#Muito obrigada por todos os reviews, espero que gostem deste capitulo. Adoro vocês.

Mil beijos.

BellinhaBlack

Esgrima

Pov. Edward

A freneticidade das movimentações no castelo era perturbante para qualquer um que quisesse ler, por esse motivo desisti do livro de Agatha Christie e me enrosquei nos lençóis da cama outra vez, buscando 'despertar' o sono em mim.

Carlisle a muito já estava de pé e provavelmente acreditava que eu tivesse voltado a dormir depois que saiu, mas não, eu levantei, escovei os dentes e comecei a ler.

Desconfio de que meu pai esteja com seus "sobrinhos", porque parece que é tudo que lhe interessa agora. Argh!

Um bocejo.

Isso era bom, sinal de pálpebras ainda cansadas. Havia uma pequena claridade no quarto, o que me incomodou, mas tentei ignorar. Outro bocejo, meus olhos estavam pesados. A maçaneta girou, puxei o travesseiro para cobrir a cabeça, mas não teve jeito, ele sabia que eu tinha acordado.

- Bom dia campeão! – Carlisle se jogou na cama ao meu lado e puxou as cobertas de mim.

- Eu estou dormindo, não posso dar "bom dia" – reclamei de olhos fechados. Meu pai riu, sinal de bom humor.

- Levante-se filho, pode vir comigo, Alec e Jane até o jardim subterrâneo que Athenodora esta projetando. – a voz entusiasmada de Carlisle me fez revirar os olhos por dentro.

"Achei que eu não importava mais para você, Carlisle! Porque não vai ficar com Alec e Jane?!"

- Não quero ir. – retruquei, enquanto puxava as cobertas de volta para meu corpo.

Por alguns instantes meu pai não disse nada e eu nem quis saber o que ele estava pensando.

- Edward, algum problema? Quer conversar comigo? – suspirei alto em sinal de incomodo e quando estava prestes a responder sua pergunta, alguém entrou de supetão no quarto.

- Tio, a gente... – a voz de Jane foi interrompida por um pensamento. "Ops! Ele está com o "filho" dele. Argh! Droga, ele lê mentes Jane! Ora, o que importa papai também lê e nem por isso se irrita quando penso essas coisas!" – Desculpe-me, eu não sabia que... – Carlisle interrompeu a loirinha.

- Tudo bem querida, vamos indo. – o tom de meu pai era calmo, antes de sair ele me deu um leve tapinha no traseiro e eu bufei.

Eu sabia que, assim como eu, Alec e Jane tinham ciúmes de Carlisle. Mas assim como os gêmeos perceberam, eu sou o FILHO, querendo ou não eu terei mais atenção que os 'sobrinhos', embora, claro, meu pai não esteja seguindo essa linha de raciocínio.

Quando a porta foi fechada, ouvi uma conversa animada entre a garota e papai, fechei os olhos e ignorei. Assim, acabei por dormir outra vez, mesmo com a barulheira infernal que faziam no castelo, para preparar a decoração do baile de Marcus.

Abri os olhos devagar e enxerguei uma silhueta preta de costas para mim.

- Tudo bem, não precisa se incomodar tio. – a voz de Alec era um sussurro desapontado.

- Não, tenho certeza que estava aqui! Como pode ter sumido? – a voz de Carlisle era rápida e levemente irritada.

Puxei o ar com força e Alec girou para olhar para mim. Coloquei os pés no chão e me dirigi para o banheiro sem falar com ninguém.

"Que maus modos Edward, cumprimente Alec." – o pensamento autoritário de Carlisle me deixou irritado. Porque eu deveria falar com seu tão querido sobrinho se o próprio não falou comigo?

Ignorei-o completamente e entrei no banheiro, depois fechei a porta bem rápido por precaução.

Esperei ouvir alguma repreensão de meu pai, mas não houve nada. Ele continuou falando com Alec, procurava alguma coisa.

- Edward, você não viu uma bola de baseball por aqui? – a voz de Carlisle era suave, ele pareceu fingir que eu não o tinha desobedecido a momentos atrás.

- Não. – respondi com certo mau humor, que meu pai deduziu ser devido ao meu despertar induzido por suas vozes.

