico, o que aliviou um pouco seu coração ferido. Distraído com música não ouviu passos se aproximando perto dele. Era o garçom.

- Deseja alguma coisa?—perguntou gentilmente o garçom que notou o jovem cabisbaixo.

- Só uma razão para se ter nem que seja um pingo de felicidade neste dia.—respondeu um tom de ironia leve.

O garçom por sua vez queria insistir a pergunta, mas pelo modo que o cliente respondeu achou melhor não atrapalhar em sua solidão e quando foi se retirar, sua mão foi segurada. Era do jovem.

- Me desculpa. Não queria ter sido grosseiro. Só estou um pouco desanimado neste dia. Não é minha intenção descontar minha raiva em outras pessoas. – Augusto estava muito constrangido com modo de ter dirigido a palavra ao funcionário.

- Não tem problema. Eu só não queria te incomodar, senhor.

- Por favor, deixa me redimir desse erro. Olha, que tal se juntar a mim num café por minha conta?

- Sendo assim, não vejo porque não. Eu vou preparar. Já venho.

Ainda na mesa, Augusto não acreditava no que havia acontecido. A "quase" discussão com garçom e depois um café repartido. Talvez fosse o espírito de natal que o tivesse amolecido. Mas também o jovem não deixou de reparar que o rapaz que trabalha na lanchonete era muito atraente. Alto, loiro e olhos tão azuis penetrantes com tons de turquesa. Imaginou-se com ele, aos beijos e gemidos tão loucos...

Parou com aquela imaginação suja ao ouvir a voz dele.

- Pronto, senhor. Dois cafés quentes para nos aquecer. —Anunciou o garçom, ao depositar as xícaras na mesa e sentando de frente para Augusto.

- Obrigado, mas, por favor, não me chama de senhor. Chame-me de Augusto e tenho apenas vinte e dois anos para ser chamado de senhor.

- Oh me desculpe, senhor. Quer dizer, Augusto. É que fui treinado assim para tratar os clientes com educação, entende?

- Eu entendo.

Os dois passam a conversar sobre suas vidas pessoais e os desastres amorosos sofridos.

Depois da conversa, Augusto se ajeita para ir embora quando o garçom pergunta:

- Vai sempre aparece por aqui?

- Agora que ganhei companhia para uma conversa, vou aparecer sim. Ah, não sei seu nome.

- Benjamin. Contudo, me chame de Ben.

-Obrigado pelo café, Ben. E Feliz Natal.

E saiu rápido, pois queria dormir tranqüilo e certo que sua vida mudará.

1 hora antes da meia-noite

Sua casa de poucos enfeites natalinos ficou mais organizada. Isso porque o dono estava muito feliz. Mesmo sabendo que nenhum dos seus amigos viria, Augusto queria deixar sua casa pronta pra recebê-los a qualquer dia. Minutos depois a campainha toca. Receoso, pegou um taco de beisebol e segurando atrás, foi abrir a porta e seus olhos se arregalaram quando viu a pessoa ali. Benjamin, vestido de... Papai Noel.

- Oh meu deus! O que você tá fazendo aqui com essa roupa?

- Simples. Vim te dar pelo menos um pingo de felicidade neste dia.

Antes mesmo de Augusto falar, o garçom puxa seu rosto para um delicioso beijo. Aquilo era exatamente como nos seus pensamentos. Um beijo molhado, ardente e apaixonado. Tudo que Augusto sonhou desde que conheceu Ben.

A porta foi fechada e o taco largado no chão. O casal caminha até o aconchegante quarto do morador. Augusto foi tirando devagar a roupa vermelha e a toca de Benjamin, que sua vez beijava o rosto do amado e também arrancava suavemente a roupa dele.

Sugestão da Autora: Ouça Bush- Letting The Cables Sleep para situar no clima romântico.

- Não se preocupa. Serei gentil. —Disse Ben, ainda aos beijos com Augusto e já deitados na cama.

Para facilitar o prazer de ambos, Ben lubrificou o amado e começou a penetrá-lo lento, depois aumentando aos poucos a velocidade das estocadas. Augusto gemia cada vez mais alto de prazer e abraçava forte seu amado loiro de olhos azuis.

- Ahhh.. Ahhh... Ben... Não posso... Mais... Esperar...—dizia Augusto entre gritos.

- Ahhh.. eu... tbm... ahhhhhhh!

Ambos chegaram ao clímax. Cansados e suados, se abraçaram e mais uma vez trocaram beijos ternos, logo depois adormecendo antes dos sinos darem as primeiras badaladas da meia noite de natal.

- Feliz Natal, Benjamin.—sussurrou Augusto.

- Feliz Natal, meu amado Augusto.

A noite de natal se tornou a mais perfeita e mágica para dois jovens estranhos que identificaram-se no limiar da paixão.

FIM

Feliz Natal!