Estranheza

Ser eu é algo tão estranho. Talvez essa sentença nem faça sentido, mas é como eu me sinto. Na verdade, acho que o mundo que eu vivo que é estranho. "Por quê?" Porque eu sei que me amo, me amo intensamente, mas ainda assim me sinto deslocada de tudo. É estranho e irritante. Muitas vezes eu penso que quero fazer parte de alguma coisa, mas quando tenho a oportunidade, acabo desistindo. Acho que não quero fazer parte de nada simplesmente por não me encaixar em lugar algum.

Há dias que eu penso que confio em algumas pessoas e que eu as amo, mas logo depois eu simplesmente as desprezo e penso que não quero mais ter que aturá-las. Elas nem precisam fazer nada para que eu pense isso. Eu simplesmente enjoo delas. Socializar é irritante. Existir também. É tudo tão... Sem sentido. Pessoas são tão complexas. Todas elas são, mas ainda assim ninguém pode compreendê-las além de elas mesmas. Só quem me entende sou eu mesma, e é assim com todo mundo.

Qual o sentido de existir se ninguém entende você? Você nasce sozinho, passa a vida sozinho e morre sozinho. Se conectar a outras pessoas é uma mentira. É tudo tão sem sentido que eu nem sei como explicar. Gostaria de ter fé de que algo acontece depois da morte, porque talvez assim minha vida tivesse um propósito além de morrer. Mas não acredito, então nada faz sentido. Eu prefiro ser inteligente e ter essas crises de personalidade à ser burra e feliz na ignorância, mas às vezes ainda penso que gostaria de ter fé em algo.

Ainda agora eu li o diário de um amigo. Era tão pessoal que eu nem consegui termina-lo de tanta agonia. Acabei pensando em mim mesma ao fazê-lo. Em como eu sou, nos meus problemas, nos meus sentimentos que eu não coloco no papel. Resolvi coloca-los todos, para assim poder lê-los depois e sentir alguma coisa. Talvez que eu tenha tido progresso em deixar de senti-los, ou talvez que senti-los fosse o melhor pra mim. Eu não sei, mas provavelmente minha Eu do futuro saberá.

Eu mandei uma carta do futuro para mim. Ela chega em um ano. Não lembro bem do conteúdo, mas eu dava forças para mim. Creio que eu vá ficar bem animada quando a receber, ou pelo menos motivada a continuar a viver. Eu quase não me lembro de como estava me sentindo no dia que a escrevi (eu estava extremamente depressiva e sem saber o que fazer da minha vida, simplesmente querendo desistir de tudo). É tão estranho que eu não lembre bem quem eu era há uma semana atrás. Não é como se eu perdesse a memória. É como se houvessem várias de mim. Tantas que, em todos os dias da minha vida, elas não se repetem.

Mas se eu sou uma pessoa diferente a cada dia da minha vida, como ainda têm pessoas que me amam e amaram? Acho que minha essência continua, apesar da mudança de dias. Sim, é isso. É por isso que eu amo outras pessoas também. Mas eu não as amo todos os dias. Como já disse, às vezes eu as odeio, às vezes eu as desprezo e às vezes quero que elas morram. Às vezes eu acho que estou apaixonada por elas, e às vezes simplesmente elas estão ali, sem significar absolutamente nada pra mim. Pessoas são estranhas pra caralho.

Poderia falar de como eu ainda sinto alguma coisa pelo meu ex-namorado, mesmo depois de dois anos desde que terminamos e em como eu sinto vontade de beijar alguém, mas ainda assim sinto que não pode ser qualquer um. Em como eu odeio ir para o colégio, em como eu quero desistir de estudar e de todo o resto da minha vida, e em como nada nesse mundo parece me satisfazer, apesar de existirem tantas coisas incríveis nele... Mas já falei o suficiente, e já cansei de refletir.