A rainha Coração de Gelo
Sem seu costumeiro olhar glacial
Uivava e urrava de dor
Devido ao esforço partal

Feitiços e incensos no quarto
Durante os rituais de nascença,
Tudo dirigido pela feiticeira
Obrigada aquilo por avença

Tão logo a criança nasceu
Entusiasmada a soberana questionou:
"Um rei ou rainha pari?"
Ao que sua serva negou

"O sinto, minha senhora,
Mas nenhum rei ele será,
No pescoço traz o cordão
Que veio sua vida roubar"

"Não aceito tamanha desgraça!"
Gritou a enfurecida mulher
"Reviva-o, ordeno, reviva-o
E faça-o quanto antes puder!"

"O que pede, vossa alteza,
É impossível conseguir,
Já que a alma se estraçalha
Uma vez após partir"

"Me contento com meia alma,
É melhor do que nenhuma,
E não ouse discutir
Ou eu partirei a sua!"

"Como queira então, senhora,
Mas um preço irá pagar,
Aquilo que lhe é importante
O destino virá levar"

E dizendo essas palavras
Passou ao encanto recitar
Abraçou-se ao menino
E em sua orelha foi cantar:

"Volte logo doce criança
Ao mundo que não conheceu,
Aos braços de sua mãe,
A tudo o que perdeu"

O corpo envolto numa manta
Com a mãe a bruxa deixou
E após longuíssimos instantes
O bebê por fim chorou

Rapidamente foi desenvolto
E um susto a rainha tomou,
Gritou logo à feiticeira:
"Meu filho de cor mudou!"

Ao que a mulher respondeu:
"O sei e também adverti,
Perdeu seus traços reais,
Pois eram importantes a ti"

"Mas isso é horrível!
O que passarão a dizer?
Pensarão que trai meu esposo
E isso não pode ocorrer"

Teria matado a criança,
Aquela terrível mulher,
Não fosse a ação rápida
Da outra que estava em pé

Encantou toda sua existência,
Apagou as memórias sobre si,
Tomou o menino nos braços
E fugiu para sempre dali.