- Não se preocupe, ainda temos tempo para procurar. – Alec sugeriu pacientemente, mas estava impaciente, pude ler em seus pensamentos. Ele queria a bola o mais rápido possível, mas tinha que ser meticuloso, Jane não poderia saber por que provavelmente iria dedurá-lo se fizesse algo, caso não ganhasse um presente tão interessante quanto o seu.

Por um momento eu me identifiquei com o garoto. Rosalie às vezes é do mesmo jeito. E por lembrar-se de Rose, eu ainda nem se quer tinha lido sua lista de compras. Ela poderia ter me mandado algum dinheiro ora!

- Carlisle? – alguém chamou. Era uma voz grossa e intimidante, exatamente como a de...

- Santiago! Achei que tinha saído com Marcus. – disse meu pai. Provavelmente eles saíram, mas o cheiro de Alec continuava ali.

Terminei meu banho e me enrosquei em uma toalha, depois saí do banheiro e como eu esperava o rapaz estava ali, sentado no sofá perto da estante, lendo algum livro.

Olhamos-nos por meio segundo e eu peguei minhas roupas da mala sobre a cama e fui me trocar no banheiro, quando voltei, ele continuava ali.

- Edward, você tem quantos anos? – a voz insegura de Alec soou pelo quarto, embora eu soubesse exatamente o que ele iria me perguntar muitos segundos antes. Ele debatia em sua cabeça se devia ou não puxar assunto comigo. Sorte a dele que eu fui mais com a cara dele que com a de Jane.

- 17... – murmurei arrumando minha mala em pretexto de continuar ali. – E você? – continuei.

O rapaz olhou rápido para o livro.

- Na verdade não sabemos ao certo, 15 ou 16... – ele murmurou.

- Meu pai me disse que cuidou de você e de sua irmã. – dobrei um par de calças e coloquei na mala.

- Sim, por alguns anos, mas isso era quando não podíamos ficar no castelo. – Alec me deu uma olhada rápida e leu uma estrofe do livro, embora não tivesse prestando muita atenção.

- Porque não podiam ficar no castelo?

- Era perigoso, de acordo com 'Aro'. – foi estranho ouvi-lo falar o nome do pai, mesmo que eu de vez enquanto chame meu pai pelo nome também, é estranho ouvir outra pessoa fazer o mesmo.

- O que havia de errado? – perguntei e por um momento me lembrei da historia que Carlisle me contou, sobre as almas.

- Guerras. Nenhum vampiro gosta dos Volturi e naquela época existiam pessoas com clãs realmente enormes, que podiam bater de frente com nossas forças, mas com as vitorias que minha família ia acumulando, ganhávamos seguidores também. – Alec folheou o livro. – Meu tio Marcus diz que provavelmente ainda existem convéns tão grandes como ele conheceu e que talvez estejam esperando à hora certa de nos atacar. O problema é que nossa guarda ultrapassa o qüingentésimo só em Volterra. As afiliações estão principalmente no norte, mas tio Caius diz que não se pode confiar muito em alguém que pouco vemos. – eu olhava atentamente para Alec, enquanto via alguns rostos em sua mente.

- Quando você diz 'convéns grandes', fala exatamente de quantas pessoas? – perguntei e vi um rosto meio pálido e envelhecido em seu rosto, mas carrancudo e autoritário.

- Bem, tio Carlisle tem uma filha não é? – ele começou, a principio achei que ele iria ignorar minha pergunta, mas não, estava tentando esclarecer. Balancei a cabeça em um 'sim' e ele continuou: - Muito bem, ao todo são quatro pessoas em seu clã... – interrompi-o involuntariamente.

- Família... – murmurei e Alec me olhou em compreensão.

- Desculpe. Quatro pessoas em sua família... – ele se corrigiu me olhando de soslaio. – Existe um convém que eu conheço. Existe um líder, ele tem três esposas, cada esposa tem cinco filhos... – Alec se corrigiu outra vez. – Não, os filhos não são delas de verdade, são apenas suas obrigações. Cada uma tem de cuidar de cinco, entende? – seus olhos avaliaram os meus.

