Sabe quando, tudo que você quer é deitar na sua cama e morrer para o mundo e pra todas as pessoas que, por mais que você ame, são as que mais parecem te fazer sofrer? Quando você só quer fechar os olhos e dormir por uns dez mil anos, ignorando que a vida continuou do lado de fora do seu quarto e que suas obrigações não estão te esperando, paradinhas e sem consequências?

É assim que eu me sinto quando eu brigo com a pessoa que eu mais amo em toda a minha vida, a pessoa que eu amo de corpo, alma, essência, o que for. E, o pior de tudo, é que ela tem uma lábia que dá uma surra na minha cabeça fraca e me faz sentir a pessoa mais errada e malvada que eu conheço, mesmo quando eu penso estar tentando resolver tudo, e responde de um jeito que me faz pensar que cada escolha de palavra minha foi incorreta. Acho que o meu problema é que, quando eu amo, quando eu quero que seja verdadeiro, eu me jogo, me entrego, dou todo o meu ser e querer. E espero receber isso também.

Mas aí eu esqueço que as pessoas são diferentes. Esqueço que pessoas têm jeitos diferentes de amar. Esqueço que pessoas têm outras obrigações. Esqueço que ninguém está cem por cento ali pra você. Como você estaria por eles se você pudesse. Se você tivesse dinheiro infinito. Se você tivesse um carro. Nesse caso, esse você sou eu mesma.

E eu já passei por isso tantas e tantas vezes. Sempre tem essas pessoas que mexem com você. Me joguei e ninguém me segurou. E quando eu caí e me quebrei, catei os pedaços sozinha. E voltei a me iludir quando outra pessoa aparecia. E caia e me quebrava e me juntava o melhor que eu podia. E aí aparece essa pessoa, que eu quero amar incondicionalmente, que eu quero amar o tempo todo, integralmente. E com ela não é cai e quebra o todo. É cai e quebra um pedaço aqui. Depois cai e quebra um pedaço ali. Mas ela, muitas das vezes, me ajuda a juntar os pedacinhos, e então os remendos são mais exatos e menos feios, e os encaixes são mais certos.

Mas aí eu caio e me machuco mais um pouquinho. E é sempre assim, porque, convenhamos, nenhum relacionamento com outra pessoa é perfeito. Ou estarei eu me enganando?

Apesar dos pesares, eu não sei se eu ainda consigo viver sem essa pessoa. Acho que se acabasse, seria como se eu estivesse quase que nascendo novamente, mas não no sentido bom de um recomeço e sim no sentido ruim de um desamparo total e completo. Soa quase como uma blasfêmia quando eu penso em acabar com essa relação. Porque, não entenda mal, é uma relação bonita. É uma relação de amizade, de companheirismo. É uma relação de amor mútuo.

Mútuo porque eu sei que ela me ama tanto quanto eu a amo, mesmo que ela demonstre de modo diferente. É um amor muito maior que o número de fios de cabelo em nossas duas cabeças. Porque eu sei que com ela eu posso contar para juntar meus pedacinhos, mesmo que seja ela que, sem querer, me quebre.

Acho que isso é só porque eu a amo de corpo e alma. E ela também a mim.