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Era noite. Uma vasta cidade repleta de luzes, cores e vida ilumina a escuridão da noite. Em tal cenário deslumbrante destacava-se uma torre muito alta, de onde se podia ver melhor a dita vista maravilhosa. Estava-se em Tóquio, perto da hora de jantar, dado haver uma diferença de nove horas entre Portugal e Japão. Numa praça da enorme cidade, perto de uma bela e grande fonte, encontravam-se dois rapazes e duas raparigas aparentemente à espera de alguém.

Takeshi Yamanaka, 15 anos. Um jovem com 1,70m de altura, bom porte físico, e cabelo negro curto todo puxado para cima, era um dos ases do clube de futebol da sua escola. Apesar de ser bastante popular, ele era um rapaz de bom coração que apenas tinha olhos para uma única rapariga.

Kenta Isuzu, 15 anos, olhar sedutor e cabelos negros com estrias loiras a cair pelos ombros. Por fora ele podia ser bem-parecido mas por dentro ele era um pervertido cómico e via certos tipos de filmes pouco recomendáveis a jovens… Às vezes, quando estava a passear na rua, as pessoas facilmente pensavam que ele andava no engate, para desalento seu e dos seus amigos.

Maya Kojima, 14 anos. Amiga de infância de Sakura e antiga colega de turma dela antes de ir estudar para Portugal. Uma rapariga pequena que emanava toda uma aura de menina rica mas com uma personalidade de ouro. Fora da escola ela tinha tendência a usar vestidos, tendo longo cabelo preto e uma carinha laroca. Ela era namorada de Takeshi, tendo sentimentos por ele já desde antes de Rick e Aria irem estudar para o Japão.

De facto, este casal formou-se com a ajuda do par lusitano logo nos primeiros dias após se terem instalado no Japão. Não lhes tendo sido difícil de ler os desejos daqueles dois, Rick e Aria mostraram em conjunto grande perceção e capacidade de ajudar os outros com muito gosto.

Por último, Shizuka Hayase, 15 anos. Atrevida por natureza e de língua afiada, quando parecia que as piadas menos próprias de Kenta estavam a ir longe demais, ela metia-o a rédea curta. Devido a esse tipo de relação, toda a gente os via como um casal, apesar de ambos negarem essa perceção. Especialmente sendo ela uma rapariga com estilo, de cabelos castanhos a cair pelos ombros e sempre vestida com o que andasse na moda.

Esses quatro jovens faziam parte do grupo de amigos de Rick e Aria enquanto tinham estado no Japão e ajudaram o par lusitano em algumas situações em que se viram metidos. Mas o motivo pelo qual eles estavam naquele local e àquela hora foi estranhado por todos e questionado por Shizuka enquanto olhava para o seu relógio:

─ Será que eles vêm mesmo? Nem nos avisaram com antecedência quando é que o avião chegava… Maya… Tens a certeza que a chamada da Sakura não era uma partida de mau gosto?

Chateada com a desconfiança da amiga, Maya vociferou com ar de chateada:

─ Ela disse-me que estariam por aqui a qualquer momento. Tu sabes que ela não é pessoa de pregar-nos partidas, nunca o foi!

Shizuka resignou-se e manteve-se à espera.

─ Que tudo isto é estranho, é. Mas daqui a pouco devemos ficar a saber o que se passa. ─ Referiu Kenta com um ar descontraído.

─ OK! Mas se não tiverem vindo de avião, então como é que cá chegaram?

Apesar de tudo, Shizuka não conseguia esconder a sua estranheza e impaciência.

─ A voar não terá sido de certeza…

Falando em tom de gozo, Kenta mudou logo de expressão assim que olhou para o céu…

─ Não pode… Só podem estar a gozar comigo…

Kenta ficou embasbacado a olhar para algo no céu estrelado. Quando os outros se aperceberam do estado dele e olharam para cima, ficaram a perceber o porquê da sua reação. Rick e as raparigas estavam a descer do céu mesmo ao pé deles, prontos a aterrar naquele local repleto de gente estupefacta com a cena.