- Sim. – murmurei agora sentado na cama.

- Ao todo são 19 vampiros. Meu pai não gostou nem um pouco da maneira como o convém aumentava, então mandou que começassem a tomar conta deles bem de perto, o problema é que o líder descobriu e conseguiu fugir com sua prole. Daí em diante tentaram encontrá-los, mas eles são bons em se manter nas sombras. – eu mal me movia enquanto escutava o que o rapaz dizia. Por um momento especulei que ele estava sendo treinado pra assumir muita coisa caso 'alguém' (Aro) faltasse...

- Onde está Jane? Vocês sempre estão juntos. – comecei com uma leve observação, então vi os olhos de Alec crescer em um quase imperceptível descontentamento, depois que suas sobrancelhas se ergueram.

- Isso não é tão verdade assim! – ele começou, mas olhou de lado e voltou a falar. – Bem, talvez seja... Jane foi ajudar nos preparativos do baile, meu pai não quis mais fazer no castelo.

- E porque você não foi? – minha pergunta desencadeou uma lembrança familiar em suas mente.

- Eu e minha irmã discutimos. – disse ele, mas pelo que vi em sua cabeça não foi apenas uma discussão corriqueira de irmãos. Não. Eles berravam um para o outro e depois que Jane investiu contra ele com uma cadeira, as coisas saíram do controle.

- Edward, meu tio disse que seu poder é parecido com o de 'Aro'. – novamente achei estranho quando ele chamou seu pai pelo nome.

- Ãhn, sim, mas pelo que entendi seu pai só consegue ler pensamentos se tocar nas pessoas e eu não preciso tocar, leio a distancia, mas só o que as pessoas estão pensando naquele exato momento. – Alec me olhava sério, depois estreitou os olhos.

"Consegue ler o que estou pensado?" – começou ele em sua mente e eu quis revirar os olhos, Rosálie fez aquilo durante uma semana para ter certeza que eu lia pensamentos mesmo.

- Sim. – respondi e os olhos dele se arregalaram, porém eu entendi o motivo. – Mas não se preocupe, sua mente está livre do meu dom enquanto eu conseguir controlá-lo. – minha afirmação trouxe algum alivio para Alec, ele até sorriu.

- Você já saiu pela cidade? – ele perguntou e eu recordei a minha caçada frustrante com meu pai.

- Não sozinho... – admiti. Alec sorriu outra vez e se lembrou de Carlisle.

- Porque o tio não lhe deixou ir? – 'o tio' de quem ele falava era meu pai. Revirei os olhos. Até aquele pirralho sabia que papai era controlador!

- Ele não é assim com você. Quando cuidava de mim e de Jane ele mal nos deixava dormir sozinhos! Houve uma vez que eu fui nadar no rio, que era ao LADO da casa e ele me deixou de castigo porque eu não avisei! – vi a recordação da perplexidade que ele sentiu. Era como se eu estivesse vendo o que tinha acontecido!

- Sério? Acredita que eu fiquei de castigo duas semanas só porque falei que se ele não me deixasse caçar sozinho eu iria escondido?! Então ele falou que iria adiantar as coisas e que eu já estava de castigo. Mas eu ainda não tinha feito nada! – vi que Alec conseguia me compreender melhor do que eu imaginava.

- Ás vezes ele é tão...

- Possessivo. – completei a frase do meu primo e nós começamos a rir.

Eu ainda não tinha parado pra pensar que nós estávamos fazendo amizade daquele jeito. As coisas são tão... Imprevisíveis.

- Posso fazer uma pergunta? – Alec me olhou e balançou a cabeça em um 'sim' curioso. – Porque chama seu pai pelo nome?

- Você já chamou meu tio de Carlisle? – eu sabia para onde aquilo nos levaria, mas mesmo assim balancei a cabeça em um 'sim'. – E porque faz isso? – por um momento eu parei pra pensar.

- Não sei... Ás vezes parece que ele presta mais atenção no que eu falo quando eu digo "Carlisle". – Alec balançou a cabeça, vi em sua mente que era como ele pensava.

- Não quer ir conhecer Volterra hoje à noite? – é claro que eu queria!

