Gone With The Sin

( Um conto que mostra um pouco de como funciona o umbigo, digo, coração de algumas pessoas orgulhosas demais. Este conto faz parte de uma história ainda sem nome, me desculpem pela falta de contexto. Verei o que consigo fazer no futuro. )

A música tema você encontra no álbum Razorblade Romance da banda HIM. (Mas para a leitura deste conto, TEM que ser esta aqui: http:/www.youtube.com/watch?v=0GLkq-aRVMU

Boa leitura! ;D

Diferente (ou não) de uma mulher, uma menina pode ter o coração partido várias vezes. Ou, pelo menos, por quantas vezes ela julgar que o amor vale a pena.

Já o coração de uma mulher, será possibilitado a quebrar-se apenas uma vez... para nunca mais. Quando o coração de uma pessoa é quebrado, independente da idade, ela começa a perder o gosto pela vida e, consequentemente, morrerá um pouco dessa pessoa a cada novo pedacinho machucado. O processo todo pode levar "o resto da vida" (que ela já não tem mais) ou acontecer em poucos anos, poucos meses, dias ou poucas horas. Isso dependerá inteiramente do prazer que causar ao responsável.

- Mas, Igor, eu te amo! – Depois de tudo que já tinha dito, Emilly começou a gritar, já trêmula, não acreditando no que seus olhos viam. – O seu ódio está me corroendo por dentro! Como... como você pode ser tão insensível?

Na verdade, ela se recusava a acreditar em algo que ninguém mais tinha motivos para duvidar. Igor permanecia imóvel, embora Emily estivesse quase furando os braços dele com as unhas, sacudindo-o num desespero inútil de fazê-lo perceber o que estava acontecendo. Ou pior, o que estava prestes a acontecer...

As pernas fraquejavam e já não havia mais qualquer vestígio de cor em seu rosto. Trêmula, sentia o sangue fugindo, sem saber para onde. Estaria ela sacudindo-o para tentar fazê-lo voltar a uma realidade tão distante, ou será que estava apenas agarrando-se a ele como se à própria vida? Ela não entendia como ele podia resistir tão insensível ao toque dela, quando uma simples visão dele era o bastante para incendiá-la por dentro... só não mais naquele exato momento, o desespero começava a tirar de seu corpo qualquer calor, apagando a chama da esperança.

Chorando e com os olhos muito abertos, ela encarava o rosto dele que expressava tão bem um sorriso sádico, o deleite em seus olhos. Ele era a própria "calma bestial" em pessoa!

Como se nada o impedisse, ele se livrou do aperto de Emilly em seus braços e levou a mão ao rosto dela, percorrendo com a ponta do dedão o caminho úmido das lágrimas até tocar o canto do olho, enquanto os outros dedos acariciavam o outro lado da face.

"Eu amo a sua pele, oh... tão branca.

Eu amo o seu toque, frio como gelo

E eu amo cada simples lágrima que você chora"

- Pois eu-não-te-amo, Emily. - Ele falou com uma pausa enfática entre cada palavra, como se isso fizesse soar com toda convicção que ele gostaria - Tão pouco a odeio. Ódio e amor caminham próximos demais um do outro. Eu prefiro não me arriscar, é tão melhor o gosto da indiferença! – Concluiu, quase num sussurro, mostrando sempre aquele sorriso malvado antes de levar o dedo aos lábios e beijar as lágrimas que acabara de colher.

- Meu Deus... - Ela suplicava com os olhos arregalados de pavor, a voz quase sumindo.

Ela amava aquele homem e sabia que morreria por esse amor, porque era isso que estava acontecendo naquele momento. Igor a matava lentamente desde o dia em que terminou o namoro entre eles, muitos anos antes. E mesmo agora, ele o fazia com a mesma maestria de antes: fazendo-a se sentir a única culpada por tudo o que tinha acontecido e pelo o que estava prestes a acontecer.

"Eu simplesmente amo o jeito que você está perdendo a sua vida."

Por ele.

- Por mim. - A voz dele soou convencida, como se lesse os pensamentos dela.

Egocêntrico e prepotente. Desde o início, todos a alertaram de que Igor só se preocupava consigo mesmo.

- Pensei que eu poderia... vir a fazer parte de você um dia.

- Mas não pôde. Ninguém pode, eu sou como um deus. Único.

Ela engoliu em seco.

- Então, não há outro jeito...

- Não, não há. - Era a voz dele, firme.