Mas havia algo de errado com Rick e Alice. Eles vinham esbaforidos, a viagem parecia ter sido longa demais para eles… Assim que Alice aterrou e soltou Sakura ela começou a cambalear e a andar à roda, até a vista dela parecia andar às voltas. Rick não estava assim tão mal mas também estava ofegante, com Aria a apoiá-lo pelo ombro.

Quase a ficar histérica, Shizuka exclamou:

─ Como é que… Vocês vieram… COMO?!

─ Vocês vieram do céu! Estavam a voar! ─ Acrescentou Kenta, igualmente abismado.

─ É uma longa história. Deixem-nos primeiro recuperar o fôlego.

Aria deu uma resposta breve aos seus amigos pois estava mais focada no estado de Rick e Alice.

─ Por isso é que a mana disse que não era boa ideia! E logo após terem aprendido a voar! Olhem só o estado em que estão!

Sakura não perdeu tempo a dar uma valente descasca a Rick e Alice pelo resultado da ideia louca que levaram por diante, apesar de a ideia ter sido apenas de Alice.

─ Dizes isso… Porque vieste à boleia da gente…

Mesmo estando ofegante, Rick tentou acalmar um pouco a atitude quase ingrata de Sakura, ao que ela retorquiu fazendo má cara. De repente, ouviu-se estômagos a roncar… Os de Rick e Alice…

─ Ao menos devíamos ter almoçado antes de vir.

Mesmo sem perceberem o que se estava a passar, os jovens nipónicos desataram-se a rir da situação, seguidos de Rick e companhia.

A primeira coisa que o grupo fez foi encontrar um restaurante para satisfazer a fome de todos, especialmente de duas certas alminhas que estavam com um apetite voraz, e aproveitar para meter a conversa em dia. Durante esse tempo, os jovens tentaram explicar como conseguiram chegar até lá a voar, relatando tudo o que se tinha passado na outra noite e os seus recém-despertos poderes.

─ Wow! Isso é mesmo de doidos! Ainda me custa a acreditar…

A Shizuka aquela história era quase surreal, estando a tentar digerir toda aquela informação juntamente com o jantar.

─ Vocês tornarem-se super-heróis da noite para o dia! Com esses poderes e habilidades! Pensei que cenas dessas só acontecessem em Anime!

Kenta, então, aparentava estar mais deliciado com a história que qualquer outro dos presentes.

─ Pois, mas as coisas não são assim tão simples. Eu e a Sakura ainda não conseguimos despertar o nosso poder, vá-se lá saber porquê…

Afirmou Aria, sentindo-se de seguida um pouco constrangida.

─ Mas como é que as coisas chegaram a esse ponto? O que é que aconteceu nesse futuro para o outro Rick querer voltar atrás no tempo?

À questão de um Takeshi intrigado, os jovens ficaram hesitantes em puxar por aquele tema… Até que Rick reagiu:

─ Acho que agora consigo falar sobre aquele futuro. E acho que só vou conseguir seguir em frente quando deite tudo cá para fora e tire este peso dos meus ombros…

Aria pôs a mão dela em cima da de Rick, tentando transmitir-lhe alguma da sua força, Rick posou um pequeno sorriso de agradecimento. Ao verem aquilo, Sakura e Alice pareceram sentir-se um pouco incomodadas.

O jovem começou a relatar os eventos da noite de natal e o seu resultado, para surpresa e horror dos seus amigos. O mais importante veio a seguir e a isso os outros jovens ficaram bem atentos.