- Podemos? Não é proibido nem nada?- por um momento eu quase não acreditei na minha pergunta. E daí que era proibido?!

- Bem, na verdade até é, mas eu conheço algumas passagens secretas. Alias é só uma voltinha... Não vai acontecer nada demais. – ele se justificou e eu concordei.

- Jane vai conosco? – não pude evitar perguntar.

Alec pensou por um minuto.

- Se ela souber que fomos sem levá-la, ira nos chantagear, mas se for não vai poder dizer nada nem que queira muito, então... – sorrimos.

- Hoje não é o baile? – recordei esse detalhe.

- Sim, mas a gente vai no meio da festa... Dificilmente meu pai ou tios vão perceber, estarão muito ocupados conversando... – acenei em concordância e depois disso nossa conversa continuou.

Já deviam ser cerca de meio- dia quando Alec e eu saímos daquele quarto. Encontramos meu pai no salão principal conversando com Aro. Quando nos viram eles mal acreditaram que estávamos conversando sobre livros e um milhão de outras coisas. A principio se olharam de um jeito sei lá, engraçado. Com aquele olhar que os pais usam pra conversar sobre os filhos, mas sem dizer uma única palavra.

Ignoramos a conversa que eles estavam tendo e fomos para o quarto do meu primo.

De acordo com Alec tínhamos de ter cuidado para não encontrar sua mãe, porque ela estava estressada com ele por causa da "discussão" com Jane. Eu entendia perfeitamente o que ele dizia.

O castelo estava um pouco vazio, mas agitado mesmo assim. Meu primo me disse que estavam todos para o lugar onde seria o baile, que ficava a duzentos quilômetros de Volterra, mas ainda assim nos domínios dos Volturi.

Quando chegamos perto do quarto de Alec, notei que sua porta era vermelha, na verdade um vermelho vinho. O entalhe em sua porta era de uma coroa com um "A" logo abaixo, como se estivesse coroando a vogal.

A maçaneta era de ouro. Ele a girou e entramos.

O quarto era uma mistura de perfeito com invejável. Além de grande era confortável. Tinha duas janelas de vidro que recebiam luz, embora no subterrâneo. Provavelmente alguma fresta estava aberta na parte superior que iluminava o castelo embaixo, embora fosse uma luz relativamente fraca.

A decoração do lugar era quase uma cena de batalha. Quatro armaduras de ferro ou aço em cada canto do quarto. Espadas de esgrima. Um corcel preto feito de madeira de um metro e meio. Cortinas vermelhas com o brasão dos Volturi. Quatro capas de couro e pêlos ao lado da parede direita, como se estivessem em algum tipo de exposição.

Havia muitas prateleiras, algumas com livros, ou pequenas replicas de soldados de tamanhos variados. A cama dele era como a da maioria dos quartos. Grande e como as de reis, mas estava coberta com lençóis de seda vermelha e com muitos travesseiros sobre ela.

No lado oposto ao da cama estavam as janelas e ao lado esquerdo estava um guarda roupas de portas de vidro. Uma porta ao fundo com o mesmo entalhe da primeira. Devia ser o banheiro.

- É seu quarto é invejável... – admiti e Alec sorriu. Parei os olhos em espadas de cabo de ouro. – Gosta de esgrima? – vi os olhos dele se encherem.

- Claro! Sou o segundo melhor, tirando tio Caius. Você joga? – Alec estava prestes a sair saltitando quando eu disse 'sim'. Carlisle me jogaria por aquelas janelas se soubesse que eu estava com lâminas tão afiadas em mãos! Por isso que eu parei com as aulas de esgrima. Houve uma vez que eu quase arranquei o dedo fora, se não fosse meu pai... Bem, eu não quero nem pensar no que teria acontecido...

Alec puxou uma espada e jogou a outra pra mim. Peguei-a no ar, mas foi quando senti o quão pesada ela era para minhas mãos, imagine para mãos humanas.

- Susan é muito pesada pra você? – ele provocou... Mas por que diabos em qualquer competição os adversários tem que se provocar?

- haha... Talvez você sinta o peso dela quando eu acabar com você e a... – imaginei que nome ele teria dado a outra espada, foi quando vi em sua mente o nome: Marquês.

