Raios de Luz

Capítulo 12: A Relíquia da Gula: O Elmo Terrestre

Era noite...

*Voooosh!*

Um machado gigante e brilhante, de cor prateada, cortava através das árvores de uma floresta.

*pow!**powl!**POWL!*

O som de armas de todos os tipos podia ser ouvido através da floresta...

"Ahh... Ahh... Ahh... Conseguimos escapar?!" Perguntou um sujeito de terno e chapéu, ele segurava uma metralhadora em suas mãos. Junto com ele, estavam outros sete sujeitos de terno.

Eles eram mafiosos de uma das mais cruéis máfias do país, Los Toros. Eles eram conhecidos por serem corruptos, ocuparem posições de poder, roubar dinheiro dos mais pobres e matar pessoas quando eles desconfiavam dela.

Eles estavam no meio de uma floresta, fugindo do que só se podia descrever... Como um monstro...

Do nada, os galhos das árvores os atacaram, sendo soldados treinados, seis deles conseguiram sair do caminho de galhos afiados. O que tinha perguntado não teve tanta sorte, pois um galho o perfurou pelo olho, o matando.

Um grande tremor soou pela floresta, os seis mafiosos olharam com temor quando uma figura gigante apareceu correndo do meio da floresta.

*vooosh!*

Um machado enorme foi balançado. Os três mafiosos que estavam diretamente na frente dele, de repente se viram meio metro menores depois de terem perdido metade de seus corpos. Eles foram reduzidos a corpos que gemiam de dor no chão da floresta.

O chão da floresta rapidamente abriu e engoliu os quatro mafiosos mortos.

O gigante do machado tinha aproximadamente dois metros e meio de altura de puro músculo. Ele tinha a pele branca, um pouco escura. Sua armadura era prateada, dando a impressão de ser incrivelmente pesada, porem isso nada impedia seus movimentos. A armadura cobria todo o seu corpo enorme, e parecia ser incrivelmente resistente, pois ela possuía marcas de pólvora nela, aparentemente fruto de explosivos.

O machado que ele segurava era enorme, sendo maior que o próprio homem gigante, o machado parecia ser feito do mesmo material que a armadura dele, dando um brilho prateado. A lâmina do machado duplo estava banhada no sangue e nas entranhas dos mafiosos que ele havia matado nessa noite.

Um elmo cobria parcialmente seu rosto, o elmo, diferente de toda sua armadura, era incrivelmente bonito, tendo detalhes e desenhos que sugeriam a incrível habilidade do forjador. O elmo possuía duas nas laterais, aparentemente como enfeites, assim como o cristal vermelho na testa.

O rosto visível do gigante era sério, ele tinha olhos amarelos que sugeriam raiva direcionada aos mafiosos. Ele possuía uma barba grande, porém curta em seu rosto. Seu cabelo, longo e liso, era visível saindo pela parte dianteira do elmo. O gigante possuía duas grandes asas negras.

Em suma, ele era um demônio da pior espécie. Forte e aterrorizantemente intimidador.

Os três mafiosos restantes, atiraram no gigante com tudo o que tinham, um deles até mesmo carregava uma bazuca. Todos os projeteis foram mirados nas partes vulneráveis e visíveis do corpo dele, como o rosto e parte da perna.

Várias explosões ressonaram pelo local, assim como o barulho incessante de metralhadoras, criando uma nuvem de fumaça. Os mafiosos descarregaram tudo o que tinham contra o gigante...

A fumaça clareou... E ele estava intacto... Ele inclusive segurava a um míssil de bazuca entre os dentes, com força, ele mordeu o míssil, que explodiu na boca dele. Sem nenhum ferimento na boca, ele mastigou o que restou do míssil e engoliu, fazendo os mafiosos gritarem de terror.

Uma descarregada daquelas teria matado a maioria dos demônios normais, porém, Guradon era tudo, menos um demônio normal... Ele era quase invencível...

