O Retrato da Dama Mortal_ Maya Amamiya

Lineares formas

E cores tão diversificadas,

Dá vida a criatura aparente dócil no quadro.

Os primeiros traços,

Ganham a forma de uma menina.

Uma mulher.

Adorável e com olhar ingênuo.

O pintor cada vez mais a admira.

Sua modelo, uma musa.

Basil nunca pensaria

Que encontraria uma dama como ela.

Jurou não perde-la para ninguém

Nem mesmo para Wotton.

Ela era sua Afrodite.

Uma deusa perfeita

Feita de marfim e pétalas de rosa.

Os retoques finais de Basil,

Deixam finalmente pronto.

O retrato belíssimo da jovem.

No entanto...

Ela mesma se enamorou pela obra.

Agraciada por seu amigo pintor.

Ela soube naquele instante.

O seu funesto destino.

Sua vida é efêmera,

Assim como sua beleza.

Se ao menos o retrato envelhecesse...

Sua vida seria eterna.

Em verdejante brilho e aura.

Ela descobriu que tudo é possível

O prazer da vida é possível.

O que era novo é possível.

Tudo!

Ela se tornou hedonista.

Basil a estava perdendo ao poucos.

E os anos se passavam.

Os rostos murchavam menos o dela.

Ela continuava uma musa.

O retrato pintado por Basil envelhecia por ela.

Um criado viu o famoso quadro.

Não sobreviveu.

Uma amiga tocou o retrato.

No outro dia seu corpo foi avistado no Tâmisa.

A dama matava quem se aproximar do retrato.

Basil entristece por completo.

Sua musa era obsessiva, uma maldita.

Longe da menina de olhar meigo.

Aos poucos a dama perdia controle,

Do seu hedonismo.

Prometeu destruir o quadro.

Acreditando restaurar sua redenção.

Mas a figura ali tinha vida própria.

Não permitia sua dona destruir aquilo.

Mas a dama não quis saber.

Prejudicou seu amigo Basil,

Feriu as pessoas que amava,

Por orgulho, vaidade e alta soberba.

A lança atravessada no desenho,

Foi o suficiente para evaporar

O monstro que ali se encontrava.

Quanto à dama...

Encontrou seu perdão.

No sono eterno da morte.

FIM

Inara Angelica_ Maya Amamiya