Passados pouco mais de quatro anos, acordei finalmente do estado de coma. O que me esperava era tudo menos belo… Vi que tinha perdido anos da minha vida, mal me reconheci ao espelho… Tendo o meu corpo ficado entorpecido de tantos anos parado, tive que fazer reabilitação para recuperar as minhas antigas capacidades motoras. Mas o pior estava para vir…

Semanas depois de acordar, a Sharon fez-me uma visita. Era tudo menos cordial, ela apareceu para revelar-me tudo o que a minha família e amigos não tiveram coragem de contar, querendo resguardar-me de quaisquer desgostos durante a minha recuperação. Foi um tremendo choque para mim, gritei, chorei e até bati em mim mesmo por ter deixado uma tragédia daquelas acontecer.

Ela então disse-me que ainda havia uma hipótese de voltar atrás no tempo e mudar o futuro. A princípio não acreditei no que ela estava a dizer, era conveniente demais, como se fosse uma cena tirada de um Anime, mas após ela revelar a sua identidade de Srenia, as dúvidas começaram a desaparecer.

O motivo que a levou a contar-me tudo assim de cedo era somente um, Aria, que ia agora pelo nome de Arianne. Tendo ideia de que ela iria descobrir que eu já estava acordado, e não querendo dar-lhe uma hipótese de vir atrás de mim, a Sharon ajudou-me a fugir do hospital e escondi-me por uns tempos.

Ela tinha um jacto á nossa espera para nos levar para a América, para a casa dela, tendo lá amigos que poderiam ajudar-me a recuperar e a preparar-me para defrontar a Arianne. Foi quando eu conheci o Skylr e os outros.

Assim que me instalei no local, eles fizeram questão de revelar que não eram humanos e que tinham um motivo para ali estarem, motivo esse que mantiveram em segredo até ontem. Apesar do secretismo, eu decidi confiar deles e permanecer lá.

Durante os seis meses seguintes estive totalmente focado na minha reabilitação treino. Foi difícil, custou-me física e mentalmente, mas consegui progredir aos poucos, ou assim pensei…

A Sharon quis trazer-me cá para ver a campa da Sakura, porque eu tinha de ver a realidade com os meus próprios olhos… A realidade de que aquele tempo tinha-se realmente esfumado. Diante dela, apesar da dor e da saudade, não derramei uma única lágrima, pois tinha em mente a segunda oportunidade de que a Sharon me tinha falado antes.

Durante a minha curta estadia cá vi-vos a todos sem que vocês dessem pela minha presença. Vi cada um de vocês a tentar seguir com as suas vidas sem a Sakura e também fiquei a saber que a Alice estava a participar com o pai dela em campanhas antiterrorismo e que procurava incessantemente a Aria, querendo pará-la ela mesma.

Mesmo antes de sair do Japão, uma dura notícia chegou aos meus ouvidos… Os meus irmãos tinham conseguido uma pista do meu paradeiro e estavam de viagem para a América. Toda a gente que me conhecia andava á minha procura. Só que o avião em que seguiam nunca chegou ao seu destino, foi alvo de terroristas suicidas que acidentalmente rebentaram com o avião antes de o fazerem despenhar-se no objetivo que tinham planeado.

O meu treino não estava completo mas a dor e a raiva de ter perdido até o meu próprio irmão impediu-me de manter-me quieto. Pior ainda quando a Arianne conseguiu de algum modo enviar-me uma carta a dar-se como autora do ataque suicida que matou o Leo e a Sara e que já tinha a Alice marcada como o alvo seguinte.

Tendo sabido de antemão que a Alice iria estar presente em Lisboa com os vários líderes europeus para a celebração do aniversário do memorial às vítimas do atentado, pedi à Sharon para seguirmos diretos a Portugal em vez de voltarmos para a América. Aparentemente, ela sentiu que a hora em que voltaríamos atrás no tempo estava próxima e acedeu ao meu pedido.

De volta a Portugal, segui diretamente para o local da convenção, na zona costeira da cidade, mas a minha irmã conseguiu de algum modo encontrar-me, apesar de eu estar escondido. Ela revelou-me que a Arianne denunciou à Alice que eu estava na cidade, fazendo com que ela pedisse à minha irmã e a amigos meus para a ajudarem a localizar-me, não sabendo o que isso poderia causar no fim.

