Meia- Noite em Porto Alegre _ Maya Amamiya

Lua brilhante e elipsada

Suas poucas nuvens cinzentas

Dando toques lúgubres

E justo neste último dia de outubro.

Primeiro badalar do relógio.

Os habitantes da metrópole dormem.

Segundo badalar as luzes das casas se apaga.

Terceiro e último...

Uma garota caminha sozinha

Nas ruas vazias de Porto Alegre,

Procurando o seu ônibus.

Não há um carro, uma moto circulando na rua.

Ela avista seu meio de transporte

Seu nome é um tanto comum para pessoas como ela.

"Aonde tu vais?", perguntou o motorista.

"Rua Transilvânia", respondeu à passageira, com seu sorriso.

O trajeto foi devagar

Outros passageiros embarcaram.

Um garoto peludo, uma loira trintona com uma cobra no pescoço.

Um homem caucasiano de enormes olheiras

E muitos outros tipos.

Última parada, Rua Transilvânia.

O clube aparentemente se mostrava silencioso.

Ao adentrar o local, a jovem se sentiu livre.

A banda formada por vampiros agitavam a plateia sinistra.

O gentil garçom a serviu com um copo de suco.

O suco que ela mais gostava.

Seus amigos a encontraram.

Era hora de se libertar.

Forma humana insuportável.

Se não fosse a maquiagem,

O sol a teria transformado em cinzas.

Seus caninos ganharam uma espetacular forma.

Seus olhos avermelhados ficaram mais atenuados na cor.

A pupila mais dilatada.

De pele pálida e lábios carnudos carmesins

Está ela na sua transformação vampira.

Enquanto a festa rolava

Ouvem-se uivos dos lobisomens

Morcegos voando em direção à lua.

Criaturas mitológicas dançam e cantam.

Até os fantasmas se divertem com tudo aquilo.

E quanto a jovem vampira...

Era embalada ao som do rock,

E dançando com seu namorado lupino

Que só admirava os belos olhos rubros da parceira.

E esse poema é o registro.

De uma noite tão sombria

Em plena meia- noite de Porto Alegre.

FIM

Inara Araujo "Maya Amamiya", uma vampira?