Os mafiosos nunca tiveram chance de fugir daquele local... Uma boca enorme feita de terra apareceu ao redor deles, e os engoliu, abafando seus gritos de terror e de dor.

Sim, esse era o poder de Guradon... Se ele quisesse, ele poderia ordenar a terra e a natureza a engolir Nirvana por completo... A terra estava sobre seu comando...

Porém, ele não tinha motivo, razão ou vontade pra fazer isso...

Nessa noite, ele invadiu um dos acampamentos secretos dos mafiosos, e roubou toda a comida deles... Ele não podia ir sempre à cidade, por isso ele procurava o que podia na floresta...

Seu objetivo... Era saciar uma grande fome...

Em Lightania...

Mamoru foi o primeiro a acordar por mais que ele quisesse continuar dormindo. Talvez se ele tivesse o mesmo nível de preguiça que Kazemaru, ele teria conseguido dormir por dois dias seguidos junto com Akemi assim...

Ele suspirou em alívio ao perceber Akemi ao seu lado, com o rosto virado em sua direção, dormindo pacificamente.

Eles tinham dormido em uma posição única, decidindo deixar suas asas pra fora, elas cobriam um ao outro e eram incrivelmente macias.

Mamoru decidiu ficar fazendo carinho na cabeça dela, brincando com o cabelo de Akemi enquanto ela dormia.

"Se qualquer coisa... Somos como um casal... Somos destinados um pro outro... É como se desde pequenos já sabíamos que íamos acabar juntos..." Mamoru pensou com amor em relação a sua melhor amiga.

Ele aproximou seu rosto do dela.

"Eu te amo Akemi..." Ele sussurrou tão baixo que quase não pode ser ouvido, ele não queria acordar ela ainda...

Movendo seu rosto próximo ao dela, ele deu beijo de leve em seus lábios, o que causou uma reação inconsciente de Akemi. Ela o abraçou, o puxando para mais perto, porém ela ainda estava dormindo.

Alguns minutos se passaram Akemi finalmente abriu os olhos lentamente.

Ela olhou pros olhos vermelhos de Mamoru e ficou vermelha ao o ver tão próximo dela, e que ela estava abraçando ele. Mas ela não fez nenhum esforço de sair daquela posição, um leve sorriso em seu rosto.

"Bom dia dorminhoca..." Ele sussurrou pra ela, colocando uma mão no rosto dela, tirando algumas mechas de cabelo do rosto dela.

"Bom dia Mamoru..." Akemi respondeu, brincando com o cabelo longo dele com suas mãos enquanto abraçava ele.

"Se todos os dias pudessem ser assim... Eu seria realmente feliz... Eu... Preciso de mais poder para poder proteger essa memória... Esses momentos..." Akemi pensava pra si mesma, não tirando seus olhos do dele.

Os dois eventualmente e relutantemente se levantaram e foram se arrumar para a missão deles, Akemi resolveu escolher uma roupa confortável e resistente que não impedisse seus movimentos, Mamoru escolheu a mesma coisa.

No final, ambos estavam vestidos com roupas pretas, suas cabeças cobertas pelos gorros de suas jaquetas. Eles não possuíam nenhuma espécie de armadura que poderia usar, então optaram por vestir as roupas mais resistentes que possuíam. Quando eles voltassem, eles iriam ter que comprar roupas novas, além de alguma espécie de armadura...

Os dois saíram de seus respectivos quartos, preparados para o combate, tendo feito tudo o que precisavam fazer, eles levaram cerca de 2 horas para se preparar.

Os andaram até a sala, e não esperavam o que encontraram lá...

Duas foices bem enfeitadas, de cor negra e lâminas prateadas estavam sendo seguradas por uma espécie de demônio corvo.

Ele tinha aparência humana, suas asas eram negras e era similar a asas de um corvo, ele tinha duas pernas similares a de um corvo, uma terceira perna no lugar de seu braço esquerdo. O demônio tinha olhos vermelhos e brilhantes, e era vestido com um robe que cobria a maior parte de seu corpo. Incluindo sua cabeça, onde só era possível ver seus olhos brilhantes.