- Marquês? – repeti antes de ele falar.

- Você disse que não leria meus pensamentos! – disse Alec em tom reprovador.

- Oh, me desculpe, foi sem querer. – admiti.

- Tudo bem, mas se formos jogar e você ler meus pensamentos não vai ter graça alguma. – balancei a cabeça em concordância e prometi que não usaria meu dom e então Alec prometeu que também não usaria o dele...

- Porque essas espadas se chamam Susan e Marquês?- era inevitável essa pergunta. Alec passou um pano branco pela lamina de sua espada.

- Não sei, sonhei com esses nomes e coloquei nas minhas espadas. – um leve sorriso em seu rosto e ele pulou para frente em posição de ataque. Fiz o mesmo.

O barulho de nossas lâminas se chocando era... Saudoso, revigorante, sei lá... Eu estava com saudades da esgrima. Alec pulou para frente com a espada estendida a minha frente, por um milésimo de segundo eu quase fui atingido.

Ele pulou no imobiliário quando eu estava prestes a atingir suas pernas. Estávamos jogando sem uma única proteção. Outro pulo no imobiliário, desta vez meu. Creio que era algo interessante de se ver, contando com nossos poderes sobre humanos.

BAMMM! – fingimos não prestar atenção que uma das armaduras foi ao chão. Alec repetiu em sua mente que estava tudo bem, que sua armadura não era de vidro.

Outro golpe quase me atingiu, mas eu sai da frente no exato momento que meu primo partiu uma das cortinas ao meio.

O nosso jogo continuou, estávamos detonando tudo, literalmente.

- Mas o que vocês estão fazendo? – a voz irritada encheu o quarto e nós paramos de uma vez, olhando nervosos para a porta, enquanto segurávamos os objetos com força.

Se eu pudesse enfiar a espada em mim e morrer eu teria feito, mas quando o senti puxar das minhas mãos de uma vez eu só queria correr.

Carlisle olhou irritado para o quarto a sua volta e depois olhou serio para Alec.

- Eu não acredito que vocês destruíram esse quarto! – meu pai começou. Eu e meu primo caminhamos para trás de cabeça baixa.

"Sorte sua ele ter interrompido, eu estava prestes a vencer!" – demorei dois segundos para descobrir que aqueles pensamentos eram de Alec. Ele estava alegrinho daquele jeito porque meu pai não podia jogá-lo pela janela como podia fazer comigo.

Ergui um pouco os olhos para ele e sorri, mas meu pai viu.

- Estão rindo de quê? Qual a graça de destruir um quarto com coisas tão perigosas em mãos? – ficamos calados sobre aquela pergunta, mas não porque não sabíamos a resposta...

- Alec, sua mã... – a frase não terminada de imediato, tomou proporções assustadoras em um grito. – MAS QUE DIABOS FOI ISSO? – o grito de Aro fez Alec tremer e caminhar ainda mais para trás.

Olhei nervoso para meu pai, que pacientemente procurava um lugar para colocar aquelas espadas.

Como ninguém respondeu sua pergunta, ele suspirou alto.

- Onde Jane está? – Aro continuou, tentando controlar seu tom, mas desistiu meio segundo depois.

- Ela, ela... Esta ajudando na organização do baile no... – meu primo parou de falar quando seu pai virou as costas e puxou o ar com força, como se tivesse tendo um ataque.

- Edward, venha comigo. – a voz grossa e extremamente baixa despertou a iminência de um ataque de pânico em mim.

Carlisle colocou as espadas na cama e se dirigiu para a porta. Quando passou por Aro, eles se encararam perversamente por um breve segundo. Vi Alec dando passos mais rápidos para trás, provavelmente tentando chegar à porta do banheiro.

Ás vezes, quando eu sabia que iria levar uma surra eu me trancava no banheiro e rezava para meu pai se acalmar antes de arrombar a porta. Nas três vezes que tentei isso, funcionou.

"Você está surdo ou quer que eu te arraste pelas orelhas?" – a pergunta muda de Carlisle mandou um tremor as minhas pernas e eu comecei a caminhar para ele, imaginando que desculpa eu iria lhe dar.