Já estavam tão próximos do penhasco às costas dela. Ela mesma, já estava na beirada. Pela primeira vez desde que haviam se reencontrado depois de todos esses anos, ela não sentiu medo do sentimento. Pela primeira vez, deslumbrou-se com a "única certeza da vida"... (a morte) Uma certeza tão forte quanto o que ela sentia dentro de seu coração. E se não era por ele que deveria sentir, não sabia, nunca viria a saber. Porque se devia duvidar do que sentia dentro do peito, não havia mais nada em que pudesse confiar. Sem medo do desconhecido, que pudesse ser maior que o medo que ela mais temia na vida (que era a real inexistência do sentimento dele em retorno), ela não estava mais preocupada nem com a perdição da própria alma. Sabia que ele não se moveria, nem para empurrá-la, nem para puxá-la. O que quer que fizesse, seria por sua própria conta em risco. Se ia viver com aquela dor, ou morrer daquele amor, não importava mais. "Dá no mesmo!", pensou.

Por um momento, ergueu a cabeça não somente para olhá-lo nos olhos, mas para mostrar que ali ainda residia o brilho de coragem que um dia ele tanto elogiou. Mas seria corajoso o que estava fazendo? Seria assim tão errado?

" Oh, minha pequena, que linda você é!

Oh, minha querida, completamente dividia...

Você terá ido com o pecado, minha querida

E que linda você é!

Então terá ido com o pecado, minha querida"

A satisfação que viu ali, a fez estremecer novamente. Mais uma vez ele sorriu calmo e sereno.

"Eu adoro o desespero em seus olhos"

Mas ela não hesitou, continuou olhando-o. Lentamente, ele desceu o olhar para os lábios dela e então até o peito à altura do coração, o que fez com que Igor sentisse nos próprios lábios o gosto do passado.

"Eu idolatro os seus lábios que uma vez foram vermelhos como vinho"

Algo naquele sorriso mudou, tremulando entre o desejo e o orgulho ferido.

Beijou-a apaixonadamente.

"Eu suplico pela sua essência, mandando arrepios por minha coluna à baixo"

Então, o fragmento do passado deles juntos, que insistia em gritar dentro de seu coração que ela o traiu, o fez retomar o controle sobre si mesmo para lembrá-lo do motivo pelo qual estavam ali. A Besta dentro de si queria vingar-se pela dor que ela causou. Aquele tormento tinha que acabar de uma vez! Escolheria entre a mulher que o amava e o maldito orgulho. Era como ter que escolher entre um de seus braços, ou até mesmo, entre a cabeça e o coração. Dos dois, o que sobrasse, com certeza seria de mais utilidade para um homem como ele, um deus.

O orgulho insistiu em lhe sufocar o coração e calar o sentimento.

O beijo endureceu e quando ela voltou a abrir os olhos, concluiu erroneamente que de nada adiantaria lutar contra o orgulho de uma pessoa que conseguia ser tão cruel consigo mesmo.

Pela última vez, procurou os olhos impiedosos do homem por quem estava disposta a morrer, de uma vez, ou lentamente a cada vez que ele deixasse o orgulho falar mais alto para magoá-la. Decidiu-se de que já era hora de virar uma mulher de verdade, para que nunca mais seu coração fosse despedaçado...

Emily deu um passo para trás e abandonou seu corpo, simplesmente, deixou-se cair.

E ele... não se moveu.

Afinal, não é todo dia que alguém morre por você, não é mesmo?

"Eu simplesmente amo o jeito que você está fugindo da vida"

Nisso, Igor perdeu tudo o que tinha, porque depois do que deixou Emilly fazer consigo mesma, descobriu que jamais sentiria orgulho por nada que fizesse. Afinal, ela não estaria mais lá para adorar o simples fato dele existir. E ele a adorava por isso... Antes que o corpo dela atingisse o mar agitado lá embaixo, ele atirou-se também à morte. Levando nos lábios o sorriso habitual e, no pensamento, a única imagem do que verdadeiramente amou na vida, sua pequena Emilly.

"E tão linda você é!"

.

.

.

Já tinha amanhecido há muito tempo e o sol estava a pino, quando abruptamente Emilly despertou daquele pesadelo. Estava ensopada no próprio suor e nem imaginava que uma vez mais, tinha compartilhado com alguém o seu reino dos sonhos.

Ainda era cedo para quem tinha chegado em casa de madrugada, mas naquele mesmo horário Igor também acordou, ligeiramente incomodado por um sonho que mal recordava.

Joice Katlyn says: Bom, por hora é isso… um tanto quanto mórbido, principalmente pela imagem criada do Igor, desejando a morte da Emilly, mas como perceberam no final, não passou de um sonho. Há quem diga que nossos sonhos representam os desejos, nem sempre tão claros, do nosso subconsciente. Eu não duvido, mas se uma pessoa tem costume de colocar toda noite uma música diferente pra tocar em loop infinito, na hora de dormir, acho que ela nem pode tentar interpretar demais os sonhos que tem, né? Nem preciso comentar que, na minha cabeça, o Igor tem a aparência deste cara, com o cabelo um pouco maior... ( .ru/images/attach/b/3/9/77/9077186_ )

Qualquer comentário, hoje ou daqui alguns anos, tanto faz, será igualmente importante para mim. ;D

Beijos!