Mesmo sabendo que se tratava de algum tipo de armadilha, eu e a Sharon seguimos para o evento. A Alice agia como se não tivesse conseguido encontrar-me, dando-nos maior espaço de manobra para agir. Mas a Arianne não se deixou levar…

Tomou uma atitude radical! Pegou em duas metralhadoras e começou a disparar a tudo o que se mexia. A intenção dela era matar a Alice e os outros diante de mim para despertar o meu Doppel de modo a que eu ficasse como ela. E admito que ela quase que conseguiu…

O Alex morreu a proteger a Clara e a Alice foi atingida no abdómen apesar de a Srenia a ter tentado proteger. Fiquei enraivecido, comecei a travar duas lutas ao mesmo tempo, uma contra a Arianne e outra contra o meu Doppel, na minha mente. Apenas a ideia da possível segunda oportunidade e o que pareceu na altura ser a voz da Aria a pedir-me ajuda é que conseguiram manter-me são e capaz de ultrapassar ambos os confrontos.

No final, tive que fazer algo impensável… Torcer o pescoço à Arianne para acabar com tudo de uma vez. Era como se o tivesse feito a mim mesmo, foi uma dor dilacerante que atravessou o meu coração e quase o matou…

Mas mal tive tempo para expor o meu sofrimento e luto… A Doppel conseguiu ganhar forma fora do corpo dela e pôs-se pronta para o Round Two. Aí a minha raiva quase rebentou! Ver o corpo frio da Aria no chão e o meu verdadeiro objetivo ao lado dela como se nada fosse, não conseguia aguentar mais! Para ajudar na festa, a Alice também morreu nesse instante, e para mim foi a gota de água…

Quando estávamos mesmo para nos atirar ao pescoço dum do outro, a Srenia ativou uma magia de viagem no tempo e o resto já vocês sabem. Não sei o que aconteceu aos sobreviventes daquele incidente mas agora de nada me vale pensar nisso…

─ Meu! Que história!

Kenta, tal como Shizuka, ainda estava a tentar digerir a história que acabara de ouvir.

─ Isso dava para escrever um romance trágico. ─ Acrescentou Shizuka.

─ A única explicação que encontro para a Doppel no meio disto tudo é que devem ter sido esses nossos inimigos que se aproveitaram da nossa situação trágica para conseguirem o que queriam. ─ Divagou Aria, mostrando-se pensativa.

─ É possível. Mas há também a questão do Doppel do Rick. O corpo do outro Rick foi levado pela dita irmã da Sharon. ─ Sakura intrometeu-se, estando ela e Alice com ar de preocupadas.

─ Ah! Estava mesmo a precisar de uma refeição destas, caiu mesmo bem! Aí a nostalgia! ─ Rick interrompeu a conversa, tendo acabado a sua refeição com grande deleite. ─ Parece que foi há tempos que comi algo assim…

O grupo ficou sem reação, as palavras dele, sem que se tivesse apercebido, mostravam como as memórias e emoções do outro Rick tinham ficado bem gravadas no fundo do seu ser. O ambiente em redor do grupo ficou logo alterado durante o resto do jantar…

Mas Rick fez questão de mudar isso logo assim que saíram do restaurante, levando o grupo para uma casa de karaoke onde ficaram por mais de uma hora a cantar e a divertir-se. Mais à vontade ficaram quando Alice, tendo avisado a sua família mal chegou ao Japão, convidou toda a gente a passar a noite em casa dela, para grande excitação do grupo.

À saída do local estava uma limusina á espera dos jovens para levá-los ao seu destino, com a animação a manter-se durante a viagem. Ao chegarem à mansão dos Himeno, descobriram que não só os pais de Alice mas também todos os empregados da casa à exceção do mordomo não estavam em casa, os jovens tinham a mansão toda por sua conta. Alice, então, era a que estava mais espantada…

─ Acabei de confirmar. Estamos mesmo sozinhos em casa! Nem uma outra alma cá está!