Ao passar por Aro eu não fui capaz de segurar meu dom e vi que ele estava prestes a bater em Alec com uma das bainhas das espadas. Tremi naquele pensamento, exatamente quando saí do quarto.

Carlisle fechou a porta atrás de mim e de uma vez segurou meu cotovelo como se fosse arrancar meu braço.

- Pai, eu... – a voz trêmula de Alec saiu do quarto e chegou aos nossos ouvidos. Meu pai saiu me arrastando pelos corredores.

- Não precisa me puxar assim! – falei com uma leve irritação. Ele não precisava arrancar meus membros para que eu lhe obedecesse, eu o poderia seguir para onde ele quisesse que eu fosse.

Carlisle ignorou o que eu disse e continuou me arrastando com brutalidade. Sua mente estava bloqueada de meus poderes, o que significava que ele não queria que eu soubesse o que ele faria comigo.

Quando chegamos à porta do salão principal, meu pai me soltou e nós paramos. Dei um passo para trás por precaução. Carlisle respirou fundo, passou a mão nos cabelos, como para conter os fios desgrenhados, então encarou firmemente meus olhos e eu baixei a cabeça. Era sua acusação silenciosa.

"Vamos passar por esse maldito salão e você vai me seguir direto para o quarto, então iremos conversar." - mesmo por pensamentos eu captei a firmeza e irritação da ultima palavra.

A porta foi aberta e nós passamos. Eu ia tão cabisbaixo que poderia estar me arrastando, já meu pai caminhava como se tivesse abrindo buracos no chão.

Havia alguns vampiros da guarda ali, mas a maioria estava ajudando nos preparativos para hoje à noite. Marcus e Caius tinham ido 'caçar', portanto Aro estava sozinho. A senhora Sulpicia e a Senhora Athenodora também tinham saído junto com seus guarda costas.

Meu pai lançou olhares saudosos a alguns colegas e eu vi pela mente dos outro que os olhos de Carlisle eram negros como breu. Um arrepio dançou pela minha coluna e eu parei.

Dois segundos depois, meu pai estava quase fora do salão, mas reparou que meus passos tinham cessado e virou a cabeça para me olhar com raiva.

"CAMINHE PARA CÁ AGORA!" - ele gritou em sua mente e eu senti um choque no estomago. Notei que nossa pequena platéia acabara de notar que havia algo errado e para diminuir meu constrangimento eu comecei a caminhar no exato momento que meu pai se virou pra mim com a ameaça de me arrastar pelas orelhas.

Quando chegamos aos corredores meu pai me mandou caminhar na frente dele. Imaginem o quanto fiquei nervoso com o que ele pediu, mas depois que ele deixou claro que era uma ordem, eu não tive escolha se não obedecer.

Caminhei a passo de lesma. Algumas vezes meu pai me empurrou irritado para frente, mas eu sempre voltava a andar bem devagar. Foi então que o ouvi desafivelando o cinto e eu praticamente corri para o quarto dele, rezando para não apanhar no castelo Volturi.

Depois que Carlisle passou pela porta, ele a fechou com chave e eu estava procurando a melhor maneira de entrar no banheiro e trancar a porta, o problema foi que meu pai notou os olhares sugestivos que eu dava para a porta no final do quarto e em velocidade vampiresca ele a fechou, me deixando sem nenhuma proteção.

Eu queria gritar por Esme, mas lembrei que ela não estava ali... Meu traseiro era um alvo fácil para meu pai...

- Você provavelmente lembra o que pedi... Aliás, das regras que lhe impus antes de virmos para cá. – vi seu pomo de adão subir e descer, enquanto ele tentava se controlar para não gritar comigo. – Eu esperava que você compreendesse que destruir um quarto com uma ESPAD... – ele parou de falar e respirou fundo. -... Com uma espada era contra as regras.

Meu pai fechou a mão direita em punho e levou até a boca. Imóvel eu o observava nervoso.

- Desculpe... – comecei em um tom baixinho e lamentoso, mas tudo que consegui foi um olhar incrédulo de meu pai.

