Escrita

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Gostaria que eu só tivesse insegurança sobre a minha aparência. Quer dizer, acho que todas as pessoas a tem uma vez na vida, é algo natural. Mas não. Além de ter a doce insegurança sobre a minha aparência, eu também fico insegura com relação à minha escrita. Digo, eu sei que escrevo melhor que muita gente por aí, afinal, têm pessoas que mal conseguem escrever uma frase sem cometer um erro ortográfico. Mas escrever melhor que essas pessoas não é o suficiente.

Isso porque eu estou me comparando com o pior. E se comparar com o pior é uma maneira de você se sentir melhor, mas que se você pensar bem, não ajuda em porra nenhuma. Porque isso só quer dizer que você está insegura ao ponto de se comparar com alguém que não sabe escrever direito, ao invés de se comparar com, sei lá, escritores.

Tudo bem, se comparar diretamente com escritores é meio complicado, até porque não sou uma profissional. Se eu fosse, quem sabe pensasse nisso. Mas eles são muito melhores do que eu, e tenho consciência disso. Droga. Eu devia simplesmente não me comparar com ninguém e ser só uma retardada feliz escrevendo sem parar. Fazendo o que eu amo, correndo atrás do meu sonho, mas eu não consigo.

Prefiro ficar escondida atrás de um pseudônimo nada criativo postando na internet do que tentar ir para o mundo de verdade. A possibilidade de ter um conto/livro recusado existe e é altíssima (ainda mais quando eu não tenho autoconfiança), então eu fico com medo. Medo de ser recusada. Medo de perder.

Uma amiga minha alcançou o que queria: Publicou alguns contos e agora terá um livro seu publicado também. Eu fico muito, muito, muito feliz por ela. Também fico com inveja, claro. Mas ela escreve mesmo muito melhor que eu, e eu tenho consciência disso. A inveja/felicidade não importa, o que importa é que ela ter conseguido e eu não me machuca. Como se eu não fosse e nunca fosse ser boa o suficiente.

Isso é uma droga. Um inferno. Um... Um peso irritante, que não passa, que continua aqui, me colocando pro fundo, me depreciando. Uma área que eu não consigo sair. E quando minha tia leu meus contos e os amou, eu fiquei tão feliz. Outras pessoas gostaram deles também, e outras não gostaram muito. Normal, natural. Mas por que eu fico tão abalada quando alguém não gosta? Eu sei que não posso agradar a todos, mas ainda assim fico desse jeito... Que droga, que droga, que droga.

Quero escrever. Quero voltar aos meus 12 anos, quando eu escrevia sem preocupações, quando escrevia por amor à escrita, sem me preocupar com outros escritores e me achando incrível e foda-se o que pensam, o que dizem de mim, o que acham do modo que eu escrevo, etc. Só escrever já bastava.

Eu quero que escrever seja o bastante de novo. Quero que a insegurança pare, e que eu mande meus contos pra todos os meus amigos tacando o foda-se para o que eles vão pensar ou dizer ou criticar. Críticas são boas e me ajudam a crescer. Eu iria sorrir e corrigir, porque ia saber que eles falavam aquilo para o meu bem, mas mesmo com aquela parte ou partes erradas, eu ainda acharia meu conto perfeito, somente pelo fato de que fui eu que o escrevi.