─ É suposto estar cá alguém a esta altura do dia? ─ Questionou Maya, estando estranhada com a reação dela, ao que Alice responde…

─ Algumas das criadas têm vivido cá nos últimos anos, daí estar a estranhar as suas ausências…

─ É época de festividades. O mais certo é terem ido visitar as famílias à terra.

─ AH!

Alice pregou um valente grito que apanhou toda a gente de surpresa.

─ Agora que penso nisso… Eu e a minha família costumamos passar esta altura do ano fora de casa, daí que não me tenha apercebido antes.

Bem me parecia…

Todos chegaram à mesma conclusão em resposta ao dito por Alice. Foi então que Maya começou a bocejar, pondo as suas pequenas mãos diante da boca, cansada de toda a diversão noturna.

─ Parece que já há gente a querer dar a noite por terminada. ─ Comentou Kenta num tom de pouco agrado, estando capaz de seguir pela noite dentro.

─ Peço desculpa, foi uma noite em cheio e não estou habituada a voltas destas. Estou mesmo a precisar do meu sono de beleza. ─ Maya começava a esfregar os olhos enquanto falava, estando mesmo cheia de sono.

─ Pois é. Devíamos seguir o exemplo da Maya e ir descansar, especialmente o Rick e a Alice. Eles têm uma longa viagem por fazer logo de manhã.

Aria fez aquela sugestão ao ver que não era só Maya que aparentava estar cansada. Kenta não estava muito satisfeito com a decisão dos amigos mas acabou por se resignar. De seguida, os jovens decidiram a ordem dos quartos, dividindo rapazes e raparigas para evitar confusões.

As três princesas ficaram num quarto, Maya e Shizuka noutro, Kenta e Takeshi noutro e Rick aceitou ficar num quarto sozinho. Feita a ordem, cada um dirigiu-se para o segundo andar, onde se encontravam os quartos. A aparência, tanto do corredor como dos quartos, assemelhava-se muito à dos hotéis de luxo, com um nível equilibrado de Vintage e Modernismo.

Rick mal perdeu tempo a mudar-se para o pijama azul-escuro que lhe foi dado, a meter-se na cama e a aprontar-se a ir dormir… Não fossem certos ruídos e gemidos peculiares perturbarem a sua intenção, mais a mais vindos do quarto de Kenta. Tendo uma vaga ideia do que se estaria a passar, Rick simplesmente soltou um suspiro, não estando surpreendido com a situação.

Foi então que alguém lhe bateu à porta. Ao dar permissão para entrar, quem lhe apareceu à porta, tentando fazer o mínimo de ruído possível, era não outra que Aria, de vestido de noite cor de laranja, apesar de ele não esperar vê-la a tentar esgueirar-se para o seu quarto. Em voz baixa, Rick perguntou:

─ Que fazes aqui? O que é que se está a passar?

─ Tem calma, não é o que estás a pensar.

Enquanto respondia ao jovem, Aria fez sinal para ele não fazer barulho, fechava cuidadosamente a porta de seguida.

─ Depois de cada um ir para os seus quartos, o Kenta insistiu com o Takeshi para eles ficarem em cada seu quarto com as suas namoradas, apesar de ele e a Shizuka estarem sempre a negar que andam. E o resultado…

Aria apontou com a cabeça na direção dos ruídos e Rick deitou a mão à cara, espantado com a atitude de Kenta em casa de outra pessoa.

─ É certo que descaramento não lhes falta. E o Takeshi e a Maya?

─ A Maya está ferrada, nem se deve ter dado conta do que se está a passar. O Takeshi está só a fazer-lhe companhia, já sabes que ele é um tipo decente.

Rick posou um pequeno sorriso mas depois lembrou-se que Aria esgueirou-se para ali…

─ Mas ainda não me disseste porque é que estás aqui. Houve algum problema?

─ Nada disso… Estou só a aproveitar-me da situação para dar mais espaço na cama á Sakura e á Alice e assim ficarem duas pessoas por quarto.