- Porque eu disse para você ficar longe de espadas? – sua pergunta me trouxe lembranças que, bem, eu adoraria esquecer.

- Porque eu quase cortei meu dedo fora? – por um momento eu achei que Carlisle iria voltar no quarto de Alec, pegar uma espada e me partir ao meio.

- Moleque, você tem muita sorte! – ele sorriu ameaçadoramente, enquanto me encarava. Dei um passo nervoso para trás.

Meu pai começou a desabotoar o cinto e eu arregalei os olhos. Eu tremi de tanto medo, Carlisle nunca tinha me dado uma surra de cinto, exceto por no máximo duas ou três cintadas e nem foram consecutivas, mas doeram, embora de acordo com meu pai não passassem de um "sustozinho".

- Paiiii! Nããão! Nãoo precisa disso papaii! – comecei a implorar caminhando para trás até me encostar na parede. Quando me vi sem saída eu comecei a chorar, enquanto ele dava passos para mim.

Comecei a me arrastar pela parede, pegando distancia do meu pai. Eu estava perto da cama quando ele começou a apressar o passo e eu pulei pelo imobiliário e corri para a estante dos livros, mas em um piscar de olhos ele estava bem ao meu lado. Segurou o colarinho da minha blusa e me puxou pra ele com força.

Creio que seja desnecessário dizer que eu comecei a chorar e tentar me soltar dele, mas foi em vão.

- CALE-SE!- ele gritou bem na minha cara e eu tremi outra vez, mas de susto. Por dois segundos eu olhei nervoso para meu pai retendo qualquer som que vinha a minha garganta, mas depois meu choro retornou.

- Paii, por favoor, desculpaaa!- eu comecei a implorar, enquanto encarava o cinto em sua outra mão. Ele não podia me bater com aquilo! Não, não podia! Ele não ia!

- Você não pode me bater com isso! – falei com rebeldia, embora minha voz fosse chorosa.

Os olhos de meu pai continuavam negros.

- Não posso? IMPEÇA- ME! – outro grito na minha cara, mas agora ele ergueu o cinto na altura dos meus olhos e saiu me arrastando pelo colarinho até a cama, depois me jogou lá.

Eu não consegui dizer nada. Passei por cima da cama e me encolhi no canto. Carlisle me mandou levantar, mas eu não obedeci então ele foi até onde eu estava e me fez ficar de pé pelas orelhas.

- Para paii!- choraminguei. Nesse momento eu ouvi passos no corredor e tentei segurar meu choro. Eu estava com muito medo de apanhar no castelo, por conta da vergonha que eu iria passar.

Carlisle me colocou na cama outra vez, mas dessa vez eu não sai de lá. Sentei rápido e me agarrei em um travesseiro, imaginando que aquilo iria me ajudar a me proteger das cintadas.

Meu pai sentou-se na cama, mas não perto de mim, então jogou a correia no meio de colchão e me encarou. Baixei os olhos para o travesseiro.

- Olhe para mim. – sua voz firme era baixa, apesar de tudo. Obedeci nervoso. -

- Eu não vou bater em você aqui, mas eu deveria. Se você não soubesse que merece não estaria com medo! Alec provavelmente ainda esta levando uma surra e não pense que Aro tem a mesma paciência que eu, que dirá o mesmo senso de "não deixar vergões". – eu fiquei quieto e calado observando o que ele me dizia e por um momento me senti aliviado, mas depois de constatar que o que ele dizia sobre Alec não era mentira, então eu comecei a me sentir mal de verdade.

- Pai, me desculpe. A gente só estava... – fui interrompido por uma sobrancelha arqueada que me paralisava mesmo que fosse de brincadeira.

- Pedir desculpas não adianta nada agora! Eu estou tentando ser paciente com você, mas não estou conseguindo! É melhor você mudar esses seus hábitos e começar a me obedecer ou então vai levar uma surra e tanto! – ele levantou depois dessa declaração e eu baixei a cabeça. Ouvi a porta do banheiro ser trancada com um estrondo e eu tive um sobressalto, depois o chuveiro foi aberto. Carlisle mantinha seu bloqueio mental.