Antes que Akemi e Mamoru pudessem entrar em posições de luta, o corvo se ajoelhou perante eles.

"Mestres Akemi e Mamoru... Nós do clã Yatagarasu somos seus soldados leais, porém no momento ainda não estamos preparados para servi-los." O corvo falou, sua voz contendo lealdade.

Akemi foi a primeira a abaixar a guarda diante do corvo.

"Então vocês são nossos soldados? Explique-nos melhor sobre isso." A garota ordenou, como se fosse acostumada, Mamoru também abaixou a guarda e olhou intensamente o corvo.

O demônio diante deles parecia nervoso, mas respondeu mesmo assim:

"É como eu disse, eu sou um simples mago iniciante do clã Yatagarasu, um clã que serve aos demônios da Avareza desde a grande guerra celestial há dois milênios atrás. Somos um clã, que assim como vocês, nos especializamos em combate usando a gravidade e energia negra. Somos um clã enorme, tendo mais de 15 milhões de soldados de nível alto, 50 milhões de nível intermediário e 40 milhões de nível baixo ou iniciante, além de 5 bilhões demônios de outros tipos que não se focam em combate, como médicos, forjadores, civis, etc. Como o Inferno é um local de espaço infinito, temos nosso próprio reino por lá, o Reino dos Corvos, onde nosso clã reina. Somos um dos clãs mais poderosos do inferno, e somos seus aliados." O mago falou explicou para os dois. Mamoru ficou surpreso ao ouvir que tal clã está sob o comando deles, Akemi simplesmente sorriu, parece que ela gostava da ideia de ter um exército próprio.

"Isso é bom... Continue com o seu objetivo aqui soldado." Dessa vez foi Mamoru que ordenou.

"Eu vim aqui lhes presentear isso. Essas foices negras são feitas de Adamantium reforçado com energia negra, achamos que vocês precisariam de uma arma para poder lutar em curto alcance, e assim, nosso líder ordenou que entregássemos essas foices para vocês..." O corvo falou, pegando as duas foices em suas mãos e as presenteando.

Ambos os adolescentes demoníacos pegaram as foices, e instantaneamente sentiram a energia que as armas possuíam, elas pareciam ser boas o suficiente para aumentar seus poderes sobre energia escura.

"Obrigado soldado, apesar de não sabermos lutar com foices ainda, tenho certeza que elas serão muito uteis para nós..." Akemi disse para o corvo com gratidão, a foice era poderosa e ela estava contente por isso.

O corvo abaixou mais uma vez a cabeça, e desapareceu em um enxame de corvos.

"Vem cá... De onde esses corvos apareceram?" Mamoru comentou com um pouco de sarcasmo.

De qualquer jeito, os dois já estavam preparados para o confronto contra o demônio da gula.

Eles saíram de casa, a trancaram, e voaram em direção a Nirvana.

Em Nirvana...

Guradon mastigava um sanduíche de mortadela enorme. Ele estava na floresta, olhando para o horizonte, uma espécie de portão feito de um material resistente e bonito estava atrás dele.

"A natureza... Está me dizendo para eu ter cuidado... Um grande perigo se aproxima, mas o que deverá ser? Hmm... Eu já matei todos os mafiosos e soldados por perto... Não importa, eu irei continuar alimentando essa fome... Por falar nisso, eu quero outro sanduíche, estou com fome!" Rindo alto para si mesmo quando pensou na última frase, ele tirou outro sanduíche de uma sacola e começou a o devorar.

Com Akemi e Mamoru...

Nirvana ficava pelo menos a 300 quilômetros de distância de Lightânia, sendo em si uma cidade enorme. Akemi e Mamoru estavam voando em velocidade regular, se divertindo e brincando durante a viagem.

Só porque eles iriam lutar contra um Lorde Demônio, não significa que eles precisam estar sérios o tempo todo.