A jovem respondeu com um pequeno sorriso mas Rick fitou-a com cara de desconfiado, deixando-a um pouco desconfortável…

─ A sério, é só isso! Sei bem que tu e a Alice precisam de descansar para de manhã seguirmos caminho! É mesmo só para não ficares aqui sozinho.

─ Tem calma, estou só a brincar. ─ Falou Rick, posando uma expressão de gozo que deixou Aria de sorriso atrapalhado. ─ Nesses termos, aceito o convite. Obrigado.

De convite aceite, Aria meteu-se na cama e enroscou-se a Rick, acabando ambos por adormecer pouco depois. Especialmente porque tinha-se deixado de ouvir ruídos do lado do quarto de Kenta. O resto da noite passou tranquilamente, deixando a manhã chegar sem mais confusões.

Aria descia a escadaria que dava para o segundo andar, tendo acabado de acordar. O destino dela era a cozinha, indo à procura de algo para o pequeno-almoço enquanto o resto do grupo estava ainda a dormir. Felizmente que o frigorífico estava cheio, tendo assim uma bela seleção para a refeição.

Entretanto apareceu Maya, ainda meio a dormir, de mão diante do olho, tendo-se dado conta que estava alguém na cozinha. A imagem infantil que ela emitia naquele momento deixou Aria divertida, só a acordando a sério segundos depois ao dirigir-se a ela enquanto estava a bocejar:

─ Bom dia! Dormiste bem?

─ Que nem uma pedra… E vocês?

─ Nós também, soube mesmo bem. Mas aposto que nem te deste conta que o Takeshi estava a dormir ao teu lado, pois não?

Aria meteu um sorriso matreiro no rosto, prevendo a reação quase estupida de Maya ao se aperceber do que é que ela queria dizer com aquilo.

─ Era o Takeshi?! Pensei que fosse a Shizuka! Mas o que é que ele estava a fazer na minha cama?!

─ Cenas da Shizuka e do Kenta. Acho que nem é preciso dizer mais nada…

─ Ah… Pois… Tenho uma ideia do que possam ter estado a fazer…

Dito isto, a expressão dela dizia que na verdade ela nem queria pensar no assunto. De repente, surgiu Shizuka á entrada da cozinha como que estando á pressa e disse:

─ Então é aqui que vocês estão! Venham comigo depressa, têm mesmo que ver isto!

Desaparecendo tão depressa quanto surgiu, ela deixou as outras raparigas sem reação. Sem muito tempo para pensarem no que se estaria a passar, elas tentaram seguir Shizuka até à sala de jantar, onde já estava o resto do grupo todo levantado e especado a olhar para a televisão.

No noticiário da manhã estava a dar uma notícia de última hora. Da noite para o dia, surgiu perto da costa oeste do continente americano o que aparentava ser um enorme centro de investigação científica de aparência futurística, envolto numa espécie de barreira transparente de cor purpura com uma forma semelhante à de uma cúpula.

─ Aquele local não estava lá desde o início? ─ Questionou Kenta sem tirar os olhos do ecrã.

─ Não estaria nas notícias se assim fosse, duh! ─ Shizuka respondeu por reação, achando a pergunta de Kenta estupida e despropositada.

Até Alice, que foi dos quatros jovens com memórias do outro tempo a única que a manter-se ligada ao mundo exterior, não conseguia esconder o seu espanto perante tal evento, pois nem ela tinha ideia de que local seria aquele.

─ Temos de nos despachar! ─ Afirmou Rick em tom e olhar sérios. ─ Se há alguém que nos possa dar uma ideia do que aquilo seja, esse alguém será a Sharon.

Um evento desconhecido aos jovens? A primeira grande evidência de um novo futuro em rumo? Só o tempo o diria… Mas o pequeno-almoço tinha prioridade, ao ouvirem-se vários estômagos a roncar de fome em simultâneo, para embaraço dos mesmos.

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