Desce a rua, a poetisa,

Com os olhos pintados,

Que sorriem e hipnotizam.

Sobre os ombros, o violino afinado

Que destoa, em compasso ritmado,

Suas quentes poesias.

E incendeiam, sem reduzir a cinzas

Tuas ideias, as mais desconexas,

Ganham luz própria, ganham vida,

Desconectam-se de promessas.

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Desce a rua também

O tinido mavioso

Vem das forjas da ferreira,

Que afia o machado

Com, nos lábios, seu sorriso jocoso.

Destemida, posta-se em prontidão

Incendiando as ameaças

Poetisa de outrora,

Ataca com o fogo do coração.

E com suas quentes palavras.

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De braços abertos,

A alquimista vem descendo a rua

Com o fogo em uma mão, e na outra a cura.

Transmutando tudo o que toca,

Com cálices de antídotos borbulhantes,

E abraços que acalentam.

Tem a solução nos lábios,

Sobre as chagas, põe-se a beijar

E o pôr-do-sol nos olhos

Que lhe adormece,

Com uma canção de ninar.

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E o fogo, o que transforma,

Vai deslizando pelas mãos

Delicadas, robustas e acalentadoras.

Quentes, agora. Escorre pelo chão.

Das mentes incendiadas da poetisa,

Das forjas brutas da ferreira

E dos braços afáveis da alquimista

Desce a rua, Brighid,

Moldando as chamas à sua própria guisa.