O que seria o amor?

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Términos de namoro são uma droga. Felizmente só tive uma experiência com esse tipo de coisa e fui eu ao dar o fora. Imagino se tivesse sido ao contrário. Provavelmente bem pior. Ou não, quem sabe?

Mas chega um momento em que não dá mais. Seja porque a pessoa te traiu, ficou chata, é ciumenta demais, quer que você fique isolado/a do mundo, exija demais de você, seja excessivamente dramática, te magoe milhares de vezes ou brigue por coisas estúpidas, uma hora acaba.

Quando eu era mais nova tinha aquela mentalidade de que um dia eu encontraria um garoto que gostasse de mim e eu magicamente me apaixonaria por ele e ficaríamos felizes e provavelmente teríamos nossos filhinhos e nossa casa e todo aquele blá-blá-blá. Claro que com o tempo a inocência foi acabando e a realidade deu uma machadada na minha cabeça, mostrando que as coisas não são tão lindas e fofas assim.

Em primeiro lugar, encontrar alguém que esteja apaixonado por você ao mesmo tempo em que você esteja apaixonado por ele é difícil. Já percebeu? Ás vezes você passa um tempão pensando em alguém, sonhando com aquela pessoa, escrevendo poesias envolvendo você e ela e suspirando toda a vez que ela passa por você (ou quando ela fica online no skype, caso você seja do tipo de se apaixona virtualmente). Mas você fica calado. No seu canto, guardando os seus sentimentos para si sabe-se lá por quê. Medo de ser rejeitado? Vergonha? Talvez a pessoa tenha um namorado/a, talvez seja um primo seu, talvez seja alguém com quem você nunca falou na vida.

E então, com o tempo, você conhece novas pessoas ou se aproxima mais de outras, se afasta um pouco daquela pessoa ou simplesmente sente a magia de antes passar. E o que acontece? Aquele ser que te fez morrer de amores há alguns meses diz que está apaixonado/a por você ou que já tinha sido apaixonado/a por você, algum tempo atrás.

Porra, por que você não gostou de mim ao mesmo tempo em que eu gostei de você?

Mas tudo bem, então essa fase passa, a tal pessoa fica pra trás e você finalmente encontra alguém legal, carinhoso e vocês se gostam (milagrosamente ao mesmo tempo), resolvendo assim ficarem juntos e fazerem todas aquelas coisas que casais apaixonados fazem (tipo comprar um cachorrinho e tirar fotos com ele parecendo uma família feliz).

Meses passam, talvez anos, e a magia vai ficando desgastada. Aquela pessoa te liga toda a hora pra saber onde você está e com quem você está, enchendo o seu saco. Você se habituou a esse tratamento e faz o mesmo com ela, mas isso não quer dizer que todo esse controle sobre você deixe de ser uma droga. As brigas são estúpidas, os ataques de ciúmes piores ainda...

Então você ou a outra pessoa resolve, finalmente, terminar. E então o quê? O desespero e a solidão vêm, parece que um buraco surge em algum lugar de você. Ok, terminar era o melhor, mas precisávamos nos afastar, acabar com nossa amizade, com as boas memórias?

E aí, quem vai vir pra minha casa quando meus pais não estiverem pra passar a tarde dando uns amassos ou simplesmente me abraçando e dormindo ao meu lado? Quem vai me ligar todas as noites pra saber como foi o meu dia, quem vai me beijar e dizer que me ama mais do que tudo nesse mundo?

Pronto, a tristeza bate. Não importa quem terminou, por que terminou ou se foi melhor assim. É uma merda. É uma grande merda porque você se apegou a aquela pessoa, você a deixou ser uma das que sabia a maioria dos seus segredos, a que te via chorar e a que te dava forças quando você precisava.

E agora acabou.

Não faz o menor sentido. Por que nós, seres humanos, começamos um relacionamento e uma hora ou outra acabamos com ele? Como nós temos essa força pra terminar, nos estabilizar e amar alguém de novo?

Depois do término que falei no início desse texto, o que eu terminei, eu achei que não fosse ser capaz de gostar de ninguém por um longo tempo. Um, dois, três anos. Foi a primeira vez que eu me entreguei de corpo e alma por alguém, me deixando amar com todas as minhas forças, protegendo e cuidando, chorando junto e pedindo desculpas por erros que eu sabia que nem eram meus.

Como me recuperar de um amor assim? Como?

Não fiquei deprimida, apenas segui em frente como sempre faço, mas eu realmente achava que não fosse conseguir me apaixonar tão cedo.

Eis que três meses depois eu começo a me envolver com um grupo de amigos diferentes. De início nenhum me chamou a atenção ou qualquer coisa assim, até que eu escutei a voz de um deles. Era a exata voz que eu tinha na mente quando lia certo livro. A voz de um garoto que eu tinha adorado.

Precisei comentar e foi isso. Um comentário e algumas risadas. Não era pra acontecer nada. Mas comecei a falar um pouco mais com ele, não o suficiente, nunca o suficiente. Comecei a pensar nele, querer estar com ele, sonhei com ele, suspirei por ele... Foi inevitável.

Eu não esperava me apaixonar tão rápido, mas foi isso que aconteceu. Foi rápido e fatal. Não é o amor que eu sentia pelo meu ex-namorado, não teria como, já que eu tinha bem mais intimidade com ele e tudo o mais, mas ainda assim, quando ele fala comigo e eu sinto um arrepio na nuca e um embrulho no estômago, eu sei que estou apaixonada.

E não há nada que eu possa fazer. Mesmo que eu negue para mim mesma, que negue para as pessoas, que negue pra Deus e o mundo, é a realidade, e eu sei. Sei também que ele não gosta de mim e que muito provavelmente não vai gostar.

E também sei que eu não devo me envolver em um relacionamento virtual outra vez.

Mas adianta dizer tudo isso para mim mesma? Argumentar logicamente por horas e horas comigo mesma não traz resultado nenhum pra mim além de pensar que eu estou apaixonada por ele e que nada pode mudar isso.

Eu mesma não posso mudar isso. Sou impotente com meus próprios sentimentos. Não consigo mandar em mim mesma, não consigo controlar o impulso de falar com ele, de saber como ele está e não consigo impedir meu coração de acelerar toda a vez que ele diz meu nome.

E é isso. Não há fuga, não há solução. O amor é isso.