Quero que seja imperfeito

Ao tocar seu violão.

Dedilhado malfeito...

Ou desafinação.

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Quero, por estranho que pareça,

Um trôpego inclinar de cabeça,

Quiçá, um sorriso que aconteça,

Para que sussurre na contramão.

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E, se assim desejar,

Que desistamos de ensaiar!

E caminhemos de volta.

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E, se a plateia nos vaiar

Serei eu o primeiro a gritar:

"Pois a mim não importa!"

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Mas se insistir, que continue errando!

E permita meus olhares enviesados,

Com aquele trôpego sorriso nos lábios,

Antes que eu cubra o piano.

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E se notar meu descompasso,

Que sorria (como eu sempre faço!)...

Que rascunhe um abraço,

Ou então nem ouse me olhar!

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E, se for embora,

Pois que vá agora!

E bata a porta ao passar.

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Ou então, que fique,

Mas, como eu disse,

Não pare de errar.