Tudo que importa

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Tereza suspirou, cansada.

- De novo, Ruan? De novo?

Ele ergueu os olhos para ela, com as mãos tremendo levemente. Tereza encarou-os e passou as mãos pelo vestido, esticando o tecido.

- Pra fora, piranha.

A loira não a levou a sério e lhe lançou um sorriso irônico. Tereza encarou Ruan e arqueou as sobrancelhas, e logo ele puxou a menina e a arrastou porta afora.

- Eu queria entender por que você faz isso. – Ela colocou a bolsa sobre a escrivaninha e espreguiçou-se. – Queria mesmo. Você nunca me diz.

- Nem eu sei. – Ele pegou as roupas da loira do chão enquanto falava. Ela estava esperando na sala, muito brava e apenas de calcinha.

- Tire ela da nossa casa e volte aqui pra conversarmos, certo?

Ele confirmou e saiu pela porta. Enquanto sua esposa tirava a roupa, reclamando de dores no corpo, ele desculpou-se com a moça loira e lhe deu alguns beijos nos lábios, passando-lhe a segurança de que se veriam novamente.

Tereza sentou-se na cama e observou Ruan sentar-se ao seu lado, sem encará-la.

- Está arrependido?

Ele fez que não com a cabeça.

- Então por que não olha para mim?

Ele olhou.

Ela inclinou levemente a cabeça, quase suspirando de prazer ao ver os olhos castanhos dele fitando-a com tanta intensidade.

- Você ainda me ama?

- Amo.

- Certo. – Ela levantou-se da cama e seguiu para o banheiro. – Vou tomar um banho. Peça algo pra comermos. Comida japonesa, de preferência.

- Você não se importa?

- Com o quê?

- Com o fato de eu trair você?

Tereza tocou o batente da porta do banheiro e lambeu os lábios. A resposta não importava muito, pois não mudaria nada.

- Já estou acostumada. – Ela disse. – Mas acho que você lembra quando fiquei na primeira vez. - Ela esfregou os dedos na palma da mão. - Hoje em dia não ligo mais.

- Você deveria ligar. Assim parece que você não se importa comigo.

Ela teve vontade de gritar que ele era um maldito egoísta. Que se ela estava há todo esse tempo com ele, mesmo com ele a traindo, não teria como ela não se importar com ele e amá-lo.

- Vai mudar alguma coisa? Você vai parar de me trair?

Ele pensou rapidamente.

- Não.

Ela sorriu para seu reflexo no espelho.

- Então não importa.

Tereza bateu a porta do banheiro, trancou-a e, debaixo do chuveiro, chorou.

Superar aquilo era simples, suas amigas diziam. Bastava terminar com ele, divorciar-se dele. Mas como, se ele era o único homem que ela amava? E, de certa forma, ela já não ligava mais que ele a traísse. Era algo previsível.

Se ele a continuasse amando, mesmo que ele a traísse... Estaria tudo bem. Porque eles ainda estariam juntos.

Para Tereza, isso era tudo que importava.

Sim, era tudo que importava.