Akemi ficava tentando fazer Mamoru perder o equilíbrio e vice-versa. Mamoru acabou descobrindo por acidente um jeito de fazer a foice ficar do tamanho de um pequeno cilindro de cor negra, que ambos guardaram dentro de suas jaquetas, pois segurar a foice o tempo todo é cansativo. O jeito que Mamoru descobriu é simplesmente inserir energia magnética no núcleo da foice que ela instantaneamente fica menor e para ela voltar ao normal era só fazer o mesmo.

Na metade da viagem eles decidiram parar de brincar e apenas conversar durante o caminho, estava perto agora. Só faltavam 20 minutos de voo e eles estariam de volta na sua cidade natal... Nirvana...

"Você se lembra de nossa infância nessa cidade Akemi?" Mamoru perguntou, seu rosto um de apreensão ao visitar a cidade natal deles de novo.

"Como vou me esquecer? Foi aqui que nos conhecemos... Nos metemos em muita coisa aqui..." A garota de cabelos roxos respondeu, olhando pra frente.

Os dois demônios estavam falando sobre as aventuras que eles tinham se metido nessa cidade, antes de se mudarem a dois anos atrás. Apesar de eles também terem se aventurado por Lightânia, são as memórias de Nirvana que são as mais tristes e as mais felizes.

O relógio de pulso dos dois marcou meio dia no exato momento em que eles chegaram a Nirvana... Eles escolheram pousar no cemitério, que por sorte estava vazio no momento.

O cemitério de Nirvana, chamado de Moonview, devido à impressão que dava de noite da lua estar bem próxima do local. O cemitério em si era enorme, ocupando pelo menos 20 km² de terreno da cidade, ele tinha esse tamanho devido a ser o única da cidade, por isso, mesmo sendo tão grande, estava em constante expansão.

O cemitério era considerado um dos mais sinistros do país, possuindo várias árvores ao redor de enfeite, túmulos de todos os tipos... Você podia andar no cemitério à noite e provavelmente iria se perder, mesmo ele tendo boa iluminação, ainda tem um ar sinistro. Os dois sabiam disso pois já se perderam nesse cemitério na primeira vez que vieram aqui, porém, depois de várias idas, eles começaram a se perder menos e já possuem um mapa mental do cemitério.

No meio do cemitério existe uma espécie de catedral-castelo, tendo o tamanho de um prédio de dois andares, apenas a parte debaixo era uma capela, sendo que as outras partes eram cômodos, etc... Essa catedral era abandonada, porém, ela estava em estado precário na primeira vez que eles exploraram-na. Eles descobriram uma entrada subterrânea que levava a um antigo cemitério de padres e freiras... Eles já se encontraram com pelo menos três fantasmas diferentes só na passagem subterrânea enorme.

Claro, eles tinham medo, só que eles gostavam de ir ao cemitério, os espíritos do local eram pacíficos e raramente tentavam machucar eles... Teve uns dois que tentaram, só o máximo que conseguiam era assustá-los.

Akemi estendeu os braços, soldando um ar contente, eles haviam pousado bem em cima da catedral fantasma e logo depois de darem uma olhada aérea, pularam na frente da entrada.

Akemi sentou ali mesmo, olhando para o céu. Quando Mamoru se sentou ao lado dela, ela apoiou sua cabeça no ombro dele, como eles costumavam fazer em sua infância.

"Esse cemitério traz muitas lembranças..." Mamoru comentou, colocando um braço ao redor de Akemi e brincando com o cabelo dela.

"Tem razão... Esse lugar é muito especial pra nós..." Akemi comentou, bocejando um pouco.

"Estou com fome..." Disse Akemi, seu estômago roncando.

"Vamos almoçar no local que sempre íamos quando nossos pais iam viajar... Que tal?" O garoto de olhos vermelhos sugeriu, lentamente se levantando e oferecendo uma mão para Akemi.

A garota de olhos violetas pegou a mão dele e se levantou.

"Ótima ideia, vamos indo!" Com um sorriso no rosto, ignorando completamente o fato de que a noite iriam caçar um demônio, eles começaram a andar no cemitério.

Capítulo 12: FIM