Olhei para o cinto preto no meio do colchão e suspirei. Lembrei de quando Aro decidiu que iria bater em Alec com a bainha da espada. Eu estava sentindo certo peso na consciência. Quer dizer, meu primo não fez aquela bagunça sozinho ora! Não deveria ser punido como se fosse o único culpado.

Eu quis sair dali, mas fiquei na duvida se podia ou não. Deitei na cama e fiquei esperando meu pai terminar o que parecia ser seu banho. Passou cerca de meia hora, Carlisle nunca demorava tanto, mas imaginei que ele quisesse se acalmar.

Quando ele saiu, e fiquei olhando para seus pés e apertei o travesseiro embaixo de minha cabeça. Carlisle caminhou até suas malas e vestiu um moletom, depois se dirigiu até o guarda roupas e puxou dois sacos pretos, que geralmente colocamos ternos.

Observei o que ele estava fazendo. Meu pai colocou os dois sacos sobre a cama, sem se incomodar em deixá-los sobre minhas pernas.

O relógio de pêndulo bateu duas da tarde.

- Você vai pedir desculpas a Aro e a Alec. – começou ele com aquele tom ainda firme e irritado. Ele realmente estava demorando a se acalmar e isso era preocupante.

Murmurei um "Sim Senhor" ainda abraçado à almofada e sem olhar diretamente para o rosto dele. Eu tinha que dar o meu melhor pra ficar na linha, era quase um milagre eu ter me livrado de uma surra!

Meu pai colocou a mão embaixo dos sacos pretos puxou o cinto que passou levemente no meu pé me fazendo tremer. Ele colocou a correia dentro da mala e penteou o cabelo para trás, depois foi sentar no sofá e puxou um livro de capa marrom bem velha.

- Porque não vamos agora? – murmurei baixinho, procurando não parecer incomodá-lo por intenção.

Lentamente meu pai virou a cabeça e me encarou de um jeito serio.

- Porque provavelmente Alec ainda esta tendo uma 'conversa' com seu pai. – ele fechou a boca e voltou ao seu livro, enquanto eu continuei a observá-lo impaciente e ao mesmo tempo culpado. Coitadinho do meu primo, se até Carlisle admitiu que Aro não fosse nem um pouco fácil, então eu podia imaginar que meu primo não iria sentar por um tempo...

Como eu não tive coragem de sair da cama, fiquei fazendo avaliações dos últimos dias na minha cabeça. Por mais surpreendente que tenha parecido ser que eu não apanhei, notei que isso não aconteceu exatamente hoje. Ele fez vista grossa para outras coisas também, principalmente pra algumas maneiras rudes. Hoje mesmo quando eu respondi com irritação quando ele perguntou sobre a bola de baseball, ou então no dia que a gente foi caçar, ou quando eu o desobedeci e sai do quarto, mesmo depois de ele ter deixado claro que eu não podia e eu ainda me meti na cabeça dos outros...

Avaliando bem essas situações eu até acho que sei por que ele não me bateu. Provavelmente porque estamos longe de casa... Ou seja, de certa forma eu estou livre de me meter em uma punição que envolva lágrimas ou cintos...

Um leve sorrisinho cresceu em meus lábios, mas só até meu pai olhar pra mim.

Mais alguns longos minutos se passaram, talvez horas, então nós fomos para o salão principal, mas não havia ninguém lá. O quarto de Alec foi à segunda opção. O coitadinho do meu primo estava lá, mas estava trancada, mesmo assim Carlisle me fez pedir desculpas pra ele e eu pedi.

- Tudo bem... – disse Alec de um jeitinho manso, mas logo depois me mandou um pensamento. "Você ainda quer ir à cidade?" – era de se esperar que eu ficasse chocado com aquele pensamento. Porra, ele tinha levado uma surra agora a pouco e ainda ia aprontar mais?

- Sim... – murmurei como se respondesse ao que ele tinha dito antes, para tentar despistar Carlisle e funcionou muito bem. Perguntamos onde Aro estava e Alec nos disse que ele tinha saído a mais de vinte minutos. Meu pai decidiu que assim que o encontrasse eu iria pedir desculpas e dei minha palavra que faria isso...