Esse é o típico momento em que eu me pergunto coisas como "Por que eu ainda estou viva? Qual o motivo disso?" seguidas de várias perguntas relacionadas a amor e algumas envolvendo masoquismo. Claro, ás vezes a fuga mais fácil parece ser enfiar uma tesoura no seu pulso e morrer por hemorragia. É raro eu pensar assim, e normalmente acho ridículo quem pensa dessa forma, mas ás vezes, só ás vezes, parece tão certo. Quer dizer, por que eu tenho que aguentar uma família que briga como se fossem membros de um hospício? Por que motivo eu devo continuar estudando, me esforçando, tratando as pessoas bem? Não posso simplesmente ser eu, me trancar no meu quarto e ficar lá pra sempre ou simplesmente me suicidar e deixar de ser um peso pra essa porcaria de mundo?

Dizem que a solução para o completo ódio do mundo e afins é o amor. Mas o amor é uma merda. Ele pode ser lindo, mas de alguma forma vai foder com você, assim como todas as outras coisas da vida. O macete é se manter forte ao longo de todos os acontecimentos que te fazerem sentir um lixo, mas todos temos o direito de apertarmos nós mesmos o botão de Game over, certo? É difícil se apaixonar por pessoas, é difícil conviver com pessoas, é difícil viver. Os momentos felizes cada vez menos compensam os tristes e a cada vez que eu paro pra pensar, tudo parece uma merda, uma merda cada vez maior e maior e maior. Não importa o quanto eu finja minha felicidade, escondendo uma expressão depressiva atrás de uma expressão sorridente, ela continua aqui, o buraco que ela faz no meu corpo, alma, coração, ou o que quer que seja, aumentando cada vez mais, me consumindo e me fazendo querer desistir.

Eu costumo enumerar todos os motivos pra não desistir. As pessoas que ficariam tristes por mim, as coisas que eu deixaria de fazer. O meu único sonho (publicar um livro), que ficaria para trás. Morrer sem estar apaixonada por ninguém, sem nunca ter feito alguma loucura. Eu mereço uma chance de fazer tudo isso, mereço mesmo. E eu também mereço outras coisas, como uma família que não seja louca e brigue ao meu redor, atirando coisas que podem facilmente pegar na minha cabeça e me causar alguma coisa grave. Eu não sou totalmente boa, eu faço besteiras e erro, mas eu não mereço essas coisas. Eu mereço algo bom, eu mereço amor e eu mereço uma família carinhosa.

E nesse momento, nesse atual momento, tudo que eu preciso é respirar fundo e continuar seguindo em frente, ignorando toda a vontade de me entupir com meus remédios para dormir ou o desejo esdrúxulo de enfiar a primeira coisa pontuda na minha frente no pulso. É só respirar fundo, esquecer das coisas que estão acontecendo agora e voltar ao meu estado normal. Meu estado normal, que não é o amor e nem o ódio por tudo. Simplesmente meu estado indiferente.